26/03/2020

Lázaro e Monsieur Corona - III

Tratando hoje de temas menos transcendentes e mais mundanos.
O prédio ao lado do meu sempre foi surpreendente, no que tange às manifestações de seus moradores, ainda mais agora em tempos de Corona.
Ontem à noite um sujeito decidiu fazer uma espécie de treinamento na garagem do prédio. Suponho que seja um instrutor de um curso ou um jogo qualquer, que, para não perder sua necessária renda, deve ter proposto aos alunos treinarem ou jogarem no prédio dele.
Até aí, tudo certo. É preciso se virar, sobreviver, afinal o desastre econômico que aguarda o maldito capitalismo, será talvez maior que o da crise de 1929. Aleluia!
Pode ser que o Corona seja a tão aguardada oportunidade para derrubarmos na sarjeta o gigante de pés de barro, destruir o seu castelo de areia, derrotar o tigre de papel, e por aí afora. Tudo vai depender do grau do colapso provocado por Monsieur Corona nas estruturas do Capital, da capacidade de mobilização do povo  e da organização das verdadeiras organizações de esquerda e das suas lideranças lúcidas, a exemplo de Rui Costa Pimenta e do PCO.
Voltando ao tal instrutor. O problema é que o sujeito é simplesmente uma máquina de berrar. Ele é patético ao dar as suas instruções. Esquece que não está numa dessas assépticas e enjoativas academias, que não está numa rua deserta, mas sim num local cercado de prédios e moradores.
Para além do comportamento fascista e primitivo, parece que a coisa envolve também um pouco de narcisismo. Aquelas coisas que a Psicanálise fala, acerca da necessidade de determinados sujeitos tem de se manifestar ruidosa e ostensivamente, em qualquer situação que seja. Aquilo que parece pura explosão de alegria, vitalidade ou espontaneidade, não passando de patética necessidade se exibir, de exibir o seu ego para os outros, exigir a atenção dos outros para o seu egozinho, que se acha tão atraente, tão admirado. Narciso tentando mostrar aos outros (atualmente de forma vulgar e fascista) que ele é Narciso, o cara. Às vezes é preciso recorrer à Psicanálise para entender essas manifestações, não dá pra ficar chamando Heidegger toda hora, mesmo porque seria covardia.
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Ah, mas tem que chamar Marx, um pouquinho que seja.
Vejamos. Apesar de minha perplexidade irritada com o fato, quis entender que treinamento era aquele, afinal precisamos estar sempre a par das maravilhosas novidades trazidas pela nossa colonizada classe média, copiadas geralmente das nova-iorques e miamis da vida; quanto à referência a essas cidades, não posso fazer nada, a falta de originalidade não é minha, há décadas a nossa diligente-criativa classe média repete o seu itinerário, fazer o quê?   
Sabe-se que a lógica que governa o capitalismo precisa, desesperadamente e sempre, criar novos produtos, serviços, sensações, hábitos; enfim, o capitalismo precisa, a cada dia, criar falsas necessidades humanas, para que não seja paralisada a sua implacável, gigantesca e estúpida máquina de fazer mercadorias e dinheiro, de fazer dinheiro através de mercadorias.
A famosa expressão de Marx: D – M – D+, dinheiro que se converte em mercadoria, para gerar mais dinheiro, e sempre mais, e mais, e  mais, e mais.
Enfim, apesar de ter sido obrigado a ouvir os berros do instrutor, por  quase duas horas, não consegui entender qual era aquela maravilhosa novidade, importada pela nossa colonizada e sempre deslumbrada classe média,  aquela nova mercadoria inventada pelo capitalismo para sustentar sua cada vez mais estúpida, desumana e imbecilizante.
Mas tudo indica que era uma espécie de treinamento ou entretenimento juvenil, baseado em jogos de guerra; bem a propósito desses tempos. Viva a pré-barbárie!
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Na outra ponto do prédio. Mais uma esforçada demonstração de como certa parcela da classe média coloca em prática o suposto conceito que ela faz de si própria: educada, discreta, respeitosa. Tá, sei. Vejamos.
Um casal, para ter companhia durante o confinamento, tomou a brilhante iniciativa de comprar um casal de calopsitas. Quem conhece esse pássaro, sabe como ele canta de maneira estridente, insistente e, pior, durante o dia inteiro. É um canto  repetitivo, monótono. E talvez desesperado.
Claro, já é moda, há uns tempos, criar esse pássaro, nos apartamentos de classe média e nas moradias populares.
Na sua pobreza existencial, os carcereiros desses pássaros, como aliás de todo tipo de pássaro, devem achar que essas infelizes criaturas cantam para alegrar seus pobres ouvidos.
Esses infelizes não têm a sensibilidade necessária para entender algo tão básico: eles cantam é de tristeza e desespero, por não poderem viver no ambiente para o qual vieram ao mundo. Ou seja, na vastidão e no frescor das alturas e do vento, no azul do céu e no cinza das tempestades. 
Até aqui nenhuma novidade, não valeria a pena gastar neurônios com essa estupidez e pobreza existencial, incrustada há séculos entre nós.
Mas de qualquer forma, fica o registro. Pois é simplesmente irritante ter que ficar o dia inteiro ouvindo o lamento repetitivo e estridente. E é patético, risível e constrangedor imaginar e  ouvir a alegria estúpida do casal carcereiro de classe média, que todas manhãs vai lá próximo da gaiola, como um reizinho e rainhazinha idiotas, a cantarolar junto com o seu pobre prisioneiro.
Fica difícil saber o que é mais lamentável: se os carcereiros reizinhos, com sua presunçosa alegria, ou se o irritante canto do pobre prisioneiro. Um canto poético, sim, um lamento desesperado, sim, mas também monótono, chato e estridente.
Uma absurda situação em que a beleza e a grandeza proporcionadas pelo Ser aos entes, se torna nada mais que tristeza, irritação e constrangimento.
Tudo bem que esse exemplo de pobreza existencial não veio com o capitalismo, já existia antes dele. Mas certamente que, com o advento do capitalismo, e com a sua irracionalidade e crueldade cada vez mais aceleradas, os absurdos humanos se multiplicam, encontram terreno fértil. 
Afinal, o alucinado fluxo de mercadorias não pode parar, é preciso produzir, circular, vender, consumir, e tudo se repetir indefinidamente, e desse ciclo infernal não escapam nem mesmo os pobres pássaros. E, claro, também não escapam os cãezinhos, que são reproduzidos, criados e conduzidos como se fossem pobres criaturas de plástico, como se não fossem cães de verdade. Mas essa é  questão para outro momento
*
E só pra reforçar: belo texto, que encontrei no site da soama, entidade de proteção aos animais, de Caxias do Sul: pássaros em gaiolas.
Quem sabe alguma coisa disso chegue aos pobres carcereiros de pássaros, pelo menos ao casal debilóide, que fica a ouvir o estridente e desesperado grito do casal de calopsitas e,  em seu patético narcisismo,  ainda deve achar que todos os vizinhos se deleitam com a lamentável e cruel invasão sonora.
Fico a imaginar o que está por vir, depois de dez, vinte, trinta dias de confinamento. 
*
O poema abaixo, de um amigo lá de Poté (vale do Mucuri),  seria um tapa na cara desses carcereiros estúpidos, se eles pudessem entendê-lo, claro . Aí, talvez compreendessem que existem no mundo coisas diferentes e tão preciosas como nós próprios.
presente, periquitante 
hoje
não mais que hoje
sinto - a vida existe
mesmo periclitante


