29/03/2011

vídeo: avohai


a bela e pujante canção de zé ramalho. houve tempo, não muito distante, que possibilitava que poetas e cancioneiros celebrassem o mundo e exercitassem o seu desvelamento em meio a esse mundo com muito mais vibração e inventividade. não é mero saudosismo, nem crítica fácil à fragmentação, a impotência e à mal disfarçada repetição da arte atual. é apenzs lembrança e reverência a um tempo que nos permitia exercer a nossa tarefa, de viventes e de testemunhas do ser, com um pouco menos de mediocridade, de medo e de impotência, e de tola presunção.

e já que se está falando de tempos diferentes, embora não tão distantes assim, optei por publicar dois momentos diferentes do impetuoso e inventivo menestrel do resistente e criativo nordeste brasileiro. 



e já que se está falando em resistência cultural e inventividade do nordeste, vale lembrar: as  pessoas deveriam fazer turismo menos robotizado e menos pasteurizado, quando fossem ao nordeste. junto com assépticas pousadas e hotéis, à beira de inigualáveis praias, deveriam aprofundar um pouco mais a suas visitas pelo interior adentro.

conhecer o que o povo nordestino têm de criativo, de resistente e de personalidade cultural e social. talvez personalidade e brasilidade maiores do que muitos e presunçosos moradores das modernosas e quase falidas (em termos de existência decente ) cidades do sul/sudeste.

guerra da líbia: outro truque espaetacular dos donos do mundo?

Começam a surgir denúncias de que os rebeldes da Líbia teriam sido armados e até mesmo treinados pelas forças de inteligência dos Estados Unidos e da Europa. Mais ainda: durante as manifestações iniciais dos povos árabes, na Tunísia e no Egito, já estaria em andamento um plano para que EUA e Europa se apropriassem das legítimas aspirações dos povos árabes, para conduzir aquelas admiráveis manifestações de acordo com os seus interesses.

Antes de descartar tais conjecturas como paranóia, teoria da conspiração ou antiamericanismo simplista, convém não esquecer as já muitas conhecidas manipulações das referidas forças de inteligência, em várias ocasiões e em várias partes do mundo. Convém não esquecer nem mesmo as ambiguidades e obscuridades que cercam o jamais esquecido 11 de setembro: onde estão as investigações convincentes, onde estão as provas cabais de que não houve um complacência ou mesmo uma condução do governo americano no monstruoso atentado? Quem viu o documentário de Michael Moore não acha essas perguntas absurdas...

Voltando à Líbia: com que presteza, disposição e facilidade os rebeldes líbios se apossaram de armas e partiram para o conflito armado puro e simples! Sem manifestações em praças públicas, sem multidões. Dir-se-á: a reação do ditador Kadafi foi violenta e desumana a ponto de impossibilitar qualquer indecisão ou qualquer tentativa de vencer através da cidadania e da resistência meramente cívica.

Mas, até onde são confiáveis os jornalistas e veículos de mídia que nos informaram sobre as tais monstruosidades do ditador Kadafi? Ou por outra, não poderia ter havido não houve uma premediatada e muito bem construída situação de provocação, de forma que o desequilibrado ditador líbio reagisse da forma que reagiu? E assim estariam craidas as condições para que o mundo legitimamente gritasse contra as ações do ditador líbio, exigindo com razão uma intervenção humanitária.

Mas quem teria o pode de comandar tal intervenção, senão a Europa e os EUA, ou seja , os de sempre?

Se de fato assim foi, se de fato houve todo esse planejamento pelas forças de inteligência, não há como negar: mais uma vez os doentios donos do mundo americanso e europeus exercitaram de forma admirável a suas técnicas de mentira, de distorção, de inversão e de convencimento.
E dessa vez com um ganho extra: a par da utilização das legítimas revoltas dos povos árabes, para a conquista de seus interesses geopolíticos e econômicos (petróleo, sempre a troca de snague por petróleo), europeus e americanos desta feita também lograram conquistar a simpatia do mundo, já que posaram de salvadores do povo líbio, evitando que fosse massacrado.

Por último, as tais perguntinhas que não querem calar, e das quais ninguém pode honestamente fugir, por mais apatia e conformismo que tenha, ou por mais boa vontade que tenha para com o poder estabelecido: Porque as ONUs, OTANs e UEs da vida não têm a mesma presteza e a mesma preocupação para agir em relação ao Egito, ao Iemen, ao Bahrein e principalmente em relação à despótica monarquia absolutista da Arábia Saudita?
Porque as monstruosidades, repressões, massacres sempre ocorrem em países que têm um histórico de enfrentamento com os europeus, americanos e israelenses, tais como Síria, Líbia, Irã e Venezuela?
Essas mídias e esses jornalistas nos trasnmitem realmente os fatos na sua íntegra e no seu real contexto?

A apatia e o conformismo, quando não a estupidez e a presunção, deveriam de vez em quando dar uma chance às dúvidas.

Seguem abaixo alguns textos que tratam da questão das revoltas e principalmente da questão da Guerra da Líbia.

nova operação colonial contra a líbia

por Domenico Losurdo [*]

Não satisfeitos com o bloqueio solitário de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU condenando o expansionismo de Israel na Palestina ocupada, os Estados Unidos vêm hoje se apresentar novamente como os intérpretes e campeões da "comunidade internacional". Convocaram o Conselho de Segurança, e não foi para condenar a intervenção das tropas sauditas em Bahrein, mas sim para exigir e finalmente impor o lançamento da "no-fly zone" e outras medidas guerreiras contra a Líbia.
Algumas medidas agressivas já eram tomadas unilateralmente por Washington e por alguns de seus aliados, como a aproximação da frota militar americana das costas da Líbia e o apelo ao instrumento clássico da política do canhão. Mas Obama não parou por aí: nestes últimos dias vinha intimando Kadafi de modo ameaçador a abandonar o poder e pressionava o exército líbio a dar um golpe de Estado.

Mais grave ainda, desde há algum tempo os agentes estadunidenses, juntos com os da França e Grã-Bretanha, vinham deixando os funcionários líbios diante de um dilema: ou passar para o lado dos rebeldes ou serem processados perante o Tribunal Penal Internacional e passarem os restos das suas vidas encarcerados por "crimes contra a humanidade".
A fim de dar cobertura à retomada das práticas colonialistas mais infames, o gigantesco aparelho midiático de manipulação e desinformação lançou sua campanha e, entretanto, basta ler com atenção a própria imprensa burguesa para perceber o engodo. Por exemplo, diz-se há dias que a aviação de Kadafi bombardeia a população civil. Mas em 1° de março o jornal La Stampa escreve, pag. 6, e pela pena de Guido Ruotolo: "É verdade, provavelmente não houve bombardeio".

Mudou radicalmente a situação nos dias seguintes? Dia 16 de março, Lorenzo Cremonesi escreve de Tobruk no Corriere della Sera: "Como já aconteceu nas outras localidades onde interveio a aviação, o que houve foram apenas raids de advertência". "Eles queriam assustar; muito barulho por nada", disse-nos pelo telefone um dos porta-vozes do governo provisório. São, portanto, os próprios rebeldes que desmentem os 'massacres' invocados para justificar a intervenção 'humanitária'.

A propósito dos rebeldes. Eles são celebrados dia após dia como os campeões da democracia em toda a sua pureza, eis porém a forma como foi relatada por Lorenzo Cremonesi, no Corriere della Sera de 12 de março, sua retirada frente à contra-ofensiva do exército líbio: "Na confusão geral, acontecem também atos de pilhagem. O mais notório é o do hotel El Fadeel, de onde levaram televisores, colchões, cobertores, transformaram as cozinhas em lixeiras e os corredores em acampamentos imundos". Não parece ser o comportamento de um exército de liberação, e o mínimo que se pode dizer é que a visão maniqueísta do conflito na Líbia não tem o menor fundamento.

Há mais. A cada dia denunciam as "atrocidades" da repressão na Líbia. Mas, falando de Bahrein, conta Nicholas D. Kristoff no International Herald Tribune: "No curso destas ultimas semanas, vi cadáveres de manifestantes, quase todos executados de perto por armas de fogo, vi uma moça retorcendo-se de dor após ter sido espancada, vi o pessoal das ambulâncias ser golpeado por tentar salvar manifestantes".

Um vídeo de Bahrein mostra o que parecem ser forças de segurança atingir com uma bomba lacrimogênea um homem de meia-idade e desarmado, a poucos metros delas. O homem cai no chão e tenta levantar-se. Atiram então nele, na cabeça, outra bomba. Caso não seja suficiente, vale lembrar que "nestes últimos dias, as coisas vão de mal a pior". Antes mesmo da repressão, é na vida quotidiana que a violência se expressa; a maioria xiita é submetida a um regime de "apartheid".
Para reforçar o aparelho de repressão, agem os "mercenários estrangeiros" com tanques de assalto, armas e gás lacrimogêneo estadunidenses. O papel dos Estados Unidos é decisivo, como o explica o jornalista do International Herald Tribune, ao contar um episódio por si esclarecedor: "Umas semanas atrás, um colega meu do New York Times, Michael Slackman, foi capturado pelas forças de segurança de Bahrein. Ele me contou que chegaram a apontar-lhe armas. Receoso de alguém atirar nele sem mais nem menos, ele pega seu passaporte e grita que é jornalista dos Estados Unidos. A partir dali, o humor do grupo muda de repente. O chefe chega perto dele, aperta a sua mão e muito animado, lhe diz "Não se preocupe. Nós gostamos dos Estados Unidos!".

