01/12/2008

sobre rainer rilke

Neste blog, há vários poemas do tcheco Renê Rilke que foram extraídos da obra “O livro de horas”, publicado em 1905.

São belas amostras de sua poesia metafísica, vazados numa fala mais singela, que às vezes lembra o tom coloquial, mas nem por isso destituídos da densidade própria de seus poemas, densidade até aflitiva para esses nossos assépticos tempos e, infelizmente para muitos, uma densidade obsoleta . Nessa obra Rilke parece dialogar diretamente com a fonte de todo o universo, mas numa espécie de religiosidade terrestre, como se estivesse a conversar com um Deus acessível, quase tão frágil e desamparado como a criação. A própria referência do título é significativa: livros de horas são manuscritos próprios da Idade Média, ricamente ilustrados para fazer referência à devoção cristã, contendo textos, orações e salmos. Em sua forma original o livro de horas servia como leitura litúrgica para determinados horários do dia.

E “O Livro de horas” de Rilke é como se fossem singelas conversas com o divino, das quais lançamos mão ao longo do precário horário de nosso existir. Nessa obra Rilke consegue com naturalidade exercitar um encontro entre beleza e transcendência, oferecendo um pequeno vislumbre daquilo que poderia ser um real encontro entre arte e religiosidade, para além das limitações impostas impostas por religiões, filosofias, sabedorias e escolas artísticas.

Enfim, poetas como Rilke oferecem uma visão do que poderá ser o grande encontro entre arte, religião e razão, a grande integração - entre todas as formas de saber e perceber o mundo - que nos espera lá á frente da história; claro, desde que consigamos superar este momento de barbárie imposto ao mundo pelo perda de controle da razão tecnicista, domindora e instrumental própria do capitalismo industrial, caso consigamos criar e consolidar alternativas ao visível esgotamento do outrora revolucionário e necessário modo de produção capitalista.

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