porque sou quem sou
e se triste estou, brindarei
pássaros no céu
a voarem periquitantes

são coisas boas
são maiores que a gente
                                      vicente gonçalves (poté, mg)

24/03/2020

Lázaro e Monsieur Corona - II


Gosto de me levantar bem cedo em finais de semanas e feriados.  Aproveitar mais e melhor as brechas na estúpida escravidão moderna - ler, escrever, andar. Nesses longos meses em companhia de Monsieur Corona, então, será uma festa. 
Um pouco antes seis, caía uma chuvinha miúda, dessas que parecem silencioso lacrimejar, e imediatamente convidam à leitura de algum poeta metafísico: Rilke ou Hölderlin ou Drummond, Cecília ou Celan; algum poeta assim, que me fizesse companhia no acesso ao desvelar do Ser,  através do ente da chuva.
Assim, decidira fazer minha habitual visual ao Ser, indo até o Parque Municipal.
Na tensa tessitura das ruas, sob a dura concretude dos prédios e ensurdecido pelo estúpido ruído dos carros - e das mais ainda estúpidas e fascistas motos envenenadas - nesse cenário certamente é bem mais difícil conseguir se postar em frente, e em meio, à pura presença das coisas, com seu silêncio e singeleza.
Na solidão e quietude de alamedas, trilhas, gramados, de um recanto como o Parque, obviamente é muito mais tranquilo ter uma percepção pura da aparição dos entes, essa aparição que sempre traz consigo a fugidia presença do Ser: cada árvore, cada galho ou folhagem, um que outro pedação de pedra, uma porção de solo verde-vegetal, as miríades de amarelas florezinhas caídas, cada aparição dessas revela e esconde o singelo mistério do Ser. Não li o Heidegger de “O caminho do campo”, mas pelas suas  palavras em “Explicações da poesia de Holderlin”, imagino que seja para algo assim que ele se volta.
Mas entregue a esse começo de “diário” (ainda não me veio  uma palavra menos tola) o tempo passou, a convidativa chuvinha esfumou-se, como é praxe nesta época, começou a fazer calor, e adiei para de tardezinha minha aparição em meio às aparições dos entes que moram lá no espaço da Parque.
Já que assim, um pouco mais daqui, então: sou servidor público, trabalho na Secretaria de Educação, e estamos parcialmente dispensados do expediente. Está tudo ainda muito confuso, mas creio que em breve o Governo decretará suspensão total das atividades, com exceção do costumeiro Plantão.
Estou extremante preocupado com a situação de minha mãe  e de minha irmã, que moram no interior. Minha mãe está perto dos oitenta anos (grupo de risco) e ajuda a cuidar de minha irmã, que é portadora de uma doença rara (outro grupo de risco).
Além de minha mãe, que tudo supervisiona, passam pela casa delas, todos os dias e noites, mais três mulheres, cuidadoras. Situação de difícil enfrentamento, em épocas normais, imagine-se agora, com o advento do implacável Corona. A questão é que, todos os dias e noites,  as cuidadoras vão e voltam de suas casas, e aí o risco, tanto para elas, quanto para minha mãe e  irmã, são obviamente maiores; assustam, confesso.

*
Como também confesso a minha angústia em relação à possibilidade de meu próprio morrer. Aliás, se não fosse para testemunhar a minha percepção, dessa possibilidade do meu próprio morrer, não haveria sentido nesse “diário”.
Não posso fugir a esse encontro, essa situação de morte anunciada, que envolve a todos nós -  não nos iludamos – é uma oportunidade singular, é até mesmo a obrigação de uma espécie de, senão de celebração, ao menos de testemunho. Testemunhar ou celebrar o que há de fascinante  e, claro, de apavorante, na possibilidade de se despedir em definitivo do próprio Ser. Compreender e capturar a grandeza e o absurdo desses momentos, em que está tudo por um fio, em que você já não sabe se de fato estará presente ao Ser no próximo dia, semana, mês.
Claro que não é preciso o implacável advento de Monsieur  Corona, para podemos vivenciar a magia e a fragilidade de nosso existir, o para vivermos e admirável espanto que é  aparição e a desaparição no mundo.
Para perceber que somos entes cuja principal atributo é o de existir como criaturas especiais,  que podem e devem se ocupar, em primeiro lugar, exatamente com essa singularidade: a de se perceberem como presentes ao Ser e aos demais entes, e de perceberem o Ser e os demais entes como estando presentes a ela, criatura, ente humano. Ao que se saiba, a nenhum outro ente, aqui na Terra, foi dada tal singularidade (quanto aos prováveis habitantes inteligentes nos confins deste Cosmos, bem, issso é outra história).
Sim, não deveria ser preciso o advento do Corona para tal entendimento de nossa condição e especial e metafísica no mundo.
Ocorre que as tarefas e imposições do dia a dia - ainda mais nesse estúpido e odioso estágio do Capitalismo – nos afastam desse convívio com a nossa condição de entes especiais. Nem mesmo aqueles voltados ao convívio com a arte e com a Filosofia conseguem exercitar esse convívio com a sua singularidade, durante vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana.
Então, eventos espetaculares e singulares e ameaçadores, como o Corona, são o gatilho para retornarmos à condição de nossa própria singularidade, para resgatarmos o espanto perante o existir, para nos resgatarmos em meio ao fascínio da simples presença das coisas, dos outros entes, e para dedicarmos mais cuidado e atenção à fugidia e misteriosa presença do Ser.
Parece que é apenas uma outra forma, mais sofisticada ou mais presunçosa, de fazermos as já famosas perguntas: de onde viemos, o que somos e para onde vamos. Sim, há um pouco disso, mas não se trata apenas disso. Voltarei, noutra ocasião, à questão de termos que dar nosso testemunho do Ser num momento tão singular.