De fato, a Quinta Frota dos Estados Unidos tem base em Bahrein. Inútil dizer que tem como dever defender ou impor a democracia: sempre que não seja em Bahrein ou mesmo no Iêmen, e sim… na Líbia ou em algum outro país que, por sua vez, entre na mira de Washington.
Por mais repugnante que seja a hipocrisia do imperialismo, não é uma razão suficiente para esconder as responsabilidades de Kadafi. Embora tenha, historicamente, o mérito de ter acabado com a dominação colonial e as bases militares que intimidavam seu país, ele não soube estabelecer uma camada dirigente bastante ampla. Além do mais, utilizou os lucros do petróleo para construir improváveis projetos "internacionalistas" sob a bandeira do "Livro Verde", em vez de desenvolver uma economia nacional, moderna e independente. Perdeu-se assim uma oportunidade única de pôr fim à estrutura tribal da Líbia e ao antigo dualismo entre Tripolitânia e Cirenáica, e de contrapor uma sólida estrutura econômico-social diante das manobras renovadas e das pressões do imperialismo.
E temos não obstante, de um lado, um líder do Terceiro Mundo que, de forma rústica, confusa, contraditória e bizarra, segue uma linha de independência nacional, enquanto, de outro lado, em Washington, um dirigente expressa de forma elegante, educada e sofisticada as razões do neocolonialismo e do imperialismo. Somente um surdo à causa da emancipação dos povos e da democracia nas relações internacionais, ou então quem se deixa conduzir antes pelo esteticismo que pelo raciocínio político, pode alinhar-se com Obama, Cameron e Sarkozy!
Aliás, será tão elegante assim este refinado Obama que, embora condecorado com o prêmio Nobel da Paz, não leva sequer por um instante em consideração a sábia proposição dos países sul-americanos, ou seja, o convite de Chávez e outros dirigido às duas partes em luta na Líbia para que se esforcem por chegar a uma solução pacífica do conflito, em benefício da salvação e da integridade territorial do país?
Imediatamente após a votação da ONU, e indo ainda além da proposição que mal acabava de ser votada, o presidente dos Estados Unidos lançava um ultimato a Kadafi, que teve a pretensão de ação em nome da "comunidade internacional". Desde sempre, a ideologia dominante revela o seu racismo ao identificar a humanidade com o Ocidente; agora, desta vez, são excluídos da "comunidade internacional" não apenas os dois países cuja população é a mais numerosa, mas também um país chave da União Européia. Quando se coloca como intérprete da dita "comunidade internacional", Obama demonstra uma arrogância racista ainda pior do que aqueles que, no passado, reduziram os seus ancestrais à escravidão.

Será tão elegante e refinado este Cameron que, para vencer em sua casa a oposição à guerra, repete até a obsessão que ela corresponde aos "interesses nacionais" da Grã-Bretanha, como se o apetite em relação ao petróleo não fosse já bastante claro?

E que dizer enfim de Sarkozy? Nos jornais, pode-se ler tranqüilamente que, mais do que no petróleo, ele pensa nas eleições: quantos líbios o presidente francês tem necessidade de matar para que sejam esquecidos os seus escândalos, suas gafes e tenha maior possibilidade de ser reeleito?

Os jornalistas e os intelectuais da corte gostam de pintar um Kadafi isolado, acuado por um povo unido. Porém, para quem acompanha atentamente os acontecimentos, é fácil perceber o grotesco dessa representação. O voto recente no Conselho de Segurança desmascarou outra manipulação: aquela que inventa a fábula sobre uma "comunidade internacional" unida na luta contra a barbárie. Na realidade, abstiveram-se e expressaram fortes reservas China, Rússia, Brasil, Índia e Alemanha!

Os dois primeiros países não foram além da abstenção e não usaram o seu poder de veto por uma série de motivos. Pois não é fácil sempre desafiar a superpotência solitária. Não se trata apenas disso e tanto China quanto Rússia conseguiram em troca que não se enviem tropas de terra (e de ocupação colonial); evitaram intervenções militares unilaterais de Washington e de seus aliados mais próximos, semelhantes às intervenções contra a Iugoslávia em 1999 e o Iraque em 2003; tentaram conter as manobras dos círculos mais agressivos do imperialismo, que gostariam de deslegitimar a ONU e substituí-la pela OTAN e a Aliança das Democracias; enfim, apareceu uma contradição no seio do imperialismo ocidental conduzido pelos EUA, como o mostra o voto da Alemanha.

Ao fazer referência a um país como a China, dirigida por um partido comunista, deve-se observar que o compromisso que ela quis aceitar em nada engaja os povos do mundo. Mao Zedong explicou em seu tempo que as exigências de política internacional e os próprios compromissos dos países de orientação socialista ou progressista são uma coisa; outra coisa, por sua vez, é a linha política de povos, classes sociais e partidos políticos que não conquistaram o poder e por isso não estão engajados na construção de uma nova sociedade.

Fica claro então que a agressão à Líbia torna mais urgente que nunca o ressurgimento da luta contra a guerra e o imperialismo.

25/Março/2011

A tradução, de Ana Maria Dávila, encontra-se em Correio da Cidadania
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ 

EUA e aliados cometem crimes monstruosos na Líbia

Os EUA e os seus aliados repetem na Líbia crimes contra a humanidade similares aos cometidos no Iraque e no Afeganistão.

A agressão ao povo líbio difere das outras apenas porque o discurso que pretende justificá-la excede o imaginável no tocante à hipocrisia.

A encenação prévia, pela mentira e perfídia, traz à memória as concebidas por Hitler na preparação da anexação da Áustria e das campanhas que precederam a invasão da Checoslováquia e da Polónia.

Michel Chossudovsky, James Petras e outros escritores progressistas revelaram em sucessivos artigos – citando fontes credíveis – que a rebelião de Benghazi foi concebida com grande antecedência e minúcia e alertaram para o papel decisivo nela desempenhado pelos serviços de inteligência dos EUA e do Reino Unido.

A suposta hesitação dos EUA em apoiar a Resolução do Conselho de Segurança da ONU que criou a chamada zona de "Exclusão Aérea", e posteriormente, em assumir a "coordenação das operações militares" foi também uma grosseira mentira. Farsa idêntica caracterizou o debate em torno da transferência para a NATO do comando da operação dita "Amanhecer de Odisseia", titulo que ofende o nome e a epopeia do herói de Homero.

O Pentágono tinha elaborado planos de intervenção militar na Líbia muito antes das primeiras manifestações em Benghazi, quando ali apareceram as bandeiras da monarquia fantoche inventada pelos ingleses após a expulsão dos italianos. Tudo isso se acha descrito em documentos (alguns constantes de correspondência diplomática divulgada pela Wikileaks) que principiam agora a ser tornados públicos por webs alternativos.

OS CRIMES ENCOBERTOS
Os discursos dos responsáveis pela agressão ao povo líbio e a torrencial e massacrante campanha de desinformação montada pelos grandes media ocidentais, empenhados na defesa e apologia da intervenção militar, são diariamente desmentidos pela tragédia que se abateu sobre a Tripolitania, ou seja o ocidente do país controlado pelo Governo.

Hoje não é mais possível desmentir que o texto da Resolução do CS – que não teria sido aprovado sem a abstenção cúmplice da Rússia e da China – foi desafiadoramente violado pelos Estados agressores.

Os ataques aéreos não estavam previstos. Mas foram imediatamente desencadeados pela força aérea francesa e pelos navios de guerra dos EUA e do Reino Unido que dispararam em tempo mínimo mais de uma centena de mísseis de cruzeiro Tomahwac sobre alvos muito diferenciados.

Têm afirmado repetidamente os governantes dos EUA do Reino Unido, da França, da Itália que a "intervenção é humanitária" para proteger as populações e que "os danos colaterais" por ela provocados são mínimos.

Mentem consciente e descaradamente.

As "bombas inteligentes" não são cegas. Têm atingido, com grande precisão, depósitos de combustíveis e de produtos tóxicos, pontes, portos, edifícios públicos, quartéis, fábricas, centrais eléctricas, sedes de televisões e jornais. Reduziram a escombros a residência principal de Muamar Khadafi.
Um objectivo transparente foi a destruição da infra-estrutura produtiva da Líbia e da sua rede de comunicações.
Outro objectivo prioritário foi semear o terror entre a população civil das áreas bombardeadas.

Afirmaram repetidas vezes o secretário da Defesa Robert Gates e o secretário do Foreign Ofice, William Haggue que as forças daquilo a que chamam a «coligação» mandatada pelo Conselho de Segurança, não se desviaram das metas humanitárias de "Odisseia". Garantem que o número de vítimas civis tem sido mínimo e, na maioria dos bombardeamentos cirúrgicos, inexistente.

Não é o que informam os correspondentes de alguns influentes media ocidentais e árabes.
Segundo a Al Jazeera e jornalistas italianos, o "bombardeamento humanitário" de Adhjedabya foi na realidade uma matança sanguinária, executada com requintes de crueldade.
Outros repórteres utilizam a palavra tragédia para definir os quadros dantescos que presenciaram em bairros residenciais de Tripoli.

Generais e almirantes norte-americanos e britânicos insistem em negar que instalações não militares ou afins tenham sido atingidas. É outra mentira. As ruínas de um hospital de Tripoli e de duas clínicas de Ain Zara, apontadas ao céu azul do deserto líbio, expressam melhor do que quaisquer palavras a praxis dos "bombardeamentos humanitários". Jornalistas que as contemplaram e falaram com sobreviventes do massacre, afirmam que em Ain Zara não havia um só militar nem blindados, sequer armas.

