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05/01/2013

o começo do fim da estupidez ocidental?

Estamos indo de mal a pior, mas há brotos no deserto

Se considerarmos a forma como os donos do poder estão enfrentando a crise sistêmica de nosso tipo de civilização podemos dizer que estamos indo de mal a pior. Um balanço do micro, por outro lado, nos revela que estamos assistindo, esperançosos, ao brotar de flores no deserto.
Leonardo Boff

A realidade mundial é complexa. É impossível fazer um balanço unitário. Tentarei fazer um atinente à macro-realidade e outro à micro. Se considerarmos a forma como os donos do poder estão enfrentando a crise sistêmica de nosso tipo de civilização, organizada na exploração ilimitada da natureza, na acumulação também ilimitada e na consequente criação de uma dupla injustiça: a social com as perversas desigualdades em nível mundial e a ecológica com a desestruturação da rede da vida que garante a nossa subsistência e se, ainda tomarmos como ponto de aferição a COP 18 realizada neste final de ano em Doha no Qatar sobre o aquecimento global, podemos, sem exagero dizer: estamos indo de mal a pior. A seguir este caminho encontraremos lá na frente e, não demorará muito, um “abismo ecológico”.

Até agora não se tomaram as medidas necessárias para mudar o curso das coisas. A economia especulativa continua a florescer, os mercados cada vez mais competitivos –o que equivale dizer – cada vez menos regulados e o alarme ecológico corporificado no aquecimento global posto praticamente de lado. Em Doha só faltou dar a extrema-unção ao Tratado de Kyoto. E por ironia se diz na primeira página do documento final que nada resolveu, pois protelou tudo para 2015:”a mudança climática representa uma ameaça urgente e potencialmente irreversível para as sociedades humanas e para o planeta e esse problema precisa ser urgentemente enfrentado por todos os países”. E não está sendo enfrentado. Como nos tempos de Noé, continuamos a comer, a beber e a arrumar as mesas do Titanic afundando, ouvindo ainda música. A Casa está pegando fogo e mentimos aos outros que não é verdade.
Vejo duas razões para esta conclusão realista que parece pessimista. Diria com José Saramago: ”não sou pessimista; a realidade é que é péssima; eu sou é realista”. A primeira razão tem a ver com a premissa falsa que sustenta e alimenta a crise: o objetivo é o crescimento material ilimitado (aumento do PIB), realizado na base de energia fóssil e com o fluxo totalmente liberado dos capitais, especialmente especulativos.

Essa premissa está presente em todos os planejamentos dos países, inclusive no brasileiro. A falsidade desta premissa reside na desconsideração completa dos limites do sistema-Terra. Um planeta limitado não aquenta um projeto ilimitado. Ele não possui sustentabilidade. Aliás, evita-se a palavra sustentabilidade que vem das ciências da vida; ela é não-linear, se organiza em redes de interdependências de todos com todos que mantem funcionando todos os fatores que garantem a perpetuação da vida e de nossa civilização. Prefere-se falar em desenvolvimento sustentável, sem se dar conta de que se trata de um conceito contraditório porque é linear, sempre crescente, supondo a dominação da natureza e a quebra do equilíbrio ecossistêmico. Nunca se chega a nenhum acordo sobre o clima porque os poderosos conglomerados do petróleo influenciam politicamente os governos e boicotam qualquer medida que lhes diminua os lucros e não apoiam por isso as energias alternativas. Só buscam o crescimento anual do PIB.

Este modelo está sendo refutado pelos fatos: não funciona mais nem nos países centrais, como o mostra a crise atual nem nos periféricos. Ou se busca um outro tipo de crescimento que é essencial para o sistema-vida, mas que por nós deve ser feito respeitando a capacidade da Terra e os ritmos da natureza, ou então encontraremos o inominável.
A segunda razão é mais de ordem filosófica e pela qual me tenho batido há mais de trinta anos. Ela implica consequências paradigmáticas: o resgate da inteligência cordial ou emocional para equilibrar o poderio destruidor da razão instrumental, sequestrada já a séculos pelo processo produtivo acumulador. Com nos diz o filósofo francês Patrick Viveret “a razão instrumental sem a inteligência emocional pode perfeitamente nos levar a pior das barbáries”(Por uma sobriedade feliz, Quarteto 2012, 41); haja vista o redesenho da humanidade, projetado por Himmler e que culminou com a shoah, a liquidação dos ciganos e dos deficientes.

Se não incorporarmos a inteligência emocional à razão instrumental-analítica, nunca vamos sentir os gritos da Mãe Terra, a dor das florestas abatidas e a devastação atual da biodiversidade, na ordem de quase cem mil espécies por ano (E.Wilson). Junto com a sustentabilidade deve vir o cuidado, o respeito e o amor por tudo o que existe e vive. Sem essa revolução da mente e do coração iremos, sim, de mal a pior.
Veja meu livro: Proteger a Terra-cuidar da vida: como evitar do fim do mundo, Record 2010.

Balanço anual no micro: brotos no deserto

Desde Santo Agostinho (em cada homem há simultaneamente um Adão e um Cristo), passando por por Abelardo (sic et non), por Hegel e Marx e chegando a Leandro Konder sabemos que a realidade é dialética.
Vale dizer, ela é contraditória porque os opostos não se anulam mas se tensionam e convivem permanentemente gerando dinamismo na história. Isso não é um defeito de construção mas a marca registrada do real.

Ninguém melhor o expressou que o pobrezinho de Assis ao rezar: onde houver ódio que eu leve o amor, onde houver trevas que eu leve a luz, onde houver erros que eu leve a verdade… Não se trata de negar ou anular um dos polos, mas de optar por um, o luminoso e reforçá-lo a ponto de impedir que o outro negativo não seja tão destrutivo.

A que vem esta reflexão? Ela quer dizer que o mal nunca é tão mau que impeça a presença do bem; e que o bem nunca é tão bom que tolha a força do mal. Devemos aprender a negociar com estas contradições. Num artigo anterior tentei um balanço do macro, negativo; assim como estamos, vamos de mal a pior.

Mas dialeticamente há o lado positivo que importa realçar. Um balanço do micro nos revela que estamos assistindo, esperançosos, ao brotar de flores no deserto. E isso está ocorrendo por todas as partes do planeta. Basta frequentar os Fórums Sociais Mundiais e as bases populares de muitas partes para notar que vida nova está explodindo no meio das vítimas do sistema e mesmo em empresas e em dirigentes que estão abandonando o velho paradigma e se põem a construir uma Arca de Noé salvadora.
Anotamos alguns pontos de mutação que poderão salvaguardar a vitalidade da Terra e garantir nossa civilização.

O primeiro é a superação da ditadura da razão instrumental analítica, principal responsável pela devastação da natureza, mediante a incorporação da inteligência emocional ou cordial que nos leva a envolvermo-nos com o destino da vida e da Terra, cuidando, amando e buscando o bem-viver.

O segundo é o fortalecimento mundial da economia solidária, da agroecologia, da agricultura orgânica, da bioeconomia e do ecodesenvolvimento, alternativas ao crescimento material via PIB.

O terceiro é o ecosocialismo democrático que propõe uma forma nova de produção com a natureza e não contra ela e uma necessária governança global.

O quarto é o bioregionalismo que se apresenta como alternativa à globalizaçãohomogeneizadora, valorizando os bens e serviços de cada região com sua população e cultura.

O quinto é o bem viver dos povos originários andinos que supõe a construção do equilíbrio entre seres humanos e com a natureza à base de uma democracia comunitária e no respeito aos direitos da natureza e da Mãe Terra ou o Indice de Felidadade Bruta do governo do Butão.

O sexto é a sobriedade condividida ou a simplicidade voluntária que reforçam a soberania alimentar de todos, a justa medida e a autocontenção do desejo obsessivo de consumir.