22/03/2020

Lázaro e Monsieur Corona - I


Meu nome é Lázaro, e atualmente estou morando em Belo Horizonte, num apartamento de dois quartos. Moro na Augusto de lima, próximo ao Maletta, e nas imediações do Mercado Central.
Vou construir um “diário” do meu confinamento, durante a reinado de Monsieur Corona (prometo que buscarei outra palavra, sei que essa se tornou por demais consumida-obsoleta e  adolescente).

Apenas quatro dias de isolamento.
E começa a parecer que já não existem mais diferenças entre os dias. Você tem que pensar uns segundos, para decidir - com o necessário grau de certeza - que hoje é realmente domingo, e não mais sábado, nem ainda segunda.
Ontem, já tinha passado por algo assim, mas de fugaz duração. Além disso, tal flutuante percepção do tempo já veio seguida, hoje,  de uma leve indiferença e liberdade em relação ao cotidiano: assim que levantei e fui à geladeira, decidi que não iria tomar a outra metade da garrafa de vinho que lá estava; afinal, terei dias e dias de confinamento pela frente, e assim posso tomar vinho ou cerveja  a qualquer dia, a qualquer hora. Supondo-se, é claro, que eu seja um sobrevivente ao Corona e que possa continuar existindo.
Então, creio que foi a conjugação dessas duas percepções que permitiram que a Voz novamente surgisse para mim, e  murmurasse ao meu ainda sonolento despertar, exigindo que eu escrevesse um diário de minha quarentena.
Afinal, está-se passando por uma singular vivência de si  e do mundo, e é preciso dar tal testemunho ao vivo, a loucura in loco: porque esperar que tudo passe para, então, daqui a  alguns meses, fazer dessa vivência algo a ser literária e filosoficamente processado, e somente assim colocado em palavras?
Ora, tudo urge, tudo se dissolve, já não há referências, marcos no horizonte etc etc: qual a certeza de que estarás sobrevivo ao Corona, daqui a meses ou semanas?
Contra tão implacável argumento da Voz,  desvio não havia.
Mas, suspeito que seja também por uma espécie de compensação, já que, desde quarta-feira, eu escrevi meros quatro ou cinco parágrafos para “Isaía, Irma e Baiano”, o romance aonde narro a última noite de vida e, por óbvio, a morte do mendigo Baiano, já em finalíssima  de fase conclusão – ó, terra do Verbo, grato pelo término de mais uma árdua-fascinante jornada, por teus labirínticos-exigentes caminhos.
Depois falo um pouco desse meu testemunho acerca do mendigo Baiano, vou colocar aqui pequeno trecho da obra.
Por ora, por aqui: atender a essa nova exigência da Voz.

25/08/2015

os domingos

Todas as funções da alma estão perfeitas neste domingo.
O tempo inunda a sala, os quadros, a fruteira.
Não há um crédito desmedido de esperança
Nem a verdade dos supremos desconsolos -
Simplesmente a tarde transparente
Os vidros fáceis das horas preguiçosas
Adolescência das cores, preciosas andorinhas.

Na tarde – lembro – uma árvore parada
A alma caminhava para os montes
Onde o verde das distâncias invencidas
Inventava o mistério de morrer pela beleza.

Domingo – lembro – era o instante das pausas
O pouso dos tristes, o porto do insofrido.
Na tarde, uma valsa; na ponte, um trem de carga;
No mar, a desilusão dos que longe se buscaram;
No declive da encosta, onde a vista não vai
Os laranjais de infindáveis doçuras geométricas;
Na alma, os azuis dos que se afastam
O cristal intocado, a rosa que destoa.

Dos meus domingos sempre fiz um claustro.
As pétalas caíam no dorso das campinas
A noite aclarava os sofrimentos
As crianças nasciam, os mortos se esqueciam mortos
Os ásperos se calavam, os suicidas se matavam.
Eu, prisioneiro, lia poemas nos parques
Procurando palavras que espelhassem os domingos.

E uma esperança que não tenho.

paulo mendes campos - minas (1922 - 1991)

03/06/2014

de volta... à poesia e à resistência

Após quase um ano sem novas postagens, chega ao fim o período de hibernação do desvelar.
Para marcar essa volta um poema da espanhola ana montojo micó.

E também uma nota de esclarecimento do movimento black block, postada abaixo, acerca de matéria postada pelo jornal Estado de São Paulo.

Caminha pelo parque
num dia de semana de Outono
sem tom nem som, sem cão
sem cadeira de empurrar
de velho ou de menino.

Não anda depressa nem devagar
deixa-se afagar
pelo sol mentiroso de Novembro.
Não corre atrás dum corpo inverossímil
fuma apenas com música de pássaros.

Doente terminal de saudades
desempregado, reformado, arguido
ou ao menos suspeito de tristeza.

ana montojo micó   -  espanha   (1949  -   )

black bloc esclarece


Antes de iniciar esse texto que está sendo divulgado por algumas páginas que divulgam ações da tática black bloc em sp, iremos dar algumas infos pra vocês sobre oque aconteceu com a Black Bloc SP Fase II e a Black Bloc SP de 55mil.