Numa tirada de humor negro, no primeiro dia da agressão, um oficial dos EUA declarou que a artilharia anti aérea líbia ao abrir fogo contra os aviões aliados que bombardeavam Tripoli estava a "violar o cessar-fogo" declarado por Khadafi.
Cito o episódio por ser expressivo do desvario, do farisaísmo, do primarismo dos executantes da abjecta agressão ao povo líbio, definida como "nova cruzada" por Berlusconi, o clown neofascista da coligação ocidental.

Khadafi é o sucessor de Ben Laden como inimigo número um dos EUA e dos governantes que há poucos meses o abraçavam ainda fraternalmente.
O dirigente líbio não me inspira hoje respeito. Acredito que muitos dos seus compatriotas que participam na rebelião da Cirenaica e exigem o fim do seu regime despótico actuam movidos por objectivos louváveis.

Mas invocar a personalidade e os desmandos de Muamar Khadafi no esforço para apresentar como exigência de princípios e valores da humanidade a criminosa agressão ao povo de um país soberano é o desfecho repugnante de uma ambiciosa estratégia imperialista.

O subsolo líbio encerra as maiores reservas de petróleo (o dobro das norte-americanas) e de gás da África. Tomar posse delas é o objectivo inconfessado da falsa intervenção humanitária.
É dever de todas as forças progressistas que lutam contra a barbárie imperialista desmascarar a engrenagem que mundo afora qualifica de salvadora e democrática a monstruosa agressão à Líbia.

A Síria pode ser o próximo alvo. Isso quando não há uma palavra de crítica às monarquias teocráticas da Arábia Saudita, do Bahrein, dos Emirados.

Uma nota pessoal a terminar. Os líderes da direita europeia, de Sarkozy e Cameron à chanceler Merkel, cultivam nestes dias – repito – o discurso da hipocrisia. Nenhum, porém, consegue igualar na mentira e na desfaçatez a oratória de Barack Obama, que, pelos seus actos, responderá perante a História pela criminosa política externa do seu país, cujo povo merecia outro presidente.

Vila Nova de Gaia, 26/Março/2011

O original encontra-se em http://www.odiario.info/?p=2022

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

28/03/2011

poema, jogo do desvelamento I - mariana botelho

um poema novo de Marina Botelho - há um bom tempo que não se via tal. aliás, bastante oportuna  a sua publicação no desvelar, afinal faz eco a recente edição de poemas que tinham fio condutor exatamente a manhã, aqui publicados em janeiro.

ao poema de mariana, então: o que me atraiu de imediato foi o jogo denso, aparentemente contraditório e obscuro, entre presença e esquecimento do verbo, da fala. a fala, ou a sua ausência, a sua impossibilidade, misturada com o silêncio, mas o próprio silêncio se alimentando de verbo, o  poema respeitando, reverenciando o verbo, com o silêncio, quando isso se faz necessário.

e tudo com a habitual habilidade, seriedade e  concisão  da poeta, evitando que o poema, ou a fala, se resuma a apenas mais um dos inúmeros jogos verbais que proliferam não apenas nesta década cibernética, mas há ja décadas e décadas de poesia moderna/pósmoderna.

afinal,  é preciso aceitar que há de fato diferenças vísiveis e viscerais entre um mero jogo verbal e entre jogar com o verbo, jogar o jogo do verbo com o ser, com a presença.

 jogar o jogo do desvelar das coisas e de nós no meio do ser: essa talvez uma das principais razões de ser do poema. e mariana botelho é uma das pessoas que de tudo faz para evitar que esse jogo se transforme numa brincadeira repetitiva, ou num joguinho apenas aparentemente criativo ou essencial.

tal como uma emily dickson atual (aliás, alguém, não me lembro quem, já a acomparou com poeta americana) e tal como insinuada no iníco dessa apresentação, essa poeta lá das entranahs de minas nem sequer se preocupa com quantidades, com volumes de palavras escritas ou publicadas.a poeta parece se esforçar para por em prática o aprendizado, ou o exercício, de colocar o silêncio a serviço do verbo, quando assim é necessário ou suficiente.

a manhã nos obriga
a chorar
sempre

esquecer
a tosse noturna do filho

a urgência
do amor

o verbo
nosso pai

o silencio
nosso filho

nosso rito diário
de esquecer

mariana botelho - minas    

poema, jogo do desvelamento II - rilke

afinal, o ser e o mistério nem sempre querem que os desvelemos através de poemas e verbos, muito menos através de falatórios cotidianos, pasteurizados, incansavelemnte expelidos de tantas bocas e vindos de tantas direções, de qualquer que seja a categoria social, de qualquier que seja a formação cultural ou social. o ser, muitas vezes, pede apenas e delicadamente que o desvelemos tão somente com a escuta dos seus silêncios, com escuta de suas apariçoes e fugas.

o ser pede apenas e delicadamente que aprendamos a esquecer um pouco das distrações que nos desviam de seu desvelamento, esse desvelamento que nunca, jamais se dará de forma inequívoca, vísivel, segura, palpável.

o ser pede apenas e delicadamente que não nos distraiamos tanto daquilo que nos é essencial, que é a nossa condição de precárias testemunhas da fragilidade e do perecimento de tudo o que brota do próprio ser.

o ser pede apenas e delicadamente que aprendamos a aceitar essa mesma fragilidade e perecimento, não fugindo dessa nossa condição através de tantas sedutoras e engehosas distrações que nos solicitam (ou que solicitamos que nos solicitem) dia a dia, noite a noite, momento momento.
e aqui, a falar dessa nossa condição de testemunhas daquilo que é precivel, que nos é lembrada pelo frágil e delicado desvelamento dos er, é conveniente e necessária lembra a fala do frágil leão sombrio, o poeta metafísico rilke:

... E essas coisas, cuja vida
é declínio, compreendem que tu as celebras; perecíveis
elas nos conferem o poder de nos salvarmos, á nós,
os mais perecíveis.
Elas querem que, no fundo do nosso coração invisível, as
transformemos
em - ó infinito! - em nós! Seja qual for, no fim, o nosso
ser.
rainer rilke (Elegias de Duíno)




poesia com torresmo

Quem gosta de poesia pode conhecer esse projeto da ABDIC junto com o bar KABECOS. O primeiro encontro acontece agora , dia 05 de abril.

 POESIA COM TORRESMO: ASSOCIAÇÃO PROMOVERÁ SARAU...
por Pettersen Filho, extraido do site da abdic 

Dando vazão à uma de suas Clausulas Estatutárias a ABDIC, Associação Brasileira de Defesa do Indivíduo e da Cidadania , acaba de firmar Parceira Cultural com o Kabéco`s, Bar e restaurante, localizado à Avenida Rio Branco , bairro Santa Lúcia, em Vitória/ES, onde celebrarão toda primeira terça feira do mês evento cultural chamado POESIA COM TORRESMO NO KABÉCO`S.

Evento que promete tornar-se tradição, reunirá, como dito, a cada primeira Terça Feira, de todo mês, a começar agora, no dia 05 de Abril, a partir das 19:00 hs, até as 23:00. Poetas, músicos e outros artistas, além de ser aberto ao público, para ouvir boa musica popular brasileira, entre um recital e outro de poesia, também aberto ao público.

Escolhendo a data a dedo, por ser terça feira um dia mais tranqüilo, e possibilitando que o público possa abastecer-se de uma boa cerveja gelada, enquanto acompanha o evento, tudo bem acompanhado por um apetitoso Feijão Tropeiro, tão bem servido pela casa, a parceria de fato promete prosperar...

Para esse primeiro da  está prevista a prticipação do cntor e cmpositor Chinna Bahia, com bnquinho e vola.

Então, não percam: Terça Feira, 05 de Abril,  POESIA COM TORRESMO NO KABÉCO`S.

23/03/2011

vídeo: marcela, de taiguara

notícias do front líbio

FILME AMERICANO

Seis civis líbios são metralhados por um helicóptero dos EUA nas proximidades de Benghazi; uma das vítimas corre o risco de ter a perna amputada. O helicóptero em voos rasantes busca resgatar dois tripulantes do caça F-15 Strike Eagle que caiu em circunstancias não esclarecidas na noite da segunda-feira. O F-15E realizava bombardeios na cidade de Benghazi, supostamente um reduto de opositores de Kadafi. Um dos feridos, ouvido no hospital, afirma que os civis estavam comemorando a ação internacional quando os americanos abriram fogo... (Carta Maior, com informações Al-Jazira/ Channel 4 News). Fundo sonoro da cena: o discurso de Obama no Chile, nesta 3º feira, quando afirmou: 'Nossa ação militar ...tem como foco a ameaça humana que Khadafi está impondo a seu povo. Ele não apenas está assassinando os civis, mas também ameaçando fazer muito mais". Corta e volta para a cena do helicóptero, agora sem som. Closes alternados nos rostos dos americanos acionando as metralhadoras e nos dos líbios, que festejavam a chegada das forças estrangeiras.

o show de obama - o não de lula

por Laerte Braga
(extraído do site da ABDIC)

Em outubro de 1988 o então presidente José Sarney embarca para uma visita a União Soviética. É recebido pelo secretário geral do Partido Comunista e ao chegar ao Brasil declara aos repórteres que “é o Gorbachev espargindo democracia por lá e eu por aqui”.

Luís Inácio Lula da Silva, ex-presidente e responsável pela eleição de Dilma Roussef, disse não ao convite para participar do almoço em homenagem ao terrorista norte-americano Barack Hussein Obama, presidente de Eua/Israel Terrorismo SA, ora em vista ao Brasil.
Todos os outros ex-presidentes vivos foram, inclusive Fernando Henrique Cardoso (deve ter servido de intérprete).
Lula, segundo dizem os jornais da mídia privada teria revelado que não queria “tirar os holofotes da Dilma”. A declaração em sua interpretação correta é maldosa e perversa em relação ao ex-presidente.

