28/08/2013

um grito (cada vez mais) vivo



leia também: o grito e as ruas

Já no seu 19° ano, o Grito dos Excluídos das pastorais da Arquidiocese de Vitória, neste ano, vai ocorrer novamente num bairro de periferia (parece que já pela terceira vez)  e não mais nas proximidades dos desfiles oficiais de 07 de setembro, nem em  avenidas e praças de bairros mais bem estruturados da região metropolitana.

Dessa vez é na cidade de Serra, nas comunidades de Vila Nova de Colares e de Feu Rosa.
Posso dizer que contribuí modestamente para essa iniciativa, pois defendi insistentemente a sua importância e pertinência, durante minhas últimas participações nas reuniões de articulação do Grito - não tenho podido participar nos últimos três anos.

Sempre acreditei que força e a persistência do Grito deveriam ser mostradas lá na periferia, lá onde estão os excluídos de quase tudo, na cada vez mais estúpida, irracional e perversa ordem capitalista. Para mim, era um verdadeiro desperdício de energias e esperanças fazer com que o Grito ficasse, repetidamente, a disputar atenção com a sempiterna e sempre sedutora patriotada dos desfiles militares e escolares.

Claro que foram válidas ( ainda o serão, vez por outra) as ações do Grito nas proximidades dos desfiles, afinal é ali que se concentram milhares de pessoas, de variados estratos sociais, mas certamente com predominância das camadas populares. E, nesse caso, é o lugar adequado para dar visibilidade jornalística ao Grito dos Excluídos e para apresentar as suas propostas a essas camadas populares.
Mas, consolidada essa fase de afirmação na mídia e de inserção popular, corre-se o risco de não se avançar, afinal, na algazarra e no entorpecimento emotivo próprios do desfile cívico-militar (que, no fundo, no fundo, mexe com todos nós, remete à festa e à inocência da infância), são limitadas as possibilidades de um maior envolvimento, convocação e engajamento das camadas populares num Projeto Popular para o Brasil, que é o que deve ser afinal o objetivo maior do Grito dos Excluídos.















  
Com a realização do Grito em bairros populares (São Pedro, em Vitória, e agora Feu Rosa e Vila Nova, na Serra) o Grito está no lugar certo, próximo das pessoas certas, pessoas a quem ele efetivamente busca despertar, sacudir de sua imobilidade, entorpecimento e desesperança, pessoas que de fato poderão provocar enfrentamentos e rupturas com as estúpidas e obsoletas estruturas sociais atualmente vigentes.


Ao passo que, próximo aos desfiles, para a maior parte das pessoas o Grito dos Excluídos, embora cause certo desconforto, não passa de um 'desfile' a mais; e para uma outra parte provoca no máximo admiração e respeito, mas não passando de um protesto a mais, que não vai levar a lugar nenhum, a mudança nenhuma. Resta um contingente mínimo, que pode ou não ser sacudido de sua apatia, ou que pode ter reforçada a sua resistência e a sua crença na luta popular.
Como também sempre há o risco de o Grito ser abafado, ter a sua força amortecida pela postura oportunista dos governantes e autoridades de plantão, que, espertamente, passaram a divulgar e ‘apoiar’ os manifestantes do Grito, de cima de seus presunçosos e enganosos palanques, fazendo parecer aos desinformados que aquela seria apenas mais uma manifestação oficial, permitida e “benvinda’ pelas “autoridades” e governantes.

03/07/2013

rumo à superação do medo, da barbárie e da estupidez

Em mais um dia histórico, em mais um grandioso ato de rebelião e ação política, cerca de 100 manifestantes ocupam neste momento (manhã de 03/07/2103) ocupam o gabinete da Presidência da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, como forma de pressão popular  pelo fim da cobrança do pedágio da Terceira Ponte (Vitória – Vila Velha).

É mais uma ousada ação de um movimento que na verdade se iniciou em junho de 2011 (na verdade antes, mas não há espaço aqui para minúcias históricas – consulte MPL nos googles da vida) com as lutas estudantis contra os abusos e precariedades dos gerenciadores do transporte público da Grande vitória.
Mas é também mais um passo ousado e vitorioso rumo à lenta, incerta, complexa mas cada vez mais inadiável construção de uma movimentação planetária. Pois este nosso movimento é parte de um movimento mais amplo, é capítulo de uma história maior e muito mais grandiosa.

A Rebelião de Junho no Brasil vem se somar à Rebelião no Ocidente, que, nesta década, teve seu início mais marcante, ou mais visível, com as ousadas e pioneiras lutas do povo grego em 2008. Depois a Rebelião foi se espalhando: mundo árabe, Espanha, Portugal, França, Estados Unidos e alimentando, ou inspirando,  a criação dos acampamentos Ocupa pelo mundo afora, inclusive no Brasil.  
Nesses dois anos, têm havido avanços e recuos na Rebelião. E, no mais das vezes, essa Rebelião tem se manifestado por motivos e demandas localizadas, específicos de cada região ou país, enfim, seria aparentemente uma Rebelião localizada, não global, não-planetária.

Mas a verdade é, que sem tirar o seu caráter concreto e sem questionar de forma alguma a sua sustentação em demandass localizadas, essas lutas refletem um momento muito mais grandioso, no tempo e no espaço.
Elas se inscrevem na rota das lutas libertárias, que deram seu grito mais articulado, criativo e ousado na década de 60. Não se trata de defini-las como continuidade ou como devedora da Contracultura da década de 60 – isso são questiúnculas.

O que importa é tentar entender as possibilidades de que essas lutas do século XXI venham a se tornar  a concretização ( ou ao menos um avanço fantástico) de todos aqueles sonhos, utopias e projetos dos companheiros e companheiras que vieram antes de nós:  anarquistas, comunistas, libertários, maoístas,  hippies, guerrilheiros, Teologia da Libertação  - e tantos outros que não chegaram a se constituir como corrente ou movimento reconhecido, ou que sequer foram vistos como militantes e ativistas, mas que, na sua maneira humilde  e anônima,  sonharam, lutaram e acreditaram na possibilidade concreta de um OUTRO MUNDO, um verdadeiramente ADMIRÁVEL MUNDO NOVO.

Certamente continuarão a haver avanços e recuos, brotarão contradições e aparentes incoerências nesses movimentos espalhados pelo mundo, haverão esfriamentos e explosões. Mas tudo obedecendo a uma lógica própria, a lógica da revolta contra o modo de vida imposto por esse projeto de civilização, ou uma revolta contra esse projeto de civilização, o qual já cumpriu o seu papel histórico e mesmo transcendente, mas que precisa ser imediatamente superado por um outro projeto de civilização.

Precisamos entender de vez a grandeza e complexidade de nosso tempo: neste início de século entramos definitivamente em um tempo de batalhas, de combates - ou melhor, um tempo de combater o bom combate. Sem tréguas, sem ilusões, sem ideologias estreitas e presunçosas. Sem a exigência e a  ansiedade de certezas que não poderão ser dadas por nenhum “especialista”, acadêmico, militante ou liderança. Por um longo tempo tudo estará em aberto, em construção, tudo serão avanços e recuos, afirmações  e negações – no melhor estilo da verdadeira e corajosa dialética.