As duas páginas foram simplesmente desativadas em menos de 48 horas com a desculpa de Nudez e incentivo ao vandalismo (algo assim), e nós nunca incentivamos nada, como todos sabem. Depois disso eles bloquearam os admins e por isso estamos um pouco parados (em postagens, claro.) Daí decidimos criar a fase III porque algumas pessoas estavam pedindo e, por puro medo, eles já estão bloqueando-a e já removeram a capa, sendo que essa capa que foi removida ficou meses nas outras duas páginas... Ou seja: estão querendo desarticular a tática aqui em sampa, mas, surpresa!
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NINGUÉM DEPENDE DE PORRA DE PÁGINA ALGUMA, SEUS FASCISTAS DE MERDA!
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Nós poderíamos escrever um texto enorme aqui dando resposta a mídia, mas estamos cagando pra ela e também estamos cagando pra Black Mídia que vem com desculpa de achar que a mídia vai fazer uma matéria séria, mas na real quer atenção nessa porra!
(Em relação a divulgar informações sobre oque vai ser feito na copa, vamos indicar pra vocês o manual do Guerrilheiro Urbano. Lá tem bem explicado oque acontece com quem fala muito. E entenda essa parte da forma que quiser.)

Bom, é isso. Vamos ao texto!

Comunicado a todos os adeptos e simpatizantes da tática Black Bloc SP :

Sobre a matéria falaciosa do jornal Estado de São Paulo e da suposta "entrevista Black Bloc" não tem muito o que falar na verdade, até porque já é algo que todos sabem mas fingem que não sabem.

Black Bloc promete caos na copa com ajuda do PCC?

Lembro que no ano passado nós comentamos aqui sobre uma reportagem vinculada no fantástico em que o PCC afirmava categoricamente que se eles não quisessem em conversas gravadas "não haveria copa do mundo" (sic) Lembro tbém que fizemos uma observação que tentariam vincular a tática Black Bloc com o PCC no qual "faríamos" uma espécie de parceria para tentar barrar a copa, esse falácia já é bem conhecida nesses meios de comunicação, querem propagar informações falsas a todo o custo para justificar ações mais ostensivas por parte do estado para criminalizar manifestantes e simpatizantes da tática Black Bloc.

Não tem como o Black Bloc dar entrevista pq o Black Bloc é tática de manifestação e não um grupo organizado. Não se deixe levar por declarações falaciosas do Estado de São Paulo e derivados.

Não existe Black Bloc fora da manifestação. Não existe o indivíduo Black Bloc, existem pessoas que durante uma manifestação usam táticas Black Bloc. Só isso, se disserem ou afirmarem algo além disso é mentira. 

 http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,black-blocs-prometem-caos-na-copa-com-ajuda-do-pcc,1503308


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extraído do facebook de black bloc sp fase III 

08/10/2013

revolução com poesia e ousadia

  • acerca das ações dos black blocs em 07.10.2013
  • e contra o abusivo enquadramento de luana bernardo e humberto caporalli na lei de segurança nacional 

Para além da preocupação, de grande parte da esquerda, em decidir se o movimento black bloc contribui para um avanço mais contundente das lutas populares, ou se colabora, de maneira irresponsável e inócua,  para a criminalização dessas mesma lutas, o fato é que esses aguerridos militantes (melhor seria dizer aguerridos combatentes) têm proporcionado ações e momentos verdadeiramente espetaculares, em seus enfrentamentos cada vez mais ousados e raivosos contra as repressoras forças da obsoleta e irracional ordem estabelecida, e em seus ataques, também cada vez mais raivosos e ousados, contra alguns dos símbolos e centros de comando dessa mesma ordem: bancos, concessionárias, sedes de legislativos e judiciários submissos, hipócritas e ineptos, redes mundiais da detestável e insonsa comida fast-food, shoppings e por aí afora. 



veja-se esse jovem como que dançando sobre os fogos de uma revolução
que, por mais inviável que pareça, teima em se anunciar, insiste em se instalar
na sala de estar do cotidiano acomodado numa falsa paz
 

mais fogos e mais luzes  a anunciar o advento da teimosa revolução?
 


não falta nem mesmo música para celebrar esses, queiram ou não,
poéticos enfrentamentos. viva a ousadia e a criatividade; o sonho - plantado
pelos vanguardistas da contracultura nas décadas 60 e 70 - agradece  


e aí  as futuras gerações comunicando ao mundo - com ou sem máscaras,
com ou sem manuais, teses e partidos-  que, para tristeza e indignação
dos acomodados,  a luta não vai parar por aqui,
que a revolução vai continuar na sua
teimosia, hoje, amanhã, em 2014, 2015, 2020, 2030...
 

mesmo sabendo da repressão, da punição e da violência, às quais estão sujeitos,
esses soldados parece que não estarão dispostos a recuar. mesmo sabedores de
que o pesado braço da punição começa a baixar sobre eles, tal como aconteceu com o abusivo enquadramento na lei de segurança nacional, dos jovens luana bernardo e humberto caporalli  
 

afinal, esses combatentes parecem saber muito bem quais os
poderes que estão enfrentando

07/09/2013

repressão aos black blocs... só a eles?

Criativa e contundente essa paródia do famoso poema de Maiakovski - extraída do face do black bloc es 

"Primeiro levaram os Black Blocs, Mas não me importei com isso.
Eu não era Black Bloc.

Em seguida levaram alguns Anonymous, Mas não me importei com isso
Eu também não me intitulava como Anonymous.

Depois prenderam os militantes de grupos sociais,
Mas não me importei com isso porque não me associei a ninguém.

Depois agarraram manifestantes comuns, Mas como não saí as ruas também não me importei.

Agora estão me levando, Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém,
Ninguém se importa comigo."