Quando Guido Mantecca, uma semana antes da posse de Dilma, anunciou medidas que seriam tomadas pelo novo governo, tomou uma baita bronca pública de Lula. Entre outras coisas Lula disse que nada daquilo seria feito e que até aquele momento o presidente da República ainda era ele.
Mantecca, hábil na arte de “explicar até para o porteiro do prédio”, chamou a imprensa, se desdisse e evitou um problema maior. Os que têm conversado com Lula ao longo desses quase três meses longe da presidência, sabem que naquele momento o líder sentiu a primeira facada. Não diz, mas deixa escapar.

Há um processo de desconstrução de Lula. Não é do PT e nem de Dilma. Não significam nada diante da força do ex-presidente. É maior que todos eles.
As elites brasileiras aceitam e toleram a democracia até um determinado limite e supor que em 2014 Lula possa voltar está no item inaceitável, intolerável.

No governo Dilma Roussef temos os primeiros presos políticos do país desde o fim da ditadura militar, na farsa do coquetel Molotov atirado contra o consulado norte-americano no Rio, numa manifestação promovida por um partido de esquerda. O PSTU.

A velha e requentada história do Riocentro. A quem interessa?
Segundo Dilma Roussef em seu pronunciamento hoje pela manhã, ela e Obama rompem barreiras. O primeiro negro eleito presidente dos EUA (Dilma não notou a graxa porque não quis e nem quer) e ela, a primeira mulher eleita presidente do Brasil.

É Sarney, presidente do Senado, aliado de Dilma, presente ao almoço, que esparge democracia pelo Ocidente.
Passados vinte e dois anos o ridículo se repete. Poder tem dessas coisas, deslumbra. Um poste se atribui dimensões históricas que não tem.
Lula não foi ao almoço, entre outras coisas, para deixar claro seu repúdio às políticas de Obama em relação ao Brasil (não quis visitar o País quando ele era o presidente) e não poucos ouviram do ex-presidente (que tem feito o possível para se segurar) que “isso está parecendo uma grande palhaçada”.

Não sei que tipo de atitude a direção nacional do PT vai tomar contra o ex-presidente, levando em conta a orientação para que a manada não participe de protestos contra Obama (felizmente boa parte resolveu não acatar a arbitrariedade).

Linhas e entrelinhas das poucas e esparsas declarações do ex-presidente demonstram que Lula já percebeu que estão tentando desmontá-lo e Dilma não está infensa ao processo. Pelo contrário.

Sonha com a reeleição em 2014.
Quer romper mais barreiras.
Aceita, tem aceito, docemente, o caminho traçado pelas elites que entre outras coisas passou por Ana Maria Braga, Hebe Camargo, receita de omelete, políticas neoliberais sem restrições e mudanças drásticas na política externa do País.

E é um caminho que vai percorrer com calma, sabe que não pode enfiar a faca de uma só vez, afinal sem Lula nem síndica de prédio seria.

O PT, em boa parte, embarca na armadilha e monta patrulhas ideológicas para denunciar golpismos, etc, no velho estilo stalinista de fazer política, todos montados em cargos públicos e que tais. Sobram os que guardam os ideais de outros tempos. Não são poucos.
O tal chapa branca.

Quando tomou conhecimento da invasão alemã o líder soviético Stalin refugiou-se num quarto do Kremlin com algumas mulheres, varias garrafas de vodka durante alguns dias e quando Kruschev foi tímida e temerosamente chamá-lo, ouviu o seguinte.

“Calce as minhas botas, vocês são uns covardes, me odeiam, tiveram esses dias todos para me derrubar e não o fizeram”. Estendeu os pés e Kruschev calçou-lhe as botas.

Justiça seja feitas, Stalin ganhou a guerra destroçando os alemães em território soviético sem aquele negócio de Hollywood que os norte-americanos eram e são perfeitos em armar.

Regina Antunes, professora, 59 anos, dona de uma creche em frente à praça do Lazer nas imediações da Cidade de Deus conta que foi procurada por três pessoas nesta semana que se finda. Um policial civil, um militar e uma mulher representando a organização terrorista Casa Branca (sede do conglomerado). Queriam que atiradores de elite ocupassem a laje de sua creche, pois o carro de Obama passaria pela avenida José de Arimatéia. A praça onde está a creche fica em frente.

Como se recusasse foi ameaçada pelos policiais de ser obrigada a aceitar a decisão a partir de uma ordem judicial.
“Eles desrespeitaram o meu direito, a minha propriedade. Eu poderia até liberar, dependendo da conversa deles, mas resolveram me ameaçar e agora é que não quero mais conversa, estou revoltada com essa situação”.
A parte do filme “Obama e os pobres do Brasil” fica com essa mancha, prejudicado. Devem consertar na montagem, nos efeitos especiais.

Ivonete Ferreira, 62 anos, moradora da Cidade de Deus, num local de onde se avista o palco do show de Obama, não aceitou a presença de atiradores de elite em sua laje. Mostrou-se indignada com a forma como foi tratada.

A CUFA – CENTRAL ÚNICA DAS FAVELAS – entidade com maior presença na Cidade de Deus, não participará do evento e nem de sua organização. Celso Ataíde, presidente da entidade, disse ao jornal FOLHA DE SÃO PAULO que “Obama continuo te amando, mas não dá para aceitar o comportamento arrogante dos mensageiros da Casa Branca”

O rapper MV Bill, um dos criadores da CUFA, anunciou sua desistência (estão tentando demovê-lo disso) de participar da recepção ao terrorista Barak Obama, antes da entidade tomar posição idêntica. “São abusos e exageros na favela. Estão querendo fazer um zoológico”.

A Casa Branca se recusou – seus representantes – a discutir a visita com lideranças comunitárias e depois, assustada com a quantidade de mensagens de protestos, tentou restabelecer o contato sem conseguir.
“Querem esvaziar as ruas da comunidade no domingo e revistar qualquer pessoa que venha sair de sua residência, até mesmo crianças”.

Uma das grandes preocupações da mídia, sobretudo GLOBO, principal veículo de EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A, são os modelitos de Michele Obama. “Especialistas” estão explicando, ressaltando e elogiando a “elegância” da primeira-dama.

“É/a gente não tem cara de panaca/a gente não tem jeito de babaca/a gente não está com a bunda exposta na janela...” Bela lembrança da jornalista Ana Helena Tavares (FACEBOOK), a guerreira composição de Gonzaguinha.
Sarney e Dilma em tempos diversos perderam a noção da realidade, de seus tamanhos reais.
Lula segundo alguns não foi porque tinha um aniversário, segundo outros para não tirar os holofotes de Dilma e assim por diante.
É que está sentindo no peito a faca entrando.
Percebe a metamorfose do que de fato foi poste, em cobra. Não está conseguindo ser companheira. Nem deve lembrar disso mais.

Ah! Um detalhe. Perguntado sobre o cancelamento do comício na Cinelândia, o general Sardenberg, responsável pela área, disse que não sabia e nem estava entendendo nada. Eis que surge um general que sabe alguma coisa, pensa e é capaz de dizer. É irrelevante aqui se ele é pró, contra, muito antes pelo contrário. Mas relevante o que disse e como.
Pingo é letra.
“Vejam só, Obama vai dormir duas noites no Rio. Que bacana!” – contribuição de Sérgio Cabral, governador do Rio ao Festival de Besteiras que Assola o País – E olha que o pai do governador, também Sérgio Cabral, era amigo do criador do FEBEAPA, Sérgio Porto – Stanislaw Ponte Preta –. Não aprendeu nada.
Ser der tudo errado por que não levar Obama ao programa do Faustão? Pode ser jurado, pode dançar com Susana Vieira, participar de um monte de quadros.

laertehfbraga@gmail.com

16/03/2011

desaceleração invonluntária

Em razão de compromissos pessoas e profissionais, infelizmente não poderei dedicar a devida atenção a este blog nos próximos seis meses.

Tentarei atualizá-lo, na medida do possível, mas apenas com a publicação eventual de textos de terceiros, reportagens,  poemas, imagens, videos etc, ou seja,  sem proceder a uma edição mais regular e mais elaborada, ou mais articulada, já que isso demandaria um tempo e uma disposição que me faltam no momento.  

Aos leitores e simpatizantes do Desvelar, meu sincero reconhecimento. Espero voltar com mais tempo e disposição no segundo semestre.  

26/02/2011

levante árabe X: os povos do mundo inteiro derrotarão a besta agonizante?

As revoltas populares que sacudem o mundo árabe continuam a provocar admiração  e incertezas.
No caso da Líbia é óbvio que as manifestaçãoes são benvindas, é inquestinável a sua legitimidade ética, política e humanitária.

Mas, tanto quanto no caso do Egito e da Tunísia, é preciso estar atento, sempre atento, para o papel que as grandes potências, EUA à frente, tentam desempenhar, motivadas como sempre pela necessidade de conservar o poder, explícito ou disfarçado, na região que guarda as maiores reservas de petróleo do planeta.

O texto abaixo,  A Líbia e o imperialismo,  desnuda muito bem esse papel de imperialistas travestidos de hipócritas defensores do povo, que as grandes potências sempre particam quando é de seu interesse.  