A única certeza é a de que todos esses movimentos convergirão para um só ponto, uma só estrada:  a estrada da superação do mundo velho e da construção do mundo novo. A única certeza é que essa rebelião e essa movimentação planetárias são simplesmente inevitáveis, sob pena de a humanidade, num tempo não muito distante, perder em definitivo a sua própria alma – perdê-la para o erro, o medo e a estupidez.     
A única certeza é a de que não  é tarde nem cedo demais. É simplesmente o momento ofertado pela História, construído pelos homens.
Momento construído para propormos a interrupção do projeto de conquista do Ocidente, para colocarmos em outras bases o projeto do Homem sobre a mágica  e carinhosa face da Terra.

Para isso, é inevitável  a construção da Greve Mundial, planetária, global: ocupar praças, ruas, campos e cidades. Parar o Ocidente e colapsar o Capitalismo, para então reorganizarmos a nossa marcha planetária.
Somente assim superaremos o erro, a tragédia e a barbárie que já nos envolvem, com sua plastificação dos espíritos, dos desejos e das vontades, disfarçada e sustentada por   seduções tecnológicas, por falsas necessidades e por violências e inseguranças pré-fabricadas, ou pelo menos bastante convenientes à manutenção desse estúpido mundo  velho.  

Às ruas, às ruas!!!
Não há mais tempo nem necessidade de minúcias ideológicas, de ultrapassadas disputas à esquerda, de sofisticações acadêmicas.

Há sim tempo e necessidade de ação, de debates e projetos lúcidos, de estratégias adequadas, de ações amadurecidas, e tudo sempre com o olhar fito no horizontes das ruas, das praças, das estradas, nos campos e nas cidades – o resto são véus fabricados pelo medo, pela impossibilidade de lucidez e pela perda da crença na poesia e na grandiosidade   da vida, do mundo e do homem  e do Cosmos.

Cosmos para com o qual o ser humano tem a tarefa de viver como ‘luz do mundo’ e “sal da terra”, humilde e frágil, mas também  alegre e corajosa.



Roberto Soares, bacharel em Filosofia e editor do blog Desvelar

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Desde 2008, venho publicando textos sobre a Rebelião no Ocidente. Quem quiser ler procure à direita do blog, no link “Rebelião no Ocidente”. Veja também textos sobre as ações de junho de 2011 em Vitória. Alguns links:

um fascinante caminho...
a romaria do sonho
o mca de vitória...
nunca duvide



27/06/2013

resgate das origens: lula chama para as ruas


Até que enfim.
Já estava mais do que na hora de Lula e o PT resgatarem suas origens e o seu projeto de país. 
Nada como como o enfrentamento promovido pelos chamados "vândalos' e "baderneiros' para dar um choque à direita e à esquerda.
 Não se faz omelete sem quebra de ovos, não se faz revolução, ou avanços reais da luta popular, sem enfrentamentos. 
Aliás, devemos chamá-los de vândalos ou de vanguarda (para além dos infiltrados da direita e dos inevitáveis "saqueadores" da periferia, que estão a promover sua própria, bombástica e festiva redistribuição de renda)? 
 
VIVA A FESTA DAS RUAS!!!
COM TUDO O QUE O POVO TEM DIREITO!!! 
COM TODO O POVO A QUE AS RUAS TÊM DIREITO!!!
 

22/06/2013

alerta: o fascismo está sendo planejado


What is this, “companheiro”?

“Quanto mais pessoas colocarem pressão sobre o Brasil, mais rápido o Brasil terá que se dobrar”, diz porta-voz anônimo do movimento ChangeBrazil.

Nem tudo que está acontecendo parece ser espontâneo. Qualquer pessoa que já tenha trabalhado com planejamento de campanha publicitária, especialmente online, sabe que algo assim é possível. Não é tão diferente de planejar o lançamento de um filme ou turnê para o público jovem.

Há um movimento na internet, que surgiu no dia 14 de junho, voltado principalmente para jovens, chamado #changebrazil (surgiu assim mesmo, em inglês). Em português o nome do movimento é Muda Brasil. Esse movimento postou vídeos, aparentemente espontâneos, que foram vistos por mais de 1 milhão de pessoas, a maioria deles jovens (muitos secundaristas) que estão indo para as manifestações em clima de festa e máscara V de Vingança.

Na quinta-feira, dia 13 de junho a polícia de Geraldo Alckmin (PSDB) reprimiu de forma violenta manifestantes do Movimento Passe Livre, cidadãos e jornalistas. Logo no dia seguinte a grande imprensa passou a defender o movimento e surgiu um vídeo, em inglês, com legendas em inglês, que se intitulava “Please Help us” (Por favor, nos ajude). O vídeo, com um narrador com visual rebelde (alguém sabe quem ele é?) que já foi visto por mais de 1 milhão e 300 mil pessoas, passa rapidamente sobre tarifa de ônibus, critica a mídia e estimula aos jovens o ódio contras os políticos, enaltece o STF e estimula quem ver o vídeo a espalhá-lo e debater o assunto na internet. Sugiro que quem não entende o clima da juventude no protesto ou que tem ilusões de que eles são de esquerda, o assista. http://youtu.be/AIBYEXLGdSg

O vídeo parece simples, mas a iluminação e fundo é profissional, foi feito em estúdio, e se prestar atenção, verá que o manifestantes (alguém o conhece?) de inglês perfeito, está lendo um teleprompter. O vídeo é feito em inglês, mas a maioria dos comentários é de brasileiros. Não há acessos a estatísticas. O vídeo foi feito e visto provavelmente por brasileiros, jovens, de classe média e alta que falam inglês. Fala da Copa do Mundo (preste atenção: todos falarão). E termina dizendo que “o povo é mais forte que aqueles eleitos para governá-los”.

Que movimento pelo Passe Livre faria um vídeo em inglês ? Que é esse sujeito? Quem pagou essa produção, feita em estúdio com teleprompter? http://youtu.be/AIBYEXLGdSg

As dicas sobre quem ele é o que as pessoas que estão por trás disso querem estão no segundo vídeo, postado durante as manifestações de segunda-feira. Este fala em português. Carregado de sotaque, celebra a tomada do Congresso Nacional por “protestantes” (sic). Esse vídeo foi menos visto, mas não pouco visto, são 66 mil pessoas. http://youtu.be/z-naoGBSX9Y Ele dá parabéns pela manifestação, pelas pessoas mostrarem que “amam” seu país. E segue para dar instruções. Cita as hashtags #changebrazil e o #brazilacordou. Diz que o público não pode se desconcentrar nisso pelo gol do Neymar, ou pelo BBB. Diz que não devem falar de outros assuntos. Mas ao mesmo tempo a mensagem é vazia além de “Muda Brasil”. Ele se refere sempre sobre o que acontece como isso. E no minuto 2:06 ele diz para as pessoas fazerem o material para o exterior porque “quanto mais pessoas colocarem pressão sobre o Brasil, mais rápido o Brasil terá que se dobrar”.

Que movimento é esse que quer mudar o Brasil fazendo ele se dobrar?