O sétimo é o visível protagonismo das mulheres e dos povos originários que apresentam um nova benevolência para com a natureza e formas mais solidárias de produção e de consumo.

O oitavo é a lenta mas crescente acolhida das categorias do cuidado como pré-condição para realizar uma real sustentabilidade. Esta está sendo descolada da categoria desenvolvimento e vista como a lógica da rede da vida que garante as interdependências de todos com todos assegurando a vida na Terra.

O nono é penetração da ética da responsabilidade universal, pois todos somos responsáveis pelo destino comum nosso e o da Mãe Terra.

O décimo é o resgate da dimensão espiritual, para além das religiões, que consente nos sentir parte do Todo, perceber a Energia universal que tudo penetra e sustenta e nos faz os cuidadores e guardiães da herança sagrada recebida do universo e de Deus.

Todas estas iniciativas são mais que sementes. Já são brotos que mostram a possível florada de uma Terra nova com uma Humanidade que está aprendendo a se responsabilizar, a cuidar e a amar, o que afiança a sustentabilidade deste nosso pequeno Planeta.

21/12/2012

o mundo em 2012

Emir Sader, em carta maior

Os marcos mais gerais do panorama internacional são a prolongação da crise econômica do capitalismo, iniciada em 2008, assim como os focos de enfrentamento militar promovidos pela hegemonia imperial norteamericana.

A crise, retomada com força em 2011, seguiu devastando as sociedades europeias, com seu foco concentrado na Grécia, em Portugal, na Espanha e na Itália, estendeu seus efeitos para o conjunto da economia europeia, que entrou em recessão. Teve continuidade a expropriação de direitos fundamentais da população, fazendo com que essa crise marque o fim do Estado de bem estar social, que caracterizou a Europa nas três décadas imediatamente posteriores à segunda guerra mundial.

Não há horizonte de recuperação econômica e de superação da crise para os próximos anos, fazendo com que a década inteira seja marcada por retrocessos. São os próprios fundamentos da unificação europeia – a unidade monetária – que estão em questão, sem que haja força política dos países mais vitimados pela crise, para recolocar em discussão as bases dessa unidade. A unificação, da forma como foi concebida e colocada em prática, terminou sendo uma armadilha, da qual a Europa não se mostra capaz de sair, pesando sobre o conjunto da economia internacional como um fator recessivo.

A economia norteamericana, por sua vez, às voltas com a difícil resolução dos seus déficits, ja não poderá desempenhas o papal de locomotiva da economia mundial. O crescimento da China, mesmo em patamar inferior ao das décadas passadas, segue sendo o fator dinâmico mais forte da economia mundial, aumentando proporcionalmente seu peso, em contraste com a estagnação dos EUA, da Europa e do Japão.

A América Latina passou pelo seu pior ano em termos de desempenho econômico, desde que conseguiu retomar um ciclo econômico expansivo, sob os efeitos da recessão internacional e da diminuição da demanda do centro do capitalismo.

De qualquer maneira, uma crise como a atual, no centro do sistema, que em outras circunstâncias teria levado a todos os nossos países a recessões profundas e prolongadas, conseguiu ser enfrentada apenas com a diminuição dos ritmos de crescimento. Porque a nova configuração da economia mundial já apresenta um mundo economicamente multipolar, de forma que nossas economias, com a diversificação da sua inserção internacional, puderam contar com o comercio com a Ásia, com a intensificação do comercio de integração regional e com a expansão dos mercados internos de consumo popular, para resistir à crise.

A perspectiva é de recuperação de ritmos um pouco maiores de crescimento econômico para 2013, porem sem voltar aos níveis que tivemos na década passada.

Do ponto de vista geopolítico, nos focos centrais de guerra – Iraque, Afeganistão, Palestina, Síria – se intensificara os conflitos. Ao anuncio da retirada das tropas do Iraque e do Afeganistão, não se corresponde uma diminuição do ritmo dos combates, das ações da resistência interna e das baixas das tropas de ocupação, não se prevendo uma normalização militar e tampouco estabilidade politica nesses dois países, que seguirão sendo epicentros de enfrentamentos militares.

A Palestina sofreu uma nova ofensiva contra Gaza e a continuidade da ocupação pela multiplicação dos assentamentos israelenses no seu território, mas o cenário politico teve mudanças, com o reconhecimento da Palestina como pais observador na ONU. A votação trouxe também a novidade do esfacelamento do bloco ocidental solidário com os EUA, com a quase totalidade dos países europeus votando a favor da Palestina ou se abstendo, deixando os EUA reduzido a aliados de pouca projeção.

Esse novo estatuto da Palestina representa a aceitação do seu Estado, assim como a possibilidade de participação em Tribunais internacionais, onde é possível a aprovação de condenações concretas de Israel pela ocupação da Palestina e por outras ações repressivas contra o povo palestino.

No entanto, não reaparece ainda em Israel uma força interlocutora desse amplo consenso internacional favorável à Palestina, que permita destravar a situação atual de bloqueio dos processos de paz e de reconhecimento formal do Estado palestino. Pode-se prever que se fortaleçam vozes dissidentes em Israel no futuro imediato, sob a pressão também dos EUA, que se desgasta ao se isolar no apoio às politicas belicistas de Israel.

O foco que mais intensificou os enfrentamentos militares foi a Síria. Desapareceram as mobilizações populares dos dois lados e a situação ficou totalmente marcada pelos bombardeios da parte do governo sobre zonas sob influência ou controladas pela oposição, e ações terroristas por parte desta.

Como tendência, se pode constatar um fortalecimento politico da oposição, com reconhecimento internacional quase generalizado, enquanto o governo sírio conta apenas com o apoio do Irã, da Rússia e da China, mas também sob os efeitos do enfraquecimento do governo de Assad, já se nota, pelo menos por parte da Rússia, um certo distanciamento em relação ao governo de Assad. O Irã mantem firmemente seu apoio, até porque sabe que a eventual queda do governo de Assad deixa o Irã como principal foco de ataques do bloco ocidental na região. Provavelmente se acelerarão os apoios militares externos à oposição, na busca de intensificar as pressões sobre o governo de Assad, com perspectivas de enfrentamentos ainda mais violentos no próximo ano, ate’ que se vislumbre uma solução à prolongada e violenta crise síria.

Na América Latina, o quadro atual tende a estabilizar-se, com a relativa recuperação econômica. No Equador Rafael Correa deve se reeleger em fevereiro, restando saber que tipo de maioria manterá no Congresso, diante das forças de direita e de ultra esquerda que se opõem ao governo.

As eleições no Paraguai tem previsões incertas, diante das duas principais forças opositoras – partidos Colorado e Liberal -, com as candidaturas mais fortes, pela divisão – até aqui – do campo de Fernando Lugo, com dois candidatos. Se chegarem a se unificar, podem ter chances de disputar a presidência.

A situação da Venezuela está na dependência da situação de saúde de Hugo Chavez. Caso ele possa tomar posse e o país possa evitar novas eleições presidenciais, as perspectivas imediatas são positivas, mesmo se Chavez não possa retomar seu cargo. Ainda com eleições eventuais, no imediato a herança de Chavez é suficientemente forte – confirmada pela eleição de governadores – para tornar favorito a Maduro para dar continuidade ao processo bolivariano na Venezuela.

Na Argentina o quadro de instabilidade tende a se prolongar, pelo menos até as eleições parlamentares, quando o governo se joga a possiblidade – pouco provável hoje – de conseguir 2/3 no Parlamento, para promover a reforma constitucional que permitiria a Cristina se candidatar a um terceiro mandato. Caso não consiga, se abre diretamente o clima de uma disputa aberta pela presidência na sucessão de Cristina. Caso essa maioria seja obtida, Cristina seria favorita – mesmo que enfraquecida em relação à eleição anterior – para seguir como presidente.