A esse propósito veja também o texto , publicado este mês as contra-revoluções emergentes...
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É oportuno também lembrar o papel da crise do capitalismo nestas admiráveis revoltas do povo árabe. Sem esquecer jamais o anseio por liberdade e dignidade, o que talvez tenha de fato detonado todas essas revoltas foi a dificuldade de sobrevivência que assola garnde parte do mundo, em razão do estado terminal do capitalismo ocidental.

A fome, a pobreza e a humilhação cotidiana motivando, conduzindo a luta pela liberdade, pelo direito de se dar um destino mais digno. Esse talvez venha a ser um roteiro cada vez mais comum para os povos que mais sofrem com esse inquestinável período de transição pelo qual passa a humanidade.

E que assim seja: que o sofrimento e  a humilhação inspirem e provoquem a libertação dos povos e o enterro das elites desprezíveis e desumanizadas, e também o enterro  daquelas  parcelas das classes médias subservientes, despersonalizadas  e desconectadas com a verdadeira realidade do mundo.  

Aliás, a propósito da crise  da besta capitalista motivar rebeliões populares, repare-se na admirável e acurada pertinácia com a qual o Boletim do GEAB previu esses acontecimentos, num texto publicado em 24 de janeiro, originalmente no site resistir e aqui reproduzido,  portanto antes dos acontecimentos no mundo árabe tomarem a grandeza que tormaram. Segue o trecho em questão:
"Mas, também no seio das potências emergentes, a transição violenta que a crise constitui conduz as sociedades para situações de rotura: na China, a necessidade de controlar as bolhas financeiras em desenvolvimento choca com o desejo de enriquecimento de sectores inteiros da sociedade e com a necessidade de emprego para dezenas de milhões de trabalhadores precários; na Rússia, a fraqueza do tecido social tem dificuldade em aceitar o enriquecimento das elites, tal como na Argélia agitada por motins. Na Turquia, no Brasil, na Índia, por toda a parte, a transição rápida que esses países experimentam desencadeia motins, protestos, atentados. Por razões perfeitamente antinómicas, para umas o desenvolvimento, para outras o empobrecimento, um pouco por toda a parte no planeta, as nossas diferentes sociedades entram em 2011 num contexto de fortes tensões, de roturas sócio-económicas que as transformam em barris de pólvora políticos."
O lúcido texto vale  também pelas suas impiedosas análises acerca da crise nos países do centro do capítalismo  e suas trágicas consequências no resto do mundo

Leia também  os textos a besta agonizante e bbb, a náusea.

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A Líbia e o imperialismo
por Workers World

De todas as lutas que agora decorrem no Norte de África e no Médio Oriente, a mais difícil de deslindar é aquela na Líbia.
Qual é o carácter da oposição ao regime Kadafi, a qual consta que agora controla a cidade de Bengazi, no Leste do país?

Será apenas coincidência que a rebelião tenha começado em Bengazi, a qual é a norte dos mais ricos campos petrolíferos da Líbia bem como próxima da maior parte dos seus oleodutos e gasodutos, refinarias e o seu porto de gás natural liquefeito (GNL)? Haverá um plano de partição do país?
Qual é o risco de intervenção militar imperialista, a qual apresenta grave perigo para o povo de toda a região?

A Líbia não é como o Egipto. Seu líder, Moamar Kadafi, não tem sido um fantoche imperialista como Hosni Mubarak. Durante muitos anos, Kadafi esteve aliado a países e movimentos que combatiam o imperialismo. Ao tomar o poder em 1969 através de um golpe militar, ele nacionalizou o petróleo da Líbia e utilizou grande parte do dinheiro para desenvolver a economia líbia. As condições de vida do povo melhoraram radicalmente.

Por isso, os imperialistas estavam determinados a deitar a Líbia abaixo. Os EUA em 1986 realmente lançaram ataques aéreos a Trípoli e Bengazi que mataram 60 pessoas, incluindo a menina filha de Kadafi – o que raramente é mencionado pelos media corporativos. Foram impostas sanções devastadoras tanto pelos EUA como pela ONU a fim de arruinar a economia líbia.

Depois de os EUA invadirem o Iraque em 2003 e arrasarem grande parte de Bagdad com uma campanha de bombardeamento que o Pentágono exultantemente chamou "pavor e choque", Kadafi tentou evitar a ameaça de outra agressão à Líbia fazendo grandes concessões políticas e económicas ao imperialismo. Ele abriu a economia a bancos e corporações estrangeiras; concordou com exigências do FMI quanto ao "ajustamento estrutural", privatizando muitas empresas estatais e cortando subsídios do estado a necessidades como alimentos e combustível.

O povo líbio está a sofrer dos mesmos preços elevados e desemprego que estão na base das rebeliões em outros lados e que decorre da crise económica capitalista mundial.
Não pode haver dúvida de que a luta que varre o mundo árabe pela liberdade política e a justiça económica também tocou um ponto sensível na Líbia. Não há dúvida de que o descontentamento com o regime Kadafi está a motivar uma secção significativa da população.

Contudo, é importante para gente progressista saber que muitas das pessoas que estão a ser promovidas no Ocidente como líderes da oposição são há muito agente do imperialismo. A BBC mostrou em 22 de Fevereiro filmes de multidões em Bengazi deitando abaixo a bandeira verde da república e substituindo-a pela bandeira do antigo rei Idris – que foi um fantoche dos EUA e do imperialismo britânico.

Os media ocidentais baseiam grande parte das suas reportagens sobre supostos factos fornecidos pelos grupo exilado Frente Nacional para a Salvação da Líbia (National Front for the Salvation of Libya), a qual foi treinada e financiada pela CIA estado-unidense. Pesquise no Google o nome da frente mais CIA e encontrará centenas de referências.

O Wall Street Journal de 23 de Fevereiro escreveu em editorial que "Os EUA e a Europa deveriam ajudar os líbios a derrubarem o regime Kadafi". Não há qualquer conversa nas salas das administrações ou nos corredores de Washington acerca de intervir para ajudar o povo do Kuwait ou da Arábia Saudita ou do Bahrain a derrubarem seus governantes ditatoriais. Mesmo com todos os falsos elogios às lutas de massas que agora sacodem a região, isso seria impensável. Em relação ao Egipto e à Tunísia, o imperialismo está a mover todas as alavancas que podem para tirar as massas das ruas.

Tão pouco houve qualquer conversa de intervenção dos EUA para ajudar o povo palestino de Gaza quando milhares morreram por serem bloqueados, bombardeados e invadidos por Israel. Exactamente o oposto. Os EUA intervieram para impedir a condenação do estado colonizador sionista.

O interesse do imperialismo na Líbia não é difícil de descobrir. Em 22 de Fevereiro a Bloomberg.com escreveu: se bem que a Líbia seja o terceiro maior produtor de petróleo da África, é o país do continente que tem as maiores reservas provadas — 44,3 mil milhões de barris. É um país com uma população relativamente pequena mas com potencial para produzir enormes lucros para as companhias de petróleo gigantes. É assim que os super ricos a encaram e é o que está por trás da sua apregoada preocupação com os direitos democráticos do povo da Líbia.

Obterem concessões de Kadafi não é suficiente para os barões imperialistas do petróleo. Eles querem um governo sob a sua dominação total, tudo do bom e do melhor. Eles nunca esqueceram que Kadafi derrubou a monarquia e nacionalizou o petróleo. Fidel Castro, em Cuba, na sua coluna "Reflexões" regista o apetite do imperialismo por petróleo e adverte que os EUA estão a lançar as bases para a intervenção militar na Líbia.

Nos EUA, algumas forças tentam mobilizar uma campanha a nível de rua promovendo uma intervenção estado-unidense. Deveríamos opor-nos a isto totalmente e recordar a qualquer pessoa bem intencionada os milhões de mortos e deslocados pela intervenção dos EUA no Iraque.
As pessoas progressistas têm simpatia com o que encaram como um movimento popular na Líbia. Podemos ajudar tal movimento principalmente pelo apoio às suas exigências justas mas rejeitando uma intervenção imperialista, seja qual for a forma que assuma. É o povo da Líbia que deve decidir o seu futuro.

2011: o ano impiedoso

Crise sistémica global:
o cruzamento dos três caminhos para o caos mundial
por GEAB

Este número 51 do GEAB assinala o quinto aniversário da publicação do Global Europe Anticipation Bulletin. Ora, em Janeiro de 2006, por ocasião do GEAB Nº 1 , a equipa de LEAP/E2020 indicava nessa altura que se iniciava um período de quatro a sete anos que seria caracterizado pela "Queda do Muro do Dólar", fenómeno análogo ao da queda do Muro de Berlim que, nos anos subsequentes, levou ao desmantelamento do bloco comunista e a seguir da URSS. Hoje, neste GEAB Nº 51 que apresenta as nossas trinta e duas previsões para o ano de 2011, calculamos que o próximo ano será um ano charneira neste processo que se estende pois de 2010 a 2013. De qualquer modo, será um ano impiedoso, porque vai marcar a entrada na fase terminal do mundo anterior à crise. [1]

A partir de Setembro de 2008, altura em que a evidência da natureza global e sistémica da crise se impôs a toda a gente, os Estados Unidos e, por detrás deles, os países ocidentais contentaram-se com medidas paliativas que apenas serviram para mascarar os efeitos de sapa da crise nos alicerces do sistema internacional contemporâneo. 2011 vai, de acordo com a nossa equipa, assinalar o momento crucial em que, por um lado, essas medidas paliativas vão ver desaparecer o seu efeito anestesiante enquanto que, pelo contrário, vão surgir em primeiro plano com toda a brutalidade as consequências da deslocação sistémica destes últimos anos. [2]

Em resumo, 2011 vai ser marcado por uma série de choques violentos que vão fazer explodir as falsas protecções instituídas desde 2008 [3] e que vão deitar abaixo, um após outro, os "pilares" sobre os quais assenta desde há decénios o "Muro do Dólar". Só os países, as colectividades, as organizações e os indivíduos que, de há três anos a esta parte, trataram realmente de tirar lições da crise em curso para se afastar o mais depressa possível dos modelos, valores e comportamentos anteriores à crise, atravessarão incólumes este ano; os outros vão enfileirar no cortejo de dificuldades monetárias, financeiras, económicas, sociais e políticas que o ano de 2011 nos reserva.