06/09/2013

o grito e as ruas, pedreiros e pedradas



Leia também um grito cada vez mais vivo 

1 - Alguns registros acerca das afinidades e distinções entre o Grito dos Excluídos e as manifestações que explodiram país afora, agora  em junho, e que talvez voltem a dar o vibrante ar de sua graça exatamente agora no 07 de setembro, dia reservado, há já 19 anos,  à solitária resistência do Grito dos Excluídos.
2  - Sabe-se que a luta popular nunca esteve adormecida neste país, em que pese o imobilismo da maioria dos movimentos populares, imobilismo que ( para além do mero e cretino oportunismo de lideranças populares e sindicais)  certamente foi  entendido como necessário para dar sustentação aos obviamente benvindos governos progressistas do PT, contra as forças descaradamente desestabilizadoras da direitona  arrogante, que tudo fizeram e tudo farão para retroceder ao estágio anterior aos avanços, embora moderados, do PT.
3 - Um dos mais incontestáveis exemplos de que essa luta nunca esteve adormecida foram exatamente as manifestações anuais e solitárias do Grito dos Excluídos no 07 de setembro,
4 -  É preciso  que manifestantes e lideranças das vibrantes Jornadas de Junho não se esqueçam dessa  "vígilia" da resistência por parte do Grito  e de muitas outras de lutas populares: Levante Popular da Juventude, Consulta Popular, Assembleia Popular, Rede Alerta Contra o Deserto Verde e tantas outras formas de resistência, que nunca estiveram "dormindo'. 
5 -  Na verdade, pelo grau de lucidez  e combatividade das manifestações de Junho não parece que esse tipo de preocupação seja relevante, não parece haver essa falsa "disputa' pelo protagonismo ou pela hegemonia com relação ao movimento popular, o que há são formas diferentes de efetivar essa resistência e essa luta popular. Mas, de qualquer forma, é importante ter esse histórico em mente. 
6 -  Assim como é importante que as Jornadas de Junho se espelhem um pouco nessa iniciativa do Grito dos Excluídos, quando leva suas propostas exatamente para os bairros populares, onde se pode amplificar ou fortalecer a resistência popular.
7 - Óbvio que, nesse momento, a prioridade ou a tática das Jornadas de Junho têm que ser exatamente ações nos centros mais movimentados das cidades.   
8 - Não apenas para acumular a mesma visibilidade conquistada pelo Grito, mas exatamente em função daquilo que pode ser a sua maior contribuição dessas novas formas de resistência: um projeto (utópico e dispersivo apenas na aparência), de transformação das estruturas capitalistas em nível global, planetário: parar  a produção, colapsar o capitalsimo, fazer o enfrentamento direto com a engrenagem cotidiana que sustenta essas estruturas sociais, econômicas, culturais e e ideológicas.
9 - Ocorre que, parar deixar cair no desgaste e na descrença toda  a sua estupenda criatividade, ousadia e combatividade, essa nova, surpreendente e necessária geração de manifestantes e combatentes vai precisar se aproximar de uma cenários menos utópicos, ousados e criativos, constituídos por individulidades quase inertes e quase sufocadas por aquela mesma  engrenagem cotidiana.  Essa nova geração vai precisar ampliar o seu exército, atrair combatentes, engajar jovens e adultos e crianças, para poderem continuar ocupando massivamente ruas e praças. 

10 - Afinal sabe-se que grande parte daqueles mobilizados em junho não têm o mesmo compromisso com a luta constante, regular e combativa, pelo fato de serem setores despersonalizados de classe média, sem posicionamento claro na de luta de classes, essa nova geração vai precisar dialogar mais com os cenários de periferia.  

11-  Obviamente que grande parte dos autênticos mobilizados de junho vêm das periferias, ou seja, conhecem e atuam lá onde são mais urgentes (e promissores) a resistência e o enfrentamento. Ainda assim, chegará um momento em que as ações dos combatentes de junho terão que ser menos espetaculares e menos imediatas, e mais voltadas  para um trabalho de engajamento e de formação.          

12 - É nesse sentido a afirmação acima (06): de que é importante que os combatentes de junho se espelhem um pouco nas ações ações das pastorais católicas efetivamente militantes,  que ajudam a manter manter vivo o Grito dos Excluídos.

13 - Claro que não se trata de ter como referência apenas essas pastorais, ou as alas progressistas da Igreja Católica, afinal são inúmeras as entidades que constroem o o Grito dos Excluídos. A menção aqui vai um pouco em função da oportunidade, do fato de estarmos na época do Grito.

14 - Mas a referência também vai muito em função do histórico dessas alas progressistas, das pastorais militantes e das CEBS. Todos sabemos do papel fundamental - exercido por essas entidades, movimentos e pessoas da Igreja progressista - na construção da resistência e da luta popular no Brasil , inclusive, como é bastante sabido, na construção do outrora revolucionário Partido dos Trabalhadores.

15- Mas não apenas para reverenciar essa história de luta, mas também para vislumbrar o futuro. Pois não dá para falar em futuro da luta popular no Brasil sem passar pela atuação da Igreja Progressista. De um jeito ou de outro, limitados ou não, amordaçados ou não,  essas entidades, movimentos e pessoas  estão presentes na luta popular, e certamente estarão quando chegar a hora de fazer um (cada vez mais necessário) enfrentamento final com as obsoletas e desumanas, estúpidas e descontroladas estruturas econômicas e sociais da atualidade.

16 - Pois estamos apenas no começo desse enfrentamento. Muitas marchas e muitas ocupações, muita barbárie e muitos gritos de guerra e de dor ainda se farão ouvir, até que possamos começar a desmontar essas estruturas. Pois elas não cairão sozinhas, não cairão de podre.

17 -  Falar em derrubar ou superar o capitalismo decadente não significa derrubar um castelo de areia, pelo contrário é um castelo ainda solidamente plantado, embora já esteja vencido há muito o seu prazo de validade como estrutura revolucionária e necessária à jornada da humanidade.

17 - Provavelmente esse impassível castelo de pedras só cairá quando, além de levarmos para as ruas o enfrentamento e o colapso, tivermos construído outras estruturas em seu lugar, edifícios sociais e políticos verdadeiramente humanos, verdadeiramente construídos por e para nós, com a lucidez e o cuidado, a generosidade e a paciência que um mundo assim exigir de nós. 

