18/08/2012

aqui

Estás sozinho sentado em frente ao vale
com um livro nas mãos
que de vez em quando abandonas
para olhar, com a devida calma
quanto a vista alcança.
Reina o silêncio. Por vezes, soa
o rumor dos ramos
ou o canto intermitente dum pássaro.
Respiras fundo. Vês.
Aprecias um por um os momentos
que te oferece o viver à margem.

Não perfilhas a queixa
daqueles que querem partir
mas adiam sempre
o momento da fuga.
Permaneces aqui
por vontade própria
é este o teu lugar.
E tu és dele.

álvaro valverde - espanha  (1959  -  )

o destino de Assange: o que acontece agora?

Marcelo Justo - de Londres, transcrito de carta maior

Londres - O Equador terminou com o suspense. A decisão do governo de Rafael Correa de garantir o asilo político a Julian Assange teve como corolário a resposta da chancelaria britânica que a qualificou como “lamentável” e indicou que cumprirá com sua “obrigação legal” de extraditar para a Suécia o fundador do Wikileaks.

Após quase dois meses do ingresso de Assange na sede diplomática equatoriana em Londres solicitando asilo político, a tensão subiu vários graus. Em uma coletiva de imprensa em Quito, o ministro de Relações Exteriores, Ricardo Patiño, assinalou que a decisão se baseava na Constituição equatoriana e no direito internacional. “O Equador acredita que é justificado o temor de Julian Assange de ser uma vítima política por sua defesa da liberdade de informação”, indicou. Segundo Assange, a acusação de delito sexual feita pela justiça sueca é parte de uma estratégia político-diplomática estadunidense para conseguir sua extradição e julgamento pela revelação de cerca de 90 mil documentos secretos via Wikileaks, acusação que, nos EUA, é passível de pena de morte.

O chanceler equatoriano indicou que solicitou uma reunião urgente à União das Nações Sulamericanas (Unasul) e à Alternativa Bolivariana para os Povos da América (ALBA). Patiño expressou seu desejo de que o Reino Unido conceda um salvo-conduto para que Assange possa viajar ao Equador, assinalando que o direito de asilo tem precedência sobre qualquer outra legislação nacional ou internacional. “O asilo é um direito fundamental que pertence ao sistema de normas imperativas do direito”, disse Patiño. O chanceler destacou que empreendeu longas negociações com o Reino Unido, a Suécia e os Estados Unidos e que nenhum desses países ofereceu garantias sobre o futuro de Assange.

A chancelaria britânica, por sua vez, disse que o Reino Unido não outorgará o salvo-conduto a Assange para que possa sair da embaixada. Na quarta-feira, em uma nota enviada pela embaixada britânica em Quito para o governo equatoriano, o governo advertiu que a lei britânica contemplaria a suspensão temporária da imunidade diplomática. A lei de Recintos Diplomáticos e Consulares de 1987 autorizaria o governo a “revogar o status diplomático” de um edifício se a lei está sendo violada. O parlamento britânico aprovou a lei depois que, em 1984, disparos foram feitos desde a embaixada líbia contra opositores que protestavam contra o governo de Muamar Kadafi, causando a morte da agente britânica Yvonne Fletcher.

A chancelaria britânica assinalou que está disposta a negociar um acordo satisfatório para ambas as partes, mas descartou de saída a possibilidade de conceder um salvo conduto. Segundo a imprensa britânica só há outras duas opções.A aplicação da lei de 1987 abriria uma virtual caixa de pandora diplomática. No “The Times”, Roger Boyes opinou que, com essa medida, não só seria praticamente inevitável uma ruptura de relações com Equador, como a tensão diplomática se estenderia com certeza “a Venezuela, a Bolívia e até ao Brasil”.

Não é o mais aconselhável para um país que fez este ano um giro pela América Latina para retomar sua relação com a região e definiu o Brasil como um dos mercados dos BRICs a conquistar para sair da recessão econômica. Segundo a BBC, a este problema se agregaria outro de maior repercussão internacional. Uma ocupação da embaixada para prender Assange poderia ser utilizada como precedente para ataques contra embaixadas britânicas ou de outros países: um virtual mini-caos. Mas se esta estratégia não for adotada, o fundador do Wikileaks terá que permanecer na embaixada: a polícia poderia detê-lo assim que pusesse um pé fora do prédio.

Neste cenário, tudo se abre para um desenlace tipo filme de Hollywood. O Equador poderia tentar levar Assange ap aeroporto em carro da embaixada que também gozaria de imunidade ou, mesmo, fazê-lo viajar escondido na mala diplomática. “Há regras estritas para o equipamento diplomático que permitem aos países transportar a documentação que necessitem. Estas valises diplomáticas podem ser de qualquer tamanho, mas são para documentos oficiais. É difícil ver como se poderia esconder uma pessoa nelas para subi-la ao avião”, especula a BBC. É de supor que o próprio avião deveria ter uma certa imunidade diplomática. É fácil ver como, na escada da aeronave, o filme de espionagem poderia se transformar em uma farsa digna de Mister Bean.