Portanto, como consideramos que 2011 será globalmente o ano mais caótico desde 2006, data do início dos nossos trabalhos sobre a crise, a nossa equipa concentrou-se neste GEAB Nº 51 sobre as 32 previsões para o ano de 2011, que incluem igualmente uma série de recomendações para fazer face aos choques futuros. É pois uma carta de previsão dos choques financeiros, monetários, políticos, económicos e sociais dos próximos doze meses que este número do GEAB oferece.

A nossa equipa considera que 2011 será o ano mais difícil desde 2006, data do início do nosso trabalho de previsão da crise sistémica, porque esta se encontra na encruzilhada dos três caminhos do caos mundial. Na ausência de um tratamento de fundo para as causas da crise, desde 2008 que o mundo apenas tem recuado para saltar melhor.

Um sistema internacional exangue

O primeiro caminho que a crise pode tomar para gerar um caos mundial, é muito simplesmente um choque violento e imprevisível. O estado de decrepitude do sistema internacional está neste momento tão avançado que a sua coesão está à mercê de qualquer catástrofe de monta [4] . Basta ver a incapacidade da comunidade internacional para ajudar eficazmente o Haiti ao fim de um ano [5] , dos Estados Unidos para reconstruir Nova Orleães desde há seis anos, da ONU para resolver os problemas de Darfour e da Costa do Marfim desde há uma década, dos Estados Unidos para fazer avançar a paz no Próximo Oriente, da NATO para vencer os talibãs no Afeganistão, do Conselho de Segurança para dominar as questões coreana e iraniana, do ocidente para estabilizar o Líbano, do G20 par pôr fim à crise mundial, quer financeira, alimentar, económica, social, monetária… para constatarmos que no conjunto tanto da paleta das catástrofes climáticas e humanitárias, como na das crises económicas e sociais, o sistema internacional se encontra actualmente impotente.

Com efeito, pelo menos a partir dos meados dos anos 2000, o conjunto dos grandes actores mundiais, em cuja primeira fila se encontram, claro, os Estados Unidos e o seu cortejo de países ocidentais, só age através da comunicação e da gesticulação. Na realidade, nada mais funciona: a esfera da crise gira e todos sustêm a respiração para que ela não caia na sua casa. Mas, progressivamente, a multiplicação dos riscos e dos temas de crise transformaram a roleta do casino numa roleta russa. Para o LEAP/E2020, o mundo inteiro começa a jogar a roleta russa [6] , ou melhor, a sua versão de 2011, "a roleta americana", com cinco balas no tambor.

A subida em espiral dos preços das matérias-primas (alimentares, energéticas [7] …) vai fazer-nos lembrar 2008 [8] . Foi com efeito no semestre anterior ao colapso do Lehman Brothers e da Wall Street que se situou o episódio precedente de pronunciadas subidas dos preços das matérias-primas. E as actuais causas são da mesma natureza que as dessa altura: uma fuga para fora dos activos financeiros e monetários a favor das colocações "concretas". Nessa altura os grandes operadores fugiram dos créditos hipotecários e de tudo o que deles dependia assim como do dólar americano; hoje fogem do conjunto dos valores financeiros e dos títulos do Tesouro [9] e de outras dívidas públicas. É pois de esperar, entre a primavera de 2011 e o Outono de 2011, uma explosão da bolha quádrupla dos títulos do Tesouro, das dívidas públicas [10] , dos balancetes bancários [11] e do imobiliário (americano, chinês, britânico, espanhol,… e do comercial [12] ; tudo isto a desenrolar-se com o pano de fundo duma guerra monetária exacerbada [13] .

A inflação induzida pelos Quantitative Easing americano, britânico e japonês e as medidas de estímulo dos mesmos, dos europeus e dos chineses, vai ser um dos factores desestabilizadores de 2011 [14] . Voltaremos a isto com maior pormenor neste GEAB Nº 51. Mas o que já é evidente no que se refere ao que se passa na Tunísia [15] , é que este contexto mundial, nomeadamente a subida dos preços dos géneros alimentícios e da energia, desemboca daqui para a frente em choques sociais e políticos radicais [16] . A outra realidade que o caso tunisino revela, é a impotência dos "padrinhos" franceses, italianos ou americanos para impedir o colapso de um "regime amigo" [17] .

Impotência dos principais actores geopolíticos mundiais
E esta impotência dos principais actores geopolíticos mundiais é o outro caminho que a crise pode utilizar para gerar um caos mundial em 2011. Com efeito, podemos classificar as principais potências do G20 em dois grupos cujo único ponto em comum é que não conseguem influenciar os acontecimentos de modo decisivo.
De um lado temos o Ocidente moribundo com os Estados Unidos, por um lado, onde o ano de 2011 vai demonstrar que a liderança não passa duma ficção (ver neste GEAB Nº 51) e que tentam cristalizar todo o sistema internacional na sua configuração do início dos anos 2000 [18] ; e depois temos a Eurolândia, "soberana" em gestação que está actualmente concentrada sobretudo na adaptação ao seu novo ambiente [19] e ao seu novo estatuto de entidade geopolítica emergente [20] e que portanto não tem nem a energia nem a visão necessárias para ter peso nos acontecimentos mundiais [21] .

E do outro lado, encontramos os BRIC (em especial a China e a Rússia) que se mostram incapazes neste momento de assumir o controlo de todo ou parte do sistema internacional e cuja única acção se limita pois a minar discretamente o que resta dos alicerces da ordem anterior à crise [22] .

No final das contas, é pois a impotência que se generaliza [23] ao nível da comunidade internacional, reforçando não só o risco de choques importantes, mas igualmente a importância das consequências desses choques. O mundo de 2008 foi apanhado de surpresa pelo choque violento da crise, mas paradoxalmente o sistema internacional estava mais bem equipado para reagir porque estava organizado em volta de um líder incontestado [24] . Em 2011, isso já não acontece: não só já não há um líder incontestado, mas o sistema está exangue como se viu anteriormente. E a situação ainda se agravou mais pelo facto de as sociedades de um grande número de países do planeta estarem à beira da rotura sócio-económica.

Sociedades à beira da rotura sócio-económica

É em especial o caso nos Estados Unidos e na Europa onde três anos de crise começam a ter um forte peso na balança sócio-económica, e portanto política. Os lares americanos actualmente insolventes em dezenas de milhões oscilam entre a pobreza sofrida [25] e a raiva anti-sistema. Os cidadãos europeus, encurralados entre o desemprego e o desmantelamento do Estado-providência [26] , começam a recusar-se a pagar as facturas das crises financeiras e orçamentais e tratam de procurar os culpados (a banca, o euro, os partidos políticos dos governos…).

Mas, também no seio das potências emergentes, a transição violenta que a crise constitui conduz as sociedades para situações de rotura: na China, a necessidade de controlar as bolhas financeiras em desenvolvimento choca com o desejo de enriquecimento de sectores inteiros da sociedade e com a necessidade de emprego para dezenas de milhões de trabalhadores precários; na Rússia, a fraqueza do tecido social tem dificuldade em aceitar o enriquecimento das elites, tal como na Argélia agitada por motins. Na Turquia, no Brasil, na Índia, por toda a parte, a transição rápida que esses países experimentam desencadeia motins, protestos, atentados. Por razões perfeitamente antinómicas, para umas o desenvolvimento, para outras o empobrecimento, um pouco por toda a parte no planeta, as nossas diferentes sociedades entram em 2011 num contexto de fortes tensões, de roturas sócio-económicas que as transformam em barris de pólvora políticos.

É a sua posição na encruzilhada destes três caminhos que torna pois 2011 um ano impiedoso. E impiedoso será para os Estados (e para as colectividades locais) que optaram por não aprender as difíceis lições dos três anos de crise que precederam e/ou que se contentaram com mudanças cosméticas que não modificaram em nada os seus desequilíbrios fundamentais. Sê-lo-á também para as empresas (e para os Estados [27] que acreditaram que a melhoria de 2010 era sinal dum regresso "à normalidade" da economia mundial. E finalmente sê-lo-á para os investidores que não compreenderam que os valores de ontem (títulos, moedas…) não podiam ser os de amanhã (pelo menos por mais anos). A História geralmente é uma "boa rapariga". Frequentemente dá um tiro de aviso antes de varrer o passado. Desta vez deu o tiro de aviso em 2008. Prevemos que em 2011 dará a varridela final. Só os actores que tentaram, mesmo com dificuldades, mesmo parcialmente, adaptar-se às novas condições geradas pela crise se poderão aguentar; quanto aos outros, o caos espera-os no fim do caminho.