No cenário continental, a maior novidade é a extensão do Mercosul, com o ingresso da Venezuela e da Bolívia, e a provável entrada próxima do Equador. Esse novo panorama rompe com os círculos viciosos de disputa por corporações privadas brasileiras e argentinas por mercados, permitindo que o Mercosul venha a dispor de um efetivo projeto de integração econômica, social, tecnológica, educacional, de meios de comunicação – entre outras esferas. O Mercosul passará a dispor de uma homogeneidade que entidades como o Mercosul, por exemplo, não dispõe, por este conter países que tem Tratados de Livre Comércio com os EUA. Essa nova configuração do Mercosul pode ser a maior novidade no processo de integração regional na segunda década de governos progressistas na América Latina.

20/11/2012

quem está na idade média: gaza ou israel?


Ódio e Negócios
por Laerte Braga - trechos


Estão juntos na barbárie nazissionista contra palestinos. O ódio bíblico da presunção de superioridade racial, de missão divina, os “negócios”, nos saques e na pirataria contra vidas e riquezas palestinas. Pior. Esse ódio e esses “negócios” se espalham pelo mundo no cinismo que caracteriza os sucessores de Hitler.

“Vamos levar Gaza de volta à Idade Média”. Foi a declaração de um dos ministros do gabinete terrorista de Tel Aviv. Ficou estampada em todos os jornais do mundo. Não havia como esconder. Os vídeos e fotos de corpos de crianças, mulheres, idosos mortos na insanidade fingida, na falsa indignação de quem ocupa terras alheias são universais e se incorporam à História da crueldade em todos os tempos.


Os ataques de Israel contra Gaza são crime de genocídio e têm o apoio de nações como os Estados Unidos e sua principal colônia na União Européia, a Grã Bretanha. O sangue de palestinos corre por todo o mundo despertando a revolta de seres humanos que ainda se mantêm como tal.


Os corpos estendidos, os olhares aflitos, a dor, a revolta, são da incompreensão de tanto ódio, de tantos “negócios”.


O governo terrorista de Israel se apropriou de terras e águas palestinas. No caso da água uma empresa sionista explora o bem em terras palestinas e cobra o dobro de palestinos. São ladrões contumazes ao longo da história. E curiosamente o Alcorão proíbe a cobrança de juros. É uma diferença abissal entre o ódio e os “negócios” e simplicidade de pastores de ovelhas, agricultores expulsos de suas terras, cercados por um muro e atemorizados por batalhões de homens bestas, ou bestas feras armados até os dentes e sem o menor brilho humano nos olhos. 

Em Gaza os palestinos vivem da produção de flores e frutas, entre outras atividades primárias, mas ricos em sua essência. As flores estão sendo mortas e não estão “vencendo canhões”.

Parar com esse horror? Basta que os chamados grandes queiram fazê-lo. Israel deixou de ser um direito de um povo – a despeito dos protestos de judeus em todo o mundo contra o seu governo – para se transformar naquilo que Einstein, ainda no final da década de 40 e início da década de 50, previa. Criminosos no governo.

É uma falácia a afirmação que foguetes do Hamas atingem Jerusalém. São rojões perto do arsenal químico (fósforo branco) e nuclear (urânio empobrecido) dos terroristas de Tel Aviv. Ou de Treblinka, difícil dizer a diferença.

É inexplicável o silêncio de governos do Egito, da Jordânia, dos países muçulmanos diante do massacre inaceitável. É um silêncio que soa como punhalada. (...)
(...) É ódio e são “negócios”.
A judiação imposta ao povo palestino só encontra paralelo nos campos de concentração do 3º Reich.
Vivemos o apogeu insano do 4º Reich.

Começam a soprar ventos de insatisfação nos EUA. Nem os norte-americanos agüentam mais tanta violência e tanta crueldade.
Bem fez Chávez que, em 2006, percebendo o perigo da suástica transformada em cruz de Davi expulsou de seu país todo o corpo diplomático israelense da Venezuela.


Não basta pedir paz. Que paz? Há que ter ser liberdade para a Palestina. O Estado Palestino como decidido pela ONU.
Há que se cumprir as mais de 50 resoluções da ONU que condenam Israel por práticas terroristas, tais como uso de força excessiva (eufemismo para barbárie), armas químicas, biológicas, tortura, estupros, assassinatos seletivos.
Israel nunca quis a paz e quando a paz se ofereceu Israel matou seu próprio líder, Itzak Rabin. Atribuíram o crime a um “fanático” judeu. Se sabe, hoje, que era um agente do MOSSAD abrindo caminho para os terroristas; à frente, Ariel Sharon.
A sanha bárbara e terrorista de Israel quer terras, quer negócios, quer juros nos seus bancos, usa a bíblia como escudo, no fundo têm a convicção que são superiores.
Superiores sim na insanidade.
 
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A íntegra do texto está aqui

05/09/2012

um mundo novo ou uma barbárie requentada?

Um setembro que já dura quatro anos: até quando o futuro pode esperar?
(trechos - transcrito de carta maior, 04/09)

O artigo deste domingo de FHC no 'Estadão' é uma das excrescências mórbidas de que falava o italiano comunista Antonio Gramsci. Morto em 1937, ele ensinou: o que caracteriza uma crise é justamente o fato de que 'o velho já morreu e o que é verdadeiramente novo não consegue nascer; nesse interregno, aparecem toda uma série de sintomas mórbidos”.

Que poderia haver de mais sintomaticamente mórbido nesse arrastado colapso neoliberal do que um ex-presidente tucano vir a público pontificar lições de ética, finanças e desenvolvimento tendo como régua e compasso o governo e o credo que o ralo da história digere há quatro anos?

FHC, Serra e outros valem-se do limbo pegajoso dos dias que correm para insistir em políticas e agendas condenadas, mas ainda não substituídas no plano mundial --o que dificulta a sua ruptura definitiva também no Brasil.
Debater com FHC nesse ambiente movediço traz a angústia das reiterações inúteis. 'O velho já morreu', dizia Gramsci.

Mas o novo não consegue nascer.
A quebra do banco Lehamn Brothers completa 4 anos no próximo dia 15. A falência do 4º banco de investimento dos EUA rompeu o sistema financeiro mundial e desencadeou a deriva da qual somos passageiros desde 2008.
Sugestivamente, nesta 3ª feira de setembro, começa também a convenção do Partido democrata nos EUA, da qual Obama sairá candidato à releição.
Visto como esperança de recomeço no terremoto de 2008, o democrata tornou-se ele também um ponto dentro da curva. Mais tragável que o antecessor ou o adversário, sem dúvida. Mas a nicotina mentolada de que é feito provou-se insuficiente para arejar o quadro asifixiante da maior crise capitalista desde 1929.

2008 não encontrou seu Roosevelt. E parece cada vez mais improvável que encontre um new New Deal capaz de afrontá-lo a partir do centro rico.
George Soros, o megaespeculador de cuja argúcia não se deve duvidar, declarou em recente entrevista ao El País que teme pelo desfecho político da deterioração em marcha. Sobretudo na Europa, coalhada de governos histericamente ortodoxos.

Profundamente pessimista com o futuro do euro, vítima da incapacidade alemã de assumir-se como um 'Roosevelt na UE', Soros, a 20ª maior fortuna do planeta, inquieta-se com os fantasmas que povoam seu ângulo de visão privilegiado. Um pouco como aconteceu depois da Depressão de 29, ele adverte, o salve-se quem puder será entremeado de nacionalismos econômicos e totalitarismo político.
A margem de manobra se estreita de uma ponta a outra do impasse.