Ele mistura nas pautas do seu “movimento coisas que todos defendem, como contra a corrupção, e mais verbas para saúde e educação. Talvez por “coincidência” as mesmas pautas centrais, com a mesma linha de discurso foi postada em um vídeo suspostamente feito pelo grupo Anonymous justamente quando as tarifas iam baixar para propor novas causas. Ele já foi visto por 1 milhão e 400 mil pessoas http://youtu.be/v5iSn76I2xs Importante lembrar que como os vídeos do Anonymous usam imagem padrão e voz falada por digitada pelo Google, e são postadas em contas do Youtube aleatórias qualquer um pode fazer um vídeo se dizendo Anonymous.

O nosso amigo de sotaque não é o único vídeo que veio de fora. Já ficou famoso o vídeo de uma menina bonitinha, Carla Dauden, uma brasileira que mora em Los Angeles, falando contra a Copa do Mundo. Na descrição do vídeo ela diz que tinha feito o vídeo antes dos protestos (talvez para justificar a produção apurada), mas postou no dia 17 de junho . Carla diz Mais de 2 milhões de pessoas o viram. De novo, em inglês com legendas. Pretensamente para o exterior, mas de novo a maioria dos comentários é brasileiro. Ou seja, são para jovens que falam inglês. Diz mentiras como que os custos do evento teriam sido 30 bilhões de dólares, o que parece que os estádios custaram isso. Quando na verdade os custos reais são 28 bilhões de dólares, a maior parte em obras de mobilidade urbana, não estádios – veja o vídeo aqui http://youtu.be/ZApBgNQgKPU Mas quem está checando acusações?

Prestem atenção. A soma de apenas esses 3 vídeos somente deu 5 milhões de visualizações no Youtube.

21/06/2013

gritemos todos contra o fascismo que se aproxima!!!!




Será que o brasil vai aceitar uma ditadura? E o Brasil vive o que? Só vão trocar o governo e aproveitar o caos para barbarizarem os movimentos sociais e a real oposição.Essa é a resposta da ditadura ao movimento popular para se manter. Eu não estou defendendo o PT. A globo não meteu um milhão de pessoas na rua a toa. A PM dos estados está descontrolada.

Pedro Rios Leao, no facebook



apesar de vocês no meio do caminho, fascistas infelizes...

apesar dos fascistóides cretinos
pobres de espíritos e bestas feras 'apartidárias',
a história se faz também com poesia

gorar o ovo dos fascistas: tarefa das esquerdas e dos movimentos populares

O day-after: implicações de uma vitória


A vitória superlativa das ruas com a reversão do reajuste tarifário em SP foi saboreada pelos dirigentes do MPL com um misto de euforia e alívio.
A continuidade dos protestos evidenciava uma crescente diluição do movimento nas tinturas de uma desqualificação do governo federal e das conquistas econômicas e sociais dos últimos dez anos.

A jovem liderança do MPL, que se declara de esquerda, admite que já não sabia como reverter a usurpação martelada pela mídia conservadora.
Há atitudes óbvias.
Incompreensivelmente ainda não adotadas por quem dispõe de todos os holofotes da boa vontade nesse momento.

Uma sugestão prosaica: convocar uma entrevista coletiva e desautorizar o dispositivo midiático conservador, que surfa na onda dos novos cara-pintadas para rejuvenescer a narrativa de um antipetismo histórico.

A abusada antecipação da campanha de 2014 inclui cenas -e ameaças-- de invasão de palácios, mesmo quando ocupados por governantes já comprometidos com a redução tarifária.
Essa era a agenda da 'comemoração da vitória' no RS, nesta 5ª feira.
Qual o propósito dessa 'sessão fotográfica' com data e hora marcada?

Aos integrantes do MPL não cabe o bônus da ingenuidade.
Embora jovens, souberam fixar um alvo de notável pertinência histórica.
A mobilização de massa pela tarifa zero e por uma cidade dos cidadão carrega a promessa de um chão firme do qual se ressente o planejamento democrático no país.

Só um movimento urbano forte, capaz de disputar a construção da cidade com a lógica do lucro imobiliário poderá reverter o caos das grandes metrópoles.
Se for a semente disso, o batismo de fogo do MPL, com todas as suas lacunas, já terá valido a pena.
Antes, porém, precisa se desvencilhar da carona oportunista que hoje embaralha a sua extração histórica e pode ferir de morte a credibilidade conquistada nas ruas.

Ao PT, o day-after, se caracterizar o espaço de uma trégua, deve abrigar uma desassombrada avaliação das razões pelas quais as ruas e uma parcela da juventude já não se expressam através do partido, de sua capilaridade e dos fóruns oferecidos até aqui por suas administrações.
Ao conjunto das forças progressistas, sobretudo os partidos de esquerda, cumpre a autocrítica mais aguda.

O sectarismo autodestrutivo que gerou um arquipélago de entes incomunicáveis abriu um vácuo no espectro das mobilizações de massa.
Nesse oco de alianças, choca o ovo da serpente que inocula na sociedade uma histérica rejeição à política e à organização democrática do conflito social.

O que se viu nesses 13 dias que abalaram o Brasil, mais uma vez, é que em política não existe vácuo.
A incapacidade da esquerda de fazer alianças com seus pares e, desse modo, oferecer uma agenda crível às angústias e anseios da cidadania, pavimentou o despontar de visões e concepções regressivas turbinadas pela mídia conservadora.

Foi só um aperitivo. Convém não esperar pelo banquete para reagir. A ver

20/03/2013

razões de um participante

Podemos carregar a infância
levá-la pela estrada até ao centro
das praças onde gritam.
Ninguém a vai pisar
e o que tivemos é apenas nosso
conforma-nos o rosto.

Isso não faz sentido, dizem.
Os que assim falam
não sabem que o presente
é passado e futuro
e que todo esse tempo nos completa
se o levarmos connosco
tentando ser alguém nas praças cheias.   

nuno dempster   - portugal  (1944  -   )

18/03/2013

fardas e batinas

A barbárie aconteceu na Argentina,  aconteceu no Brasil, aconteceu em tantos lugares da América Latina...
E  a Igreja Católica sempre esteve presente nesses países e nesses acontecimentos, de um lado ou de outro...

Por isso é importante relembrar, neste momento histórico em que um cardeal latinoamericano foi eleito papa... Com ele a Igreja irá se redimir de seus erros, com ele a Igreja irá ajudar a Latinoamérica, a Europa, o próprio mundo, enfim ajudará de fato o homem  a superar suas limitações e contradições, enquanto criatura ainda distante de se tornar de fato o "sal da terra", "luz do mundo" ?

Abaixo, um trecho de Carta Maior, relembrando:

"Na 6ª feira, dois dias depois, como relata o correspondente de Carta Maior, Eduardo Febbro, direto do Vaticano, o porta-voz da Santa Sé reclamou do que classificaria como ‘acusações caluniosas e difamatórias’ envolvendo o passado do Sumo Pontífice.

Em seguida atribui-as a ‘elementos da esquerda anticlerical’.
Alvo: o ‘Página 12’ .
Com ele, seu diretor, o jornalista Horácio Verbitsky, autor de um livro sobre o as suspeitas que ensombrecem a trajetória do cardeal Jorge Mário Bergoglio, durante a ditadura argentina.
A cúpula da Igreja acerta ao qualificar o ‘Página 12’ como ‘de esquerda’ – algo que ostenta e do qual se orgulha praticando um jornalismo analítico, crítico, ancorado em fatos.