Notas:
[1] Ou do mundo tal como o conhecemos desde 1945, para retomar a nossa descrição de 2006.
[2] A recente decisão do ministério do Trabalho americano de alargar a cinco anos a medição do desemprego de longa duração nas estatísticas de emprego americanas, em vez de um máximo de dois anos como até agora, é um bom indicador da entrada numa nova etapa da crise, uma etapa que vê desaparecer os "hábitos" do mundo anterior. De resto, o governo americano cita "a subida sem precedentes" do desemprego de longa duração para justificar esta decisão. Fonte: The Hill , 28/12/2010.
[3] Estas medidas (monetárias, financeiras, económicas, orçamentais, estratégicas) estão a partir de agora estreitamente ligadas. É por isso que serão atingidas numa série de choques sucessivos
[4] Fonte: The Independent , 13/01/2011
[5] Ainda é pior, visto que foi a ajuda internacional que levou para a ilha a cólera que já fez milhares de mortos.
[6] De resto, Timothy Geithner, o ministro americano das Finanças, pouco conhecido pela sua imaginação transbordante, acaba de indicar que "o governo americano podia ter que fazer de novo coisas excepcionais", referindo-se ao plano de salvamento dos bancos de 1008. Fonte: MarketWatch , 13/01/2011
[7] De resto, a Índia e o Irão estão em vias de preparar um sistema de câmbio "ou contra petróleo" para tentar evitar roturas de abastecimento. Fonte: Times of India , 08/01/2011.
[8] O índice FAO dos preços alimentícios acaba de ultrapassar, em Janeiro de 2011 (com 215) o seu anterior recorde de Maio de 2008 (com 214).
[9] Os bancos da Wall Street estão actualmente a desembaraçar-se a grande velocidade (sem equivalente desde 2004) dos seus Títulos do Tesouro americanos. A explicação oficial é "a notável melhoria da economia dos EUA que já não justifica refugiarem-se nos Títulos do Tesouro". Bem entendido, têm toda a liberdade de acreditar nisso, como acontece com o jornalista da Bloomberg de 10/01/2011.
[10] Assim, a Eurolândia avança já a grandes passadas pelo caminho descrito no GEAB Nº 51 de um corte no caso do refinanciamento das dívidas de um Estado membro; enquanto que daqui para a frente as dívidas japonesa e americana se apressam a entrar na borrasca. Fontes: Bloomberg , 07/01/2011; Telegraph , 05/01/2011.
[11] Calculamos que, de modo geral, os balanços dos grandes bancos mundiais contêm pelo menos 50% de activos fantasmas em que o ano que entra vai impor um corte de 20% a 40% provocado pelo regresso da recessão mundial com a austeridade, pela subida dos incumprimentos dos empréstimos da habitação, das empresas, das colectividades, dos Estados, das guerras monetárias e do regresso da queda do imobiliário. Os "stress-tests" americano, europeu, chinês, japonês ou outros bem podem continuar a tentar tranquilizar os mercados com cenários "cor-de-rosa", só que este ano o que está no programa dos bancos é um "filme de terror". Fonte: Forbes , 12/01/2011.
[12] Cada um destes mercados imobiliários vai continuar a baixar fortemente em 2011 para os que já iniciaram a sua queda nos últimos anos ou, no caso chinês, vai iniciar o seu esvaziamento brutal num fundo de abrandamento económico e de rigor monetário.
[13] A economia japonesa é de resto uma das primeiras vítimas desta guerra das divisas, com 76% dos chefes de empresas das 110 maiores sociedades nipónicas sondadas pelo Kyodo News a declararem-se pessimistas quanto ao crescimento japonês em 2011 na sequência da subida do iene. Fonte: JapanTimes , 04/01/2011.
[14] Eis alguns exemplos edificantes reunidos pelo excelente John Rubino. Fonte: DollarCollapse , 08/01/2011
[15] Lembramos que, no GEAB Nº 48 , de 15/10/2010, classificámos a Tunísia entre os "países de alto risco" para 2011.
[16] De resto, não há qualquer dúvida de que o exemplo tunisino gera uma onda de reavaliação entre as agências de classificações e os "especialistas em geopolíticas" que, como de costume, não previram o futuro. O caso tunisino ilustra igualmente o facto de que, a partir de agora, são os países satélites do Ocidente em geral, e dos Estados Unidos em particular, que estão na via dos choques de 2011 e dos próximos anos. E confirma o que temos vindo a repetir regularmente, uma crise acelera todos os processos históricos. O regime Ben Ali, velho de vinte e três anos, desmoronou-se em poucas semanas. Quando está presente a obsolescência política, tudo vacila rapidamente. Ora é o conjunto dos regimes árabes pró-ocidentais que já está obsoleto, à luz dos acontecimentos na Tunísia.
[17] Sem dúvida que esta paralisia dos "padrinhos ocidentais" vai ser cuidadosamente analisada em Rabat, no Cairo, em Djeddah e em Aman, por exemplo.
[18] Configuração que lhes era a mais favorável visto que sem contrapeso quanto à sua influência.
[19] Aqui voltaremos com maior pormenor neste número do GEAB, mas do ponto de vista da China, não há engano possível. Fonte: Xinhua , 02/01/2011
[20] Pouco a pouco os europeus descobrem que estão dependentes de outros centros de poder para além de Washington: Pequim, Moscovo, Brasília, Nova Delhi,… entram muito lentamente na paisagem dos parceiros essenciais. Fonte: La Tribune, , 05/01/2011; Libération , 24/12/2010; El Pais , 05/01/2011
[21] Toda a energia do Japão está concentrada na sua tentativa desesperada de resistir à atracção chinesa. Quanto aos outros países ocidentais, não estão em condições de influenciar significativamente as tendências mundiais.
[22] O lugar do dólar americano no sistema mundial faz parte desses últimos alicerces que os BRIC corroem activamente dia após dia.
[23] Em matéria de défice, o caso americano é exemplar. Para além do discurso, tudo continua como antes da crise com um défice em aumento exponencial. No entanto, até o próprio FMI toca a sineta de alarme. Fonte: Reuters , 08/01/2011
[24] De resto, o próprio Market Watch de 12/01/2011, fazendo-se eco do Fórum de Davos, inquieta-se com a ausência de coordenação internacional, que só por si é um enorme risco para a economia mundial.
[25] Milhões de americanos recorrem aos bancos alimentares pela primeira vez na sua vida, enquanto que na Califórnia, como em muitos outros estados, o sistema educativo se desagrega rapidamente. No Illinois, os estudos sobre o défice do Estado comparam-no agora ao Titanic. 2010 bate o recorde das penhoras imobiliárias. Fontes: Alternet , 27/12/2010; CNN , 08/01/2011; IGPA-Illinois , 01/2011; LADailyNews , 13/01/2011
[26] A Irlanda, que enfrenta uma reconstrução pura e simples da sua economia, é um bom exemplo de situações futuras. Mas, a própria Alemanha, embora com resultados económicos notáveis actualmente, não escapa a esta evolução, como demonstra a crise do financiamento das actividades culturais. Enquanto que no Reino Unido, milhões de pensionistas vêem as suas receitas amputadas pelo terceiro ano consecutivo. Fontes: Irish Times , 31/12/2010; Deutsche Welle , 03/01/2011; Telegraph, 13/01/2011
[27] Sobre este assunto, os dirigentes americanos confirmam que esbarram direitinhos contra o muro das dívidas públicas, por não se terem previsto as dificuldades. Com efeito, a recente declaração de Ben Bernanke, o patrão do FED, em que afirma que o Fed não ajudará os Estados (30% de redução nas receitas fiscais em 2009, segundo o Washington Post de 05/01/2011) nem as cidades que sucumbem sob o peso das dívidas, assim como a decisão do Congresso de suspender a emissão das "Build American Bonds" que evitaram que os Estados fossem à falência nos últimos dois anos, ilustram a cegueira de Washington que só tem equivalente com a que deu provas em 2007/2008 perante a subida das consequências da crise dos "subprimes". Fontes: Bloomberg , 07/01/2011; WashingtonBlog 13/01/2011

O original encontra-se em www.leap2020.eu/ . Tradução de Margarida Ferreira.
Este comunicado público encontra-se em http://resistir.info/ .
24/Jan/11

22/02/2011

levante árabe IX: comunicado avaaz

Caros amigos

Uma onda extraordinária de mobilização popular está inundando o Oriente Médio, mas os regimes autocráticos estão respondendo com violência – e apagões da Internet como no Egito. Vamos furar o apagão anti-protesto provendo tecnologia de comunicação via satélite para organizadores chaves dos protestos:
Por todo o Oriente Médio – Bahrein, Líbia, Iêmen e mais países, regimes autocráticos estão tentando esmagar a disseminação sem precedentes de protestos pacíficos, usando a brutalidade e bloqueando meios de comunicação. Estes países estão em uma encruzilhada entre a libertação e a violência – e a habilidade dos manifestantes conseguirem transmitir informações para o mundo poderá definir o resultado.

A Avaaz está trabalhando para “furar o apagão anti-protesto” -- garantindo modems e telefones via satélite, filmadoras minúsculas, transmissores de rádio portáteis e provendo equipes especializadas nas ruas – para permitir que os ativistas transmitam vídeos ao vivo mesmo com a Internet e linhas telefônicas bloqueadas, garantindo que os olhos e solidariedade do mundo fortaleçam estes movimentos corajosos pela revolução social.

O tempo disponível para entregarmos a ajuda está acabando, os regimes estão agindo rapidamente para bloquear as fronteiras e as conexões de Internet. Pequenas doações de 15.000 pessoas poderão financiar a tecnologia crucial e equipes de apoio onde a ajuda é mais necessária. Vamos contribuir para fortalecer aqueles que estão carregando o destino do Oriente Médio em suas mãos pacíficas -- doe agora:
https://secure.avaaz.org/po/blackout_proof_the_protests/?vl
As incríveis transmissões ao vivo da praça Tahrir no Cairo foram vitais para manter o apoio popular, ao expor a violência descarada do regime do Mubarak contra os manifestantes egípcios. Ao assistir aos protestos do mundo todo, centenas de milhares de nós assinamos a petição de solidariedade da Avaaz, que foi anunciada na rede de televisão Al Jazeera, mostrando aos egípcios que o mundo os apoiava. Hoje, líderes dos protestos no Egito dizem que o apoio mundial sobre a sua causa os ajudou a impedir que os momentos de violência se transformassem em tragédia.