Um empate técnico parece mais factível. Em outras palavras, Julian Assange permaneceria na embaixada. Há muitos antecedentes neste sentido. É provável que o cardeal Jozesf Mindszenty detenha o recorde de tempo: ele passou 15 anos na embaixada dos Estados Unidos em Budapest, a partir da invasão soviética da Hungria, em 1956. Assange poderá superá-lo?

américa do Sul: a hora de um novo ciclo

A incerteza mundial trouxe novas condicionalidades à agenda do desenvolvimento na América do Sul. Vive-se uma corrida contra o tempo. A crise legitimou o descolamento progressista anterior em relação ao torniquete dos mercados desregulados. Mas a travessia inconclusa enfrenta agora o icebergue das dificuldades trazidas pela implosão da ordem neoliberal. A volatilidade financeira e a retração do comércio externo cobram um novo pacto político de crescimento. Investimentos são requeridos para integrar infraestruturas e associar cadeias produtivas.

Está em jogo o gigantesco impulso industrializante representado pelo mercado de massa regional, cobiçado pelo mundo rico em crise. Com a adesão da Venezuela, o Mercosul passa a ser a quinta economia mundial; reúne uma população de 270 milhões de habitantes (70% da América do Sul); um PIB de US$ 3 trilhões (mais de 80% do PIB sul-americano). Até que ponto os países dispõem de coesão política e estrutura estatal para ordenar essa travessia sob a ótica do interesse público? O Brasil está apto a ser o guarda-chuva aglutinador do processo? A quem cabe a iniciativa do novo ciclo?

Na Argentina, a direita acusa Cristina Kirchner de rumar para um capitalismo de Estado que pretende determinar o que as empresas devem produzir, em que quantidade, a que preço e com que taxa de lucro. No Brasil, setores da esquerda criticam Dilma Rousseff por uma suposta guinada privatista: o pacote de infraestrutura anunciado esta semana, US$ 65 bi de obras em concessões ao setor privado, prescreve extamente onde investir, quanto, a que prazo e com que taxa de retorno (leia mais aqui) .

Tensões internas e geopolíticas vão se acirrar nas escolhas estratégicas colocadas na mesa dos governantes e das instâncias regionais de agora em diante. O relógio da crise não admite hesitações: é hora de um novo ciclo na história regional. (Leia o especial deste fim de semana: 'América do Sul: os rumos da Integração'; nesta pág.). carta maior, 17/08 

02/08/2012

queria ser uma pessoa



para não ter de dançar - amputou uma perna
(deixou até de visitar os amigos)

para não combater e gesticular indecências - arrancou os dedos
(era incapaz até de tirar a pele a uma maçã)

para não ouvir palavras obscenas - arrancou as orelhas
(deixou também de ouvir as belas)
para não lhe chamarem narigudo - torceu o nariz
(e ficou com ele achatado)

para não ver os sapos - furou os olhos
(já não pode contemplar as rosas)

para que não lhe escapasse alguma incoerência - cortou a língua
(também não teve mais palavras gentis para a amada).
Cada dia que passava
fazia uma operação plástica ao corpo
para ficar igual aos outros, a todos os outros.

vasyl  holoborodko -  ucrânia  (1945 -    ) 

Enfrentamentos reais e miragens conservadoras

transcrito de carta maior, 01/08

A adesão da Venezuela como membro pleno do Mercosul consolida no coração da América Latina uma referência de recorte progressista como talvez nunca tenha existido na região, com a abrangência institucional e o fôlego econômico intrínseco ao bloco agora liderado por Dilma Rousseff, Cristina Kirchner, Pepe Mujica e Chávez.

Cuba certamente exerceu um magnetismo ideológico superior ao desse quarteto nos anos 60, mas esse ardor não se traduziu em uma organização duradoura com o alcance potencial que o Mercosul desfruta e deve ampliar, graças à incorporação do detentor da maior reserva de petróleo cru do mundo (a Venezuela tem 296,5 bilhões de barris, seguida da Arábia Saudita,com 264,5 bilhões de barris).

Trata-se de mais um enfrentamento no qual os interesses conservadores, muito bem refletidos no bombardeio midiático contrário a essa inclusão, foram habilidosamente derrotados . Não é um revés em torno de uma questiúncula pontual. Os que hoje, como há uma década, sopram o interdito à presença venezuelana, são os mesmos que, paralelamente, defenderam à exaustão a ALCA, como alternativa a uma inserção global do continente assumidamente subordinada e dependente do gigantesco mercado norte-americano. Foram derrotados.

Há pouco, no golpe contra Lugo, encrespado com a suspensão dos golpistas no âmbito do Mercosul, o jornal 'Estadão' destilou a nostalgia da velha agenda. Em editorial efervescente aconselhou a direita paraguaia a responder à punição jogando-se nos braços dos EUA, de modo a consumar, pelo menos, mais uma mini-Alca regional, expressão cunhada pelo embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, em coluna recente em Carta Maior.

A opção de desenvolvimento regional integrado e soberano , reafirmada pela Cúpula de Brasília do Mercosul, insere-se assim numa espiral de enfrentamentos em que o guarda-chuva maior do conservadorismo verga sob o peso da dissolução da ordem neoliberal. É nesse esquina de derrotas históricas apreciáveis que a seção brasileira perfila armas e concentra tropas para fazer do julgamento do chamado mensalão uma espécie de 3º turno simbólico de sua anemia política.