Mas erra esfericamente ao espetá-lo como ‘anticlerical’.
O destaque que o jornal dispensa ao tema dos direitos humanos não se restringe ao caso Bergoglio."

Leia na íntegra

17/03/2013

vida


Não sei
o que querem de mim essas árvores
essas velhas esquinas
para ficarem tão minhas só de as olhar um momento.

Ah! se exigirem documentos aí do Outro Lado
extintas as outras memórias
só poderei mostrar-lhes as folhas soltas de um álbum de imagens:
aqui uma pedra lisa, ali um cavalo parado
ou
uma
nuvem perdida
perdida...

Meu Deus, que modo estranho de contar uma vida!

mario quintana  - brasil  (1906  - 1994)

um pouco de paz


Crianças que acordam
Mulheres que lavam roupa de manhã
Homens que escrevem poemas s o b r e:


Crianças
              que acordam


Mulheres
              que lavam roupa de manhã


Homens
              que escrevem poemas


wolf biermann - alemanha (1936 -    )

13/03/2013

só para relembrar: quo vadis pedro?



Claro que não é culpa da Igreja Católica a persistência da contradição entre, de um lado, a opulência, o luxo e a ostentação e, de outro, a miséria e o desamparo.

Ocorre que a tarefa, a razão mesma de ser da Igreja Católica é, ou deveria ser, fazer aquilo que estivese ao seu alcance para que, de fato,  a história humna pudesse progredir dialeticamente rumo à superação de estruturas  que se alimentam dessa contradição.

Afinal, a Igreja, mais do qualquer outra instância humana, vem se propondo, ao longo de milênios já, a ser a guardiã do testemunho do poeta-peregrino da Galiléia, a Igreja se propõe a não deixar que a "luz do mundo" se apague.

E neste momento de eleição de um novo papa, é oportuno lembrar a iamgem abaixo, só para não esquecer que, se depender do Poder de Roma, parece que a "luz do mundo" continua correndo sérios riscos de se apagar, ou de se enfraqueceer perigosamente. Quo vadis, Pedro?    

"O PÃO QUE SOBRA À RIQUEZA 
REPARTIDO PELA RAZÃO 
MATAVA A FOME À POBREZA 
E AINDA SOBRAVA PÃO"
imagem compartilhada do face de claudia.madeira











papa francisco: de novo mais do mesmo?

Há temas ou situações que, apesar do espetaculoso que as cerca,  não precisam de um caminhaõ de palavras paar sewrem dissecadas, explicadas, compreendidas satisfatoriamente, memso que não esgotadas completamente - afinal quase nada o é.

E, infelizmente (mas no fundo, como era de se esperar) a eleição do novo papa, se feita por observadoress de viésprogressista, é uma dessas situações que um bom texto desnuda, sem necesidade de pirotecnias verbais e intelectuias.
E, se corretas as suas afirmações factuais acerca do novo papa, o texto de Laerte Braga, abaixo transcrito,  cumpre com   presteza e inventividade essa tarefa de reduzir o fato a suas devidas proporções.

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E DEU MARADONA
Laerte Braga

Excesso de virtudes, na visão do escritor inglês Aldous Huxley, não significa compreensão da vida em sua essência, em seu sentido e em sua razão de ser. Pode significar orgulho, pode levar a pessoa a um afastamento gradativo da realidade, como pode significar mesquinharia.

Jorge Mario Bergoglio, o cardeal argentino eleito papa, Francisco, não é mesquinho e nem alheio à vida, isolado da realidade. Suas virtudes são políticas. É um dos mais duros críticos do governo da presidente Cristina Kirchner, foi protocolocar na condenação à ditadura naquele país e a despeito do voto de pobreza, vive dentro do sistema, mantém a igreja atrelada a conceitos medievais, agora, recheados com uma camada de chantili para dar a impressão de modernidade, ou tornar-se palatável. Por baixo dessa camada não existe marrom glacê, mas um osso duro de roer e à direita, dentro dos padrões do Vaticano.

Bergoglio não chega, necessariamente, a ser uma surpresa. No conclave que escolheu Ratzinger foi o segundo mais votado. Chegou ao Vaticano com um cacife eleitoral razoável. Sobre o brasileiro Odilo Scherer leva a vantagem de ser dissimulado (isso conta para a hipocrisia de Roma).

As mudanças serão de estilo e não de fundo. Deve tentar influir politicamente em seu país, nunca escondeu e de forma pública sua aversão tanto a Néstor Kirschner, quanto a sua mulher Cristina. A despeito de críticas a economia de mercado, nunca manifestou um ponto de vista conclusivo, apenas circundou os problemas de seu país, mais ou menos como faziam os antigos políticos do ex-PSD do Brasil. “Nem contra, nem a favor, muito antes pelo contrário, revendo meu ponto de vista.

No caso específico não estava e nunca esteve revendo nada. Exceto no que diz respeito a presidente Cristina.
Entre suas virtudes escondidas, o poder. A busca do poder é uma de suas características. Lembra João Paulo II, um produto de marketing. Sorri, enquanto sangram nos porões da monarquia absoluta que é a igreja, os seus adversários.

É jesuíta, uma ordem tradicionalmente conservadora e que durante muito tempo ignorou ou manteve-se alheia ao poder de Roma. Seu superior era chamado de “papa negro”. Começou a perder essa característica quando João Paulo II pôs fim a ela. Submeteu os jesuítas, fundado por Santo Inácio de Loiola um militar espanhol.
Um sujeito comum que só tenha virtudes é, em si, um chato. Um papa virtuoso é o sinal que latino-americanos terão problemas com as ingerências do Vaticano em questões políticas, principalmente, em países que buscam a independência plena, sem o controle de Washington.
Não há mudança alguma na igreja. Um novo showman foi eleito para gerir o Vaticano.

Essa é outra vantagem sobre o brasileiro Odilo Scherer. A falta de jogo de cintura, que sobra no argentino. No fundo são iguais. Ao dizer que os homossexuais “merecem respeito”, não está nem de longe discutindo o problema. Esta mantendo o estigma, a hipocria bem conhecida nos documentos secretos do papa anterior. Ao ser contra o aborto está deixando claro que nenhum dos dogmas férreos da Idade Média serão substituídos, ou revistos, apenas atenuados no discurso. Mas as câmaras de injeções letais do Vaticano continuarão nos cantos soturnos dos palácios papais do Vaticano.

Franciso talvez garanta a igreja uma sobrevida depois do fiasco Bento XVI. Mas só isso.
É uma espécie de canto da sereia, só isso. Ilude o pescador e o leva para o fundo do mar no atraso crônico de uma instituição em estado falimentar. Isso quer dizer perigo. Vem respaldado por forças conservadoras que podem causar estragos ponderáveis, sobretudo na América Latina, principalmente na Argentina.
Está longe de ser um Maradona, um Néstor Rossi, um Alfredo Di Stéfano.
E um detalhe, ironia ou não, o jornal brasileiro dedicado aos esportes, LANCE, chamou na edição de hoje, quarta-feira, antes da escolha de Francisco, o jogador argentino Lionel Messi de papa. Foi pelo desempenho no jogo de terça-feira contra a equipe da Milan.

