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03/06/2014

black bloc esclarece


Antes de iniciar esse texto que está sendo divulgado por algumas páginas que divulgam ações da tática black bloc em sp, iremos dar algumas infos pra vocês sobre oque aconteceu com a Black Bloc SP Fase II e a Black Bloc SP de 55mil.

As duas páginas foram simplesmente desativadas em menos de 48 horas com a desculpa de Nudez e incentivo ao vandalismo (algo assim), e nós nunca incentivamos nada, como todos sabem. Depois disso eles bloquearam os admins e por isso estamos um pouco parados (em postagens, claro.) Daí decidimos criar a fase III porque algumas pessoas estavam pedindo e, por puro medo, eles já estão bloqueando-a e já removeram a capa, sendo que essa capa que foi removida ficou meses nas outras duas páginas... Ou seja: estão querendo desarticular a tática aqui em sampa, mas, surpresa!
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NINGUÉM DEPENDE DE PORRA DE PÁGINA ALGUMA, SEUS FASCISTAS DE MERDA!
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Nós poderíamos escrever um texto enorme aqui dando resposta a mídia, mas estamos cagando pra ela e também estamos cagando pra Black Mídia que vem com desculpa de achar que a mídia vai fazer uma matéria séria, mas na real quer atenção nessa porra!
(Em relação a divulgar informações sobre oque vai ser feito na copa, vamos indicar pra vocês o manual do Guerrilheiro Urbano. Lá tem bem explicado oque acontece com quem fala muito. E entenda essa parte da forma que quiser.)

Bom, é isso. Vamos ao texto!

Comunicado a todos os adeptos e simpatizantes da tática Black Bloc SP :

Sobre a matéria falaciosa do jornal Estado de São Paulo e da suposta "entrevista Black Bloc" não tem muito o que falar na verdade, até porque já é algo que todos sabem mas fingem que não sabem.

Black Bloc promete caos na copa com ajuda do PCC?

Lembro que no ano passado nós comentamos aqui sobre uma reportagem vinculada no fantástico em que o PCC afirmava categoricamente que se eles não quisessem em conversas gravadas "não haveria copa do mundo" (sic) Lembro tbém que fizemos uma observação que tentariam vincular a tática Black Bloc com o PCC no qual "faríamos" uma espécie de parceria para tentar barrar a copa, esse falácia já é bem conhecida nesses meios de comunicação, querem propagar informações falsas a todo o custo para justificar ações mais ostensivas por parte do estado para criminalizar manifestantes e simpatizantes da tática Black Bloc.

Não tem como o Black Bloc dar entrevista pq o Black Bloc é tática de manifestação e não um grupo organizado. Não se deixe levar por declarações falaciosas do Estado de São Paulo e derivados.

Não existe Black Bloc fora da manifestação. Não existe o indivíduo Black Bloc, existem pessoas que durante uma manifestação usam táticas Black Bloc. Só isso, se disserem ou afirmarem algo além disso é mentira. 

 http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,black-blocs-prometem-caos-na-copa-com-ajuda-do-pcc,1503308


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extraído do facebook de black bloc sp fase III 

06/09/2013

o grito e as ruas, pedreiros e pedradas



Leia também um grito cada vez mais vivo 

1 - Alguns registros acerca das afinidades e distinções entre o Grito dos Excluídos e as manifestações que explodiram país afora, agora  em junho, e que talvez voltem a dar o vibrante ar de sua graça exatamente agora no 07 de setembro, dia reservado, há já 19 anos,  à solitária resistência do Grito dos Excluídos.
2  - Sabe-se que a luta popular nunca esteve adormecida neste país, em que pese o imobilismo da maioria dos movimentos populares, imobilismo que ( para além do mero e cretino oportunismo de lideranças populares e sindicais)  certamente foi  entendido como necessário para dar sustentação aos obviamente benvindos governos progressistas do PT, contra as forças descaradamente desestabilizadoras da direitona  arrogante, que tudo fizeram e tudo farão para retroceder ao estágio anterior aos avanços, embora moderados, do PT.
3 - Um dos mais incontestáveis exemplos de que essa luta nunca esteve adormecida foram exatamente as manifestações anuais e solitárias do Grito dos Excluídos no 07 de setembro,
4 -  É preciso  que manifestantes e lideranças das vibrantes Jornadas de Junho não se esqueçam dessa  "vígilia" da resistência por parte do Grito  e de muitas outras de lutas populares: Levante Popular da Juventude, Consulta Popular, Assembleia Popular, Rede Alerta Contra o Deserto Verde e tantas outras formas de resistência, que nunca estiveram "dormindo'. 
5 -  Na verdade, pelo grau de lucidez  e combatividade das manifestações de Junho não parece que esse tipo de preocupação seja relevante, não parece haver essa falsa "disputa' pelo protagonismo ou pela hegemonia com relação ao movimento popular, o que há são formas diferentes de efetivar essa resistência e essa luta popular. Mas, de qualquer forma, é importante ter esse histórico em mente. 
6 -  Assim como é importante que as Jornadas de Junho se espelhem um pouco nessa iniciativa do Grito dos Excluídos, quando leva suas propostas exatamente para os bairros populares, onde se pode amplificar ou fortalecer a resistência popular.
7 - Óbvio que, nesse momento, a prioridade ou a tática das Jornadas de Junho têm que ser exatamente ações nos centros mais movimentados das cidades.   
8 - Não apenas para acumular a mesma visibilidade conquistada pelo Grito, mas exatamente em função daquilo que pode ser a sua maior contribuição dessas novas formas de resistência: um projeto (utópico e dispersivo apenas na aparência), de transformação das estruturas capitalistas em nível global, planetário: parar  a produção, colapsar o capitalsimo, fazer o enfrentamento direto com a engrenagem cotidiana que sustenta essas estruturas sociais, econômicas, culturais e e ideológicas.
9 - Ocorre que, parar deixar cair no desgaste e na descrença toda  a sua estupenda criatividade, ousadia e combatividade, essa nova, surpreendente e necessária geração de manifestantes e combatentes vai precisar se aproximar de uma cenários menos utópicos, ousados e criativos, constituídos por individulidades quase inertes e quase sufocadas por aquela mesma  engrenagem cotidiana.  Essa nova geração vai precisar ampliar o seu exército, atrair combatentes, engajar jovens e adultos e crianças, para poderem continuar ocupando massivamente ruas e praças. 

10 - Afinal sabe-se que grande parte daqueles mobilizados em junho não têm o mesmo compromisso com a luta constante, regular e combativa, pelo fato de serem setores despersonalizados de classe média, sem posicionamento claro na de luta de classes, essa nova geração vai precisar dialogar mais com os cenários de periferia.  

11-  Obviamente que grande parte dos autênticos mobilizados de junho vêm das periferias, ou seja, conhecem e atuam lá onde são mais urgentes (e promissores) a resistência e o enfrentamento. Ainda assim, chegará um momento em que as ações dos combatentes de junho terão que ser menos espetaculares e menos imediatas, e mais voltadas  para um trabalho de engajamento e de formação.          

12 - É nesse sentido a afirmação acima (06): de que é importante que os combatentes de junho se espelhem um pouco nas ações ações das pastorais católicas efetivamente militantes,  que ajudam a manter manter vivo o Grito dos Excluídos.

13 - Claro que não se trata de ter como referência apenas essas pastorais, ou as alas progressistas da Igreja Católica, afinal são inúmeras as entidades que constroem o o Grito dos Excluídos. A menção aqui vai um pouco em função da oportunidade, do fato de estarmos na época do Grito.

14 - Mas a referência também vai muito em função do histórico dessas alas progressistas, das pastorais militantes e das CEBS. Todos sabemos do papel fundamental - exercido por essas entidades, movimentos e pessoas da Igreja progressista - na construção da resistência e da luta popular no Brasil , inclusive, como é bastante sabido, na construção do outrora revolucionário Partido dos Trabalhadores.

15- Mas não apenas para reverenciar essa história de luta, mas também para vislumbrar o futuro. Pois não dá para falar em futuro da luta popular no Brasil sem passar pela atuação da Igreja Progressista. De um jeito ou de outro, limitados ou não, amordaçados ou não,  essas entidades, movimentos e pessoas  estão presentes na luta popular, e certamente estarão quando chegar a hora de fazer um (cada vez mais necessário) enfrentamento final com as obsoletas e desumanas, estúpidas e descontroladas estruturas econômicas e sociais da atualidade.

16 - Pois estamos apenas no começo desse enfrentamento. Muitas marchas e muitas ocupações, muita barbárie e muitos gritos de guerra e de dor ainda se farão ouvir, até que possamos começar a desmontar essas estruturas. Pois elas não cairão sozinhas, não cairão de podre.

17 -  Falar em derrubar ou superar o capitalismo decadente não significa derrubar um castelo de areia, pelo contrário é um castelo ainda solidamente plantado, embora já esteja vencido há muito o seu prazo de validade como estrutura revolucionária e necessária à jornada da humanidade.

17 - Provavelmente esse impassível castelo de pedras só cairá quando, além de levarmos para as ruas o enfrentamento e o colapso, tivermos construído outras estruturas em seu lugar, edifícios sociais e políticos verdadeiramente humanos, verdadeiramente construídos por e para nós, com a lucidez e o cuidado, a generosidade e a paciência que um mundo assim exigir de nós. 

18 -  Mas terão que ser de fato estruturas concretas, viáveis, aceitáveis por todos, terá que ser um edifício social que de fato a traia e estimule todos a participarem dia a dia, dia e noite, de sua construção.

19 - Portanto, há espaço e necessidade  para aqueles que devem enfrentar, colapsar e apedrejar as estruturas arcaicas e desumanas, como também há necessidade daqueles que estão a indagar alternativas, ou que simplesmente já estão colocando em prática do essas  alternativas, mesmo que de forma moderada ou aparentemente contraditória, como nos governos progressistas da América Latina, Brasil incluso.  

20 - Pois as pedras do castelo destruído não poderão ser descartadas na construção do novo edifício. A expressão "não deixar pedra sobre pedra" - que certamente deve ser uma das preferidas dos autênticos movimentos de rebeldia e resistência, como os de junho no Brasil - só deve ser aplicada na destruição do castelo, não na construção coletiva do novo edifício. 

21 - Aí, sim, com a elaboração coletiva eficaz e sedutora de um novo edifício para a humanidade, aí talvez o castelo de pedras vá se revelar um castelo de areia, um gigante, ou melhor, uma besta fera  dos pés de barro. E par isso é que é necessária a comunhão da nova, criativa e ousada resistência com a paciente, lúcida e perseverante resistência histórica, da qual o Grito dos Excluídos é um entre muitos e dignos momentos.

28/08/2013

um grito (cada vez mais) vivo



leia também: o grito e as ruas

Já no seu 19° ano, o Grito dos Excluídos das pastorais da Arquidiocese de Vitória, neste ano, vai ocorrer novamente num bairro de periferia (parece que já pela terceira vez)  e não mais nas proximidades dos desfiles oficiais de 07 de setembro, nem em  avenidas e praças de bairros mais bem estruturados da região metropolitana.

Dessa vez é na cidade de Serra, nas comunidades de Vila Nova de Colares e de Feu Rosa.
Posso dizer que contribuí modestamente para essa iniciativa, pois defendi insistentemente a sua importância e pertinência, durante minhas últimas participações nas reuniões de articulação do Grito - não tenho podido participar nos últimos três anos.

Sempre acreditei que força e a persistência do Grito deveriam ser mostradas lá na periferia, lá onde estão os excluídos de quase tudo, na cada vez mais estúpida, irracional e perversa ordem capitalista. Para mim, era um verdadeiro desperdício de energias e esperanças fazer com que o Grito ficasse, repetidamente, a disputar atenção com a sempiterna e sempre sedutora patriotada dos desfiles militares e escolares.

Claro que foram válidas ( ainda o serão, vez por outra) as ações do Grito nas proximidades dos desfiles, afinal é ali que se concentram milhares de pessoas, de variados estratos sociais, mas certamente com predominância das camadas populares. E, nesse caso, é o lugar adequado para dar visibilidade jornalística ao Grito dos Excluídos e para apresentar as suas propostas a essas camadas populares.
Mas, consolidada essa fase de afirmação na mídia e de inserção popular, corre-se o risco de não se avançar, afinal, na algazarra e no entorpecimento emotivo próprios do desfile cívico-militar (que, no fundo, no fundo, mexe com todos nós, remete à festa e à inocência da infância), são limitadas as possibilidades de um maior envolvimento, convocação e engajamento das camadas populares num Projeto Popular para o Brasil, que é o que deve ser afinal o objetivo maior do Grito dos Excluídos.















  
Com a realização do Grito em bairros populares (São Pedro, em Vitória, e agora Feu Rosa e Vila Nova, na Serra) o Grito está no lugar certo, próximo das pessoas certas, pessoas a quem ele efetivamente busca despertar, sacudir de sua imobilidade, entorpecimento e desesperança, pessoas que de fato poderão provocar enfrentamentos e rupturas com as estúpidas e obsoletas estruturas sociais atualmente vigentes.


Ao passo que, próximo aos desfiles, para a maior parte das pessoas o Grito dos Excluídos, embora cause certo desconforto, não passa de um 'desfile' a mais; e para uma outra parte provoca no máximo admiração e respeito, mas não passando de um protesto a mais, que não vai levar a lugar nenhum, a mudança nenhuma. Resta um contingente mínimo, que pode ou não ser sacudido de sua apatia, ou que pode ter reforçada a sua resistência e a sua crença na luta popular.
Como também sempre há o risco de o Grito ser abafado, ter a sua força amortecida pela postura oportunista dos governantes e autoridades de plantão, que, espertamente, passaram a divulgar e ‘apoiar’ os manifestantes do Grito, de cima de seus presunçosos e enganosos palanques, fazendo parecer aos desinformados que aquela seria apenas mais uma manifestação oficial, permitida e “benvinda’ pelas “autoridades” e governantes.

10/01/2013

a pólvora molhada da mídia

O paiol da pólvora molhada: em 48 hs o dispositivo midiático disparou quatro 'furos' na praça; a saber:
a) a manchete falsa de que o MP 'já decidiu investigar' Lula;
b) um 'apagão' ejaculado pelos parceiros ideológicos do 'iluminismo' de 2001;
c) uma crise institucional na Venezuela, onde o Supremo recusou o papel de comodato conservador e
d) a candidatura 'renovadora' de Aécio, recebida com ceticismo pela elite a quem pretende representar. Bucaneiros da pólvora molhada não desistirão; a ordem é gastar o paiol em 2013.

09/01/2013

femen x bbb: mulheres militantes x mulheres/homens estupidificados

Embora tenha chegado com atraso, vale a divulgação, para conhecimento,  desse protesto das garotas do Femen/BR. Finalmente,,  aqui e ali começam a pipocar ações concretas contra essa absurda e patética (mas nada inocente) ofensa a tudo o que ainda resta de decente e  digno nas sociedades escravizadas pelo decrépito capitalismo.

E, com certeza, nada desses protestos vai sair na Rede Bobo e, claro, nem mesmo nas emissoras concorrentes - o que não tem nada de estranho, afinal é tudo farinha da mesma mídia. Segue o convite, atrasado,  do Femen.