18/08/2012

o destino de Assange: o que acontece agora?

Marcelo Justo - de Londres, transcrito de carta maior

Londres - O Equador terminou com o suspense. A decisão do governo de Rafael Correa de garantir o asilo político a Julian Assange teve como corolário a resposta da chancelaria britânica que a qualificou como “lamentável” e indicou que cumprirá com sua “obrigação legal” de extraditar para a Suécia o fundador do Wikileaks.

Após quase dois meses do ingresso de Assange na sede diplomática equatoriana em Londres solicitando asilo político, a tensão subiu vários graus. Em uma coletiva de imprensa em Quito, o ministro de Relações Exteriores, Ricardo Patiño, assinalou que a decisão se baseava na Constituição equatoriana e no direito internacional. “O Equador acredita que é justificado o temor de Julian Assange de ser uma vítima política por sua defesa da liberdade de informação”, indicou. Segundo Assange, a acusação de delito sexual feita pela justiça sueca é parte de uma estratégia político-diplomática estadunidense para conseguir sua extradição e julgamento pela revelação de cerca de 90 mil documentos secretos via Wikileaks, acusação que, nos EUA, é passível de pena de morte.

O chanceler equatoriano indicou que solicitou uma reunião urgente à União das Nações Sulamericanas (Unasul) e à Alternativa Bolivariana para os Povos da América (ALBA). Patiño expressou seu desejo de que o Reino Unido conceda um salvo-conduto para que Assange possa viajar ao Equador, assinalando que o direito de asilo tem precedência sobre qualquer outra legislação nacional ou internacional. “O asilo é um direito fundamental que pertence ao sistema de normas imperativas do direito”, disse Patiño. O chanceler destacou que empreendeu longas negociações com o Reino Unido, a Suécia e os Estados Unidos e que nenhum desses países ofereceu garantias sobre o futuro de Assange.

A chancelaria britânica, por sua vez, disse que o Reino Unido não outorgará o salvo-conduto a Assange para que possa sair da embaixada. Na quarta-feira, em uma nota enviada pela embaixada britânica em Quito para o governo equatoriano, o governo advertiu que a lei britânica contemplaria a suspensão temporária da imunidade diplomática. A lei de Recintos Diplomáticos e Consulares de 1987 autorizaria o governo a “revogar o status diplomático” de um edifício se a lei está sendo violada. O parlamento britânico aprovou a lei depois que, em 1984, disparos foram feitos desde a embaixada líbia contra opositores que protestavam contra o governo de Muamar Kadafi, causando a morte da agente britânica Yvonne Fletcher.

A chancelaria britânica assinalou que está disposta a negociar um acordo satisfatório para ambas as partes, mas descartou de saída a possibilidade de conceder um salvo conduto. Segundo a imprensa britânica só há outras duas opções.A aplicação da lei de 1987 abriria uma virtual caixa de pandora diplomática. No “The Times”, Roger Boyes opinou que, com essa medida, não só seria praticamente inevitável uma ruptura de relações com Equador, como a tensão diplomática se estenderia com certeza “a Venezuela, a Bolívia e até ao Brasil”.

Não é o mais aconselhável para um país que fez este ano um giro pela América Latina para retomar sua relação com a região e definiu o Brasil como um dos mercados dos BRICs a conquistar para sair da recessão econômica. Segundo a BBC, a este problema se agregaria outro de maior repercussão internacional. Uma ocupação da embaixada para prender Assange poderia ser utilizada como precedente para ataques contra embaixadas britânicas ou de outros países: um virtual mini-caos. Mas se esta estratégia não for adotada, o fundador do Wikileaks terá que permanecer na embaixada: a polícia poderia detê-lo assim que pusesse um pé fora do prédio.

Neste cenário, tudo se abre para um desenlace tipo filme de Hollywood. O Equador poderia tentar levar Assange ap aeroporto em carro da embaixada que também gozaria de imunidade ou, mesmo, fazê-lo viajar escondido na mala diplomática. “Há regras estritas para o equipamento diplomático que permitem aos países transportar a documentação que necessitem. Estas valises diplomáticas podem ser de qualquer tamanho, mas são para documentos oficiais. É difícil ver como se poderia esconder uma pessoa nelas para subi-la ao avião”, especula a BBC. É de supor que o próprio avião deveria ter uma certa imunidade diplomática. É fácil ver como, na escada da aeronave, o filme de espionagem poderia se transformar em uma farsa digna de Mister Bean.

Um empate técnico parece mais factível. Em outras palavras, Julian Assange permaneceria na embaixada. Há muitos antecedentes neste sentido. É provável que o cardeal Jozesf Mindszenty detenha o recorde de tempo: ele passou 15 anos na embaixada dos Estados Unidos em Budapest, a partir da invasão soviética da Hungria, em 1956. Assange poderá superá-lo?

28/06/2012

carta: liberdade para assange

(Veja também assange-e-o-paraguai.html)

Intelectuais e artistas defendem asilo político para Assange
Noam Chomsky, Michael Moore, Tariq Ali, Oliver Stone e Danny Glover, entre outros, entregaram segunda-feira (26) carta à embaixada do Equador em Londres, pedindo que seja concedido asilo político a Julian Assange, fundador do Wikileaks. Os signatários da carta defendem que se trata de um caso claro de ataque contra a liberdade de imprensa e contra o direito do público de conhecer verdades importantes sobre a política externa, além de uma séria ameaça à saúde e ao bem-estar de Assange (no caso de uma extradição para os Estados Unidos).
David Brooks - La Jornada  (transcrito de carta maior)
Nova York - Um amplo leque de intelectuais, artistas, cineastas e escritores de várias partes do mundo solicitaram ao governo do Equador que conceda asilo a Julian Assange, Fundador do Wikileaks, que se encontra refugiado na embaixada desse país em Londres.

Noam Chomsky, Michael Moore, Tariq Ali, Oliver Stone, o ator Danny Glover, o comediante Bill Maher, Daniel Ellsberg, ex-analista militar famoso por divulgar os Papeis do Pentágono durante a guerra do Vietnã, e Denis J. Halliday, ex-secretário geral assistente da Organização das Nações Unidas, entre dezenas de outras personalides, assinaram a carta de apoio ao pedido de Assange de asilo político, a qual foi entregue segunda-feira (26) à embaixada do Equador em Londres.

Afirmaram que por se tratar de um caso claro de ataque contra a liberdade de imprensa e contra o direito do público de conhecer verdades importantes sobre a política externa, e porque a ameaça à saúde e ao bem-estar é séria, pedimos que seja concedido asilo político ao senhor Assange.
O fundador do Wikileaks ingressou na sede diplomática equatoriana a semana passada para evitar sua extradição para a Suécia. Os signatários da carta entregue ontem concordam com o agora fugitivo (rompeu as condições de sua detenção domiciliar ao entrar na sede diplomática) que há razões para temer sua extradição, pois há uma alta probabilidade de que, uma vez na Suécia, seja encarcerado e provavelmente extraditado para os Estados Unidos.

O governo de Barack Obama realizou um processo conhecido como grande júri para preparar uma possível acusação legal criminal contra Assange, ainda que o procedimento seja secreto até emitir sua conclusão. Além disso, meios de comunicação relataram que os departamentos de Defesa e de Justiça investigaram se Assange violou leis penas com a divulgação de documentos oficiais.

Os signatários sustentam que esta e outras evidências mostram a hostilidade contra Wikileaks e seu criador por parte do governo estadunidense, e que se ele fosse processado conforme a Lei de Espionagem nos Estados Unidos poderia enfrentar a pena de morte. Além disso, acusam o tratamento desumano ao qual foi submetido Bradley Manning, o solado acusado de ser a fonte dos documentos vazados para Wikileaks.

“Reivindicamos que seja outorgado asilo político ao senhor Assange, porque o ‘delito’ que ele cometeu foi o de praticar o jornalismo”, afirmam na carta. Assange revelou importantes crimes contra a humanidade cometidos pelo governo dos Estados Unidos. Os telegramas diplomáticos revelaram as atividades de oficiais estadunidenses atuando para minar a democracia e os direitos humanos ao redor do mundo, acrescentam.

A carta, entregue por Robert Naiman, diretor da organização estadunidense Just Foreign Policy, autora da iniciativa, foi acompanhada de outra petição assinada por mais de 4 mil estadunidenses que solicitam que o governo do Equador conceda asilo a Assange.
A íntegra da carta pode ser vista em justforeignpolicy.org/node/1257.

25/06/2012

assange e o paraguai

Interessante  a ligação entre dois dos assuntos que mais chamam a atenção do mundo, no momento.
Com o texto abaixo, dá para entender porque Julian Assange, o fundador do Wikileaks, está sendo praticamente caçado pelas autoridades dos países do capitalismo central. Afinal, a denúncia acerca das articulações contra o governo democrático do Paraguai (feitas pelo Wikileaks quase um ano antes do atual golpe) é apenas um entre centenas ou milhares de documentos incômodos aos comandantes da atual ordem mundial. 


WIKILEAKS: GOLPE ERA PLANEJADO DESDE 2009
(carta maior, 25.06.2012)

Despacho sigiloso da Embaixada dos EUA em Assunção, dirigido ao Departamento de Estado, em Whashington, já informava, em 28 de março de 2009, a intenção da direita paraguaia de organizar um 'golpe democrático' no Congresso para destituir Lugo, como o simulacro de impeachment consumado na última 6ª feira.
O comunicado da embaixada, divulgado pelo WikiLeaks em 30-08-2011 http://wikileaks.org/cable/2009/03/09ASUNCION189.html mostra que já então o plano era substituir Lugo pelo vice, Federico Franco, que assumiu agora. O texto enviado a Washingnton faz várias ressalvas. Argumenta que as condições políticas não estavam maduras para um golpe, ademais de mostrar reticências em relação a seus idealizadores naquele momento. Dos planos participavam então o general Lino Oviedo (ligado a interesses do agronegócio brasileiro no Paraguai, que agora pressionam Dilma a reconhecer a legitimidade de Federico Franco, simpático ao setor) e o ex-presidente Nicanor Duarte Frutos. Em seu governo (2003-2008), o colorado Nicanor Duarte Frutos foi duramente criticado por vários governos latino americanos por ter permitido o ingresso de tropas norte-americanas no territorio paraguaio para exercícios conjuntos com o Exército do país; foi em seu mandato também que os EUA tiveram permissão para construir uma base militar na zona da Tríplice Fronteira,com gigantesca pista de pouso, supostamente para combater narcotráfico e o terrorismo islâmico.

Leia também:
Julian Assange pede asilo político para o Equador
Julian Assange: Londres diante de um problema sem precedentes


21/06/2012

os fascistas se articulam

Na Venezuela e no Equador os golpistas a serviço das elites foram barrados pela reação popular e pelas pressões dos governos progressistas da região.
Em Honduras os fascistas e golpistas venceram e desalojaram do poder Manuel Zelaya, presidente legitimamnete eleito pelo voto popular.
Agora, é contra o povo e o governo do Paraguai a nova  tentativa de golpe branco, mascarado de institicionalidade. 
Embora pareça inócua, a ampla divulgação das reais causas da tentativa de impeachment de Fernando Lugo pode contribuir, e muito, para deter essa iniciativa dos fascistas, que estão sempre à espreita na América Latina.

Lugo sob ameaça de golpe no Paraguai
Gilberto Maringoni, em carta maior
 
A Câmara paraguaia, dominado pelos partidos de direita, abriu processo de impeachment nesta quinta-feira (21) contra o presidente Fernando Lugo. Senado agora também discutirá a medida. Trata-se de um eufemismo para golpe de Estado, segundo analistas consultados por Carta Maior.

Não é a primeira vez que setores dos grandes proprietários de terra aliados de setores empresariais tentam interromper a vida democrática do país vizinho. À diferença de outras situações ao longo do século XX é que a ação atual recobre-se de uma fachada legal.
 
O pretexto é que Lugo teria sido negligente na resolução de conflitos agrários, como o ocorrido há uma semana em Curuguaty, próximo a fronteira com o Brasil. Na ocasião morreram nove camponses e seis policiais.

Por "negligência" entenda-se as tentativas do mandatário de resolver os problemas com negociação e não através de violência pura que caracteriza historicamente a resolução de conflitos sociais no país.

Os presidentes da Unasul, reunidos no Rio de Janeiro, colocam-se frontalmente contra o golpe. A situação em Assunção é de calma aparente. Manifestações populares de apoio começam a acontecer na capital. Em pronunciamento feito nesta manhã e transmitido pela tevê paraguaia, Lugo descartou a possibilidade de renúncia.

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Na segunda-feira, 18, Carta Maior já antecipava essa tentativa de golpe: Latifundiários brasiguaios querem derrubar Lugo"

Leia também:  Legalização de um golpe

18/06/2012

a apoteose do nada

por Laerte Braga
Começa nos próximos dias de junho a conferência mundial sobre desenvolvimento sustentável com o pomposo título de RIO + 20. O espetáculo cambeta das grandes nações e seus “sábios” a tentar exibir, aos que habitam o mundo cá embaixo, o nada.
A História mostra grandes impérios. Ruíram todos na arrogância, na prepotência, em suas contradições, na própria roda da História, um processo inexorável que já tentaram sepultar e que revive hoje com vigor impressionante: a luta de classes.

Débord, em seu magnífico e definitivo "A sociedade do espetáculo" (Contraponto, 2ª. Impressão, 2000, RJ) afirma que “a classe ideológica totalitária no poder é o poder de um mundo invertido: quanto mais forte ela é, mais afirma que não existe, e sua força serve em primeiro lugar para afirmar sua inexistência. É modesta apenas nesse ponto, pois sua inexistência oficial também deve coincidir com o nec plus ultra do desenvolvimento histórico que ao mesmo tempo seria devido ao seu infalível comando”.

A crise que transforma a União Européia em meras bases militares do terrorismo de Estado norte-americano/sionista, vai custar 100 bilhões de euros a trabalhadores espanhóis e europeus no geral, para salvar um sistema financeiro podre, falido, a síntese do capitalismo.
Os milhões de desempregados, a perspectiva negativa para os milhões de jovens que chegam ao mercado de trabalho do mundo capitalista, são meros detalhes para “essa classe ideológico- totalitária”.

Há um mundo a parte, de castelos, onde os donos das milhares de ogivas nucleares que garantem esse nada,  se refugiam se impõem na crença da infalibilidade da qual fala Débord.
A RIO + 20 é um exercício de masturbação de países ricos. Não está prevista nenhuma declaração ou compromisso formal, apenas isso, masturbação.
O que não quer dizer que forças populares sitiadas em cada canto do mundo, ainda que díspares, não devam se expressar e fazer ecoar os tambores da luta contra um modelo falido, predador e terrorista.
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Há um golpe de estado em curso na Síria. Houve antes na Líbia devastada por mais de cinco mil ações de bombardeios aéreos. Ou a devastação do Iraque, do Afeganistão, o terror do ATO PATRIÓTICO espalhando mortes por todos os lados.
Centenas de milhares de palestinos expulsos de suas terras, presos, assassinados na sanha insana do nazi/sionismo.
Gregos, espanhóis, portugueses, norte-americanos (milhões na linha da pobreza ou abaixo dela), africanos, árabes, chineses, enfim, a classe trabalhadora submetida a um tacão que não difere do que Hitler imaginava que fosse durar dois mil anos.
E uma preocupação inexistente com o que também não existe, o tal desenvolvimento sustentável. O show, o espetáculo. A turba mantida ao longe por escudos e zumbis chamados de Polícia Militar (a ONU recomendou o fim dessa aberração). E montes de agentes especiais para garantir a nobreza. Os grandes nomes das potências terroristas não virão. Hilary Clinton será a atração do terror.