Quando a censura da Internet se agravou, a Avaaz e parceiros trabalharam para enviar equipamento de Internet via satélite para os organizadores lá. Agora, Bahrein está se desdobrando para implementar o seu próprio apagão da Internet e nós temos a chance de prover um apoio fundamental para impedir a censura. O equipamento de comunicação e equipes de apoio vão ajudar os organizadores fazerem transmissões locais para organizar os protestos, se comunicar com outros ativistas na região e prover informações para o mundo se houver um apagão. Assim eles poderão contrapor a propaganda do regime e proteger os manifestantes através da exposição na mídia.

Se a mídia internacional for expulsa, os manifestantes poderão manter um canal direto e ao vivo de informações circulando pela Internet. Com os recursos captados, a Avaaz poderá despachar imediatamente os equipamentos e uma equipe especializada para o Oriente Médio.
Há momentos na história que o impossível se torna inevitável. Assim como a dissolução da União Soviética pouco antes da sua queda, as mudanças varrendo o Oriente Médio eram inimagináveis apenas um mês atrás. Mas o poder da sociedade tem uma lógica própria. Enquanto muitos de nós nunca pisou no Oriente Médio, a esperança deste povo está entrelaçada com a nossa e ao redor do mundo. Em momentos como este, é inspirador saber que a nossa solidariedade, em forma de esperança e ação, pode ter um pequeno papel em uma transformação histórica.

Com determinação
Stephanie, David, Alice, Morgan, Ricken, Rewan, Maria Paz e toda a equipe Avaaz

Fontes
Mundo árabe: em ebulição por democracia

Milhares protestam contra governo no Iêmen, Líbia e Jordânia

Líbia e Bahrein bloqueiam acesso à Internet

Censura na Líbia começou: Internet bloqueada

20/02/2011

levante árabe VIII - kadafi reprime protestos com sangue e fogo na lííbia

E o povo árabe continua a surpreender  a nós, ocidentais, que nos habituamos a vê-los como eternamente submissos a ditadores, ou entregues a governos dominados por religiosos obscurantistas. O levante árabe continua a se espalhar: Barhein, Iemen, Argélia e Lìbia, cujos povos vem manifestando uma grandeza e uma coraggem comparáveis  à dos povos  do Egito e da Tunísia.

É impressionante, mas todos esses países são governados, ou melhor, são submetidos por ditadores há vinte, trinta, quarenta anos. De fato, já passou da hora dos povos árabes botar esses cretinos para correr.

O povo não pode deixar pedra sobre pedra, nem mesmo na Líbia, do ditador Muamar Kadafi. Não é porque Kadafi tem, ou teve, um passado de resistências e enfrentamento contra o arrogante e decrépito império americano e o não menos arrogante  e decrépito estado de Israel, que isso lhe dá o direito de submeter o povo líbio a uma ditadura.

Para vencer o decrépito império americano e os seus asseclas europeus e israelenses, os povos do mundo inteiro não podem e nem precisam se escorar em ditaduras - pelo contrário, devem criar e consolidar democracias populares, democracias verdadeiras.

Sabe-se que as revoltas do povo árabe serão absorvidas e neutralizadas pelo império americano e pelas elites econômicas e  militares dos países cujos ditadores form derrubados - veja texto abaixo.

 Mas essa aparente derrota  não invalida a legitimidade e grandeza dos levantes árabes. Na verdade, as revotas populares dos árabes vêm se somar, com todas as dificulades e repressões, às lutas dos povos de todo o planeta pela construção de sociedades efetivamente humanizadas, democráticas e  igualitárias, o que não quer dizer massificadas, padronizadas, ezxcessivamente institucionlizadas. 

Abaixo texto extraído de carta Maior, acerca dos acontecimentos na Líbia.

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Os protestos populares que sacodem o Oriente Médio chegaram a Líbia, onde milhares de pessoas saíram às ruas em várias cidades, apesar da violenta repressão, para pedir o fim de 41 anos do regime autocrático de Muammar Kadafi. Segundo denúncia da Anistia Internacional, pelo menos 46 pessoas morreram nas últimas 72 horas, vítimas da repressão governamental. A maioria das queixas dos líbios é similar às que levaram tunisianos e egípcios a se rebelar. Muitos pediram o fim da ditadura, a instauração de uma democracia e um melhor uso para os lucros petroleiros.
Emad Mekay - IPS


A organização de direitos humanos Anistia Internacional assinala que nas últimas 72 horas morreram pelo menos 46 pessoas, resultado da violência empregada pelo regime em resposta ao primeiro grande desafio de sua história. Como ocorreu com as revoluções que derrubaram os governos da Tunísia e do Egito, as redes sociais na internet se tornaram uma importante fonte de informação sobre o levante na Líbia. O mal estar iniciou quando ativistas da rede das redes se opuseram ao mandato ditatorial de Kadafi, convocando um “Dia da ira” para 17 de fevereiro, reclamando sua renúncia. Eles criaram uma página na internet para publicar informações a respeito (http://www.libyafeb17.com).

Vídeos feitos com telefones celulares mostram manifestantes na cidade de Benghazi atacando escritórios dos “comitês populares” de Kadafi, que, na verdade, são escritórios do governo. Jovens manifestantes também destruíram monumentos oficiais que representam o Livro Verde, escrito por Kadafi e usado como Constituição de fato do país, onde o governante expõe sua ideologia. “O povo quer uma mudança de regime”, disseram os manifestantes em vídeos publicados na internet, adotando slogans da revolução egípcia que derrubou Hosni Mubarak (1981-2011). “Abaixo, abaixo o ditador”, gritaram.

A maioria das queixas dos líbios é similar às que levaram tunisianos e egípcios a se rebelar. Muitos pediram o fim da ditadura, a instauração de uma democracia e um melhor uso para os lucros petroleiros. Os protestos na Líbia suscitaram uma resposta sangrenta e imediata. Na rede social Twitter, alguns sustentaram que as forças de segurança pessoal dos filhos de Kadafi dispararam contra os manifestantes. Organizações internacionais de direitos humanos confirmam que o regime usou balas de chumbo contra os opositores. Segundo fontes locais, o regime utilizou mercenários de países africanos para dispersar os manifestantes. Kadafi, célebre por sua excentricidade, se autodenominou nos últimos anos “rei dos reis da África”.

Cidadãos líbios publicaram na internet que a cidade de Derna “agora é livre”, o que significa que, nas últimas horas de sexta, não havia efetivos pró Kadafi na região. Outros disseram que os habitantes de Derna se dirigiam a Benghazi para ajudar a população a defender-se dos mercenários. A Anistia Internacional pediu às autoridades líbias para “deixar de usar a força excessiva para eliminar os protestos contra o governo”.

Os protestos ocorrem agora apesar das medidas tomadas pelo regime líbio para prevenir revoltas como as da Tunísia e do Egito. Dezenas de ativistas foram presos e advertiu-se aos cidadãos para que não se unissem aos protestos. As forças de segurança incrementaram sua presença nas ruas. O governo proibiu toda a cobertura de imprensa sobre esses fatos e prendeu vários jornalistas em Benghazi, cidade que está registrando alguns dos enfrentamentos mais violentos. O governo de Kadafi proibiu, sexta-feira, todo acesso ao site da Al Jazeera. “As autoridades líbias tentaram silenciar este protesto mesmo antes dele iniciar, mas isso, claramente, não funcionou”, disse um comunicado do diretor da Anistia Internacional para o Oriente Médio e norte da África, Malcolm Smart. “Agora estão recorrendo a meios brutais para castigar e dissuadir os manifestantes”, acrescentou.

A organização pediu ainda que as autoridades líbias ordenassem uma investigação imediata sobre os mortais ataques contra o povo que saiu às ruas. Informes locais sugerem que os manifestantes tomaram o controle da praça Al-Sehaba, em Derna, imitando os egípcios que fizeram o mesmo na praça Tahrir, no Cairo. Logo dominaram a cidade, acrescentam.

O governo respondeu com manifestações favoráveis a Kadafi. A agência oficial de notícias Jamahiriya informou que milhares de líbios marcharam sexta-feira em apoio a Kadafi. A mesma agência publicou mais de 40 informes sugerindo que Kadafi conta com respaldo da população em todo o país. Kadafi, que derrubou a monarquia mediante um golpe militar em 1969, quando tinha apenas 27 anos, é o líder que se mantém no poder há mais tempo na região, governando com mão de ferro esta nação de 6,5 milhões de habitantes. Kadafi obriga os alunos do país a estudar seu Livro Verde e mudou os nomes dos meses no calendário por títulos inventados por ele.

Desértica em sua maior parte, a Líbia é rica em petróleo. As vendas de combustível e gás representaram mais de 95% dos lucros derivados das exportações e cerca de 80% das receitas tributárias em 2008, segundo o Fundo Monetário Internacional. A insatisfação popular que agora se expressa nas ruas pode afetar as exportações para países europeus e pressionar a alta de preços do petróleo. A Líbia vende este recurso para Itália, Alemanha, França e Espanha. Após levantar as sanções contra a Líbia em 2004, os EUA também aumentaram suas importações do petróleo líbio.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer