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06/09/2013

o grito e as ruas, pedreiros e pedradas



Leia também um grito cada vez mais vivo 

1 - Alguns registros acerca das afinidades e distinções entre o Grito dos Excluídos e as manifestações que explodiram país afora, agora  em junho, e que talvez voltem a dar o vibrante ar de sua graça exatamente agora no 07 de setembro, dia reservado, há já 19 anos,  à solitária resistência do Grito dos Excluídos.
2  - Sabe-se que a luta popular nunca esteve adormecida neste país, em que pese o imobilismo da maioria dos movimentos populares, imobilismo que ( para além do mero e cretino oportunismo de lideranças populares e sindicais)  certamente foi  entendido como necessário para dar sustentação aos obviamente benvindos governos progressistas do PT, contra as forças descaradamente desestabilizadoras da direitona  arrogante, que tudo fizeram e tudo farão para retroceder ao estágio anterior aos avanços, embora moderados, do PT.
3 - Um dos mais incontestáveis exemplos de que essa luta nunca esteve adormecida foram exatamente as manifestações anuais e solitárias do Grito dos Excluídos no 07 de setembro,
4 -  É preciso  que manifestantes e lideranças das vibrantes Jornadas de Junho não se esqueçam dessa  "vígilia" da resistência por parte do Grito  e de muitas outras de lutas populares: Levante Popular da Juventude, Consulta Popular, Assembleia Popular, Rede Alerta Contra o Deserto Verde e tantas outras formas de resistência, que nunca estiveram "dormindo'. 
5 -  Na verdade, pelo grau de lucidez  e combatividade das manifestações de Junho não parece que esse tipo de preocupação seja relevante, não parece haver essa falsa "disputa' pelo protagonismo ou pela hegemonia com relação ao movimento popular, o que há são formas diferentes de efetivar essa resistência e essa luta popular. Mas, de qualquer forma, é importante ter esse histórico em mente. 
6 -  Assim como é importante que as Jornadas de Junho se espelhem um pouco nessa iniciativa do Grito dos Excluídos, quando leva suas propostas exatamente para os bairros populares, onde se pode amplificar ou fortalecer a resistência popular.
7 - Óbvio que, nesse momento, a prioridade ou a tática das Jornadas de Junho têm que ser exatamente ações nos centros mais movimentados das cidades.   
8 - Não apenas para acumular a mesma visibilidade conquistada pelo Grito, mas exatamente em função daquilo que pode ser a sua maior contribuição dessas novas formas de resistência: um projeto (utópico e dispersivo apenas na aparência), de transformação das estruturas capitalistas em nível global, planetário: parar  a produção, colapsar o capitalsimo, fazer o enfrentamento direto com a engrenagem cotidiana que sustenta essas estruturas sociais, econômicas, culturais e e ideológicas.
9 - Ocorre que, parar deixar cair no desgaste e na descrença toda  a sua estupenda criatividade, ousadia e combatividade, essa nova, surpreendente e necessária geração de manifestantes e combatentes vai precisar se aproximar de uma cenários menos utópicos, ousados e criativos, constituídos por individulidades quase inertes e quase sufocadas por aquela mesma  engrenagem cotidiana.  Essa nova geração vai precisar ampliar o seu exército, atrair combatentes, engajar jovens e adultos e crianças, para poderem continuar ocupando massivamente ruas e praças. 

10 - Afinal sabe-se que grande parte daqueles mobilizados em junho não têm o mesmo compromisso com a luta constante, regular e combativa, pelo fato de serem setores despersonalizados de classe média, sem posicionamento claro na de luta de classes, essa nova geração vai precisar dialogar mais com os cenários de periferia.  

11-  Obviamente que grande parte dos autênticos mobilizados de junho vêm das periferias, ou seja, conhecem e atuam lá onde são mais urgentes (e promissores) a resistência e o enfrentamento. Ainda assim, chegará um momento em que as ações dos combatentes de junho terão que ser menos espetaculares e menos imediatas, e mais voltadas  para um trabalho de engajamento e de formação.          

12 - É nesse sentido a afirmação acima (06): de que é importante que os combatentes de junho se espelhem um pouco nas ações ações das pastorais católicas efetivamente militantes,  que ajudam a manter manter vivo o Grito dos Excluídos.

13 - Claro que não se trata de ter como referência apenas essas pastorais, ou as alas progressistas da Igreja Católica, afinal são inúmeras as entidades que constroem o o Grito dos Excluídos. A menção aqui vai um pouco em função da oportunidade, do fato de estarmos na época do Grito.