O julgamento que começa nesta 5ª feira oferece-se como um raro campo em que a relação de forças aparenta ser-lhes favorável. Mídia e judiciário conjugam-se como donos de um espetáculo em que 38 réus, entre eles algumas das maiores lideranças do PT, 50 mil páginas processuais e 600 testemunhas ouvidas serão esmiuçadas e reiteradas em 15 sessões, somando-se um total de 90 horas de julgamento, a ocupar os holofotes noticiosos ao longo de todo o mês de agosto e 1ª quinzena de setembro.

Não se subestime o poder de fogo dessa parafernália. Mas não se perca o pano de fundo sobre a qual ela se dá. O conservadorismo aferra-se à batalha do dia anterior na esperança de apagar do imaginário social a percepção de que seus interesses e credo são parte de um mundo que ruiu. A ver.

19/07/2012

quadrilha ao amanhecer

olhares, rostos, corpos -  2




nada de muito original em postar fotos de quadrilhas nesta época do ano.
afinal pululam pelo país afora as festas juninas, e julinas


mas tenho um carinho especial por essas imagens. tinha acordado cedo e caminhava pelo bairro
de feu rosa,  na serra, es. a foto não é de agora, foi tirada há uns cinco, seis anos. eram mais de
 seis horas da  manhã e a festa junina, embora se encerrasse, ainda estava extremamente animada.
como se na sua euforia matinal os dançarinos se despedissem, aguardando o próximo ano.   


gostei particularmente de ter podido flagrar a postura majestosa, confiante e
ao mesmo descontraída do jovem rei, ladeado pelo seu bufão,
ou por um súdito um tanto ou quanto anarquista - como se o aniamdo
término das danças fosse uma homenagem a Sua Majestade.

cinquenta anos esta noite....

mandala

Cumpri os 40.
Vi esta noite o universo despenhar-se nas minhas costas
e abrir-se um buraco negro absoluto para diante.
Depois tive que fazer 41.
A metade que já se foi da minha vida faz sinais
à outra metade que está para vir
e ambas duas se esquivam de mim.
De modo que não tive outro remédio senão fazer 42.
Posta então a meio do caminho desmorono-me
pedaço de terra vou terra na terra girando.
Ninguém sabe o que espera em que futuro se houver futuro
cinzas sombra e sombra apenas sobre figuras de lama
grão de areia pó no pó a derramar-se
há quatro mil milhões de anos.

teresa calderón  - chile (1955 -  )

12/07/2012

fim do ciclo

As folhas caídas obstruem o caminho.
Imagino que sou aquilo que não sou.
Aqui estou muito quieto.
Procuro não me mexer
e ocupar o mínimo espaço.
Como se não estivesse já ali.
O silêncio é o original,
as palavras são a cópia.

joan brossa  - espanha  (1919 - 1998)
tradução:  rua das pretas

10/07/2012

eu nunca fui capaz de rezar

Guia-me até ao porto
onde o farol jaz abandonado
e a lua range nas vigas de madeira.

Deixa-me ouvir o vento chamar por entre as árvores
e ver as estrelas irromperem, uma a uma
como os rostos esquecidos dos mortos.

Eu nunca fui capaz de rezar
mas deixa-me gravar o meu nome
no livro das ondas

e depois olhar intensamente a cúpula
de um céu que não tem fim
e ver a minha voz navegar pela noite dentro.

edward hirsch - estados unidos  (1950 -  )

08/07/2012

ars poetica

Escreve cada um dos teus poemas
como se fosse o último.
Nesta era, atomicamente saturada
carregada com terrorismo
voando com velocidade supersónica
a morte chega com uma brusquidão aterrorizadora.
Envia cada uma das tuas palavras
como se fosse a última carta antes da execução
um apelo gravado no muro de uma prisão.
Não tens o direito de mentir
nem o de brincar às escondidas.
Não terás simplesmente tempo
para corrigir os teus erros.
Escreve cada um dos teus poemas
concisamente, impiedosamente
com sangue - como se fosse o último.

blaga dimitrova - bulgária ( 1922 -  2003)

06/07/2012

A árvore perdoa ao vento
que lhe saqueia as folhas
e abraça-o com os ramos.
A ave perdoa à nuvem
que engole o sol
e saúda-a com as asas.
A onda perdoa à pedra
que lhe impede o salto
e envolve-a em carícias.
Só o homem não perdoa
ao ar, à água, à pedra,
a nenhuma criatura terrestre.
Persegue tudo com crueldade.

E está só no universo.

blaga dimitrova - bulgária (1922- 2003)

28/06/2012

carta: liberdade para assange

(Veja também assange-e-o-paraguai.html)

Intelectuais e artistas defendem asilo político para Assange
Noam Chomsky, Michael Moore, Tariq Ali, Oliver Stone e Danny Glover, entre outros, entregaram segunda-feira (26) carta à embaixada do Equador em Londres, pedindo que seja concedido asilo político a Julian Assange, fundador do Wikileaks. Os signatários da carta defendem que se trata de um caso claro de ataque contra a liberdade de imprensa e contra o direito do público de conhecer verdades importantes sobre a política externa, além de uma séria ameaça à saúde e ao bem-estar de Assange (no caso de uma extradição para os Estados Unidos).
David Brooks - La Jornada  (transcrito de carta maior)
Nova York - Um amplo leque de intelectuais, artistas, cineastas e escritores de várias partes do mundo solicitaram ao governo do Equador que conceda asilo a Julian Assange, Fundador do Wikileaks, que se encontra refugiado na embaixada desse país em Londres.

Noam Chomsky, Michael Moore, Tariq Ali, Oliver Stone, o ator Danny Glover, o comediante Bill Maher, Daniel Ellsberg, ex-analista militar famoso por divulgar os Papeis do Pentágono durante a guerra do Vietnã, e Denis J. Halliday, ex-secretário geral assistente da Organização das Nações Unidas, entre dezenas de outras personalides, assinaram a carta de apoio ao pedido de Assange de asilo político, a qual foi entregue segunda-feira (26) à embaixada do Equador em Londres.

Afirmaram que por se tratar de um caso claro de ataque contra a liberdade de imprensa e contra o direito do público de conhecer verdades importantes sobre a política externa, e porque a ameaça à saúde e ao bem-estar é séria, pedimos que seja concedido asilo político ao senhor Assange.
O fundador do Wikileaks ingressou na sede diplomática equatoriana a semana passada para evitar sua extradição para a Suécia. Os signatários da carta entregue ontem concordam com o agora fugitivo (rompeu as condições de sua detenção domiciliar ao entrar na sede diplomática) que há razões para temer sua extradição, pois há uma alta probabilidade de que, uma vez na Suécia, seja encarcerado e provavelmente extraditado para os Estados Unidos.

O governo de Barack Obama realizou um processo conhecido como grande júri para preparar uma possível acusação legal criminal contra Assange, ainda que o procedimento seja secreto até emitir sua conclusão. Além disso, meios de comunicação relataram que os departamentos de Defesa e de Justiça investigaram se Assange violou leis penas com a divulgação de documentos oficiais.

Os signatários sustentam que esta e outras evidências mostram a hostilidade contra Wikileaks e seu criador por parte do governo estadunidense, e que se ele fosse processado conforme a Lei de Espionagem nos Estados Unidos poderia enfrentar a pena de morte. Além disso, acusam o tratamento desumano ao qual foi submetido Bradley Manning, o solado acusado de ser a fonte dos documentos vazados para Wikileaks.

“Reivindicamos que seja outorgado asilo político ao senhor Assange, porque o ‘delito’ que ele cometeu foi o de praticar o jornalismo”, afirmam na carta. Assange revelou importantes crimes contra a humanidade cometidos pelo governo dos Estados Unidos. Os telegramas diplomáticos revelaram as atividades de oficiais estadunidenses atuando para minar a democracia e os direitos humanos ao redor do mundo, acrescentam.

A carta, entregue por Robert Naiman, diretor da organização estadunidense Just Foreign Policy, autora da iniciativa, foi acompanhada de outra petição assinada por mais de 4 mil estadunidenses que solicitam que o governo do Equador conceda asilo a Assange.
A íntegra da carta pode ser vista em justforeignpolicy.org/node/1257.

26/06/2012

comédia ou drama para o povo paraguaio?

E os fascistas das elites paraguais venceram a primeira batalha contra o povo, através da deposição, pelos seus senadores fantoches, pura e simples do presidente Fernando Lugo, baseados  em argumentos inconsistentes e descaradamente  oportunistas.
Se não fosse dramático e humilhante para a soberania do povo paraguaio, seria risível, grotesco, ver os desprezíveis parlamentares votando pela deposição, mas distantes do povo, protegidos por tanques de guerra e agentes da repressão.

Por esse inaceitável isolamento do povo, nota-se o tão alto grau de representatividade popular que têm esses cretinos membros do parlamento paraguaio! 
Mas, apesar de todo o aparato repressivo e midiático, o episódio tem tudo para se tornar tão risível quanto o foi a tentativa de golpe na Venezuela há exatos dez anos atrás, desnudando o seu caráter de  farsa institucional-burguesa.
Parlasul deve seguir decisão do Mercosul

Afinal, os golpistas paraguaios já estão sendo isolados e acuados pelos governos parceiros do Mercosul e da Unasul,  numa atuação firme e coerente, que, aliás, é o mínimo que se espera dos governos progressistas da América Latina.
E, além da pressão internacional, começam a ser articuladas as resistências internas ao golpistas:
Fernando Lugo anuncia resistência
Paraguai: resistência ao golpe ganha página na internet