O presidente do Irã, Ahmhoud Ahmadinejad, em sua cruzada mundo afora para manter a dignidade de seu povo e da revolução islâmica, vem trazer sua voz de protesto, de indignação e de coragem, sabedor da força devastadora e cruel dos que se sustentam nesse terror capitalista.
Sabe que resistir é preciso. (...)
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(...) A RIO + 20 vai propiciar matérias à mídia de mercado sobre o próximo fim do mundo, as mudanças climáticas, a necessidade de controle da poluição atmosférica, vão falar sobre a caça às baleias pelos insanos governantes japoneses, o trabalho escravo na China capitalista – o comunismo é eufemismo, rima –, a fome na África, expor as vísceras espetaculares do drama dos trabalhadores e, ao final, marcar nova conferência para absolutamente nada.

A destruição é intrínseca ao capitalismo. Como a corrupção. São inseparáveis e com certeza ao final de tudo vão dizer que o Brasil está apto a receber a copa do mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
E lógico, a foto oficial. Não sei se o rei da Espanha vem, se vier que traga seu rifle de caçadas. É evidente que Elizabeth II não vem, está às voltas com destempero do príncipe Philip que, na patetice da nobreza, pode sair pelas ruas de Londres nu e gritando “heil Hitler”.

Da RIO + 20 vai sobrar a possibilidade de percepção de todo esse nada transformado em espetáculo, e a conseqüente necessidade de organização das forças populares, num consenso que é inevitável, sob pena de ficar a reboque de maneira permanente e assistir a esse massacre capitalista.

A importância da luta popular. É nas ruas, é de sobrevivência, não é por mandatos eletivos. É por enfrentar e jogar por terra todo esse processo de destruição e escravidão, transformado em show a cada domingo, ou em cada edição de VEJA, GLOBO, FOLHA DE SÃO PAULO, ESTADÃO, ESTADO DE MINAS, RBS, etc, até porque não existe nada de FANTÁSTICO nisso. 
 
Tanto é um desafio para partidos com história de lutas, como para o movimento popular.
Tirar da inércia os que acreditam que vivemos uma era de progresso, e que estamos predestinados a ungir o mundo com o equilibrismo de Dilma, em cima dos passos e contrapassos de Lula na tentativa frustrada de apagar os anos de FHC. Está ai, impávido não o gigante que continua adormecido, mas o neoliberalismo imposto pelos tucanos.

A RIO + 20 vai valer pelo que se puder aprender de luta popular e pela consciência que essa luta é nas ruas, e não em eleições de cartas marcadas.Gigantes são os trabalhadores e a bola da vez do terror de ISRAEL/EUA TERRORISMO “HUMANITÁRIO” S/A é a Síria.

08/06/2012

as femen atacam de novo: no brasil e na uefa

Mais  imagens das garotas do Femen, confirmando a sua irada militância contra o turismo sexual que, segundo as militantes do grupo, seria incrementado com a realização da Eurocopa na Ucrânia e na Polônia. 







 imagens extraídas de folha online

Leia e  veja também neste blog:

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E para quem ainda não sabe, já está começando a ser articulada a fundação do grupo Femen no Brasil, através da ativista  Sara Winter (nome fictício).
Naturalmente que um dos alvos, da futura ramificação aqui no Brasil, será a Copa do Mundo de 2014, certamente com a presença das militantes do grupo original, criado na Ucrânia em  2008.

Mais informações: aqui e aqui
As imagens mostram a militante Sara na Marcha das Vadias, que aconteceu em 26 de maio, em São Paulo:   

NA SEGUNDA MARCHA DAS VADIAS DE SÃO PAULO (à esq.) E PEDINDO A LIBERAÇÃO DE UMA ATIVISTA UCRANIANA PRESA EM PROTESTO
 

22/05/2012

grécia, a epopéia continua

Desde 2008, este blog acompanha as vibrantes mobilizações populares ocorridas na Grécia. Foram os movimentos libertários e anarquistas aqueles que iniciaram e sustentaram solitariamente, por um longo tempo, os combativos enfrentamentos dos gregos contra as forças da repressão, iniciando e alimentando essa que tem se tornado uma verdadeira epopéia de um povo pela sua dignidade e  autonomia  (veja arquivos agrupados sob o marcador rebelião na grécia, na seção nomes  e temas, à direita do blog).

Também é preciso não esquecer, é claro, a participação lúcida e organizada dos comunistas do KKE (Partido Comunista da Grécia) nessa rebelião do povo grego, ao longo desses anos.

Eis que, agora, nas novas eleições marcadas para junho 2012, há a possibilidade concreta de um partido de esquerda, a Syriza, assumir o governo.
 Claro que, do ponto de vista dos anarquistas e dos comunistas, a vitória da Syriza não levará a um avanço efetivo da luta popular, não haverá real transformação das estruturas de poder  na Grécia. Afinal, sabe-se que vitórias eleitorais e institucionais  implicam em poderes limitados, em alianças e concessões com partidos e grupos econômicos comprometidos com a manutenção da ordem.

De qualquer, vale conhecer um pouco desse partido que talvez venha a mudar radicalmente  os rumos da epopéia do povo grego. E se não houver essa mudança radical, certamente que o povo grego provocará a superação das limitações da Syriza e continuará na  sua admirável resistência e busca da dignidade, e sempre com  a participação decisiva dos anarquistas, dos libertários  e dos comunistas do KKE. 
E, como este blog vem lembrando há muito tempo, o desfecho da epopéia grega deverá  ter profundas consequências para as lutas dos povos da Europa e, em consequência, para as luta dos povos de todo o plantea. Por  isso, a pertinência dos textos que seguem abaixo.


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O que é a Syriza, a esquerda que pode chegar ao poder na Grécia
transcrito de esquerda net

A Coligação da Esquerda Radical surgiu em 2004 e resulta de um processo de diálogo iniciado em 2001 entre muitas correntes da esquerda grega, de inspiração socialista, eurocomunista, ecologista, maoísta e trotskista. Hoje a Syriza é composta por doze organizações e muitas personalidades independentes, entre elas algumas figuras que se afastaram do PASOK (Partido Socialista) nos últimos anos. A Syriza conseguiu alargar sua base de apoio também entre os Indignados da Praça Syntagma e transmitir ao povo grego a esperança de que é possível derrotar a troika e evitar o colapso do país.  Esquerda.net

Em 2001, o movimento altermundista atingia um dos seus pontos mais altos, com centenas de milhares de europeus nas ruas de Gênova contra os senhores do mundo que eram hóspedes de Berlusconi na cúpula do G8. A repressão policial demorou anos a ser condenada na justiça italiana, mas as cúpulas passaram a realizar-se ainda mais às escondidas.

A mobilização grega para esse protesto foi uma das primeiras tarefas do Espaço de Diálogo para a Unidade e Ação Comum da Esquerda, que agrupava várias correntes que já se tinham encontrado noutras lutas, como a oposição à intervenção militar no Kosovo, as privatizações ou a legislação antiterrorista que ameaçava as liberdades civis na Grécia. O "Espaço" foi também determinante para organizar o Fórum Social Grego em 2003.