14 - Mas a referência também vai muito em função do histórico dessas alas progressistas, das pastorais militantes e das CEBS. Todos sabemos do papel fundamental - exercido por essas entidades, movimentos e pessoas da Igreja progressista - na construção da resistência e da luta popular no Brasil , inclusive, como é bastante sabido, na construção do outrora revolucionário Partido dos Trabalhadores.

15- Mas não apenas para reverenciar essa história de luta, mas também para vislumbrar o futuro. Pois não dá para falar em futuro da luta popular no Brasil sem passar pela atuação da Igreja Progressista. De um jeito ou de outro, limitados ou não, amordaçados ou não,  essas entidades, movimentos e pessoas  estão presentes na luta popular, e certamente estarão quando chegar a hora de fazer um (cada vez mais necessário) enfrentamento final com as obsoletas e desumanas, estúpidas e descontroladas estruturas econômicas e sociais da atualidade.

16 - Pois estamos apenas no começo desse enfrentamento. Muitas marchas e muitas ocupações, muita barbárie e muitos gritos de guerra e de dor ainda se farão ouvir, até que possamos começar a desmontar essas estruturas. Pois elas não cairão sozinhas, não cairão de podre.

17 -  Falar em derrubar ou superar o capitalismo decadente não significa derrubar um castelo de areia, pelo contrário é um castelo ainda solidamente plantado, embora já esteja vencido há muito o seu prazo de validade como estrutura revolucionária e necessária à jornada da humanidade.

17 - Provavelmente esse impassível castelo de pedras só cairá quando, além de levarmos para as ruas o enfrentamento e o colapso, tivermos construído outras estruturas em seu lugar, edifícios sociais e políticos verdadeiramente humanos, verdadeiramente construídos por e para nós, com a lucidez e o cuidado, a generosidade e a paciência que um mundo assim exigir de nós. 

18 -  Mas terão que ser de fato estruturas concretas, viáveis, aceitáveis por todos, terá que ser um edifício social que de fato a traia e estimule todos a participarem dia a dia, dia e noite, de sua construção.

19 - Portanto, há espaço e necessidade  para aqueles que devem enfrentar, colapsar e apedrejar as estruturas arcaicas e desumanas, como também há necessidade daqueles que estão a indagar alternativas, ou que simplesmente já estão colocando em prática do essas  alternativas, mesmo que de forma moderada ou aparentemente contraditória, como nos governos progressistas da América Latina, Brasil incluso.  

20 - Pois as pedras do castelo destruído não poderão ser descartadas na construção do novo edifício. A expressão "não deixar pedra sobre pedra" - que certamente deve ser uma das preferidas dos autênticos movimentos de rebeldia e resistência, como os de junho no Brasil - só deve ser aplicada na destruição do castelo, não na construção coletiva do novo edifício. 

21 - Aí, sim, com a elaboração coletiva eficaz e sedutora de um novo edifício para a humanidade, aí talvez o castelo de pedras vá se revelar um castelo de areia, um gigante, ou melhor, uma besta fera  dos pés de barro. E par isso é que é necessária a comunhão da nova, criativa e ousada resistência com a paciente, lúcida e perseverante resistência histórica, da qual o Grito dos Excluídos é um entre muitos e dignos momentos.

28/08/2013

um grito (cada vez mais) vivo



leia também: o grito e as ruas

Já no seu 19° ano, o Grito dos Excluídos das pastorais da Arquidiocese de Vitória, neste ano, vai ocorrer novamente num bairro de periferia (parece que já pela terceira vez)  e não mais nas proximidades dos desfiles oficiais de 07 de setembro, nem em  avenidas e praças de bairros mais bem estruturados da região metropolitana.

Dessa vez é na cidade de Serra, nas comunidades de Vila Nova de Colares e de Feu Rosa.
Posso dizer que contribuí modestamente para essa iniciativa, pois defendi insistentemente a sua importância e pertinência, durante minhas últimas participações nas reuniões de articulação do Grito - não tenho podido participar nos últimos três anos.

Sempre acreditei que força e a persistência do Grito deveriam ser mostradas lá na periferia, lá onde estão os excluídos de quase tudo, na cada vez mais estúpida, irracional e perversa ordem capitalista. Para mim, era um verdadeiro desperdício de energias e esperanças fazer com que o Grito ficasse, repetidamente, a disputar atenção com a sempiterna e sempre sedutora patriotada dos desfiles militares e escolares.