*****************************
Esse episódio do Paraguai serve para refletir sobre  as exigências de radicalidade que os movimentos populares podem e devem fazer aos governos progressistas da América Latina.
Refletir sobre o difícil equilíbrio que deve ser preservado, entre radicalidade e governabilidade, entre projetos e ações autenticamente de esquerda e os posturas moderadas ou conciliatórias dos governos progresssistas.
Com o golpe do Paraguai, fica mais uma vez evidente que os fascistas estão à espreita, aguardando oportunidades para se lançar à retomada (seja através de desestabilizações, eleições ou golpes miliatres/institucionais) dos governos arduamente conquistados por progressistas, mais ou menos contundentes nos seus enfrentamentos com a ordem capitalsitas. 
E, claro, os fascistas só tem a agradecer quando explodem divisões e confrontos incontornáveis entre movimentos autenticamente populares e governos progressistas, moderados.
*****************************
O que não quer dizer que, em nome da governabilidade e em nome do acúmulo de forças - visando a transformações mais radicais da ordem burguesa - a luta popular tenha que se tornar refém de conciliações excessivas, desnecessárias e, em consequência, deslegitimadoras dos governos progresssitas, e dos movimentos populares que os apóiam.
Como no caso do PT, no Brasil, com sua espantosa concordância em relação às iniciativas de Lula em eleger Fernando Haddad em São Paulo, a qualquer custo, até mesmo ao custo de uma ressurreiçaõ do cadáver político de Paulo Maluf.
Qual o limite, afinal, que o PT impõe a si próprio, no seu projeto de,  supostamente, construir  a hegemomnia popular no Brasil? 
Iniciativas como a  de Lula precisam ser realmente toleradas? O PT não conhece mais a sua própria força e sua própria história, para entender que pode impor, na aliança com o PP, a condição inegociável de não se abrir espaços excessivos para o cadáver polítco de Paulo Maluf?
Que pelo alguém no PT tenha a coragem, e  o cacife político necessário, para conseguir alertar Lula, para ele não manchar de forma tão ingênua e desnecessária a sua respeitável biografia.
*****************************
Enfim,  as elites e os fascistas do Paraguai - através de seus parlamentares golpistas e fantoches - poderão estar prestes a fazer um papel tão risível quanto os seus congêneres da Venezuela, em 2002. Que tudo termine realmente em comédia, que não seja mais uma nova tragédia para o povo do Paraguai.




25/06/2012

assange e o paraguai

Interessante  a ligação entre dois dos assuntos que mais chamam a atenção do mundo, no momento.
Com o texto abaixo, dá para entender porque Julian Assange, o fundador do Wikileaks, está sendo praticamente caçado pelas autoridades dos países do capitalismo central. Afinal, a denúncia acerca das articulações contra o governo democrático do Paraguai (feitas pelo Wikileaks quase um ano antes do atual golpe) é apenas um entre centenas ou milhares de documentos incômodos aos comandantes da atual ordem mundial. 


WIKILEAKS: GOLPE ERA PLANEJADO DESDE 2009
(carta maior, 25.06.2012)

Despacho sigiloso da Embaixada dos EUA em Assunção, dirigido ao Departamento de Estado, em Whashington, já informava, em 28 de março de 2009, a intenção da direita paraguaia de organizar um 'golpe democrático' no Congresso para destituir Lugo, como o simulacro de impeachment consumado na última 6ª feira.
O comunicado da embaixada, divulgado pelo WikiLeaks em 30-08-2011 http://wikileaks.org/cable/2009/03/09ASUNCION189.html mostra que já então o plano era substituir Lugo pelo vice, Federico Franco, que assumiu agora. O texto enviado a Washingnton faz várias ressalvas. Argumenta que as condições políticas não estavam maduras para um golpe, ademais de mostrar reticências em relação a seus idealizadores naquele momento. Dos planos participavam então o general Lino Oviedo (ligado a interesses do agronegócio brasileiro no Paraguai, que agora pressionam Dilma a reconhecer a legitimidade de Federico Franco, simpático ao setor) e o ex-presidente Nicanor Duarte Frutos. Em seu governo (2003-2008), o colorado Nicanor Duarte Frutos foi duramente criticado por vários governos latino americanos por ter permitido o ingresso de tropas norte-americanas no territorio paraguaio para exercícios conjuntos com o Exército do país; foi em seu mandato também que os EUA tiveram permissão para construir uma base militar na zona da Tríplice Fronteira,com gigantesca pista de pouso, supostamente para combater narcotráfico e o terrorismo islâmico.

Leia também:
Julian Assange pede asilo político para o Equador
Julian Assange: Londres diante de um problema sem precedentes


23/06/2012

identidade

esta tarde,
enquanto a telefonista
soletra os meus dados pessoais
do outro lado
do auricular,
tenho de lhe lembrar
que ester
é ester

mas sem h.

que Camps é como Campos
mas em valenciano
e que, além disso,
esse é o meu segundo
apelido
o primeiro é García

com acento no i.

é importante
não esquecer o meu nome
uma pessoa tem de poder dizer
quem é

mesmo que na realidade
não o saiba ainda.


ester garcía camps - espanha    (1984 - )

21/06/2012

os fascistas se articulam

Na Venezuela e no Equador os golpistas a serviço das elites foram barrados pela reação popular e pelas pressões dos governos progressistas da região.
Em Honduras os fascistas e golpistas venceram e desalojaram do poder Manuel Zelaya, presidente legitimamnete eleito pelo voto popular.
Agora, é contra o povo e o governo do Paraguai a nova  tentativa de golpe branco, mascarado de institicionalidade. 
Embora pareça inócua, a ampla divulgação das reais causas da tentativa de impeachment de Fernando Lugo pode contribuir, e muito, para deter essa iniciativa dos fascistas, que estão sempre à espreita na América Latina.