A figura de referência do "Espaço" era Manolis Glezos, o conhecido resistente ao nazismo que em maio de 1941 subiu à Acrópole e tirou de lá a bandeira da suástica, no que ficou conhecido como o primeiro ato de resistência do povo de Atenas contra a ocupação da cidade no mês anterior. Glezos foi o candidato da aliança eleitoral promovida pelo "Espaço" em 2002 à super-autarquia de Atenas-Piraeus, obtendo 10,8% dos votos. Dez anos depois, voltou a aparecer ao lado de Alexis Tsipras na campanha da Syriza em Atenas antes de encerrar a campanha eleitoral.

A coligação Syriza apresenta-se pela primeira vez a votos com programa eleitoral próprio nas legislativas de 2004 e consegue passar a barreira dos 3% para eleger seis deputados, todos pertencentes à corrente maioritária, o Synaspismos. A coligação conseguiu sobreviver à tensão interna com a substituição da liderança do Synaspismos no fim desse ano e ganhou novo fôlego com a organização do Fórum Social Europeu em Atenas dois anos depois.

2006 foi também ano de eleições autárquicas, com um jovem de 32 anos sendo lançado para a disputa eleitoral em Atenas com o objetivo de abrir o movimento às novas gerações. Alexis Tsipras, líder estudantil nos anos 90 e responsável pelo setor juvenil do Synaspismos, repetiu o resultado de Glezos quatro anos antes e tornou a Syriza na terceira força política na capital grega.
As eleições seguintes (legislativas em 2007 e 2009 e europeias de 2009) vieram confirmar a coligação como uma força ascendente no panorama político nacional, ao mesmo tempo que registaram um alargamento das forças que compõem a coligação. Alexis Tsipras sucedeu a Alekos Alavanos na liderança do Synaspismos e tornou-se líder parlamentar após as eleições de 2009. No ano seguinte enfrentou uma cisão importante no seu partido, que retirou quatro dos treze deputados da coligação para formarem um novo partido, a Esquerda Democrática.
A luta persistente contra a austeridade do governo da troika e os efeitos desastrosos das políticas da crise impostas pela direita e pelo PASOK, bem como a atitude de abertura para a unidade da esquerda por um governo de alternativa aos diktats de Berlim e Bruxelas, tudo isso ajudou a catapultar a Syriza para a primeira linha da oposição na Grécia. Ao contrário do KKE, que se entricheirou na sua linha política nacionalista e cujas práticas sectárias no movimento dos trabalhadores e nas lutas populares não tem paralelo hoje na Europa, a Syriza conseguiu nos últimos anos alargar a sua base de apoio também entre os Indignados da Praça Syntagma e transmitir ao povo grego a esperança de que é mesmo possível derrotar a troika e evitar o colapso do país.

Atualmente, fazem parte da Syriza doze organizações. A corrente maioritária é o Synaspismos, uma antiga coligação entre comunistas que se transformou em partido na sequência da purga de 45% do Comitê Central do PC grego após o fim da URSS. As outras organizações são a AKOA (Esquerda Comunista Ecológica e Renovadora, membro observador do Partido da Esquerda Europeia); DEA (Esquerda Internacionalista dos Trabalhadores, próxima da tendência trotskista internacional IST, fundada por Tony Cliff); DKKI (Movimento Democrático Social, corrente que saiu do PASOK em 1995); KOE (Organização Comunista da Grécia, de inspiração maoísta, integrou a Syriza em 2007); Kokkino (Vermelho, corrente de inspiração trotskista); Ecosocialistas da Grécia; Cidadãos Ativos (corrente fundada pelo herói da Resistência Manolis Glezos); KEDA (Movimento pela Esquerda Unida na Ação, cisão do PC grego em 2000); Rizospastes (Radicais, cisão dos Cidadãos Ativos, sublinham o patriotismo no discurso); Omada Roza (Grupo Rosa, esquerda radical); e APO (Grupo Político Anticapitalista, corrente de inspiração trotskista).

Para além destas organizações e partidos, e principalmente durante este ano, o Syriza tem sido apoiada por pessoas com diferentes experiências de militância. Nesta campanha para as eleições de 6 de Maio, as mais fortes na polarização contra a troika, deram a cara pela coligação antigas figuras do PASOK como a ex-deputada e atleta olímpica Sofia Sakorafa - que acabou por ser a candidata mais votada – ou Alexis Mitropoulos, responsável pelo desenho das leis laborais nos anos 80. Também Stathis Kouvelakis, professor de Filosofia no King´s College em Londres e Despina Spanou, dirigente do sindicato da função publica Adedy, deram o seu apoio à Syriza nesta campanha.

13/05/2012

a uefa e a fúria das femen

Embora somente agora as ações do Femen estejam chamando a atenção do mundo para a Eurocopa, essas ousasdas e originais ativistas ucranianas questionam, há muito tempo, a realização
do campeonato na Ucrânia e na Polônia, denunciando que haverá um incremento da prostituição e do turismo sexual durante a realização do evento. É também uma forma de chamar a atenção para os altíssimos indíces de prostituição nesses países da periferia da Europa, como se pode ler abaixo, em matéria transcrita da Folha online.  


10/05/2012

'combater os 'donos' de portugal... e os 'donos' do mundo

O vídeo abaixo vale não apenas por desnudar as relações de força mantidas pela classe dominante em Portugal. Vale como espécie de modelo, para entender como funcionam os mecanismos de poder em qualquer país do mundo, até que os povos de todo o planeta enfrentem e substituam esses 'donos' de Portugal e esses 'donos do mundo.   

Como acompanhamento, dois belos poemas: um, a greve, vindo da sempre rebelde Catalunha e, outro, esperemos, aqui de nossa Latinoamérica, de nosso Neruda, ambos falando de promessas e de novos dias, mas também de lutas e de tarefas. Eis o vídeo sobre o verdadeiro poder em Portugal:  

06/05/2012

fortalece-se o combate à cegueira:

os povos da frança e da grécia se unem à luta dos povos da mérica latina

Dia histórica para o resgate da lucidez política  e social na Europa, num Maio que ainda promete muito. Dia 12 tem mobilização mundial dos movimentos Ocupa.

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O escrutínio da austeridade
transcrito  de carta maior

Se alguém passou distraído por três décadas de domínio neoliberal, os últimos quatro anos ofereceram a oportunidade ímpar de acesso a um compacto eletrizante com as melhores (piores?) cenas do que é capaz a convergência entre finanças desreguladas e austeridade suicida. A vítima desse condensado pedagógico é o corpo social europeu mutilado por governantes armados do firme propósito de privilegiar bancos e credores, ao mesmo tempo em que sacrificam direitos, leis trabalhistas, serviços e investimentos públicos.

As cenas finais dessa imolação tangida pelo chicote germânico de Angela Merkel mostram uma montanha desordenada de escombros sociais e políticos arrematada por 17 milhões de desempregados - recorde europeu no pós-guerra. O conjunto faz da UE hoje a sigla tenebrosa de uma empresa demolidora que devasta a mais sólida rede de conquistas da civilização imposta ao capitalismo pela luta progressista dos últimos 60 anos: o hoje esquelético Estado do Bem Estar Social europeu.

Sob o pó desse desmonte as urnas neste domingo fizeram o escrutínio da austeridade suicida.A rejeição do credo ortodoxo por parte de franceses e gregos amplia a margem de manobra de politicas progressistas no passo seguinte da maior crise capitalista desde 1929. Acima de tudo, os revezes sofridos por Sarkozy e pelos kamizazes gregos envia uma mensagem de urgência ao mundo, e sobretudo aos governantes progressistas: não basta mais lutar a guerra do dia anterior; a denúncia e a execração do credo mercadista estão consolidadas nas urnas.