Claro que foram válidas ( ainda o serão, vez por outra) as ações do Grito nas proximidades dos desfiles, afinal é ali que se concentram milhares de pessoas, de variados estratos sociais, mas certamente com predominância das camadas populares. E, nesse caso, é o lugar adequado para dar visibilidade jornalística ao Grito dos Excluídos e para apresentar as suas propostas a essas camadas populares.
Mas, consolidada essa fase de afirmação na mídia e de inserção popular, corre-se o risco de não se avançar, afinal, na algazarra e no entorpecimento emotivo próprios do desfile cívico-militar (que, no fundo, no fundo, mexe com todos nós, remete à festa e à inocência da infância), são limitadas as possibilidades de um maior envolvimento, convocação e engajamento das camadas populares num Projeto Popular para o Brasil, que é o que deve ser afinal o objetivo maior do Grito dos Excluídos.















  
Com a realização do Grito em bairros populares (São Pedro, em Vitória, e agora Feu Rosa e Vila Nova, na Serra) o Grito está no lugar certo, próximo das pessoas certas, pessoas a quem ele efetivamente busca despertar, sacudir de sua imobilidade, entorpecimento e desesperança, pessoas que de fato poderão provocar enfrentamentos e rupturas com as estúpidas e obsoletas estruturas sociais atualmente vigentes.


Ao passo que, próximo aos desfiles, para a maior parte das pessoas o Grito dos Excluídos, embora cause certo desconforto, não passa de um 'desfile' a mais; e para uma outra parte provoca no máximo admiração e respeito, mas não passando de um protesto a mais, que não vai levar a lugar nenhum, a mudança nenhuma. Resta um contingente mínimo, que pode ou não ser sacudido de sua apatia, ou que pode ter reforçada a sua resistência e a sua crença na luta popular.
Como também sempre há o risco de o Grito ser abafado, ter a sua força amortecida pela postura oportunista dos governantes e autoridades de plantão, que, espertamente, passaram a divulgar e ‘apoiar’ os manifestantes do Grito, de cima de seus presunçosos e enganosos palanques, fazendo parecer aos desinformados que aquela seria apenas mais uma manifestação oficial, permitida e “benvinda’ pelas “autoridades” e governantes.

02/06/2011

de volta aos campos de batalha 2

Nem bem saímos de uma Batalha Eleitoral, e já entramos noutra, não a de 2012, mas a de 2014. Afinal, não passa de uma manobra de guerra esta cínica omissão da "Folha", denunciada e detalhada na matéria abaixo sobre Aécio Neves, extraída do site Carta Maior.

Imagine se os governos do PT estivessem fazendo de fato um enfrentamento contundente contra os detentores de privilégios políticos e econômicos deste país. Com certeza que estarímaos correndo sérios riscos de repetir o golpe de 64 no Brasil, o de 73 no Chile, o de 76 na Argentina, o de 202, na Venezuela, o de 2009 em Honduras, e por aí afora...

Enfim, com todas as suas contradições e limitações, é preciso respeitar o tempo de amadurecimento do projeto de transformação em curso no Brasil. Afinal, nenhum movimento ou força política foi capaz ainda de superar dialeticamente as limitações do PT e fazer avançar o projeto popular. E, mais grave ainda, nenhuma força foi capaz de resgatar aquela efervescência popular aglutinda pelo PT e em torno do PT, durante a década 80.

Com essa efervescência e combatividade popular, aí sim, o projeto de transformação poderia realmente fazer um enfrentamento mais radical e acelerado contra as estruturas elitistas e obsoletas deste país. Mas parece que infelizmente não está no projeto, desse PT que chegou ao governo, incentivar e resgatar essa combatividade e essa organização popular, e então apiar-se nelas para exercer de fato o poder de transformar, sem muitas concessões e alianças com setores de uma forma ou de outra privilegiados e excludentes.

Resta aguardar para quando haverá esse resgate da luta popular...
E se ele será conduzido pelo próprio PT (através de suas correntes mais à esquerda, que ainda resistem no interior do partido), se por novas forças políticas (com a sempre indispensável participação dos movimentos progressistas da Igreja Católica) ou se por uma complexa conjunção dessas e de tantas outras forças e movimentos que compõem a luta popular: MST, MAB, MPA, Assembléia Popular, PSOL, PSTU, PCO...

Aliás, a propósito da presença da Igreja Progressista nas lutas populares:  em 2011 o Grito dos Excluídos  abre o verbo e já fala explicitamente nas diretrizes para a construção de um Projeto Popular no Brasil, que vá além da democracia burguesa, representativa, que vá além de um processo político protagonizado apenas por partidos e por um poder executivo centralizador, burocrático e excessivamente institucional.