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Convidamos a imprensa/programas de TV/mídia em geral p/ cobrirem o protesto do Femen Brazil no BBB (Big Brother Brasil)
Local: Shopping Santana, Zona norte de São Paulo Capital
Horário: Entre as 22h e 00h (depende da transmissão ao vivo da rede Globo)
Data: Terça-feira 08/01/13

Objetivo: Basicamente é uma luta contra a alienação do povo.
Fazer a população brasileira reagir a problemas de extrema relevância, como por exemplo a fome, miséria, a violência, o abuso de autoridade, as guerras, a saúde e educação falidas, o tráfico de pessoas, a exploração sexual, a corrupção, etc.
É nossa missão fazer com que o povo acorde e lute pelo que almeja, que reaja a situações como as citadas acima, fazer de nossa cultura menos comodista.

Quando programas como Big brother entram no ar, levam a população a uma espécie de transe, e é preciso que ela desperte e lute.
Nós do Femen Brazil não temos absolutamente nada contra o Big Brother ou Big Brother Brasil, entretanto este protesto se trata de uma tentativa de cobrar dos brasileiros que lutem e se inspirem tanto para resolver outros problemas, da mesma forma que fazem com o programa.

O Protesto:
3 ativistas do Femen Brazil, Sara Winter (20), Anna Steel (19) e Amanda Roseo-Alba (25) tentarão se aproximar da casa de vidro dentro do shopping Santana, gritando, sobre o povo acordar para a miséria brasileira e empunhando cartazes com a mesma temática: "Enquanto você vê Big Brother se esquece da miséria", "Big Brother instead of the big problems".



06/01/2013

sobre o jornalismo decrépito e cretino

Indícios de conspiração contra a democracia em todo o mundo
J. Carlos de Assis,   em  carta maior

Em 1983, bem antes do fim da ditadura, denunciei três grandes escândalos financeiros urdidos nos bastidores do sistema autoritário, os quais ficaram conhecidos como o caso Delfin-BNH, o caso Coroa-Brastel e o caso Capemi. Foi a inauguração do jornalismo investigativo na área econômica no Brasil, contribuindo fortemente para a desmoralização do regime. Era investigação jornalística crua: sem Polícia Federal, que só pensava em prender opositores políticos; sem Ministério Público, sem CPI, sem quebra de sigilos, sem escuta telefônica.

Trabalhei exclusivamente a partir de documentos vazados por empregados e funcionários públicos insatisfeitos com a corrupção em suas empresas ou instituições, e com depoimentos verbais rigorosamente conferidos por no mínimo três testemunhas. Nunca fui processado por civis que eventualmente questionassem minhas afirmações. Fui processado, sim, por dois ministros de Estado com base na antiga Lei de Segurança Nacional, aquela que criminalizava a intenção subjetiva, e não só os atos supostamente contra o regime.

Escapei de condenação porque o juiz militar de primeira instância entendeu que, ao contrário do que a LSN não previa, me devia ser dado fazer a prova da verdade. Não precisei fazer. Na verdade, já estava feita nas reportagens. Com isso os ministros, um deles chefe do SNI, o outro da Agricultura, desistiram da ação. Comparo isso, em pleno regime militar, com o jornalismo dito investigativo que tem sido feito no Brasil em pleno regime democrático. É o jornalismo da espionagem, da invasão da privacidade, da exposição pública de suspeitos, do achincalhe de inocentes, da opinião prevalecendo sobre a informação.

Na verdade, não existe hoje no Brasil (e no mundo) algo que mereça mais uma investigação jornalística séria do que o próprio jornalismo. Luís Nassif e Paulo Henrique Amorim vêm fazendo esse papel. Eu costumo rejeitar teorias conspiratórias, mas neste caso as evidências são óbvias. Uma delas vem de fora, o caso Murdoch, da Fox . Na Inglaterra, ele montou um sistema de espionagem de centenas de personalidades para alimentar um jornalismo de chantagem do sistema político. Nos EUA, ele tentou inventar um candidato a presidente da República que seria apoiado por seu império de comunicação.
Qual é o pano de fundo dessas atividades jornalísticas criminosas, que põem em risco até as maiores e mais antigas democracias do mundo? A pista é o próprio Murdoch, o bilionário das comunicações. A articulação da grande mídia com as grandes corporações mundiais, notadamente os bancos, constitui uma base de poder incomparável nas democracias. Os bancos financiam a mídia para que a mídia faça a lavagem cerebral nos eleitores em defesa de seus interesses. A isso se deveu o sucesso ideológico espetacular do neoliberalismo nas últimas décadas. (Vejam aqui as críticas da mídia à queda dos juros!)

O processo foi facilitado pela desestruturação da União Soviética. Durante o governo Yeltsin, a imensa máquina de espionagem russa ficou completamente desamparada e sem objeto, até que foi em parte recuperada por Putin. No intervalo, porém, muitos espiões ficaram virtualmente sem emprego na Rússia e no mundo. A meu ver, boa parte deles foi recrutada por corporações jornalísticas inescrupulosas como jornalistas ou simples informantes remunerados por “trabalho”, e colocada a serviço dos sistemas financeiros.

E no Brasil, o que está acontecendo? Primeiro, há um problema estrutural no mercado jornalístico. Sob pressão da Internet, que comanda o processo de produção de notícias, o espaço dos jornais se estreitou. Para sobreviver lhes resta o campo da análise, da crítica, do lazer etc. Mas e as revistas? Bem, as revistas ficaram com um espaço ainda menor. Sua circulação está caindo, com ela a publicidade. Para reagirem, só têm o espaço do escândalo. E para publicar escândalos contratam espiões, dos quais os jornalistas são meros redatores.

Não é possível com os meios de que disponho fazer prova direta disso, mas é só prestar atenção nas indiretas. Quem publica escândalo semana sim, semana não? Quem contrata espiões como informantes, tal como ficou comprovado na CPI do Cachoeira, infelizmente abortada? Quem obtém (ou compra) da Polícia Federal fitas com degravações de escutas telefônicas sigilosas? Quem tem acesso a processos do Ministério Público ainda protegidos por sigilo? Quem manipula parlamentares com chantagens?

Pessoas de boa fé acreditam que essa é a única forma de identificar corruptos. Minha experiência, como indicada acima, diz que não é. Além disso, a maioria dos corruptos se protege, nada de ilegal tratando por telefone. Mas o que acontece quando há um corrupto na linha grampeada por ordem judicial falando com Deus e o mundo? Podem ser centenas, e grande parte inocente. Mas sua privacidade é invadida e colocada à mão de policiais que, se forem corruptos, têm ali farto material de chantagem. Por acaso alguém controla isso, já que tudo pode vazar impunemente?

É claro que toda essa situação coloca um desafio e um risco imenso para a democracia no Brasil. A ameaça maior é que a violação de direitos recorrentemente praticada pela mídia está sob a bandeira de um bem público maior, a liberdade de imprensa. Não é conveniente jogar fora o bebê com a água da bacia. Contudo, é preciso aproveitar algum fato concreto para se criar uma CPI. Além disso, o Executivo deveria reorganizar seu sistema de informações, talvez criando uma Agência Nacional de Segurança como os EUA, integrando numa só estrutura órgãos que hoje se encontram sem qualquer supervisão e controle.

22/12/2012

será que o pt vai mesmo surpreender?

Interessante: no dia seguinte à publicação neste blog da postagem abaixo, na qual Gilberto Maringoni trata com precisão das limitações e contradições do PT, e três dias depois da fala de Lula, propondo uma retomada das ruas, eis que Zé Dirceu elabora um diagnóstico preciso, cortante, da realidade contraditória e vivida pelo PT, mas realidade provocada e cultivada pelas próprias cúpulas do PT, da qual Zé Dirceu é  talvez  a figura mais proeminente.