18 -  Mas terão que ser de fato estruturas concretas, viáveis, aceitáveis por todos, terá que ser um edifício social que de fato a traia e estimule todos a participarem dia a dia, dia e noite, de sua construção.

19 - Portanto, há espaço e necessidade  para aqueles que devem enfrentar, colapsar e apedrejar as estruturas arcaicas e desumanas, como também há necessidade daqueles que estão a indagar alternativas, ou que simplesmente já estão colocando em prática do essas  alternativas, mesmo que de forma moderada ou aparentemente contraditória, como nos governos progressistas da América Latina, Brasil incluso.  

20 - Pois as pedras do castelo destruído não poderão ser descartadas na construção do novo edifício. A expressão "não deixar pedra sobre pedra" - que certamente deve ser uma das preferidas dos autênticos movimentos de rebeldia e resistência, como os de junho no Brasil - só deve ser aplicada na destruição do castelo, não na construção coletiva do novo edifício. 

21 - Aí, sim, com a elaboração coletiva eficaz e sedutora de um novo edifício para a humanidade, aí talvez o castelo de pedras vá se revelar um castelo de areia, um gigante, ou melhor, uma besta fera  dos pés de barro. E par isso é que é necessária a comunhão da nova, criativa e ousada resistência com a paciente, lúcida e perseverante resistência histórica, da qual o Grito dos Excluídos é um entre muitos e dignos momentos.

28/08/2013

um grito (cada vez mais) vivo



leia também: o grito e as ruas

Já no seu 19° ano, o Grito dos Excluídos das pastorais da Arquidiocese de Vitória, neste ano, vai ocorrer novamente num bairro de periferia (parece que já pela terceira vez)  e não mais nas proximidades dos desfiles oficiais de 07 de setembro, nem em  avenidas e praças de bairros mais bem estruturados da região metropolitana.

Dessa vez é na cidade de Serra, nas comunidades de Vila Nova de Colares e de Feu Rosa.
Posso dizer que contribuí modestamente para essa iniciativa, pois defendi insistentemente a sua importância e pertinência, durante minhas últimas participações nas reuniões de articulação do Grito - não tenho podido participar nos últimos três anos.

Sempre acreditei que força e a persistência do Grito deveriam ser mostradas lá na periferia, lá onde estão os excluídos de quase tudo, na cada vez mais estúpida, irracional e perversa ordem capitalista. Para mim, era um verdadeiro desperdício de energias e esperanças fazer com que o Grito ficasse, repetidamente, a disputar atenção com a sempiterna e sempre sedutora patriotada dos desfiles militares e escolares.

Claro que foram válidas ( ainda o serão, vez por outra) as ações do Grito nas proximidades dos desfiles, afinal é ali que se concentram milhares de pessoas, de variados estratos sociais, mas certamente com predominância das camadas populares. E, nesse caso, é o lugar adequado para dar visibilidade jornalística ao Grito dos Excluídos e para apresentar as suas propostas a essas camadas populares.
Mas, consolidada essa fase de afirmação na mídia e de inserção popular, corre-se o risco de não se avançar, afinal, na algazarra e no entorpecimento emotivo próprios do desfile cívico-militar (que, no fundo, no fundo, mexe com todos nós, remete à festa e à inocência da infância), são limitadas as possibilidades de um maior envolvimento, convocação e engajamento das camadas populares num Projeto Popular para o Brasil, que é o que deve ser afinal o objetivo maior do Grito dos Excluídos.















  
Com a realização do Grito em bairros populares (São Pedro, em Vitória, e agora Feu Rosa e Vila Nova, na Serra) o Grito está no lugar certo, próximo das pessoas certas, pessoas a quem ele efetivamente busca despertar, sacudir de sua imobilidade, entorpecimento e desesperança, pessoas que de fato poderão provocar enfrentamentos e rupturas com as estúpidas e obsoletas estruturas sociais atualmente vigentes.


Ao passo que, próximo aos desfiles, para a maior parte das pessoas o Grito dos Excluídos, embora cause certo desconforto, não passa de um 'desfile' a mais; e para uma outra parte provoca no máximo admiração e respeito, mas não passando de um protesto a mais, que não vai levar a lugar nenhum, a mudança nenhuma. Resta um contingente mínimo, que pode ou não ser sacudido de sua apatia, ou que pode ter reforçada a sua resistência e a sua crença na luta popular.
Como também sempre há o risco de o Grito ser abafado, ter a sua força amortecida pela postura oportunista dos governantes e autoridades de plantão, que, espertamente, passaram a divulgar e ‘apoiar’ os manifestantes do Grito, de cima de seus presunçosos e enganosos palanques, fazendo parecer aos desinformados que aquela seria apenas mais uma manifestação oficial, permitida e “benvinda’ pelas “autoridades” e governantes.

03/07/2013

rumo à superação do medo, da barbárie e da estupidez

Em mais um dia histórico, em mais um grandioso ato de rebelião e ação política, cerca de 100 manifestantes ocupam neste momento (manhã de 03/07/2103) ocupam o gabinete da Presidência da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, como forma de pressão popular  pelo fim da cobrança do pedágio da Terceira Ponte (Vitória – Vila Velha).

É mais uma ousada ação de um movimento que na verdade se iniciou em junho de 2011 (na verdade antes, mas não há espaço aqui para minúcias históricas – consulte MPL nos googles da vida) com as lutas estudantis contra os abusos e precariedades dos gerenciadores do transporte público da Grande vitória.
Mas é também mais um passo ousado e vitorioso rumo à lenta, incerta, complexa mas cada vez mais inadiável construção de uma movimentação planetária. Pois este nosso movimento é parte de um movimento mais amplo, é capítulo de uma história maior e muito mais grandiosa.