O Grito acontece todo 07 de setembro, dede 1995, e é coordenado pela CNBB, em parceria com demais Igrejas do CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs), com os movimentos sociais e diversas entidades e organizações.
Quem quiser saber mais a respeito do Grito deste ano veja em grito dos excluídos.

13/09/2010

o grito que ainda se faz ouvir

(depois de ler o texto, veja abaixo algumas  imagens do Grito dos Excluídos 2010, em Vitória)

O Grito dos Excluídos é realizado há já 16 anos, no dia 07 de setembro, por iniciativa da CNBB, em articulação direta com a Campanha da Fraternidade. Quem mantém vivo o movimento, ao longo desses 16 anos, são as Pastoriais Socias junto com a ala progressista e socialmente engajada da Igreja Católica.
O Grito é hoje a maior, senão a única, manifestação popular organizada, massiva e abrangente que temos no Brasil.

Sabemos que o próprío MST tem se recolhido um pouco, com o advento do governo Lula. Talvez por haver mais diálogo com o governo petista, talvez para contribuir com a chamada governabilidade, evitando dar munição para os eternos inimigos de um governo popular, o fato é que o MST não tem alavancado ostensivamente o seu projeto de uma integração das lutas campo-cidade.

Claro que não se trata aqui de fazer comparações inócuas entre MST e Igreja Progressista. Mesmo porque os objetivos imediatos do MST são bem específicos – a luta pela reforma agrária – ao passo que o horizonte da Igreja Progressista é mais amplo e difuso: a construção de um Projeto Popular para o Brasil, que, aliás, foi o tema do Grito deste ano: “Vamos às ruas para construir um Projeto Popular”.
Além disso, o MST, a Via Campesina e outros movimentos camponeses têm participado ativa e regularmente do Grito ao longo dos anos, e também e na construção conjunta desse Projeto Popular para o Brasil.

Trata-se apenas de registrar que, hoje, quem dá visibilidade pública à construção desse Projeto Popular são os setores progressistas da Igreja Católica. É o Grito dos Excluídos quem hoje leva as lideranças populares para as ruas, na tentativa de despertar a cidade e o campo para a necessidade e a possibilidade de o povo brasileiro construir um movimento que supere as limitações políticas e institucionais que os sucessivos governos do PT trazem consigo.

Resumindo: se houver um movimento que esteja em condições de promover a superação dialética desse momento histórico representado pelo PT, esse movimento tem tudo para brotar novamente de dentro da Igreja Progessista, e não de algum sindicato, partido ou movimento social.
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Não se afirma aqui que a Igreja vá criar um movimento ou partido para comandar os avanços na luta popular em nosso país, mas simplesmente que ela está novamente a exercer o seu papel de aglutinadora, de articuladora da resistência e do avanço popular.

Ou seja, ela estaria cumprindo de novo aquela sua tarefa histórica que exerceu na década de 70 quando - principalmente através das Comunidades Eclesiais de Base, CEBs, e da Comissão Pastoral da Terra, CPT - forjou e ofertou muitos e indispensáveis quadros para o movimento de ruputura política que se inciou naquela década, que foi posteriormente conduzido pelo Partido dos Trabalhadores e que tem dado os seus primeiros frutos nesta década.
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É preciso registrar ainda que a construção desse Projeto Popular é a razão de ser tanto da Consulta Popular quanto da Assembléia Popular, dois movimentos que, embora não sejam muito citados na mídia e no nosso dia a dia, talvez sejam as iniciativas que mais estejam se preparando para substituir dialeticamente o PT enquanto articuladores do processo de transformação popular.
Lembrando que tanto a Assembléia Popular quanto a Consulta Popular são constituídas, em sua maioria, por lideranças e quadros oriundos exatamente dos movimentos camponeses, das pastorias sociais e das CEBs.
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É preciso também levar em conta as posições das tendências mais à esquerda do PT, notadamente a AE - Articulação de Esquerda. Para a autodenominada Esquerda Partidária do PT, ainda é possível e necessário disputar internamente os rumos do Partido, para que o PT resgate a sua vocação socialista e tenha mais poder de decisão no governo Dilma e nos futuros eventuais governos petistas.

Dessa forma, o PT poderia superar a si próprio e voltar a exercer a tarefa de força motora da transformação popular no Brasil. Ou seja, a esquerda partidária seria uma espécie de antítese a esse PT moderado, institucionalizado e cada vez mais burocratizado que vem governando o país. Desse enfrentameneto dialético surgiria uma nova síntese, um novo PT, efetivamente capaz de continuar impulsionando com lucidez, coragem e eficiência a luta popular.