Neste momento apreensivo, em que a esquerda latinoamericana vê com esperançosa expectativa os desdobramentos da provável sucessaõ de Chávez no coamdo da ousada revolução bolivariana da Venezuela, tomara que, aqui no Brasil,  a lucidez de Zé Dirceu se traduza em atos concretos de resgate das propostas originais e ousadas do PT de antes de 2002, tomara que ainda haja tempo de a militância e os quadros do PT ainda surpreendeerem e efetivarem a sua própria superação.
Senão teremos que atravessar um longo poríodo de reinvenção da esquerda brasileira, de recriação de um partido efetivamente combativo, popular e orgânico., tal como foi o PT até a eleição de 89. 
Confira abaixo as falas de Zé Dirceu e Lula - a íntegra do texto está em Carta Maior:


LULA E DIRCEU: AS RUAS E A LUTA PELA HEGEMONIA

Lula:"No ano que vem, para alegria de muitos e tristeza de poucos, voltarei a andar por este país. Vou andar pelo Brasil porque temos ainda muita coisa para fazer, temos de ajudar a presidenta Dilma e trabalhar com os setores progressistas da sociedade" (Lula, na posse da nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, nesta 4ª feira, 19-12). Dirceu: "O PT falhou ao não estimular, nos últimos anos, uma "comunicação e uma cultura" de esquerda no país. Até nos Estados Unidos tem isso, jornais de esquerda, teatro de esquerda, cinema de esquerda. É uma esquerda diferente, deles, mas que é totalmente contra a direita. Aqui no Brasil não temos nada disso.A classe média está vivendo num paraíso, e isso graças ao Lula. Mas, ao mesmo tempo, está sendo cooptada por valores conservadores. Já disse a Lula que o jogo pode virar fácil. Nós [PT] não temos a maioria, a esquerda ganha eleição no Brasil com 54% dos votos"(José Dirceu;Folha de S Paulo; 22-12-2012)

21/12/2012

o pt ainda pode surpreender?

Enquanto na Venezuela se discute febril e ansiosamente o futuro da revolução  bolivariana, com o provável afastamento de seu líder maior, no Brasil o que chama  a atenção é a estranha passividade com que o PT aceita os ataques do judiciário e da mídia ao seu líder maior. 

Gilberto Maringoni, no texto abaixo, retrata com competência o porquê dessa passividade, como ela é fruto de uma opção política. Opção que, sem dúvida nenhuma, tem feito avançar as transformaçãoes sociais e econômicas no país governado pelo PT, mas que têm também seus limites e contradições. 

Na verdade, há já muitos anos que se sabe que a grande questão é definir até quando o PT e os seus governos  poderão resistir a esses ataques, pressões e até quando poderão resisitir às  suas próprias contradições.
Há muitos anos já se sabe que o que importa é definir se o PT será capaz de superar a si próprio, ou se terá daqui a alguns anos cumprido o seu papel histórico, dando lugar a aoutras forças de transformação social no Brasil. 

Tudo pode acontecer, afinal quem conhece e vivencia o PT sabe que apesar de suas contradições e apesar das escolhas e imposições de suas cúpulas, sabe que o PT ainda é capaz de surpreender.  

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Não se mexe em time que está apanhando
Por que o PT fica passivo diante dos ataques que sofre da mídia? Por que o partido não reage diante de óbvios vícios no chamado processo do mensalão? Por que não colocou em pauta a CPI da Privataria? Essa passividade foi meticulosamente construída para fazer da sigla uma máquina eleitoral eficiente, mas desfibrada para disputar a hegemonia na sociedade
por Gilberto Maringoni, em cartamaior


A passividade quase letárgica que o PT exibe nesses dias de ataques da mídia não é obra do acaso. É construção de mais de duas décadas, desde pelo menos o início dos anos 1990. Naquela ocasião, a direção do então Campo Majoritário decidiu que o partido precisaria se apresentar de forma mais moderada para ganhar o eleitorado de classe média e facções do empresariado em sua jornada para fazer de Lula presidente do Brasil.


Começou ali um processo de duas vias. De um lado, isolava-se a esquerda interna, tirando-a de postos de direção. De outro, tinha início uma paulatina moderação nas propostas programáticas. Não foi uma rota tranqüila. Houve expulsões de correntes – como a Convergência Socialista, em 1992 – e o episódio traumático da cassação da candidatura de Wladimir Palmeira a governador do Rio, em 1998. A postulação do então deputado federal pela sigla jogava areia numa articulação maior, que visava fazer de Leonel Brizola vice na chapa de Lula. Para tanto, o PDT reivindicava Antony Garotinho na cabeça de chapa estadual.


No terreno programático, temas como renegociação da dívida externa ou estatização do sistema financeiro deram lugar à Carta aos Brasileiros, em 2002, que advogava o cumprimento estrito dos contratos firmados pelos governos tucanos.
Como tática eleitoral, a moderação e o transformismo foram um sucesso. O PT cresceu em número de votos pelo país. Mas começou a ficar perigosamente parecido com os demais.


Rebeldia como problema
A expansão da máquina partidária e a profissionalização de parte da militância como funcionários de prefeituras e governos de estado, ao longo desses anos, acentuaram uma diluição tática. A rebeldia deixava de ser vista como fenômeno positivo e passara a ser encarada como ruído a ser removido do comportamento político coletivo.


A partir da eleição de Lula, em 2002, a passividade ganhou ares de grande sabedoria. “Agora somos governo e temos de ir com calma” e “olhem a correlação de forças” passaram a ser o fraseado corrente, a justificar a defesa e aprovação de propostas impensáveis à agremiação de anos antes, como a reforma da previdência, a lei de falências ou a entrada de capital externo nas empresas de mídia.


O partido paulatinamente deixou de disputar hegemonia na sociedade; passou a disputar apenas votos. Abandonou um projeto de poder – entendido aqui como projeto para dirigir o país – e tornou a conquista de pedaços do aparelho de Estado em sua atividade-fim. Nessa lógica de eleição a qualquer custo, o centro da atividade partidária passou a ser a constituição de governos de coalizão.


Coalizões amplas são necessárias para se potencializar a luta política e isolar adversários. Para o PT real, as coalizões tornaram-se úteis para a obtenção de maiorias parlamentares, mesmo que inimigos de outros tempos estejam abrigados sob o guarda-chuva da máquina pública.


O ambiente de pragmatismo a toda prova pauta a montagem do governo federal. Como a militância poderia investir contra a direita, se vários de seus membros mais ilustres, como Jorge Gerdau, Paulo Maluf, José Sarney, Michel Temer e outros estão abrigados sob as asas do condomínio governista?


Ambigüidades nas críticas
Os petistas não podem se rebelar contra o STF, por um motivo simples: quem nomeou oito dos 11 membros daquela corte foram os presidentes Lula e Dilma. Assim, atacar a cúpula do Judiciário - se a crítica for sincera - significa investir contra os responsáveis últimos por sua composição.


Tampouco os petistas podem ir muito fundo em suas investidas contra a imprensa, uma vez que o ministro Paulo Bernardo cuida zelosamente, na administração federal, para que nenhuma iniciativa sobre regulação dos meios de comunicação prospere no âmbito oficial. A ministra Helena Chagas, Secretária de Comunicação Social da Presidência da República, por sua vez, atua para que a presidenta conceda entrevistas exclusivas para a TV Globo e a revista Veja, entre outros, além de manter alentados contratos de publicidade governamental com esses e outros órgãos da grande mídia. Para a mídia alternativa, o regime é na base do pão é água, em geral sem um e outro.