Lugo sob ameaça de golpe no Paraguai
Gilberto Maringoni, em carta maior
 
A Câmara paraguaia, dominado pelos partidos de direita, abriu processo de impeachment nesta quinta-feira (21) contra o presidente Fernando Lugo. Senado agora também discutirá a medida. Trata-se de um eufemismo para golpe de Estado, segundo analistas consultados por Carta Maior.

Não é a primeira vez que setores dos grandes proprietários de terra aliados de setores empresariais tentam interromper a vida democrática do país vizinho. À diferença de outras situações ao longo do século XX é que a ação atual recobre-se de uma fachada legal.
 
O pretexto é que Lugo teria sido negligente na resolução de conflitos agrários, como o ocorrido há uma semana em Curuguaty, próximo a fronteira com o Brasil. Na ocasião morreram nove camponses e seis policiais.

Por "negligência" entenda-se as tentativas do mandatário de resolver os problemas com negociação e não através de violência pura que caracteriza historicamente a resolução de conflitos sociais no país.

Os presidentes da Unasul, reunidos no Rio de Janeiro, colocam-se frontalmente contra o golpe. A situação em Assunção é de calma aparente. Manifestações populares de apoio começam a acontecer na capital. Em pronunciamento feito nesta manhã e transmitido pela tevê paraguaia, Lugo descartou a possibilidade de renúncia.

**************
Na segunda-feira, 18, Carta Maior já antecipava essa tentativa de golpe: Latifundiários brasiguaios querem derrubar Lugo"

Leia também:  Legalização de um golpe

o semáforo

amarelo, cuidado! vermelho, parar!
som de freios no asfalto aquecido, estridente e metálico
automóveis se alinham brusca e desigualmente
motocicletas disputam os espaços intermediários
camelôs giram em órbita dos carros
com seus produtos e serviços descartáveis.
cruza a faixa uma pequena multidão, muda e apressada
do outro lado, motores roncam em tonalidades dissonantes
buzinas nervosas insistem em erguer a voz

foi então que vi aquele olhar.
uma criança, menina, estacionada à minha frente.
yinha nas mãos um maço de folhetos
mas aparentemente esquecera que devia entregá-los.
despenteada, com alguns farrapos sobre os ombros
não devia ter nome e menos ainda família
de perfil, olhava sobre os ombros:
olhar sem palavras, seco de riso e de lágrimas
onde medo e desejo pareciam alternar-se.
abarcava tudo e nada, perdido e só
sobre o ruído das máquinas e a pressa dos transeuntes.

vermelho, avançar!
mas aquele olhar permaneceu ali, vívido e teimoso
como que petrificado no pára-brisa do carro
gravado para sempre no mármore da memória.

certamente me fará algumas visitas inoportunas
nas noites quentes de insônia.

pe. alfredo gonçalves, CS

18/06/2012

barbárie tingida de verde

E começou a Rio + 20.
Então, nada mais apropriado do que o artigo de Laerte Braga, que desnuda com contundência um pouco do jogo de cena que está por detrás, não apenas da Rio + 20, mas da própria tentativa de se trasnformar o atual e futuro desastre ambiental numa fórmula para adiar a derrocada do capitalismo.

Seria sectarismo simplista negar a validade deste encontro de cúpula, que tenta avançar em propostas e ações urgentes, sérias, para se tentar evitar o pior, não para o planeta em si, mas para a humanidade, e para outras espécies que o habitam, e que serão levadas de roldão pelos erros humanos.
*****************
Mas a questão é saber até onde é possível negociar com o capitalismo a solução do impasse em que está metido o projeto ocidental de civilização. E, também, refletir sobre até onde é necessária essa negociação.

Ao que se sabe, não é possivel instaurar uma verdadeira racionalidade nos mecanismos de dominação que sustentam o capitalismo. Uma racionalidade voltada para o desenvolvimento das plenitudes do ser humano, e para o convívio inteligente e transcendente com o mundo que rodeia esse mesmo ser humano.

A história, passada e presente, tem dado provas cada vez mais terríveis, sufocantes e absurdas da impossibilidade desse tipo de negociação com o capitalismo, da impossibilidade de humanização do capitalismo.
*****************
Resta pensar seriamente até onde é necessário levar a sério o capitalismo. Claro que muita barbárie, muito sofrimento e muita besteira ainda será provocada pelos atuais mecanismos de dominação das pessoas.
Mas parece cada vez mais claro que, ao lado da impossibilidade de negociação com o capitalismo, cresce a consciência de que não há mais necessidade de levar em conta esse sistema outrora revolucionário e necessário para a história humana, e hoje apenas obsoleto, burro, criminoso e decadente.

É como se as pessoas e povos aguardassem, ou estivessem se preparando para acolher um novo projeto de civilização. Como se fosse uma mera questão de tempo a queda desse sistema obsoleto, mas cada vez mais perigoso, insano e maléfico à esmagadora maioria das pessoas.