Não deixa de ser uma possibilidade, essa de o PT ser seu próprio ‘substituto’, realizar sua própria superação histórica. A história está sempre em aberto. Por outro lado, essa autossuperação somente poderá se dar se a chamada Esquerda Partdidária de fato conseguir envolver novamente no PT os quadros e militantes que hoje estão alimentando exatamente as CEBs, as Pastorais, os movimentos camponeses, a Assembléia Popular, a Consulta Popular.

Enfim pode ser um PT redimido, ou um novo partido, essa força que irá fazer avançar a luta popular. De qualquer forma resta ainda saber por quanto tempo esse PT que vem conduzindo o processo de transformação ainda permanecerá à frente do governo; resta saber quantos anos ainda faltam para que esse PT esgote de fato o seu papel histórico de - bem ou mal, de forma ousada ou medrosa – conduzir o processo de transformação das estruturas sociais e econômicas de nosso país.

Mas isso já é outro tema, que exigirá um outro espaço.

imagens do grito I

bandeiras a postos: entre as arquibancadas do sambão
 do povo,  os foliões do movimento popular se preparam
para o desfile da esperança e da resistência popular

nós, do CPV - conselho popular de vitória; estou segurando o cartaz contra as guerras

também haviam urnas para quem quisesse votar no plebiscito popular
 sobre os limites  das propriedades rurais, que aconteceu agora em setembro;

o desfile popular nas imediaçãões do parque moscoso...

... e da vila rubim

imagens do grito II

não é ainda o povo popular tomando de assalto o palácio das elites,
e assumindo de fato o poder sobre sua história e sobre suas vidas,
mas ainda chegaremos lá...

... afinal, o grito continua, a luta continua, continua a crença de que o ser
humano  pode de fato elevar-se acima de suas contradições,
pode construir uma história e uma morada menos condicionada
por projetos imediatistas, individualistas, limitados e medrosos  

a outra frase escrita neste belo pano vermelho de 30 metros de comprimento foi esta:
"O futuro á agora: por soberania já.
Queremos democracia direta e popular.
Fora essa DEMOCRA$$IA de faz de conta",
 de cuja criação tive a alegria de participar.

o povo, carregando nos braços o longo e vistoso tecido da esperança,
 da crença e da resistência, sobe a rampa que leva ao Palácio Anchieta

09/09/2009

o grito em movimento (1)

grito dos excluídos 2009

abrimos nosso registro com um doloroso contraste: enquanto no grito pela vida muitos jovens aprendem o caminho da vida plena, no desfile oficial muitos outros se vêem obrigados, por necessidade de sobrevivência ou por sedução patrioteira, a abraçar os instrumentos da morte e da opressão.

tudo bem que aqui no Brasil não temos colocado nossos soldados para espalhar a morte em guerras...

... mas dá pena ver esses garotos da marinha e do exército tão iludidos com seus brinquedinhos de fogo, sem a menor noção de que, ao estar a serviço da força bruta, são a última forma de sustentação de um modelo de civilização que impede a vida plena, ao promover a competição, a indiferença e o medo entre as pessoas.

as mãos que clamam e combatem se preparam para a caminhada, enquanto padre Kelder saúda os peregrinos de um mundo renovado



e começa a marcha, o grito pela vida e pelo resgate da organização popular ganha as ruas, ocupando os elitizados e iludidos espaços da Praia do Canto...

... iludidos porque seus moradores ainda não puderam aprender que o sentido da vida plena não está apenas em nossos apegos e afetos individuais ou familiares.
enquanto isso, as maõs erguidas em ação: incansáveis pés peregrinos e corações generosos

outro contraste: na marinha, a cor branca tenta passar a idéia de pureza nossos garotos e garotas, abaixo o exército seduz nossas mulheres com uma elegância militar, guerreira, mas para embalar o grito pela vida, com sua vibrante voz, basta a despojada elegância da Raquel


veja também:

o grito e a cura

A continuidade do Grito dos Excluídos (veja nesse blog as matérias O grito ecoa... e O Grito dos Excluídos 2009), já por 15 anos, na verdade reflete uma postura histórica de iniciativas e responsabilidades que alguns setores católicos sempre tiveram em relação às lutas sociais e populares. É a opção verdadeiramente missionária da Igreja.

Como bem colocou padre Kelder Brandão numa de suas homilias, é esta a cura que o Cristo pregava e praticava: não apenas a cura física ou corporal, mas a cura do espírito e dos corações dos desamparados, abandonados ou ignorados por um mundo por demais competitivo, apressado e hostil; enfim, sair de dentro do templo em direção ao mundo e ao povo sofredor, humilhado, manipulado.