Os membros do Partido dos Trabalhadores, alem disso, não podem ir muito além da superfície na crítica à mola mestra dos governos FHC, as privatizações. O PT no governo vendeu estradas, aeroportos, bancos estaduais, empresas de telefonia (na gestão Antonio Palocci, em Ribeirão Preto) e se esmera nas parcerias com as Organizações Sociais (OSs), modalidade de privatização disfarçada, criada nas gestões tucanas. Por isso, o partido – na figura do presidente da Câmara, Marco Maia – engavetou a CPI da Privataria, no início de 2012. Atacar os adversários equivaleria a se voltarem para as próprias responsabilidades na questão.


Indignação burocrática
Como tem agido a direção partidária? Não formula e não se defende. Justifica. Tenta explicar, num grande contorcionismo verbal, todas as ações da do governo.
Isso não mobiliza e não incentiva a saudável rebeldia de outros tempos.


Assim, a cúpula petista construiu o partido que queria. Os vídeos com falas monocórdias, mas pretensamente indignadas, de Rui Falcão, presidente da sigla, nas últimas semanas, veiculados pelo site do partido, são o melhor retrato da inércia dirigente.


Não é de se estranhar, depois disso tudo, que nem a popularidade recorde do governo – motivada por políticas positivas de aumentos do salário mínimo e expansão do crédito - incentive as lideranças a mudarem de posição e irem à luta. Tais iniciativas são positivas, mas parecem estar batendo no teto. Os serviços públicos seguem deficientes e não há no horizonte propostas de mudanças na estrutura do Estado.


O raciocínio que se vê entre petistas é algo como “com todos os ataques, Lula e Dilma seguem em alta”. Ou seja, “não se mexe em time que está apanhando”...


(Apesar de tudo, a mídia de direita deve ser frontalmente combatida, o sistema financeiro tem de ser enquadrado e o STF deve ser denunciado. Que presidentes da república tenham mais responsabilidade na hora de compor o órgão máximo da Justiça brasileira).

19/11/2012

guaranis-kaiowás x veja: direito de resposta

Campanha reivindica direito de resposta aos guaranis-kaiowás

A fúria conservadora contra o reconhecimento dos direitos constitucionais dos índios guarani-kaiowá ganha corpo na mesma proporção em que a campanha em prol da etinia ocupa mais e mais espaços, nas ruas e nas redes sociais de todo o mundo. E neste processo, a mídia conservadora, como era de se imaginar, se torna terreno fértil para a propagação de todo tipo de preconceitos e inverdades históricas contra as populações indígenas. É neste ambiente que índios e defensores dos direitos humanos se uniram para lançar a campanha “Direito de resposta aos Guarani-Kaiowá Já!”, direcionada à revista Veja, precussora dos ataques.

“A escrita, quando você escreve errado, também mata um povo”, afirmaram professores guaranis-kaiowás a respeito da matéria “A ilusão de um paraíso”, publicada na edição de 4/11. De acordo com os organziadores da campanha, a matéria é “claramente parcial no que diz respeito à situação sociopolítica e territorial em Mato Grosso do Sul, pois afirma que os indígenas querem construir ‘uma grande nação guarani’ na ‘zona mais produtiva do agronegócio em Mato Grosso do Sul’”.
Também distorce à atuação política de grupos indígenas supracitados e órgãos atuantes na região, “desmoralizando os primeiros ao compará-los, ainda que indiretamente, a ´massas de manobra´ das organizações supostamente manipuladoras e com uma ´percepção medieval do mundo´.

A campanha classifica a matéria como irresponsável e criminosa, por estimular medo, ódio e racismo. Um exemplo? “O resto do Brasil que reze para que os antropólogos não tenham planos de levar os caiovás (sic) para outros estados, pois em pouco tempo todo o território brasileiro poderia ser reclamado pelos tutores dos índios”, afirma o texto da revista.

A postura de Veja não é isolada. Hoje, foi a vez da Folha de São Paulo ceder espaço para um outro texto-síntese do pensamento conservador brasileiro. O artigo de Luiz Felipe Pondé aparentemente se volta contra os adultos que aderiram à defesa da causa guarani-kaiowá e uniram o nome da etnia aos seus próprios nas redes sociais. Os militantes virtuais são chamados de loucos, ridículos e mediocres, entre outros adjetivos de nível idêntido.

Mas o pano de fundo do texto também é atacar a causa do povo indígena também é duramente atacada. “Desejo que eles arrumem trabalho, paguem impostos como nós e deixem de ser dependentes do Estado. Sou contra parques temáticos culturais (reservas) que incentivam dependência estatal e vícios típicos de quem só tem direitos e nenhum dever. Adultos condenados a infância moral seguramente viram pessoas de mau-caráter com o tempo”, diz um trecho do artigo.

Participe da campanha.

13/11/2012

josé dirceu: não acabou

"Esse processo viola a Constituição e o Estado Democrático de Direito"

por José Dirceu, em  carta maior

Dediquei minha vida ao Brasil, a luta pela democracia e ao PT. Na ditadura, quando nos opusemos colocando em risco a própria vida, fui preso e condenado. Banido do país, tive minha nacionalidade cassada, mas continuei lutando e voltei ao país clandestinamente para manter nossa luta. Reconquistada a democracia, nunca fui investigado ou processado. Entrei e saí do governo sem patrimônio. Nunca pratiquei nenhum ato ilícito ou ilegal como dirigente do PT, parlamentar ou ministro de Estado. Fui cassado pela Câmara dos Deputados e, agora, condenado pelo Supremo Tribunal Federal sem provas porque sou inocente.

A pena de 10 anos e 10 meses que a suprema corte me impôs só agrava a infâmia e a ignomínia de todo esse processo, que recorreu a recursos jurídicos que violam abertamente nossa Constituição e o Estado Democrático de Direito, como a teoria do domínio do fato, a condenação sem ato de ofício, o desprezo à presunção de inocência e o abandono de jurisprudência que beneficia os réus.

Um julgamento realizado sob a pressão da mídia e marcado para coincidir com o período eleitoral na vã esperança de derrotar o PT e seus candidatos. Um julgamento que ainda não acabou. Não só porque temos o direito aos recursos previstos na legislação, mas também porque temos o direito sagrado de provar nossa inocência.

Não me calarei e não me conformo com a injusta sentença que me foi imposta. Vou lutar mesmo cumprindo pena. Devo isso a todos os que acreditaram e ao meu lado lutaram nos últimos 45 anos, me apoiaram e foram solidários nesses últimos duros anos na certeza de minha inocência e na comunhão dos mesmos ideais e sonhos.

06/11/2012

o bangue-bangue paulista: a cidade quer saber

 transcrito de  carta maior

(antes de passar propriamente ao texto de Carta Maior, vale registrar o comentário de um leitor, publicado no mesmo site:
Baco diz: Eu não entendo esse governo do PT. O PT sob fogo cruzado intenso-via mídia empresarial e "mini-ministros" do STF. E o Governo Federal se prontifica a ajudar ao governo do PSDB, que é o responsável direto por essa violência. Tinha que deixar eles solicitarem socorro e não socorre-los!
Na verdade, caro Baco, você não deixa de ter um pouco de razão, mas ocorre que é isso que diferencia um governo popular, ou ao menos progressista, de um governo despersonalizado e pró-elite: a generosidade e o compromisso sério com a vida e a dignidade das pessoas em primeiro lugar. E valeu pelo 'mini-ministros'. Ao texto de Carta Maior) 
  
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A criação de uma agência de cooperação e inteligência entre o governo de São Paulo e Brasílial é a primeira providência estrutural diante da pasmaceira de violência e incompetência que assola a maior e mais rica capital do país.

Com mais cinco assassinatos verificados na madrugada desta 3ª feira, São Paulo atingiu a apavorante marca de 290 homicídios nos últimos 60 dias. A marca da 3ª feira ficou dentro da média do período: quase 5 mortes (4,8) por dia.