O texto de Laerte Braga toca nesse ponto, ao registrar que a legitimidade da Rio + 20 está exatmente no acúmulo de articulações, debates e forças das lutas populares, que se farão presentes na Cúpula dos Povos, evento paralelo ao encontro oficial e institucional da ONU.
********************

Apenas a título de ilustração literária - e a propósito dessa consciência de povos e pessoas, acerca da obsolescência do atual modelo de organização social e econômica - transcrevo um trecho de uma novela de minha autoria.
Na cena, Dala (personagem-título e personificação do planeta Terra), discorre para o poeta U. suas angustiadas expectativas acerca dos anos decisivos vividos pela humanidade, acerca do impasse em que suas criaturas prediletas estão se envolvendo - e envolvendo a ela própria, Dala.
Na sua fala, Dala também trata levemente da intuição das massas, da 'turba', que suspeita que algo está muito errado, mas uma intuição feita apenas de ironia e de resignação, sem ainda potencial de enfrentamento:
"sim, não se entende o que falta, para onde dar o passo final. tudo ainda são suspeitas, vislumbres no meu horizonte, sussurros trocados entre os astros e estrelas mais próximos de minha trajetória e que escuto sem querer, apostas ora cautelosas ora piedosas sobre o meu destino e o de vossa raça. quanto a mim aprendi, nesses dois mil anos de sustos e aplausos, que não se deve concluir com segurança sobre vós ocidentais. é preciso às vezes apelar para o humor e, então, se não fosse tão trágico, eu diria que a hesitação de vossa raça, nestes esplêndidos e atormentados anos, é uma vingança dos deuses do Olimpo (ou uma feitiçaria dos deuses de áfrica, ásia ou ameríndia) por terdes incumbido o ocidental Prometeu da serpenteante e ígnea tarefa de roubar o fogo do saber e do saber fazer...

enquanto isso, todos esperam, cansam-se... o pensamento exaspera-se, tortura-se, confunde-se, estiola-se, nega-se, volta-se sobre si mesmo, obras e mais obras, a palavra intentando viver de sua própria nave, de sua construção paralela, de si própria palavra, tentando dar vazão à sua própria sede de domínio sobre o Real... a casta dos comandantes acautela-se, perde-se e perde a razão de existir como comando, faz que não ouve a urgência, a possibilidade e a necessidade de um repouso planetário... e a turba dos comandados espera, apenas mais uma vez espera, parecendo ironizar, na sua condição de impotente e ainda faminta de tanto, parecendo dolorosamente debochar dos esforços patéticos e desnecessários dos comandantes para resguardar o domínio da jornada, com suas antiquadas, arrogantes e cruéis barreiras erguidas em volta dos castelos, anéis e plantações...

ah, talvez seja necessário dizer como o suicidoce vidente celan: ‘que um homem saia desta tumba!’, para que de fato o ocidente mergulhe naquele estado de espanto-admiração, mostrado no final da obra de sagan e kubrick, e a partir daí verem-me, a si próprios e ao formidável campo além de mim, ver tudo isto com outros olhos, olhos mais pacificados, mais doces, menos ansiosos... o homem do ocidente como um embrião novo para si próprio, para o meu corpo, para o oriente, para o Real...

ah, equador de calmarias
vibrar o canto e fazer os homens
em cada nascer de luas, maiores:
o mundo precisa de artesãos

o mundo, esta pedra de alabastro
pedra-sabão, âmbar, marfim seleto
peça de ferro cru, a carecer
de têmpera e mãos doces, inspiradas

estão os homens a construir?
estão os homens?”

dala, capítulo 6 (registro bn 248.522)

nas manhãs de minas

olhares, rostos, corpos - 2

junto com a família, jarbas cultiva uma pequena propriedade no interior das minas gerais  - em
são miguel do anta, na famosa zona da mata mineira). e se ele não existisse na vida real,
com certeza que teria que ser inventado pela arte, principalmente nessa ancestral postura
de quem amanha a terra e cuida da criação, já nas primeiríssimas horas de uma enevoada e fria
manhã de junho. não falta nem mesmo o indefectível cigarrim de palha.   

e a nubescente filha de nome núbia, após haurir da vaca  o sagrado leite matinal, sorridente retribui,
compensando os filhotes com o não tão sagrado alimento produzido  pelos  homens.
se os famintos filhotes em questão acham a troca justa e agradável, já é outra história.  

ainda a propósito de ordenhas ,da manhã ou do verbo,
veja os poemas: 

a apoteose do nada

por Laerte Braga
Começa nos próximos dias de junho a conferência mundial sobre desenvolvimento sustentável com o pomposo título de RIO + 20. O espetáculo cambeta das grandes nações e seus “sábios” a tentar exibir, aos que habitam o mundo cá embaixo, o nada.
A História mostra grandes impérios. Ruíram todos na arrogância, na prepotência, em suas contradições, na própria roda da História, um processo inexorável que já tentaram sepultar e que revive hoje com vigor impressionante: a luta de classes.