Mas, na verdade, a Igreja sair em direção ao povo e ao mundo significa também uma outra 'cura', ou melhor, uma tripla 'cura'. Além da oferecida aos desamparados, há também a 'cura' do próprio movimento popular, como dito acima; afinal o movimento está enfermo, paralisado, esvaziado de seus melhores quadros, que foram convocados pelo governo federal e pelos inúmeros governos municipais e, nesse processo de se colocar a serviço de governos populares, são muitas vezes seduzidos por uma nova maneira de ver o mundo, a si próprios e ao movimento do qual faziam parte, uma visão por demais institucional, que passa a enxergar nas pessoas apenas agentes políticos, apenas peças do jogo político-partidário.

E outra 'cura' se processa, claro, no âmbito dos próprios fiéis e da própria Igreja Católica. Ao se colocar à disposição para aprender e praticar a 'cura', o católico está curando a si próprio, encontrando o verdadeiro sentido de ser cristão, ao conseguir ver de fato em si e no outro a ' luz do mundo', o 'sal da terra'.

Quanto à Igreja Católica, enquanto instituição milenar ('santa e pecadora', para usar uma expressão do documento conclusivo do 1º Sínodo da Arquidiocese de Vitória), ela se ‘cura’ ao cumprir o seu papel de fundir num plano maior a prática espiritual e a prática política.
Ao optar verdadeiramente por cuidar do céu e da cidade, do cosmo e da polis, a Igreja traz para uma outra dimensão a atividade política, lembra que os frutos de todo o trabalho e de toda vivência humana têm sempre algo de sagrado e sempre colocam a vida plena em primeiro lugar, porque é sempre sagrada não apenas a vida humana mas a de todas as coisas, de todo o cosmos.

E, ao se ‘curar’, a Igreja peregrina acaba por ‘curar’, depurar, sacralizar a própria atividade política. Já não se trata de ver nas pessoas apenas peças de um processo político, por mais transformador ou revolucionário que esse processo seja, ou pretenda ser. Trata-se agora de ver no outro uma realidade mais rica e complexa e ao mesmo tempo mais frágil e carente de afeto, de acolhimento. Trata-se de ver a ação política também como espaço para que as pessoas se irmanem de fato, se reconheçam uns aos outros - o espaço político não deve se pautar apenas pela eficiência, pragmatismo, mesmo que se trate de um espaço revolucionário.

Mesmo porque, talvez somente esse ato de se irmanar e de acolher é que seja realmente revolucionário. A história tem demonstrado à exaustão que a simples eficiência revolucionária - ou transformadora das estruturas sociais e econômicas - não se sustenta, não transforma de fato os indivíduos e, por extensão, as novas instituições que eles criam a partir do processo revolucionário.
Pois, por mais que a ação política revolucionária tenha aprendido a colocar em pauta temas como o respeito às diferenças, a fraternidade, a solidariedade, nos momentos decisivos a chamada dimensão subjetiva, interior, das pessoas é esquecida em nome da defesa ou manutenção do processo revolucionário e, então, as pessoas voltam a ser friamente tratadas apenas como soldados de uma causa ou de um exército.

Assim, é preciso uma abordagem mística, ou transcendente, da ação política transformadora, construir coletivos que sejam de fato sinônimos de acolhimento e amizade, um acolhimento e uma transcendência que não se percam nos primeiros percalços ou urgências do processo de transformação. A ação política tradicional nunca acolhe com a mística e o calor humano necessários para transcender a si própria, ou para se situar numa outra dimensão.

A igreja peregrina pode e deve ser a doadora dessa ação política transcendente. Principalmente nestes tempos de indiferença, hostilidade e desconhecimento do outro, é possível trabalhar com o projeto de uma Igreja que atraia e seduza as pessoas, ao reverenciar em primeiro lugar o acolhimento, e nesse acolhimento propor às pessoas um novo sentido, não somente para a ação política mas para as suas próprias existências: enfim, a Igreja peregrina pode e deve atrair novos sujeitos, se souber construir coletivos onde a própria ação politica esteja sumetida a um sentido maior, o sentido do sagrado, do mistério que há em todos e tudo.


E, sem cair aqui no idealusmo ou na ingenuidade, é lúcido dizer que, talvez aí sim, tenhamos um movimento, um ação política verdadeiramente revolucionária e, quiçá, de caráter global, pois terá conseguido fundir o sagrado e a polútica, o terreno e o transcendente, o indivíduo e o coletivo, o cotidiano e o mistério.
E talvez não seja exagero dizer que somente um evangelho e uma ação assim possam relamente dar conta de vencer a barbárie e o abismo que nos espreitam cada dia mais perigosamente, ao conseguir encantar e agregar, se não todas as pessoas, ao menos um imenso e combativo exército de peregrinos em busca da cura e do sagrado.