O padrão equivalente a cerca de 150 mortes por mês é mais que o dobro do descalabro registrado em Ciudad Juarez, a capital conflagrada do narcotráfico mexicano. De janeiro a setembro deste ano Ciudad Juarez recolheu uma média mensal de 65 cadáveres de suas ruas, entre corpos baleados e algumas cabeças decapitadas.

São Paulo não é Ciudad Juarez. Assiste-se aqui a um surto; uma irrupção refletida no aumento de 90% no total de homicídios dos últimos dois meses, em relação ao bimestre equivalente de 2011.

Um surto de execuções, melhor dito. E isso guarda semelhança com o padrão de Ciudad Juarez. Lá e cá a matança em nada se confunde com latrocínio, o roubo seguido de morte, tampouco é fruto de confrontos eventuais entre policiais e bandidos. Esses são casos de contabilidade distinta.

A sangria desatada que interliga tristemente as estatísticas das duas cidades reflete a morfologia de uma violência planejada. Há listas de mortes programadas e jagunços a campo. Portanto, é mais assustador ainda.

O acerto de contas acontece nas ruas da maior e mais rica cidade brasileira, no estado cuja segurança pública é ordenada há 18 anos por governos do PSDB. A nominação é pertinente na medida em que a proficiência na matéria sempre foi um apanágio reclamado pelos tucanos. O que houve então?

Há 60 dias, alternam-se em toda a região metropolitana paulista execuções de policiais e civis. Noventa e dois policiais militares foram fuzilados em situações semelhantes desde o início do ano. Média de nove corpos por mês. A maioria, fora de serviço, vestida à paisana, muitas vezes próxima da residência ou dentro dela. Parentes também foram alvejados.

Até a semana passada, o governo do PSDB paulista repetia a cada enterro: temos o controle. Na 5ª feira depois das eleições, um telefonema da Presidenta Dilma ao tucano Geraldo Alckmin desfez a encenação: o governo de SP aceitou a ajuda federal para tentar conter a guerra. Nesta 3ª feira surgiram as primeiras iniciativas, como a da agencia de cooperação.

Outras providências de sensatez desconcertante pelo ineditismo serão tomadas a partir de agora. Líderes do PCC serão transferidos para presídios federais de segurança máxima.

Hoje, eles estão espalhados em cárceres do sistema prisional paulista sabidamente saturado e, é quase uma delicadeza colocar as coisas assim, co-administrados pelo crime.

A inteligência federal ajudará a deslindar um dos mistérios mais guardados pela cúpula tucana: quem está matando quem, e por qual motivo?

Documentos apreendidos em batidas policiais feitas em favelas comprovam a deliberada aritmética da morte comandada de dentro das prisões: dois policiais por bandido morto.

Há, ainda, a suspeita de um ajuste de contas entre milícias compostas de policiais da PM paulista fora do expediente e traficantes ligados ao PCC.

Os dois lados estariam redesenhando a chumbo e sangue os perímetros de controle do jogo clandestino e do comércio de drogas. É uma das hipóteses da investigação.

Sobram perguntas numa crise encoberta pelo lacre da opacidade conveniente à leniência oficial e ao matador clandestino. A cidadania tem o direito de saber o que se passa. E mais que isso, de arguir o que deixou de ser feito a ponto de se ter, não pela primeira vez, diga-se, a maior cidade brasileira ao sabor de bandos e balas fora do controle. Sobretudo, tem o direito de cobrar as providencias para que o horror cesse -- e a sua ameaça não se repita.

Assusta a opinião progressista de São Paulo que até hoje a sua Assembleia de representantes não tenha tido a coragem, e a responsabilidade soberana, de convocar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para tirar a segurança da sarjeta onde bandos armados disputam o território com a incompetência desarmada pela soberba e o interesse eleitoral. Ainda é tempo.

24/10/2012

supremo político

por Lincoln Secco (*),  transcrito de  Vi o Mundo

Conta-nos George Duby que no século XII o cavaleiro Guilherme Marechal descobriu uma jovem dama e um monge em fuga. Ao saber que se dirigiam a uma cidade para empregar seu dinheiro a juros, ele ordenou a seu escudeiro que lhes retirassem o dinheiro. Para ele aquilo não era roubo! Ele não tocou na jovem, não impediu que continuassem e nem lhes tomou a bagagem. Nem mesmo quis ficar com o dinheiro tomado pelo escudeiro. É que para a moral da cavalaria o metal era vil, a acumulação desonrada e a usura um pecado.
Ninguém nos dias de hoje concordaria com aquele “Direito Medieval”. Todo o Direito corresponde ao seu tempo e à leitura política que predomina numa sociedade.

No caso do Supremo Tribunal Federal, a sua natureza política se torna quase transparente. É que os juízes do STF não fazem concurso, eles são indicados. A Constituição garante ao Presidente da República e à maioria que ele constitui no Senado Federal, o poder de interferir na sua composição.

Dessa forma é dever constitucional do presidente nomear pessoas que estejam de acordo com a correlação de forças políticas que a população livremente estabeleceu pelo voto. Quando Fernando Henrique Cardoso foi eleito, ele nomeou juízes que estavam afinados com o seu projeto liberal de privatizações. Nomeou pessoas que deveriam criar o ordenamento jurídico dentro do qual ele ergueu o modelo econômico escolhido pelo povo. Caberia aos juízes inviabilizar questionamentos que duvidassem das privatizações, por exemplo.
Em 2002 o povo escolheu um novo modelo de desenvolvimento oposto ao anterior e era esperado do presidente que nomeasse para o STF juízes que calçariam o sua opção pelo social com uma segurança jurídica mínima que impedisse ações contra sua política de cotas ou seus programas de transferência de renda, por exemplo. Mas, ao contrário de FHC, Lula seguiu uma interpretação errônea do que seria a República.

Ocorre que se o STF não é politizado pelo presidente ele o é pela oposição. É que o Direito não é só um conjunto de fatos ou normas, como rezam os positivistas, mas a expressão de uma relação de poder. Se um lado hesita em exercê-lo o outro o fará. Nada disso atenta contra a Democracia. Esta é apenas a forma de um domínio encoberto pelo consenso da sociedade. A violação do direito ocorre se um dos lados usa a força e se põe fora da legalidade.

Até ontem, o consenso jurídico era o de que na dúvida prevalecia a absolvição do réu. Cabia ao acusador fornecer a prova, e não o contrário. Provas não podiam ser substituídas pela crença espírita de que uma pessoa devia necessariamente conhecer determinado fato. Todo cidadão tinha o direito de ser julgado em mais de uma instância.

No século XIX havia escravos que iam às barras do tribunal para requerer a liberdade alegando que teriam ingressado cativos no Brasil depois da proibição do tráfico. E quando perdiam num Tribunal da Relação, podiam recorrer até a última instância, embora a nossa mais alta corte defendesse a escravidão.

No Estado Novo esta mesma corte autorizou a entrega de uma judia comunista para morrer nas Câmaras de Gás de Hitler. Esteve dentro da estrita legalidade de uma Ditadura. Em 1988 recebemos um ordenamento jurídico resultante da luta contra o terrorismo de Estado que imperou no Brasil depois de 1964.

A condenação de José Dirceu mostra que o consenso de 1988 mudou. Doravante, empresários, políticos e lideres de movimentos sociais terão grande dificuldade de se defender no STF.
A não ser que o julgamento tenha sido de exceção!

Neste caso, tudo voltará a ser como antes. Mas então a ilusão que a esquerda acalentou na democracia será posta em causa e ela poderá se voltar aos exemplos tão temidos pela oposição, como a Argentina, a Bolívia, o Equador e a Venezuela.