Francisco não é uma incógnita. É a continuidade do atraso da igreja romana. Sua dimensão pode ser, inclusive, a de enfrentar os evangélicos, grupo de malucos que tenta roubar a primazia do contato divino que sempre foi privilégio do Vaticano.

13/01/2013

confissão em dezembro

pedi sempre ao outro, com dureza
que olhasse as coisas de frente
mas eu não as olhei

todas as minhas condenações
conservaram-se durante anos à minha frente

mas eu não soube segui-las

não soube segui-las

não soube compreendê-las

não pude decifrá-las

até ao fim

nunca
soube levar nada

até ao fim

só a juventude passa,
só a alegria passa,
só a vida passa
só ela, a minha culpa inteira, perdura

nunca
soube levar nada
até ao fim

sempre pedi com dureza ao outro
que olhasse as coisas de frente,

mas eu voltei o rosto


e agora que nada espero

a minha esperança

é mais forte do que nunca

dorin popa - romênia  (1955 -  )

10/01/2013

a pólvora molhada da mídia

O paiol da pólvora molhada: em 48 hs o dispositivo midiático disparou quatro 'furos' na praça; a saber:
a) a manchete falsa de que o MP 'já decidiu investigar' Lula;
b) um 'apagão' ejaculado pelos parceiros ideológicos do 'iluminismo' de 2001;
c) uma crise institucional na Venezuela, onde o Supremo recusou o papel de comodato conservador e
d) a candidatura 'renovadora' de Aécio, recebida com ceticismo pela elite a quem pretende representar. Bucaneiros da pólvora molhada não desistirão; a ordem é gastar o paiol em 2013.

09/01/2013

femen x bbb: mulheres militantes x mulheres/homens estupidificados

Embora tenha chegado com atraso, vale a divulgação, para conhecimento,  desse protesto das garotas do Femen/BR. Finalmente,,  aqui e ali começam a pipocar ações concretas contra essa absurda e patética (mas nada inocente) ofensa a tudo o que ainda resta de decente e  digno nas sociedades escravizadas pelo decrépito capitalismo.

E, com certeza, nada desses protestos vai sair na Rede Bobo e, claro, nem mesmo nas emissoras concorrentes - o que não tem nada de estranho, afinal é tudo farinha da mesma mídia. Segue o convite, atrasado,  do Femen.

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Convidamos a imprensa/programas de TV/mídia em geral p/ cobrirem o protesto do Femen Brazil no BBB (Big Brother Brasil)
Local: Shopping Santana, Zona norte de São Paulo Capital
Horário: Entre as 22h e 00h (depende da transmissão ao vivo da rede Globo)
Data: Terça-feira 08/01/13

Objetivo: Basicamente é uma luta contra a alienação do povo.
Fazer a população brasileira reagir a problemas de extrema relevância, como por exemplo a fome, miséria, a violência, o abuso de autoridade, as guerras, a saúde e educação falidas, o tráfico de pessoas, a exploração sexual, a corrupção, etc.
É nossa missão fazer com que o povo acorde e lute pelo que almeja, que reaja a situações como as citadas acima, fazer de nossa cultura menos comodista.

Quando programas como Big brother entram no ar, levam a população a uma espécie de transe, e é preciso que ela desperte e lute.
Nós do Femen Brazil não temos absolutamente nada contra o Big Brother ou Big Brother Brasil, entretanto este protesto se trata de uma tentativa de cobrar dos brasileiros que lutem e se inspirem tanto para resolver outros problemas, da mesma forma que fazem com o programa.

O Protesto:
3 ativistas do Femen Brazil, Sara Winter (20), Anna Steel (19) e Amanda Roseo-Alba (25) tentarão se aproximar da casa de vidro dentro do shopping Santana, gritando, sobre o povo acordar para a miséria brasileira e empunhando cartazes com a mesma temática: "Enquanto você vê Big Brother se esquece da miséria", "Big Brother instead of the big problems".



Chiapas e os zapatistas: vivos e fortes!

Para quem ainda não conhece as idéias, propostas e um pouco da relidade do Exército Zapatista (México), abaixo segue um texto divulgado pelo EZLN - num estilo poético e profético de propor a  ação política, como é próprio nos comunicados do Subcomandante Marcos

COMUNICADO DO CCRI-CG DO 
EXÉRCITO ZAPATISTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL, MÉXICO.

Comunicado 3. La Jornada, 31/12/2012

Ao povo do México: Aos povos e governos do mundo: Irmãos e irmãs: Companheiros e companheiras:
Em 21 de dezembro de 2012, de madrugada, em dezenas de milhares de indígenas zapatistas, nos mobilizamos e tomamos, pacificamente e em silêncio, 5 cabeceiras municipais no estado de Chiapas, no sudeste mexicano.
 
Nas cidades de Palenque, Altamirano, Las Margaritas, Ocosingo e San Cristóbal de las Casas, olhamos para vocês e olhamos para nós mesmos em silêncio. A nossa não é uma mensagem de resignação. Não é de guerra, de morte e destruição. Nossa mensagem é de luta e resistência. Depois do golpe de Estado da mídia que instalou no poder executivo federal a ignorância mal-dissimulada e pior maquiada, nos fizemos presentes para fazer-lhes saber que se eles nunca se foram, tampouco isso aconteceu conosco.
 
Há seis anos, um segmento da classe política e intelectual saiu à procura de um responsável pela sua derrota. Naquele tempo, nós estávamos em cidades e comunidades, lutando por justiça para um Atenco que, naquele momento, não estava na moda. Neste ontem, primeiro nos caluniaram, e depois quiseram nos calar. Incapazes e desonestos para ver que têm em si mesmos o fermento de sua ruína, pretenderam nos fazer desaparecer com a mentira e o silêncio cúmplice.
 
Seis anos depois, as coisas estão claras: Eles não precisam de nós para fracassar. Nós não precisamos deles para sobreviver. Nós, que nunca fomos embora, ainda que os meios de comunicação tenham se empenhado em fazer-lhes crer isso, ressurgimos como indígenas zapatistas que somos e seremos. Nestes anos, temos nos fortalecido e temos melhorado significativamente nossas condições de vida.
 
Nosso nível de vida é superior ao das comunidades indígenas em sintonia com os governos de plantão, que recebem as esmolas e as submergem em álcool e artigos inúteis. Nossas casas são melhoradas sem prejudicar a natureza impondo a ela caminhos que lhe são estranhos. Em nossos povoados, a terra que antes servia para engordar o gado de fazendeiros e proprietários de terras, agora é para o milho, o feijão e as hortaliças que iluminam nossas mesas.
 
Nosso trabalho recebe a dupla satisfação de prover-nos do necessário para viver honradamente e de contribuir no crescimento coletivo de nossas comunidades. Nossas crianças vão a uma escola que lhes ensina sua própria história, a de sua pátria e a do mundo, bem como as ciências e as técnicas necessárias para engrandecer-se sem deixar de ser indígenas. As mulheres indígenas zapatistas não são vendidas como mercadorias. Os indígenas priistas vão nos nossos hospitais, clínicas e laboratórios porque nos do governo não há remédios, nem equipamentos, nem médicos, nem pessoal qualificado.
 