07/09/2009

o grito em movimento (2)

grito dos excluídos 2009 - vitória, es

imagem bem a propósito: a necessidade de uma verdadeira reaproximação entre o movimento popular e a igreja peregrina (ou progressista, para quem preferir), simbolizada por padre Kelder dando uma 'forcinha' para a faixa do CPV, observado por Waldemar Cunha (de verde), presidente do entidade.

e começa, nas escadarias do tribunal de contas do espírito santo, a lavagem da corrupção, do desrespeito com a coisa pública, da visão de mundo que impede a vida plena, o mundo novo

antes da lavagem no judiciário capixaba, um descanso nos gramados do presunçoso 'palácio': afinal o trabalho ali iria ser árduo e demorado... - para quem já se esqueceu, em dezembro passado a polícia federal ocupou o tribunal de justiça do espírito santo e prendeu o seu presidente e três desembargadores

as acusações: favorecimento a parentes e amigos nos concursos irregulares e nos cargos comissionados e, claro, as famosas vendas de sentenças, como bem resgata a faixa acima
dei uma forcinha para a lavagem e para os sempre presentes agentes do Comando de Caça aos Corruptos - mesmo porque, fui um dos poucos funcionários do judiciário capixaba (se é que não fui o único) presente nessa 'afronta' ao egrégio tribunal.
e, no ato de lavar a sujeirada, os peregrinos do mundo novo expulsam o dragão da maldade, da burrice, da visão de mundo que não deixa os poderosos e seus agregados ir além de uma ganância estúpida e vazia, que se ilude com uma sede de poder cada vez mais exigente, mas que nunca é completamente saciada...

... uma sede de poder que alimenta uma estrutura social, econômica e política cada vez mais perversa, desumana e que está nos levando cada dia mais para perto uma barbárie disfarçada de modernidade, consumismo e progresso.


“viver sob este céu sufocante nos obriga a sair ou ficar. a questão é saber como se sai, no primeiro caso, e porque se fica, no segundo” (albert camus).

25/08/2009

o grito ecoa...

... mais forte a cada ano

Os trechos publicados abaixo fazem parte do material de divulgação e mobilização do 15º Grito dos Excluídos, cujo lema, em 2009, é “A força da transformação está na organização popular”. O Grito foi lançado em 1995, numa iniciativa da CNNB (leia-se Igreja Católica progressista) junto com os movimentos sociais, e é sempre realizado no 07 de setembro, nos mesmos horários e locais das comemorações do chamado Dia da Independência. Segundo os organizadores, essa é uma forma de chamar a atenção para a longa caminhada que o povo brasileiro tem pela frente, antes de poder se considerar realmente independente e soberano.

O texto e o tema deste ano demonstram que o Grito dos Excluídos não é um evento isolado, circunstancial, que ocorreria apenas por inércia, mas que é paciente e lucidamente construído no interior da chamada Igreja Progressista e junto com os movimentos sociais e as comunidades. Ou seja, mobilizações como essa mostram que amplos setores da Igreja Católica ainda estão comprometidos com a transformação das estruturas sociais e políticas e com as contradições deste mundo terreno, e não apenas com a evolução espiritual de indivíduos e sociedades.

A CNBB acertou em cheio ao eleger para este ano o tema da organização popular. Pois, na verdade, já passou a hora de se promover no país uma reorganização ou um resgate do movimento popular.
Sabemos que o movimento está cada dia mais anestesiado e esvaziado, e muito dessa apatia está na opção, ou necessidade tática, de ter que apoiar (ou ao menos não ameaçar) a estabilidade de um governo que tem claramente um projeto, ou pelo menos uma orientação, democrático-popular, mas que optou por se sustentar cada vez mais nos poderes instituídos, formais ou informais (Congresso, Judiciário, empresários etc) ao invés de se apoiar preferencialmente nas organizações populares e nos movimentos sociais.

Esse afastamento de um governo popular, em relação aos movimentos que o instituíram, torna difícil para esse mesmo governo implementar um projeto mais ousado, criativo e transformador, já que sempre encontrará resistências daquelas forças institucionais com os quais o governo se aliou - e isso independente do grau de corrupção, de desumanidade ou de descompromisso com a vida plena por parte dessas forças. Além disso, perde-se a oportunidade histórica de oferecer às camadas populares a possibilidade aprender a governar, de se co-responsabilizar pelos destinos de seu país, com todos os erros e acertos que um tal aprendizado implicaria.