Trata-se agora, na Europa e no Brasil, como no resto do mundo, de acelerar a construção de alternativas consequentes ao modelo que naufraga. Caso contrário, há o risco de se morrer na praia tragado pelo vácuo conservador. Essa, felizmente, parece ser a percepção bem-vinda do governo Dilma, que registrou um importante salto político esta semana. Com intervalo de poucos dias, Dilma emparedou os bancos na esfera dos juros; removeu o piso de conforto rentsiat oferecido pela poupança --o que favorece o investimento produtivo-- e promoveu um desagravo histórico a personagens e agendas que, a seu tempo e a seu modo, impulsionaram a luta soberana pelo desenvolvimento no país.

01/05/2012

contra a cegueira: o 1º de maio mundo afora

dentro de alguns anos, podem ter uma espantosa surpresa aqueles que ainda insistem numa certa visão de modernidade, que ainda acham que coisas como luta de classes, luta popular, a história nas ruas e revolução planetária são  conceitos obsoletos, quimeras de perdidos na história.

as inúmeras manifestações do primeiro de maio, pelo mundo afora, são uma demonstração de que a chama está cada vez mais acesa, de que as pessoas estão cada vez mais dispostas a  parar o ocidente, a fazer o capitalismo entrar em colapso.

 esses movimentos não são meros agrupamentos de sonhadores desesperados, comandados por lideranças oportunistas. que o diga o ocupa wall street, que depois de um longo e rigoroso inverno, está de volta à arena da luta planetária, na luta conjunta dos povos contra os cegos detentores dos mecanismos de poder, contra essas as forças representadas por indíviduos  que se acham extremamente especiais, seres singulares, acima das pessoas comuns, que se acreditam (às vezes até sinceramente) destinados a tarefas superiores, próprias de comandantes, mas que no fundo são apenas produtos de uma formação extremamnete empobrecida, seduzidos por uma engrenagem irracional, para se tornarem instrumentos submissos e deslumbrados dessa mesma engrenagem.    

 o povo da alemanha, em berlin

o incansável povo grego, em atenas

o povo colombinao diz presente em bogotá

é uma luta portuguesa, com certeza: lisboa

em roma, o povo  de itália

na espnha: bilbao

madri

e barcelona

acima e abaixo, os militantes do ocupa wall street,
de volta   à resistência 

imagens extraídas de folha online

20/04/2012

assange, hollande, mélenchon

Se as perigosas e obscuras engrenagens de poder  achavam que Julian Assange estava derrotado e acuado, aí vai a resposta:
assange-entrevista-lider-do-hezbollah-em-estreia-na-tv-russa/

E se os papagaios (jornalistas, analistas, acadêmicos, economistas etc etc) a serviço do neoliberalismo e da ditadura dos mercados achavam que  os povos da Europa iriam ficar indefinidamente anestesiados pela manipulação de mídias e de partidos políticos sem personalidade, aí vai a resposta dos franceses, com a provável eleição do socialista François Hollande, inaugurando talvez um novo ciclo político e social na Europa, um ciclo em que a ação volte a ter realmemte autonomia e ousadia; um ciclo que, se confirmado, virá se somar aos avanços (com todas aas suas contradições  e limitações) da luta pela transformação na América Latina, que se consolidam há mais de  uma década, com a eleição de inúmeros governos de esquerda, de centro-esquerda ou ao menos progressistas. 
Mas tomara que o François Hollande que ganhar eleição na França, agora em abril e maio,  seja este aqui:
e não este aqui:
francois-hollande-o-flan-que-pode-virar-presidente.shtml

Se eleito, que Hollande seja realmente o presidente da mudança, do enfrentamento com o neoliberalismo e com a ditadura dos mercados na Europa, já que é bastante improvável uma vitória de Jean-Luc Mélenchon, o candidato realmente representa as forças políticas trasnformadoras e combativas da França:
América Latina é fonte de inspiração para esquerda francesa

 
 
Jean-Luc Mélenchon, o candidato da Frente de Esquerda

05/03/2012

femen: força e feminilidade de verdade

já são bastante conhecidas as performances descontraídas, mas incisivas, das mulheres do grupo ativista femen, da ucrânia. desta feita, o protesto foi contra o fútil e opressivo mundo da moda, e aconteceu num das cidades que é um símbolo desse universo - milão, na itália   
muito interessante o contraponto: o depojamento (literal) das ousadas e corajosas garotas,
confrontando todo o aparato que veste e submete as modelos, sejam famosas ou anônimas.
as garotas do femen acertaram em cheio ao ligar o mundo da moda ao fascismo. o fascimo tipicamente capitalista: uma indústria e um comportamento que impõem a mulheres e homens necessidades, carências e posturas, sem as quais todos viveriam muito bem. tudo se torna mercadoria, até a feminilidade das mulheres é usada para vender essas falsas carências.
com certeza que uma ou outro modelo, vendo essas imagens, pode até ficar deprimida, se conseguir captar a imensa diferença de seu projeto de vida e de seu sentido existencial, em relação a essa tarefa corajosa e libertária  assumida pelas militantes.

a diferença de projetos e de sentido:  as modelos fabricadas pela fascista indústria da moda inventam glamourosos personagens para a platéia e para si próprias, talvez acreditando realmente na profundiade desses patéticos  papéis, com aqueles olhares distantes e perdidos no horizonte a nos sugerir mulheres intangíveis, misteriosas, profundas   (que na verdade quase nos enganam).
ao passo que as mulheres do femen simplesmente se expõem numa nudez não apenas física, sensual ou erótica. mas com uma fragilidade e uma vulnerabilidade que comovem, e que realizam uma dupla contestação: além de protestar contra o tema do momento, a sua própria forma de protesto é também uma contestação à repressão que existe em torno da questão do corpo, da sexualidade e da fruição erótica por aprte de homens e mulheres.

o despojamento do femen  faz cair por terra todo esse aparato da moda do mundo 'fashion', que alimenta essa repressão  e essa manipulação de corpos e desejos - e também se alimenta delas.
mas, ccomo não poderia deixar de ser, uma rsessalva: por que o grupo femen recruta somente mulheres belas, envolventes atraentes, que mais parecem modelos, as mesmas modelos criticadas por elas no desfile de milão e aqui nesta postagem? porque não recrutam também mulheres com aparência menos vistosa e deslumbrante (vistosas e deslumbrantes do ponto de vista de nossa cultura ocidental, claro) mulheres comuns, que formam de fato a maioria da humanidade?

Tornando-se seletivas em relação à aparência estão jogando o jogo do sistema, o jogo do marketing, ou seja, estão aassumindo que para seus protestos terem de fato sucesso, audiência ou eficiência, é preciso que tenham  que oferecer sempre atratividade  física, ou seja, nesse aspecto utilizam a mesma tática da fascista indústria da moda. ou será que na ucrânia só tem mulheres assim, com esse biotipo? então recrutem em outros países, afinal, um pouco de diversidade só faria o femen ganhar.

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por uma dessas gratas coincidências da vida, no mesmo dia em que terminei de redigir essa postagem, tomei conhecimento das deliciosas fotos abaixo, também do grupo Femen. 
Trata-se de uma coletiva para a imprensa, realizada em Viena, Áustria, com   presença das militantes Alexandra e Inna Shevchenko.Durante a coletiva as militantes mostraram como se preparam  para os seus protestos. Registre-se a candura e a naturalidade com que as ucranianas encaram a sua tarefa.

Mais uma vez: como é diferente e mais envolvente essa simplicidade e esse depojamento das militantes do Femen, em relação ao aparato midiático e à produção estética e comportamental, montados em volta dos desfiles das modelos e celebridades.

Mais uma vez: as modelos e celebridades deveriam ficar um pouco deprimidas se conseguirem entender a distância que as separam das garotas do Femen.  




todas as imagens desta postagem extraídas de folha online