A Rebelião de Junho no Brasil vem se somar à Rebelião no Ocidente, que, nesta década, teve seu início mais marcante, ou mais visível, com as ousadas e pioneiras lutas do povo grego em 2008. Depois a Rebelião foi se espalhando: mundo árabe, Espanha, Portugal, França, Estados Unidos e alimentando, ou inspirando,  a criação dos acampamentos Ocupa pelo mundo afora, inclusive no Brasil.  
Nesses dois anos, têm havido avanços e recuos na Rebelião. E, no mais das vezes, essa Rebelião tem se manifestado por motivos e demandas localizadas, específicos de cada região ou país, enfim, seria aparentemente uma Rebelião localizada, não global, não-planetária.

Mas a verdade é, que sem tirar o seu caráter concreto e sem questionar de forma alguma a sua sustentação em demandass localizadas, essas lutas refletem um momento muito mais grandioso, no tempo e no espaço.
Elas se inscrevem na rota das lutas libertárias, que deram seu grito mais articulado, criativo e ousado na década de 60. Não se trata de defini-las como continuidade ou como devedora da Contracultura da década de 60 – isso são questiúnculas.

O que importa é tentar entender as possibilidades de que essas lutas do século XXI venham a se tornar  a concretização ( ou ao menos um avanço fantástico) de todos aqueles sonhos, utopias e projetos dos companheiros e companheiras que vieram antes de nós:  anarquistas, comunistas, libertários, maoístas,  hippies, guerrilheiros, Teologia da Libertação  - e tantos outros que não chegaram a se constituir como corrente ou movimento reconhecido, ou que sequer foram vistos como militantes e ativistas, mas que, na sua maneira humilde  e anônima,  sonharam, lutaram e acreditaram na possibilidade concreta de um OUTRO MUNDO, um verdadeiramente ADMIRÁVEL MUNDO NOVO.

Certamente continuarão a haver avanços e recuos, brotarão contradições e aparentes incoerências nesses movimentos espalhados pelo mundo, haverão esfriamentos e explosões. Mas tudo obedecendo a uma lógica própria, a lógica da revolta contra o modo de vida imposto por esse projeto de civilização, ou uma revolta contra esse projeto de civilização, o qual já cumpriu o seu papel histórico e mesmo transcendente, mas que precisa ser imediatamente superado por um outro projeto de civilização.

Precisamos entender de vez a grandeza e complexidade de nosso tempo: neste início de século entramos definitivamente em um tempo de batalhas, de combates - ou melhor, um tempo de combater o bom combate. Sem tréguas, sem ilusões, sem ideologias estreitas e presunçosas. Sem a exigência e a  ansiedade de certezas que não poderão ser dadas por nenhum “especialista”, acadêmico, militante ou liderança. Por um longo tempo tudo estará em aberto, em construção, tudo serão avanços e recuos, afirmações  e negações – no melhor estilo da verdadeira e corajosa dialética.

A única certeza é a de que todos esses movimentos convergirão para um só ponto, uma só estrada:  a estrada da superação do mundo velho e da construção do mundo novo. A única certeza é que essa rebelião e essa movimentação planetárias são simplesmente inevitáveis, sob pena de a humanidade, num tempo não muito distante, perder em definitivo a sua própria alma – perdê-la para o erro, o medo e a estupidez.     
A única certeza é a de que não  é tarde nem cedo demais. É simplesmente o momento ofertado pela História, construído pelos homens.
Momento construído para propormos a interrupção do projeto de conquista do Ocidente, para colocarmos em outras bases o projeto do Homem sobre a mágica  e carinhosa face da Terra.

Para isso, é inevitável  a construção da Greve Mundial, planetária, global: ocupar praças, ruas, campos e cidades. Parar o Ocidente e colapsar o Capitalismo, para então reorganizarmos a nossa marcha planetária.
Somente assim superaremos o erro, a tragédia e a barbárie que já nos envolvem, com sua plastificação dos espíritos, dos desejos e das vontades, disfarçada e sustentada por   seduções tecnológicas, por falsas necessidades e por violências e inseguranças pré-fabricadas, ou pelo menos bastante convenientes à manutenção desse estúpido mundo  velho.  

Às ruas, às ruas!!!
Não há mais tempo nem necessidade de minúcias ideológicas, de ultrapassadas disputas à esquerda, de sofisticações acadêmicas.

Há sim tempo e necessidade de ação, de debates e projetos lúcidos, de estratégias adequadas, de ações amadurecidas, e tudo sempre com o olhar fito no horizontes das ruas, das praças, das estradas, nos campos e nas cidades – o resto são véus fabricados pelo medo, pela impossibilidade de lucidez e pela perda da crença na poesia e na grandiosidade   da vida, do mundo e do homem  e do Cosmos.

Cosmos para com o qual o ser humano tem a tarefa de viver como ‘luz do mundo’ e “sal da terra”, humilde e frágil, mas também  alegre e corajosa.



Roberto Soares, bacharel em Filosofia e editor do blog Desvelar

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Desde 2008, venho publicando textos sobre a Rebelião no Ocidente. Quem quiser ler procure à direita do blog, no link “Rebelião no Ocidente”. Veja também textos sobre as ações de junho de 2011 em Vitória. Alguns links:

um fascinante caminho...
a romaria do sonho
o mca de vitória...
nunca duvide



27/06/2013

resgate das origens: lula chama para as ruas


Até que enfim.
Já estava mais do que na hora de Lula e o PT resgatarem suas origens e o seu projeto de país. 
Nada como como o enfrentamento promovido pelos chamados "vândalos' e "baderneiros' para dar um choque à direita e à esquerda.
 Não se faz omelete sem quebra de ovos, não se faz revolução, ou avanços reais da luta popular, sem enfrentamentos. 
Aliás, devemos chamá-los de vândalos ou de vanguarda (para além dos infiltrados da direita e dos inevitáveis "saqueadores" da periferia, que estão a promover sua própria, bombástica e festiva redistribuição de renda)? 
 
VIVA A FESTA DAS RUAS!!!
COM TUDO O QUE O POVO TEM DIREITO!!! 
COM TODO O POVO A QUE AS RUAS TÊM DIREITO!!!
 

22/06/2013

alerta: o fascismo está sendo planejado


What is this, “companheiro”?