(*) Lincoln Secco é professor do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP

03/10/2012

os antecedentes das próximas horas


Quis o destino que a resposta da Presidenta Dilma Rousseff à soberba 'paulista' de Serra acontecesse num simbólico 2 de outubro. Nessa data, há 80 anos, Getúlio Vargas derrotou a secessão da oligarquia de São Paulo, cuja marca de fantasia se atribui o rótulo de 'revolução constitucionalista de 32'.
O tucano que se gaba de já ter disputado sete eleições para cargos executivos, enfrenta um crepúsculo de campanha -talvez de vida pública - perfilando assim no lado que lhe compete na história.

Em 12 de setembro, ao ranger do chão da candidatura que pode marcar a sua despedida política, Serra vestiu a farda da nostalgia separatista. E evocou prerrogativas pré-republicanas sobre o eleitorado de São Paulo.
Como um guardinha de 32, desengavetou a carabina da resistência à construção do Estado nacional, implementada então por Getúlio Vargas. E apontou a mira contra aquela cujo cargo e trajetória política simbolizam a presença de Vargas no Brasil atual.

"Ela vem meter o bico em São Paulo; ela que mal conhece São Paulo, vem aqui dar palpite", disparou o tucano para gozo da mídia oligarca que se esponjou em manchetes nostálgicas.
A filiação da frase foi captada pela Presidenta gaúcha Dilma Rousseff.

Uma saraivada de recados históricos soterrou o tucano na sua resposta. Em um palanque na periferia de São Paulo, junto a um conjunto popular, ao lado de um líder operário que ultrapassou as expectativas mais otimistas de Getúlio e se fez presidente por duas vezes, bem como do adversário direto de Serra no pleito municipal, Fernando Haddad, Dilma foi ao ponto.

Deu uma lição de republicanismo ao porta-voz do apartheid conservador nos dias que correm.
Disse a Presidenta :
"Eu morei na Celso Garcia; lutei contra a ditadura aqui; fui presa política em São Paulo. Foi pelas liberdades, pelo direito de cada um dos paulistas e dos brasileiros de meter o bico em todos os assuntos que eu lutei aqui em São Paulo. Devo a São Paulo não só respeito, mas gratidão por ter me protegido. Por isso, quem vai governar essa cidade é muito importante para a presidenta. Eu estou aqui metendo o bico em uma eleição porque para o Brasil, São Paulo é muito importante. E não tem como dirigir o Brasil sem meter o bico em São Paulo".

Em síntese, ela explicou a sinhozinho Malta que, desde Getúlio, São Paulo não é mais uma sesmaria consuetudinária dos endinheirados. Seu povo não compõe um protetorado eleitoral tucano; e ela, a exemplo de Vargas, em 30 e em 50; de Lula, em 2002 e 2006, não se sujeita às regras de quem arrota retórica liberal. Mas dispensa 'aos de fora' - os 'baianos', os gaúchos, os operários, os comunistas - as armas da capangagem política mais conveniente à ocasião.

Ontem, a secessão à bala; hoje, o golpismo conservador calibrado pela fuzilaria interrupta do bombardeio midiático. Não cometerá desatino histórico quem incluir na engrenagem dessa cortina de fogo o circo criado em torno do julgamento do processo 470.
Em alguma medida, neste caso também, são 'os de fora' que estão sendo julgados, sob critérios de uma exceção definida e vocalizados pelos d 'de dentro', através do seu aparato midiático.
É o PT que surgiu de baixo em afronta à regra não escrita dos partidos feitos pelo e para o dinheiro grosso comandar a vida do Brasil miúdo.

São lideranças que, ademais das concessões e renúncias --e por mais que às vezes remetam à imagem do cardume exaurido levado pela correnteza depois de vencer os pedrais da piracema-- demarcaram um campo popular de extensão inexistente no Brasil até então. E inédito no mundo redesenhado pela derrocada do projeto socialista, após a queda do Muro de Berlim, em 1989.
Foi o contraponto dessa gênese de vigor paradoxal que atraiu para o PT o olhar da esperança progressista mundial; mas também o ódio tenaz dos que imaginavam ter erradicado 'essa raça para sempre', com o efeito dominó subsequente ao colapso da ex-URSS e da supremacia neoliberal.
Três vitórias presidenciais sucessivas abalaram as certezas dos que consideravam questão de tempo destruir a excessão petista dentro das regras do jogo.
Não é preciso ser de esquerda para admitir que esse abalo influencia nesse momento a redefinição das fronteiras da norma, do bom senso e da isonomia no julgamento em curso no STF.
Está no ar, mas é de tal maneira denso que se pode cortar com uma faca: uma engrenagem gigantesca se move para desacreditar por outros meios, aquilo que se consolidou como referência de luta pela democracia social no país e no imaginário do povo.

Não se poupa aqui de reprovação a prática do caixa 2 de campanha. Sobre isso Carta Maior já disse e sublinha: ela amesquinha projetos progressistas, aleija suas lideranças, desmoraliza a soberania do voto popular.O que causa espécie, todavia, é o esforço concentrado para distinguir o caixa 2 cometido pelos ' fora' (a 'companheirada', no tratamento quase racial do jornalismo isento), daquele precedido na natureza e no calendário pelos 'de dentro'.
Tal malabarismo assumiu dimensões e contornos de sofreguidão caricatural na a pulsão condenatória de mídias e togas , que nunca antes , 'nem depois', vaticinou o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos em entrevista à Carta Maior - reproduzirão o mesmo tratamento para igual delito.

Quando Vargas derrubou as oligarquias da República Velha que se perpetuavam na Presidência à base do Café com Leite, irritaria sobremaneira aos 'liberais' paulistas a legalidade concedida aos sindicatos operários e ao Partido Comunista.
O apoio do novo governo a um aumento salarial reivindicado por uma greve geral que paralisou 200 mil trabalhadores no Estado de São Paulo pode ter sido a gota d'água da 'intentona constitucionalista'.
Muitos estudiosos enxergam nesse entrelaçamento histórico a semente de um conflito entre duas linhagens frontalmente distintas de democracia e de projeto para o país: de um lado, um Brasil ordenado pela democracia social; de outro, uma sociedade circunscrita pela democracia de recorte liberal, vista pelo tenentismo mais aguerrido dos anos 30 como uma farsa.

Os ecos desse conflito ainda comandam a disputa política brasileira no século XXI.
Foi isso que o dedo de Dilma apontou em direção a Serra no discurso desse 2 de outubro encharcado de referências históricas implícitas e explícitas.
É de alguma maneira a extensão desse embate que se assistirá nas próximas horas no STF, no julgamento de lideranças petistas, entre elas José Dirceu e Genoíno.

O calendário ordenado com o definido propósito de tornar eleitoralmente desfrutável esse momento autorizará o historiador do futuro a arguir se aquilo foi um julgamento isento. Ou terá sido mais um capítulo da tentativa recorrente, desde 1932, de impedir que os 'de fora' venham meter o bico nos destinos da 'São Paulo ampliada', que é como os 'de dentro' enxergam o Brasil.

19/09/2012

por que eles têm medo do Lula?

por Emir Sader, de  carta maior

(leia também a intérmina guerra)

Lula virou o diabo para a direita brasileira, comandada por seu partido – a mídia privada. Pelo que ele representa e por tê-los derrotado três vezes sucessivas nas eleições presidenciais, por se manter como o maior líder popular do Brasil, apesar dos ataques e manipulações de todo tipo que os donos da mídia – que não foram eleitos por ninguém para querer falar em nome do país – não param de maquinar contra ele.
Primeiro, ele causou medo quando surgiu como líder operário, que trazia para a luta política aos trabalhadores, reprimidos e super-explorados pela ditadura durante mais de uma década e o pânico que isso causava em um empresariado já acostumado ao arrocho salarial e à intervenção nos sindicatos.

Medo de que essa política que alimentava os superlucros das grandes empresas privadas nacionais e estrangeiras – o santo do chamado “milagre econômico” -, terminasse e, com ela, a possibilidade de seguirem lucrando tanto às custas da super-exploração dos trabalhadores.