Débord, em seu magnífico e definitivo "A sociedade do espetáculo" (Contraponto, 2ª. Impressão, 2000, RJ) afirma que “a classe ideológica totalitária no poder é o poder de um mundo invertido: quanto mais forte ela é, mais afirma que não existe, e sua força serve em primeiro lugar para afirmar sua inexistência. É modesta apenas nesse ponto, pois sua inexistência oficial também deve coincidir com o nec plus ultra do desenvolvimento histórico que ao mesmo tempo seria devido ao seu infalível comando”.

A crise que transforma a União Européia em meras bases militares do terrorismo de Estado norte-americano/sionista, vai custar 100 bilhões de euros a trabalhadores espanhóis e europeus no geral, para salvar um sistema financeiro podre, falido, a síntese do capitalismo.
Os milhões de desempregados, a perspectiva negativa para os milhões de jovens que chegam ao mercado de trabalho do mundo capitalista, são meros detalhes para “essa classe ideológico- totalitária”.

Há um mundo a parte, de castelos, onde os donos das milhares de ogivas nucleares que garantem esse nada,  se refugiam se impõem na crença da infalibilidade da qual fala Débord.
A RIO + 20 é um exercício de masturbação de países ricos. Não está prevista nenhuma declaração ou compromisso formal, apenas isso, masturbação.
O que não quer dizer que forças populares sitiadas em cada canto do mundo, ainda que díspares, não devam se expressar e fazer ecoar os tambores da luta contra um modelo falido, predador e terrorista.
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Há um golpe de estado em curso na Síria. Houve antes na Líbia devastada por mais de cinco mil ações de bombardeios aéreos. Ou a devastação do Iraque, do Afeganistão, o terror do ATO PATRIÓTICO espalhando mortes por todos os lados.
Centenas de milhares de palestinos expulsos de suas terras, presos, assassinados na sanha insana do nazi/sionismo.
Gregos, espanhóis, portugueses, norte-americanos (milhões na linha da pobreza ou abaixo dela), africanos, árabes, chineses, enfim, a classe trabalhadora submetida a um tacão que não difere do que Hitler imaginava que fosse durar dois mil anos.
E uma preocupação inexistente com o que também não existe, o tal desenvolvimento sustentável. O show, o espetáculo. A turba mantida ao longe por escudos e zumbis chamados de Polícia Militar (a ONU recomendou o fim dessa aberração). E montes de agentes especiais para garantir a nobreza. Os grandes nomes das potências terroristas não virão. Hilary Clinton será a atração do terror.

O presidente do Irã, Ahmhoud Ahmadinejad, em sua cruzada mundo afora para manter a dignidade de seu povo e da revolução islâmica, vem trazer sua voz de protesto, de indignação e de coragem, sabedor da força devastadora e cruel dos que se sustentam nesse terror capitalista.
Sabe que resistir é preciso. (...)
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(...) A RIO + 20 vai propiciar matérias à mídia de mercado sobre o próximo fim do mundo, as mudanças climáticas, a necessidade de controle da poluição atmosférica, vão falar sobre a caça às baleias pelos insanos governantes japoneses, o trabalho escravo na China capitalista – o comunismo é eufemismo, rima –, a fome na África, expor as vísceras espetaculares do drama dos trabalhadores e, ao final, marcar nova conferência para absolutamente nada.

A destruição é intrínseca ao capitalismo. Como a corrupção. São inseparáveis e com certeza ao final de tudo vão dizer que o Brasil está apto a receber a copa do mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
E lógico, a foto oficial. Não sei se o rei da Espanha vem, se vier que traga seu rifle de caçadas. É evidente que Elizabeth II não vem, está às voltas com destempero do príncipe Philip que, na patetice da nobreza, pode sair pelas ruas de Londres nu e gritando “heil Hitler”.

Da RIO + 20 vai sobrar a possibilidade de percepção de todo esse nada transformado em espetáculo, e a conseqüente necessidade de organização das forças populares, num consenso que é inevitável, sob pena de ficar a reboque de maneira permanente e assistir a esse massacre capitalista.

A importância da luta popular. É nas ruas, é de sobrevivência, não é por mandatos eletivos. É por enfrentar e jogar por terra todo esse processo de destruição e escravidão, transformado em show a cada domingo, ou em cada edição de VEJA, GLOBO, FOLHA DE SÃO PAULO, ESTADÃO, ESTADO DE MINAS, RBS, etc, até porque não existe nada de FANTÁSTICO nisso. 
 
Tanto é um desafio para partidos com história de lutas, como para o movimento popular.
Tirar da inércia os que acreditam que vivemos uma era de progresso, e que estamos predestinados a ungir o mundo com o equilibrismo de Dilma, em cima dos passos e contrapassos de Lula na tentativa frustrada de apagar os anos de FHC. Está ai, impávido não o gigante que continua adormecido, mas o neoliberalismo imposto pelos tucanos.

A RIO + 20 vai valer pelo que se puder aprender de luta popular e pela consciência que essa luta é nas ruas, e não em eleições de cartas marcadas.Gigantes são os trabalhadores e a bola da vez do terror de ISRAEL/EUA TERRORISMO “HUMANITÁRIO” S/A é a Síria.