“Quanto mais pessoas colocarem pressão sobre o Brasil, mais rápido o Brasil terá que se dobrar”, diz porta-voz anônimo do movimento ChangeBrazil.

Nem tudo que está acontecendo parece ser espontâneo. Qualquer pessoa que já tenha trabalhado com planejamento de campanha publicitária, especialmente online, sabe que algo assim é possível. Não é tão diferente de planejar o lançamento de um filme ou turnê para o público jovem.

Há um movimento na internet, que surgiu no dia 14 de junho, voltado principalmente para jovens, chamado #changebrazil (surgiu assim mesmo, em inglês). Em português o nome do movimento é Muda Brasil. Esse movimento postou vídeos, aparentemente espontâneos, que foram vistos por mais de 1 milhão de pessoas, a maioria deles jovens (muitos secundaristas) que estão indo para as manifestações em clima de festa e máscara V de Vingança.

Na quinta-feira, dia 13 de junho a polícia de Geraldo Alckmin (PSDB) reprimiu de forma violenta manifestantes do Movimento Passe Livre, cidadãos e jornalistas. Logo no dia seguinte a grande imprensa passou a defender o movimento e surgiu um vídeo, em inglês, com legendas em inglês, que se intitulava “Please Help us” (Por favor, nos ajude). O vídeo, com um narrador com visual rebelde (alguém sabe quem ele é?) que já foi visto por mais de 1 milhão e 300 mil pessoas, passa rapidamente sobre tarifa de ônibus, critica a mídia e estimula aos jovens o ódio contras os políticos, enaltece o STF e estimula quem ver o vídeo a espalhá-lo e debater o assunto na internet. Sugiro que quem não entende o clima da juventude no protesto ou que tem ilusões de que eles são de esquerda, o assista. http://youtu.be/AIBYEXLGdSg

O vídeo parece simples, mas a iluminação e fundo é profissional, foi feito em estúdio, e se prestar atenção, verá que o manifestantes (alguém o conhece?) de inglês perfeito, está lendo um teleprompter. O vídeo é feito em inglês, mas a maioria dos comentários é de brasileiros. Não há acessos a estatísticas. O vídeo foi feito e visto provavelmente por brasileiros, jovens, de classe média e alta que falam inglês. Fala da Copa do Mundo (preste atenção: todos falarão). E termina dizendo que “o povo é mais forte que aqueles eleitos para governá-los”.

Que movimento pelo Passe Livre faria um vídeo em inglês ? Que é esse sujeito? Quem pagou essa produção, feita em estúdio com teleprompter? http://youtu.be/AIBYEXLGdSg

As dicas sobre quem ele é o que as pessoas que estão por trás disso querem estão no segundo vídeo, postado durante as manifestações de segunda-feira. Este fala em português. Carregado de sotaque, celebra a tomada do Congresso Nacional por “protestantes” (sic). Esse vídeo foi menos visto, mas não pouco visto, são 66 mil pessoas. http://youtu.be/z-naoGBSX9Y Ele dá parabéns pela manifestação, pelas pessoas mostrarem que “amam” seu país. E segue para dar instruções. Cita as hashtags #changebrazil e o #brazilacordou. Diz que o público não pode se desconcentrar nisso pelo gol do Neymar, ou pelo BBB. Diz que não devem falar de outros assuntos. Mas ao mesmo tempo a mensagem é vazia além de “Muda Brasil”. Ele se refere sempre sobre o que acontece como isso. E no minuto 2:06 ele diz para as pessoas fazerem o material para o exterior porque “quanto mais pessoas colocarem pressão sobre o Brasil, mais rápido o Brasil terá que se dobrar”.

Que movimento é esse que quer mudar o Brasil fazendo ele se dobrar?

Ele mistura nas pautas do seu “movimento coisas que todos defendem, como contra a corrupção, e mais verbas para saúde e educação. Talvez por “coincidência” as mesmas pautas centrais, com a mesma linha de discurso foi postada em um vídeo suspostamente feito pelo grupo Anonymous justamente quando as tarifas iam baixar para propor novas causas. Ele já foi visto por 1 milhão e 400 mil pessoas http://youtu.be/v5iSn76I2xs Importante lembrar que como os vídeos do Anonymous usam imagem padrão e voz falada por digitada pelo Google, e são postadas em contas do Youtube aleatórias qualquer um pode fazer um vídeo se dizendo Anonymous.

O nosso amigo de sotaque não é o único vídeo que veio de fora. Já ficou famoso o vídeo de uma menina bonitinha, Carla Dauden, uma brasileira que mora em Los Angeles, falando contra a Copa do Mundo. Na descrição do vídeo ela diz que tinha feito o vídeo antes dos protestos (talvez para justificar a produção apurada), mas postou no dia 17 de junho . Carla diz Mais de 2 milhões de pessoas o viram. De novo, em inglês com legendas. Pretensamente para o exterior, mas de novo a maioria dos comentários é brasileiro. Ou seja, são para jovens que falam inglês. Diz mentiras como que os custos do evento teriam sido 30 bilhões de dólares, o que parece que os estádios custaram isso. Quando na verdade os custos reais são 28 bilhões de dólares, a maior parte em obras de mobilidade urbana, não estádios – veja o vídeo aqui http://youtu.be/ZApBgNQgKPU Mas quem está checando acusações?

Prestem atenção. A soma de apenas esses 3 vídeos somente deu 5 milhões de visualizações no Youtube.

21/06/2013

gritemos todos contra o fascismo que se aproxima!!!!




Será que o brasil vai aceitar uma ditadura? E o Brasil vive o que? Só vão trocar o governo e aproveitar o caos para barbarizarem os movimentos sociais e a real oposição.Essa é a resposta da ditadura ao movimento popular para se manter. Eu não estou defendendo o PT. A globo não meteu um milhão de pessoas na rua a toa. A PM dos estados está descontrolada.

Pedro Rios Leao, no facebook



apesar de vocês no meio do caminho, fascistas infelizes...

apesar dos fascistóides cretinos
pobres de espíritos e bestas feras 'apartidárias',
a história se faz também com poesia