E se as organizações e as lideranças não são convocadas para participar e se responsabilizar efetivamente pelo governo popular, e se não há uma renovação do movimento através da mobilização e sedução (promovida também pelo governo popular) de novas pessoas até então desligadas do movimento, a conseqüência é aquela apatia, esvaziamento e desorientação do movimento apontada no início. Desorientação que poderá até mesmo repercutir contra o próprio governo, quando se tornarem insustentáveis as pressões golpistas que costumam ser o último recurso de pessoas e forças sociais que nunca se conformam quando um povo começa e despertar e a aprender a dar um novo sentido, uma nova condução às instituições e poderes de Estado.

É nesse contexto que iniciativas como o Grito dos Excluídos são um sopro de alento para aqueles que crêem numa ação política mais espontânea, corajosa e calorosa.
Pois com essa institucionalização e engessamento dos movimentos sociais fica evidente que, neste momento histórico do Brasil, tem falhado o tripé Partido-Governo-Movimentos Sociais. Sabe-se que não tem havido a necessária autonomia entre do PT e dos Movimentos Sociais em relação ao Governo Popular, como também não tem havido a necessária integração entre o PT e os movimentos sociais.

Neste sentido, mais que benvindo é fundamental esse quarto ‘pé’, não somente para ajudar a sustentar o tripé da transformação, mas também para renovar, arejar, animar (no sentido de dar ‘anima’, alma) às pessoas e instâncias que promovem a transformação - e para questioná-las e enfrentá-las quando for o caso.


Veja também

o grito em movimento 1

o grito em movimento 2

20/08/2009

grito dos excluídos 2009

Reforçando a Campanha da Fraternidade com o tema “Vida em primeiro lugar” e lema “A força da transformação está na organização popular”, a Arquidiocese de Vitória, através do Fórum das Pastorais Sociais, e os movimentos sociais estão articulando o Grito dos Excluídos 2009.

O evento, que conta com o apoio e a participação de todas as comunidades, escolas e organizações sociais, ocorrerá no dia 7 de setembro, com concentração a partir das 8 horas, na Praça dos Namorados. Todos devem levar vassouras para varrer o chão da corrupção e lavar as escadarias do Tribunal de Contas, do Tribunal da Justiça e da Assembléia Legislativa.

Com base na ação de Jesus Cristo que, diante da exclusão, defende os fracos e o direito a uma vida digna para todo ser humano, o Grito condena as formas de exclusão e as causas que levam o povo a viver em condições de vida precárias, muitas vezes sem perspectiva de futuro; denuncia a política econômica que privilegia o capital financeiro em detrimento dos direitos sociais básicos; propõe alternativas que tragam esperança aos excluídos e perspectivas de vida para as comunidades locais; promove a pluralidade e igualdade de direitos, bem como o respeito nas relações de gênero, raça e etnia e, também, pretende multiplicar as assembléias populares para discutir a organização social a partir do município, fortalecendo o poder popular.

“Ao invés de irmos ver e aplaudir tanques, canhões, metralhadoras, fuzis e outras armas que ferem e matam, vamos levar para a rua nossa indignação, nossa fé, nossa coragem, nosso compromisso, nossa alegria e nossa vontade de ver a vida sendo gerada e defendida. Vamos levar nosso grito, o grito de centenas, de milhares, de milhões de brasileiros que amam a vida acima de tudo e creem que um outro Estado é possível”, convida o coordenador de pastoral da Arquidiocese, padre Kelder Brandão.

“Vida em primeiro lugar, a força da transformação está na organização popular”

7 de setembro: vamos gritar por justiça e paz
O ano de 2009 vem sendo de muitas alegrias para a Igreja de Vitória. Os trabalhos e articulações pastorais em nossa Arquidiocese têm sido intensos. A cada dia, novas demandas e desafios surgem e necessitam de respostas.

No primeiro semestre foram muitas as realizações. Destacamos a Abertura da Campanha da Fraternidade, que transformou o Centro de Vitória num grande espaço celebrativo, com um evento profético. Um outro grande feito foi o 9º Encontro Estadual de CEB’s, que, à luz do tema “Ecologia e Missão”, reuniu centenas de pessoas para refletirem como a Igreja deve se comprometer diante de um tema tão atual e relevante.

“Vários foram os ‘gritos’ que surgiram antes, durante e depois desses eventos”, afirma Padre Kelder Brandão. E constata: “Anunciamos, denunciamos e incomodamos. Fomos cristãos, somos cristãos!”.
Vamos na fé, orando e lutando.