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02/02/2012

retratos da barbárie 2: peluzo e a justiça popular, a grávida algemada e o povo do egito

Cezar Peluso, presidente do STF, alerta que um país que denigre o seu Poder Judiciário é um país suicida, um país que corre o risco de voltar aos tempos da barbárie. A fala do jurista  aconteceu ontem,  na abertura do ano Judiciário, e é uma clara referência à sessão que julga as ações impetradas, pelas entidades dos juízes, contra o poder de investigação do CNJ em relação a esses juízes.

Parece um típico caso de ideologia, ou de má-fé, tal como Sartre entendia esse conceito. Pois, há uma clara inversão da realidade, a favorecer aquele que se sente atacado, ou que sente atacada a sua 'nobre' categoria profissional, em prejuízo da verdade dos fatos.  
Ora, a barbárie ja aí está há muito. E uma barbárie para cuja consolidação e manutenção as práticas autoritárias, arrogantes e obscuras do Poder Judiciário muito contribuem - sem falar, é claro, das leis que estão a serviço da engrenagem de poder, sem falar da 'Justiça' que, no estado capitalista, é um dos aparatos de dominação, etc etc. 

Ora, quando se pede um mínimo de controle social, através do CNJ,  para cima desse Poder arrogante, autoritário e obscuro - para que esse Poder possa colaborar mínima e concretamente na redução dos danos da barbárie, que aí já está - vem o o seu mandatário maior e faz essa chantagem patética com a sociedade civil. Mal imagina esse jurista que, no novo mundo que os povos buscam construir,  a tal da Justiça será rigorosa e democraticamente  acompanhada e adminsitrada, através do controle popular.

Ainda veremos um tempo em que presidentes de tribunais, desembargadores, procuradores, juízes etc, serão escolhidos pelo poder popular, e não terão, necessariamente, que ter diplomas de Direito e afins.
Afinal, as leis e todo o arcabouço jurídico serão outros, também serão fruto da construção popular e, como tal, qualquer um, em princípio, poderá ser escolhido ou aprovado pelas instâncias populares para  exercer a  tarefa de ajudar a julgar, conciliar, decidir - ajudar , já que tais tarefas certamente não ficarão ao arbitrário critério de uma só pessoa. A propósito dessa Justiça Popular, ou comunal, ela vem sendo implantada pelo povo boliviano nos governos de Evo Morales.

Enquanto isso, é preciso tolerar essas constrangedoras sandices do presidente do STF, frutos da ideologia, no sentido de Marx, e da má-fé, no sentido de Sartre. Resumidamente: a má-fé reflete os engenhosos mecanismos pelos quais a consciência do indivíduo permite que ele se veja tal como ele precisa se ver, para justificar para si e para os outros suas escolhas no mundo, independente do valor moral dessa escolhas. Percebe-se a estreita afinidade que tem com o conceito de ideologia, pelo qual classe e indívíduos justificam para si e para os outros as suas posturas políticas e morais na sociedade, no cotidiano e na história. 

Já a propósito da barbárie que aí já está, dois entre tantos e tantos exemplos: a parturiente algemada no hospital (veja aqui) e o  espantoso confronto entre torcedores de futebol no Egito (veja aqui).
Num, as forças repressivas do Estado cumprm a sua tarefa de vigiar e punir a qualquer custo e de qualquer forma aqueles que são o produto atual das práticas de dominação ao longo da história - escravidão, corrupção, JUSTIÇA INEFICAZ, autoritarismo,  apropriação do trabalho coletivo pelos cretinos, medíocres e vazios representantes 'elitistas' das classe dominantes, etc etc.

Noutro, o resultado trágico de uma explosão do povo do Egito, certamente provocada  pela opressão dessas mesmas classes dominantes e seus cretinos, medíocres e vazios representantes 'elitistas' etc, etc. Opressão cujos mecanismos militares, políticos, ideológicos e JURÍDICOS ainda não foram eleiminados na milenar terra do povo egípico, em que pesem as fantásticas  e gratificantes mobilizações de seu povo ao longo de 2011.

Mas, certamente, para o togado  Sr Peluso, esses retratos da bárbarie não são, em nenhum momento, resultado das ações e omissões do seu Poder Judicário, que, na sua visão,  se encontra tão seriamente 'ameaçado' pela 'barbárie' do controle popular. 


Veja também

18/11/2011

retratos da barbárie - 1

No dia 08/11, em Serra, ES, após se envolverem num acidente de trânsito, o policial Saulo Oliveira de Souza simplesmente executou, com quatro tiros, o caminhoneiro Antônio Rodrigues . O fato reflete que continua cada vez mais preocupante o despreparo e a arrogância dos membros das forças policias e repressivas, no Espírito Santo, no Brasil e em qualquer parte do mundo.

A angústia, o individualismo, a pressão profissional e social, o relativismo de valores como o respeito à vida e ao outro, tudo isso e tantos outros fatores agem sobre todos nós, de maneira qualquer um pode responder de forma irracional e instintiva quando confrontado com situações potencialmente hostis ou estressantes. Seja numa fila de banco, numa repartição pública - com seu clássica e arrogante lentidão -, seja num acidente de trânsito, o fato é que podem despertar em nós forças e pulsões que geralmente não condizem com nossa formação, nosso comportamento cotidiano, enfim, nossa atitude perante a vida e as pessoas. Enfim , estamos sujeitos a ser, ao emmso tempo, agenets e vítimas da bárbarie, que cada dia avança mais nas nossasa vidas e nossas cidades, em razão da insanidade do atual sistema social.

Se já é preocupante essa propensão para a irracionalidade no caso de civis, ela se torna extremamente perigosa, quando os potenciais agentes e vítimas da barbárie (os membros das forças policiais e repressivas) têm, devido à profissão, a posse de armas, as técnicas de seu uso e a liberdade para utilizá-las em qualquer hora do dia. Foi o que aconteceu no caso do policial assassino Saulo.

O mal já foi feito. Investigações, denúncias, processos, indignações: nada evitará que casos como esse voltem a acontecer. Essas louváveis, mas no mais das vezes impotentes tentativas de humanizar ou reformar o sistema, não são e nunca serão suficientes para estancar e eliminar barbárie que se acerca de nossas vidas. Será preciso ir até a fonte da bárbarie que, todos sabemos, está na insanidade e na decadência desse sistema social. Somente com a sua urgente destruição e substituição é que teremos a chance de evitar o aprofundamento da barbárie e a lamentável repetição de tragédias como a do trabalhador Antônio Rodrigues, provocada por impensadas e arrogantes ações como a desse infeliz policial.

Por tudo isso, por todos esses retratos da bárbarie - que infelizmente ainda veremos muito e por muito tempo - é que é extremamente legítima e benvinda, extremamente necessária e possível, a atual Rebelião Planetária e o futuro Pacto dos Povos, que têm dado seus primeiros e fascinantes passos através dos vibrantes movimentos Ocupa, espalhados pelo planeta afora - e fartamente registrados e apoiados por este blog, desde os seus inícios em fevereiro deste ano e desde os primeiros levantes do povo grego em 2008 (levantes que certamente contribuíram muito para o advento das manifestações deste ano).
Vida longa à rebelião Planetária!!!!
O contrário é desinformação, medo do novo ou anestesia do pensamento e da vontade.
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Mais detalhes acerca do triste episódio em:


veja também a Nota Pública do CEDH_ES