Medo também de que isso tirasse as bases de sustentação da ditadura – além das outras bases, as baionetas e o terror – e eles tivessem que voltar às situações de incerteza relativa dos regimes eleitorais.

Medo que foi se acalmando conforme, na transição do fim do seu regime de ditadura militar para o restabelecimento da democracia liberal, triunfavam os conservadores. Derrotada a campanha das diretas, o Colégio Eleitoral consagrou um novo pacto de elite no Brasil, em que se misturavam o velho e o novo, promiscuamente na aliança PMDB-PFL, para dar nascimento a uma democracia que não estendia a democracia às profundas estruturas econômicas, sociais e midiáticas do país.

Sempre havia o medo de que Lula catalizasse os descontentamentos que não deixaram de existir com o fim da ditadura, porque a questão social continuava a arder no país mais desigual do continente mais desigual do mundo. Mas os processos eleitorais pareciam permitir que as elites tradicionais retomassem o controle da vida política brasileira.

Aí veio o novo medo, que chegou a pânico, quando Lula chegou ao segundo turno contra o seu novo queridinho, Collor, o filhote da ditadura. E foi necessário usar todo o peso da manipulação midiática para evitar que a força popular levasse Lula à presidencia do Brasil, da ameaça de debandada geral dos empresários se Lula ganhasse, à edição forjada de debate, para tentar evitar a vitória popular.

O fracasso do Collor levou a que Roberto Marinho confessasse que eles já não elegeriam um presidente deles, teriam que buscar alguém no outro campo, para fazê-lo seu representante. Se tratava de usar de tudo para evitar que o Lula ganhasse. Foram buscar ao FHC, que se prestou a esse papel e parecia se erigir em antidoto permanente contra o Lula, a quem derrotou duas vezes.

Como, porém, não conseguem resolver os problemas do país, mas apenas adiá-los – como fizeram com o Plano Real -, o fantasma voltou, com o governo FHC também fracassando. Tentaram alternativas – Roseana Sarney, Ciro Gomes, Serra -, mas não houve jeito.

Trataram de criar o pânico sobre a possibilidade da vitória do Lula, com ataque especulativo, com a transformação do chamado “risco Brasil” para “risco Lula”, mas não houve jeito.

Alívio, quando acreditaram que a postura moderada do Lula ao assumir a presidência significaria sua rendição à politica econômica de FHC, ao “pensamento único”, ao Consenso de Washington. Por um lado, saudavam essa postura do Lula, por outro incentivavam os setores que denunciavam uma “traição” do Lula, para buscar enfraquecer sua liderança popular. No fundo acreditavam que Lula demoraria pouco no governo, capitularia e perderia liderança popular ou colocaria suas propostas em prática e o país se tornaria ingovernável.

Quando se deram conta que Lula se consolidava, tentaram o golpe em 2005, valendo-se de acusações multiplicadas pela maior operação de marketing político que o pais ja conheceu – desde a ofensiva contra o Getúlio, em 1954 -, buscando derrubar o Lula e sepultar por muito tempo a possibilidade de um governo de esquerda no Brasil. Colocavam em prática o que um ministro da ditadura tinha dito: "Um dia o PT vai ganhar, vai fracassar e aí vamos poder governar o país sem pressão.”

Chegaram a cogitar um impeachment, mas tiveram medo do Lula, da sua capacidade de mobilização popular contra eles. Recuaram e adotaram a tática de sangrar o governo, cercando-o no Parlamento e através da mídia, até que, inviabilizado, fosse derrotado nas eleições de 2006.

Fracassaram uma vez mais, quando o Lula convocou as mobilizações populares contra os esquemas golpistas, ao mesmo tempo que a centralidade das políticas sociais – eixo do governo Lula, que a direita não enxergava, ou subestimava e tratava de esconder – começava a dar seus frutos. Como resultado, Lula triunfou na eleições de 2006, ao contrário do que a direita programava, impondo uma nova derrota grave às elites tradicionais.

O medo passou a ser que o Brasil mudasse muito, tirando suas bases de apoio tradicionais – a começar por seus feudos políticos no nordeste -, permitindo que o Lula elegesse sua sucessora. Se refugiaram no “favoritismo” do Serra nas pesquisas – confiando, uma vez mais, na certeza do Ibope de que o Lula não elegeria sua sucessora.

Foram de novo derrotados. Acumulam derrota atrás de derrota e identificam no Lula seu grande inimigo. Ainda mais que nos últimos anos do seu segundo mandato e na campanha eleitoral, Lula identificou e apontou claramente o papel das elites tradicionais, com afirmações como a de que ele demonstrou “que se pode governar o Brasil, sem almoçar e jantar com os donos de jornal”. Quando disse que “não haverá democracia no Brasil, enquanto os políticos tiverem medo da mídia”, entre outras afirmações.

Quando, depois de seminário que trouxe experiências de regulações democráticas da mídia em varias partes insuspeitas do mundo, elaborou uma proposta de lei de marco regulatório para a mídia, que democratize a formação da opinião pública, tirando o monopólio do restrito número de famílias e empresas que controlam o setor de forma antidemocrática.

Além de tudo, Lula representa para eles o sucesso de um presidente que se tornou o líder político mais popular da história do Brasil, não proveniente dos setores tradicionais, mas um operário proveniente do nordeste, que se tornou líder sindical de base desafiando a ditadura, que perdeu um dedo na máquina – trazendo no próprio corpo inscrita a sua origem e as condições de trabalho dos operários brasileiros.

Enquanto o queridinho da direita partidária e midiática brasileira, FHC, fracassou, Lula teve êxito em todos os campos – econômico, social, cultural, de políticas internacional -, elevando a auto-estima dos brasileiros e do povo brasileiro. Lula resgatou o papel do Estado – reduzido à sua mínima expressão com Collor e FHC – para um instrumento de indução do crescimento econômico e de garantia das políticas sociais. Derrotou a proposta norteamericana da Alca – fazer a América Latina uma imensa área de livre comércio, subordinada ao interesses dos EUA -, para priorizar os projetos de integração regional e os intercâmbios com o Sul do mundo.

Lula passou a representar o Brasil, a América Latina e o Sul do mundo, na luta contra a fome, contra a guerra, contra o monopólio de poder das nações centrais do sistema. Lula mostrou que é possível diminuir a desigualdade e a pobreza, terminar com a miséria no Brasil, ao contrário do que era dito e feito pelos governos tradicionais.

Lula saiu do governo com praticamente toda a mídia tradicional contra ele, mas com mais de 80% de apoio e apenas 3% de rejeição. Elegeu sua sucessora contra o “favoritismo” do candidato da direita.

Aí acreditaram que poderiam neutralizá-lo, elogiando a Dilma como contraponto a ele, até que se rendem que não conseguem promover conflitos entre eles. Temem o retorno do Lula como presidente, mas principalmente o temem como líder político, como quem melhor vocaliza os grandes temas nacionais, apontando para a direita como obstáculo para a democratização do Brasil.

Lula representa a esquerda realmente existente no Brasil, com liderança nacional, latino-americana e mundial. Lula representa o resgate da questão social no Brasil, promovendo o acesso a bens fundamentais da maioria da população, incorporando definitivamente os pobres e o mercado interno de consumo popular à vida do país.

Lula representa o líder que não foi cooptado pela direita, pela mídia, pelas nações imperiais. Por tudo isso, eles tem medo do Lula. Por tudo isso querem tentam desgastar sua imagem. Por isso 80% das referências ao Lula na mídia são negativas. Mas 69,8% dos brasileiros dizem que gostariam que ele volte a ser presidente do Brasil. Por isso eles tem tanto medo do Lula.