Nossa cultura floresce, não isolada e sim enriquecida pelo contato com as culturas de outros povos do México e do mundo. Governamos e nos governamos a nós mesmos, buscando sempre primeiro o acordo no lugar da confrontação. Tudo isso não só foi conseguido sem o governo, sem a classe política e os meios de comunicação que a acompanham, mas também resistindo a seus ataques de todos os tipos, Mais de uma vez, temos demonstrado que somos quem somos.
 
Com nosso silêncio nos fizemos presentes. Agora, com nossa palavra anunciamos que:
Primeiro. Reafirmaremos e consolidaremos nossa integração no Congresso Nacional Indígena, espaço de encontro com os povos originários do nosso país.
 
Segundo. Retomaremos o contato com nossos companheiros e companheiras aderentes da Sexta Declaração da Selva Lacandona no México e no mundo.
 
Terceiro. Tentaremos construir as pontes necessárias em direção aos movimentos sociais que têm surgido e surgirão, não para dirigir ou suplantar, e sim para aprender deles, de sua história, de seus caminhos e destinos. Para isso, temos conseguido o apoio de indivíduos e grupos em vários lugares do México, conformados como equipes de apoio das comissões Sexta e Internacional do EZLN, de modo que se transformem em correias de comunicação entre as bases de apoio zapatistas e os indivíduos, grupos e coletivos aderentes à Sexta Declaração no México e no mundo, que ainda mantêm sua convicção e compromisso com a construção de uma alternativa não institucional de esquerda.
 
Quarto. Continuará nossa distância crítica frente à classe política mexicana que, em seu conjunto, não fez nada mais do que prosperar às custas das necessidades e das esperanças do povo humilde e simples.
 
Quinto. Em relação aos maus governos federais, estaduais e municipais, executivos, legislativos e judiciários e dos meios de comunicação que os acompanham, dizemos quanto segue: Os maus governos de todo o âmbito político, sem nenhuma exceção, têm feito o possível para nos destruir, para nos comprar, para nos render. PRI, PAN, PRD, PVEM, PT, CC e o futuro partido de RN [Renovação Nacional] têm nos atacado militar, política, social e ideologicamente. Os grandes meios de comunicação tentaram nos fazer desaparecer, com a calúnia servil e oportunista antes, com o silêncio cúmplice depois. Aqueles aos quais serviram e de cujos dinheiros de amamentaram não estão mais aí. E aqueles que agora os substituem não durarão mais do que seus predecessores.
 
Como tem se tornado evidente em 21 de dezembro de 2012, todos têm fracassado. Resta então ao governo federal, executivo, legislativo e judiciário, decidir se reincide na política contra-insurrecional que tem conseguido só uma frágil simulação torpemente sustentada no manejo da mídia, ou se reconhece e cumpre seus compromissos elevando a nível constitucional os direitos e a cultura indígenas, assim como o estabelecem os chamados "Acordos de San Andrés", assinados pelo governo federal em 1996, então encabeçado pelo mesmo partido que agora está no executivo.
 
Ao governo estadual resta decidir se continua com a estratégia desonesta e ruim de seu predecessor que, além de corrupto e mentiroso, empregou dinheiros do povo de Chiapas no enriquecimento próprio e de seus cúmplices, e se dedicou à compra descarada de vozes e homenagens nos meios de comunicação, enquanto mergulhava o povo de Chiapas na miséria e ao mesmo tempo em que fazia uso de policiais e paramilitares para tratar de frear o avanço organizativo dos povos zapatistas; ou, em vez disso, com verdade e justiça, aceita e respeita nossa existência e se faz a idéia de que floresce uma nova forma de vida social em território zapatista, Chiapas, México.
 
Florescer que atrai a atenção de pessoas honestas em todo o planeta. Resta aos governos municipais decidir se continuam tragando as rodas de moinho com as quais as organizações antizapatistas ou supostamente "zapatistas" os extorquem para agredir nossas comunidades; ou, melhor, se usam esses dinheiros para melhorar as condições de vida de seus governados. Resta ao povo do México que se organiza em formas de luta eleitoral e resiste, decidir se continua vendo em nós os inimigos e rivais em quem descarregar sua frustração pelas fraudes e agressões que, afinal, todos sofremos, e se em sua luta pelo poder continuam se aliando com nossos perseguidores, ou, por fim, reconhecem em nós outra forma de fazer política.
 
Sexto. Nos próximos dias, o EZLN, através de suas comissões Sexta e Internacional, divulgará uma série de iniciativas, de caráter civil e pacífico, para continuar caminhando junto a outros povos originários do México e de todo o continente, e junto àqueles que, no México e no mundo inteiro, resistem e lutam embaixo e à esquerda. Irmãos e irmãs: Companheiros e companheiras: Antes, tivemos a boa ventura de uma atenção honesta e nobre de vários meios de comunicação. Então, os agradecemos por isso.
 
Mas isso foi completamente apagado com sua atitude posterior. Aqueles que apostaram que só existíamos na mídia e que, com o cerco de mentiras e silêncio, desapareceríamos, se equivocaram. Quando não havia câmaras, microfones, homenagens, ouvidos e olhares, existíamos. Quando nos caluniaram, existíamos. Quando nos silenciaram, existíamos. E aqui estamos, existindo. Nosso andar, como ficou demonstrado, não depende do impacto da mídia, e sim da compreensão do mundo e de suas partes, da sabedoria indígena que rege nossos passos, da decisão inquebrantável que dá a dignidade de baixo e à esquerda.
 
A partir de agora, nossa palavra começará a ser seletiva em seu destinatário e, salvo em determinadas ocasiões, só poderá ser compreendida por aqueles que têm caminhado e caminham conosco sem render-se às modas conjunturais e da mídia. Por aqui, com não poucos erros e muitas dificuldades, outra forma de fazer política já é realidade. Poucos, muito poucos, terão o privilégio de conhecê-la e aprender dela diretamente. Dezenove anos atrás, os surpreendemos tomando com fogo e sangue suas cidades. Agora fizemos isso de novo, sem armas, sem morte, sem destruição.
 
Assim, nos diferenciamos daqueles que, durante seus governos, distribuíram e distribuem morte entre seus governados. Somos os mesmos de 500 anos atrás, de 44 anos atrás, de 30 anos atrás, de 20 anos atrás, de apenas alguns dias atrás. Somos os zapatistas, os mais pequenos, os que vivem, lutam e morrem no último lugar da pátria, os que não claudicam, os que não se vendem, os que não se rendem.
 
Irmãos e irmãs: Companheiros e companheiras: Somos zapatistas, recebam nosso abraço. Democracia! Liberdade! Justiça! Das montanhas do Sudeste Mexicano. Pelo CCCRI-CG do Exército Zapatista de Libertação Nacional. Subcomandante Insurgente Marcos. México, Dezembro de 2012 - Janeiro de 2013.

06/01/2013

sobre o jornalismo decrépito e cretino

Indícios de conspiração contra a democracia em todo o mundo
J. Carlos de Assis,   em  carta maior

Em 1983, bem antes do fim da ditadura, denunciei três grandes escândalos financeiros urdidos nos bastidores do sistema autoritário, os quais ficaram conhecidos como o caso Delfin-BNH, o caso Coroa-Brastel e o caso Capemi. Foi a inauguração do jornalismo investigativo na área econômica no Brasil, contribuindo fortemente para a desmoralização do regime. Era investigação jornalística crua: sem Polícia Federal, que só pensava em prender opositores políticos; sem Ministério Público, sem CPI, sem quebra de sigilos, sem escuta telefônica.

Trabalhei exclusivamente a partir de documentos vazados por empregados e funcionários públicos insatisfeitos com a corrupção em suas empresas ou instituições, e com depoimentos verbais rigorosamente conferidos por no mínimo três testemunhas. Nunca fui processado por civis que eventualmente questionassem minhas afirmações. Fui processado, sim, por dois ministros de Estado com base na antiga Lei de Segurança Nacional, aquela que criminalizava a intenção subjetiva, e não só os atos supostamente contra o regime.

Escapei de condenação porque o juiz militar de primeira instância entendeu que, ao contrário do que a LSN não previa, me devia ser dado fazer a prova da verdade. Não precisei fazer. Na verdade, já estava feita nas reportagens. Com isso os ministros, um deles chefe do SNI, o outro da Agricultura, desistiram da ação. Comparo isso, em pleno regime militar, com o jornalismo dito investigativo que tem sido feito no Brasil em pleno regime democrático. É o jornalismo da espionagem, da invasão da privacidade, da exposição pública de suspeitos, do achincalhe de inocentes, da opinião prevalecendo sobre a informação.

Na verdade, não existe hoje no Brasil (e no mundo) algo que mereça mais uma investigação jornalística séria do que o próprio jornalismo. Luís Nassif e Paulo Henrique Amorim vêm fazendo esse papel. Eu costumo rejeitar teorias conspiratórias, mas neste caso as evidências são óbvias. Uma delas vem de fora, o caso Murdoch, da Fox . Na Inglaterra, ele montou um sistema de espionagem de centenas de personalidades para alimentar um jornalismo de chantagem do sistema político. Nos EUA, ele tentou inventar um candidato a presidente da República que seria apoiado por seu império de comunicação.
Qual é o pano de fundo dessas atividades jornalísticas criminosas, que põem em risco até as maiores e mais antigas democracias do mundo? A pista é o próprio Murdoch, o bilionário das comunicações. A articulação da grande mídia com as grandes corporações mundiais, notadamente os bancos, constitui uma base de poder incomparável nas democracias. Os bancos financiam a mídia para que a mídia faça a lavagem cerebral nos eleitores em defesa de seus interesses. A isso se deveu o sucesso ideológico espetacular do neoliberalismo nas últimas décadas. (Vejam aqui as críticas da mídia à queda dos juros!)

O processo foi facilitado pela desestruturação da União Soviética. Durante o governo Yeltsin, a imensa máquina de espionagem russa ficou completamente desamparada e sem objeto, até que foi em parte recuperada por Putin. No intervalo, porém, muitos espiões ficaram virtualmente sem emprego na Rússia e no mundo. A meu ver, boa parte deles foi recrutada por corporações jornalísticas inescrupulosas como jornalistas ou simples informantes remunerados por “trabalho”, e colocada a serviço dos sistemas financeiros.

E no Brasil, o que está acontecendo? Primeiro, há um problema estrutural no mercado jornalístico. Sob pressão da Internet, que comanda o processo de produção de notícias, o espaço dos jornais se estreitou. Para sobreviver lhes resta o campo da análise, da crítica, do lazer etc. Mas e as revistas? Bem, as revistas ficaram com um espaço ainda menor. Sua circulação está caindo, com ela a publicidade. Para reagirem, só têm o espaço do escândalo. E para publicar escândalos contratam espiões, dos quais os jornalistas são meros redatores.

Não é possível com os meios de que disponho fazer prova direta disso, mas é só prestar atenção nas indiretas. Quem publica escândalo semana sim, semana não? Quem contrata espiões como informantes, tal como ficou comprovado na CPI do Cachoeira, infelizmente abortada? Quem obtém (ou compra) da Polícia Federal fitas com degravações de escutas telefônicas sigilosas? Quem tem acesso a processos do Ministério Público ainda protegidos por sigilo? Quem manipula parlamentares com chantagens?

Pessoas de boa fé acreditam que essa é a única forma de identificar corruptos. Minha experiência, como indicada acima, diz que não é. Além disso, a maioria dos corruptos se protege, nada de ilegal tratando por telefone. Mas o que acontece quando há um corrupto na linha grampeada por ordem judicial falando com Deus e o mundo? Podem ser centenas, e grande parte inocente. Mas sua privacidade é invadida e colocada à mão de policiais que, se forem corruptos, têm ali farto material de chantagem. Por acaso alguém controla isso, já que tudo pode vazar impunemente?

É claro que toda essa situação coloca um desafio e um risco imenso para a democracia no Brasil. A ameaça maior é que a violação de direitos recorrentemente praticada pela mídia está sob a bandeira de um bem público maior, a liberdade de imprensa. Não é conveniente jogar fora o bebê com a água da bacia. Contudo, é preciso aproveitar algum fato concreto para se criar uma CPI. Além disso, o Executivo deveria reorganizar seu sistema de informações, talvez criando uma Agência Nacional de Segurança como os EUA, integrando numa só estrutura órgãos que hoje se encontram sem qualquer supervisão e controle.

05/01/2013

o começo do fim da estupidez ocidental?

Estamos indo de mal a pior, mas há brotos no deserto

Se considerarmos a forma como os donos do poder estão enfrentando a crise sistêmica de nosso tipo de civilização podemos dizer que estamos indo de mal a pior. Um balanço do micro, por outro lado, nos revela que estamos assistindo, esperançosos, ao brotar de flores no deserto.
Leonardo Boff

A realidade mundial é complexa. É impossível fazer um balanço unitário. Tentarei fazer um atinente à macro-realidade e outro à micro. Se considerarmos a forma como os donos do poder estão enfrentando a crise sistêmica de nosso tipo de civilização, organizada na exploração ilimitada da natureza, na acumulação também ilimitada e na consequente criação de uma dupla injustiça: a social com as perversas desigualdades em nível mundial e a ecológica com a desestruturação da rede da vida que garante a nossa subsistência e se, ainda tomarmos como ponto de aferição a COP 18 realizada neste final de ano em Doha no Qatar sobre o aquecimento global, podemos, sem exagero dizer: estamos indo de mal a pior. A seguir este caminho encontraremos lá na frente e, não demorará muito, um “abismo ecológico”.

Até agora não se tomaram as medidas necessárias para mudar o curso das coisas. A economia especulativa continua a florescer, os mercados cada vez mais competitivos –o que equivale dizer – cada vez menos regulados e o alarme ecológico corporificado no aquecimento global posto praticamente de lado. Em Doha só faltou dar a extrema-unção ao Tratado de Kyoto. E por ironia se diz na primeira página do documento final que nada resolveu, pois protelou tudo para 2015:”a mudança climática representa uma ameaça urgente e potencialmente irreversível para as sociedades humanas e para o planeta e esse problema precisa ser urgentemente enfrentado por todos os países”. E não está sendo enfrentado. Como nos tempos de Noé, continuamos a comer, a beber e a arrumar as mesas do Titanic afundando, ouvindo ainda música. A Casa está pegando fogo e mentimos aos outros que não é verdade.
Vejo duas razões para esta conclusão realista que parece pessimista. Diria com José Saramago: ”não sou pessimista; a realidade é que é péssima; eu sou é realista”. A primeira razão tem a ver com a premissa falsa que sustenta e alimenta a crise: o objetivo é o crescimento material ilimitado (aumento do PIB), realizado na base de energia fóssil e com o fluxo totalmente liberado dos capitais, especialmente especulativos.

Essa premissa está presente em todos os planejamentos dos países, inclusive no brasileiro. A falsidade desta premissa reside na desconsideração completa dos limites do sistema-Terra. Um planeta limitado não aquenta um projeto ilimitado. Ele não possui sustentabilidade. Aliás, evita-se a palavra sustentabilidade que vem das ciências da vida; ela é não-linear, se organiza em redes de interdependências de todos com todos que mantem funcionando todos os fatores que garantem a perpetuação da vida e de nossa civilização. Prefere-se falar em desenvolvimento sustentável, sem se dar conta de que se trata de um conceito contraditório porque é linear, sempre crescente, supondo a dominação da natureza e a quebra do equilíbrio ecossistêmico. Nunca se chega a nenhum acordo sobre o clima porque os poderosos conglomerados do petróleo influenciam politicamente os governos e boicotam qualquer medida que lhes diminua os lucros e não apoiam por isso as energias alternativas. Só buscam o crescimento anual do PIB.

Este modelo está sendo refutado pelos fatos: não funciona mais nem nos países centrais, como o mostra a crise atual nem nos periféricos. Ou se busca um outro tipo de crescimento que é essencial para o sistema-vida, mas que por nós deve ser feito respeitando a capacidade da Terra e os ritmos da natureza, ou então encontraremos o inominável.
A segunda razão é mais de ordem filosófica e pela qual me tenho batido há mais de trinta anos. Ela implica consequências paradigmáticas: o resgate da inteligência cordial ou emocional para equilibrar o poderio destruidor da razão instrumental, sequestrada já a séculos pelo processo produtivo acumulador. Com nos diz o filósofo francês Patrick Viveret “a razão instrumental sem a inteligência emocional pode perfeitamente nos levar a pior das barbáries”(Por uma sobriedade feliz, Quarteto 2012, 41); haja vista o redesenho da humanidade, projetado por Himmler e que culminou com a shoah, a liquidação dos ciganos e dos deficientes.

Se não incorporarmos a inteligência emocional à razão instrumental-analítica, nunca vamos sentir os gritos da Mãe Terra, a dor das florestas abatidas e a devastação atual da biodiversidade, na ordem de quase cem mil espécies por ano (E.Wilson). Junto com a sustentabilidade deve vir o cuidado, o respeito e o amor por tudo o que existe e vive. Sem essa revolução da mente e do coração iremos, sim, de mal a pior.
Veja meu livro: Proteger a Terra-cuidar da vida: como evitar do fim do mundo, Record 2010.

Balanço anual no micro: brotos no deserto

Desde Santo Agostinho (em cada homem há simultaneamente um Adão e um Cristo), passando por por Abelardo (sic et non), por Hegel e Marx e chegando a Leandro Konder sabemos que a realidade é dialética.
Vale dizer, ela é contraditória porque os opostos não se anulam mas se tensionam e convivem permanentemente gerando dinamismo na história. Isso não é um defeito de construção mas a marca registrada do real.

Ninguém melhor o expressou que o pobrezinho de Assis ao rezar: onde houver ódio que eu leve o amor, onde houver trevas que eu leve a luz, onde houver erros que eu leve a verdade… Não se trata de negar ou anular um dos polos, mas de optar por um, o luminoso e reforçá-lo a ponto de impedir que o outro negativo não seja tão destrutivo.

A que vem esta reflexão? Ela quer dizer que o mal nunca é tão mau que impeça a presença do bem; e que o bem nunca é tão bom que tolha a força do mal. Devemos aprender a negociar com estas contradições. Num artigo anterior tentei um balanço do macro, negativo; assim como estamos, vamos de mal a pior.

Mas dialeticamente há o lado positivo que importa realçar. Um balanço do micro nos revela que estamos assistindo, esperançosos, ao brotar de flores no deserto. E isso está ocorrendo por todas as partes do planeta. Basta frequentar os Fórums Sociais Mundiais e as bases populares de muitas partes para notar que vida nova está explodindo no meio das vítimas do sistema e mesmo em empresas e em dirigentes que estão abandonando o velho paradigma e se põem a construir uma Arca de Noé salvadora.
Anotamos alguns pontos de mutação que poderão salvaguardar a vitalidade da Terra e garantir nossa civilização.

O primeiro é a superação da ditadura da razão instrumental analítica, principal responsável pela devastação da natureza, mediante a incorporação da inteligência emocional ou cordial que nos leva a envolvermo-nos com o destino da vida e da Terra, cuidando, amando e buscando o bem-viver.

O segundo é o fortalecimento mundial da economia solidária, da agroecologia, da agricultura orgânica, da bioeconomia e do ecodesenvolvimento, alternativas ao crescimento material via PIB.

O terceiro é o ecosocialismo democrático que propõe uma forma nova de produção com a natureza e não contra ela e uma necessária governança global.

O quarto é o bioregionalismo que se apresenta como alternativa à globalizaçãohomogeneizadora, valorizando os bens e serviços de cada região com sua população e cultura.

O quinto é o bem viver dos povos originários andinos que supõe a construção do equilíbrio entre seres humanos e com a natureza à base de uma democracia comunitária e no respeito aos direitos da natureza e da Mãe Terra ou o Indice de Felidadade Bruta do governo do Butão.

O sexto é a sobriedade condividida ou a simplicidade voluntária que reforçam a soberania alimentar de todos, a justa medida e a autocontenção do desejo obsessivo de consumir.

O sétimo é o visível protagonismo das mulheres e dos povos originários que apresentam um nova benevolência para com a natureza e formas mais solidárias de produção e de consumo.

O oitavo é a lenta mas crescente acolhida das categorias do cuidado como pré-condição para realizar uma real sustentabilidade. Esta está sendo descolada da categoria desenvolvimento e vista como a lógica da rede da vida que garante as interdependências de todos com todos assegurando a vida na Terra.

O nono é penetração da ética da responsabilidade universal, pois todos somos responsáveis pelo destino comum nosso e o da Mãe Terra.

O décimo é o resgate da dimensão espiritual, para além das religiões, que consente nos sentir parte do Todo, perceber a Energia universal que tudo penetra e sustenta e nos faz os cuidadores e guardiães da herança sagrada recebida do universo e de Deus.

Todas estas iniciativas são mais que sementes. Já são brotos que mostram a possível florada de uma Terra nova com uma Humanidade que está aprendendo a se responsabilizar, a cuidar e a amar, o que afiança a sustentabilidade deste nosso pequeno Planeta.