07/10/2010

vou votar no serra.... cansei! - a batalha de 2010 (8)

É um texto extremamente divertido. Mas na sua cortante ironia é também uma perfeita radiografia das mudanças que vem acontecendo neste país, basta estar um pouco atento para percebê-las à nossa volta, em qualquer lugar, em qualquer momento.
Mas, acima de tudo, é um perfeito e patético retrato de como pensam e sentem os setores conservadores da classe média (não esquecer que há muita gente progressista e generosa na classe média) e os membros da autoproclamada 'elite'.

Quanto à procedência do texto, parece que circula na internet desde fins de setembro e, segundo algumas versões, seria de autoria da psicanalista Maria Rita Khel,  que, aliás, teria sido demitida do jornal 'Estado de São Paulo'  em razão deste texto.

Quanto a isso, tenho dúvidas. O que li é que Maria Rita Khel teria sido demitida do Estadão em razão de ter publicado no domingo, dias das eleições, o artigo Dois pesos, que o leitor poderá conferir mais abaixo.

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Desculpem amigos, vou votar no Serra.
“Cansei…Basta”! Vou votar no Serra..

Cansei de ir ao supermercado e encontrá-lo cheio. O alimento está barato demais. O salário dos pobres aumentou, e qualquer um agora se mete a comprar, carne, queijo, presunto, hambúrguer e iogurte.
Cansei dos bares e restaurantes lotados nos fins de semana. Se sobra algum, a gentalha toda vai para a noite. Cansei dessa demagogia.

Cansei de ir em Shopping e ver a pobreza comprando e desfilando com seus celulares.
O governo reduziu os impostos para os computadores. A Internet virou coisa de qualquer um. Pode? Até o filho da manicure, pedreiro, catador de papel, agora navega…

Cansei dos estacionamentos sem vaga. Com essa coisa de juro a juro baixo, todo mundo tem carro, até a minha empregada. ” É uma vergonha! “, como dizia o Boris Casoy. Com o Serra os congestionamentos vão acabar, porque como em S.Paulo, vai instalar postos de pedágio nas estradas brasileiras a cada 35 km e cobrar caro.
Cansei da moda banalizada. Agora, qualquer um pode botar uma confecção. Tem até crédito oferecido pelo governo. O que era exclusivo da Oscar Freire, agora, se vende até no camelô da 25 de Março e no Braz.
Vergonha, vergonha, vergonha…

Cansei de ir a banco e ver aquela fila de idosos no Caixa Preferencial, todos trabalhando de office-boys.
Cansei dessa coisa de biodiesel, de agricultura familiar. O caseiro do meu sítio agora virou “empreendedor” no Nordeste. Pode?
Cansei dessa coisa assistencialista de Bolsa Família. Esse dinheiro poderia ser utilizado para abater a dívida dos empresários de comunicação (Globo, SBT, Band, RedeTV, CNT, Fôlha SP, Estadão, etc.). A coitada da “Veja” passando dificuldade e esse governo alimentando gabiru em Pernambuco. É o fim do mundo.

Cansei dessa história de PROUNI, que botou esses tipinhos, sem berço, na universidade. Até índio, agora, vira médico e advogado. É um desrespeito… Meus filhos, que foram bem criados, precisam conviver e competir com essa raça.
Cansei dessa história de Luz para Todos. Os capiaus, agora, vão assistir TV até tarde. E, lógico, vão acordar ao meio-dia. Quem vai cuidar da lavoura do Brasil? Diga aí, seu Lula…

Cansei dessa história de facilitar a construção e a compra da casa própria. E os coitados que vivem de cobrar aluguéis? O que será deles? Cansei dessa palhaçada da desvalorização do dólar. Agora, qualquer um tem MP3, celular e câmera digital. Qualquer umazinha, aqui do prédio, vai passar férias no Exterior. É o fim…”


Vou votar no Serra. Cansei, vou votar no Serra, porque quero de volta as emoções fortes do governo de FHC, quero investir no dólar em disparada e aproveitar a inflação. Investir em ações de Estatais quase de graça e vender com altos lucros. Chega dessa baboseira politicamente correta, dessa hipocrisia de cooperação. O motor da vida é a disputa, o risco…

Quem pode, pode, quem não pode, se sacode. Tenho culpa se meu pai era mais esperto que os outros para ganhar dinheiro comprando ações de Estatais quase de graça? Eles que vão trabalhar, vagabundos, porque no capitalismo vence quem tem mais competência. É o único jeito de organizar a sociedade, de mostrar quem é superior e quem é inferior.

Quero os 500 anos de oligarquia autoritária, corrupta e escravizante de volta. Quero também os Arminios Fragas&outros pulhas, que transformaram a Vale e a Embratel em meros ativos para vender a preço de banana para os “amigos do rei”. Quero de volta a quadrilha do FHC, escondendo escândalos, maracutaias e compra de votos no Congresso.

Onde já se viu: nesta terra sem lei chamada Brasil, só a direita corrupta tem o direito de roubar, o resto tem que trabalhar duro, com salário de fome para que os tubarões, empresários e banqueiros, comprarem seus jatinhos e iates além de mandarem dinheiro para paraísos fiscais. Quero o Serra&quadrilha fazendo pelo país o que fez com os funcionários públicos, professores, médicos e policiais do estado de São Paulo passarem 14 anos a míngua. Tem que arrebentar essa pobralhada.

Eu ia anular, mas cansei. Basta! Vou votar no Serra. Quero ver essa gentalha no lugar que lhe é devido. Quero minha felicidade de volta.”

Dois pesos... - a batalha de 2010 (7)

O artigo abaixo é da psicanalista Maria Rita Khel e teria provocado a sua demissão do jornal "O Estado de São Paulo'.
Aplausos pela coragem e honestidade da jornalista em cumprir o seu papel de informar e formar com seriedade e respeito.

E fica uma gratificante constatação: algo de podre pode estar se espalhando no reino da direita obsoleta e raivosa, arrogante e mentirosa. Será que até os seus submissos e malabaristas jornalistas começarão a se rebelar, ou melhor, a assumir o seu papel de profissionais dignos, a exercer de fato a tarefa que lhes é confiada, a tarefa trazer a informaçãop e aanálise com imparcialidade, lucidez e  verdade? 

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Dois pesos...
por Maria Rita Khel
(extraído do site escrevinhador) 

Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.

06/10/2010

a lúcida e honesta fala de um pastor

a batalha de 2010 (6)

Ao ler o texto abaixo, o leitor tem a  gratificante  oportunidade de entender que a postura de grande parte dos membros das igrejas evangélicas não é essa que setores conservadores evangélicos estão tentando passar através da internet, num  lastimável e patético terrorismo eleitoral e em desesperado conluio com os setores conservadores da Igreja Católica.

De qualquer forma, o tema é bem mais complexo, não se esgota em breves definições morais ou sociológicas, e pretendo voltar  a ele em breve, para tentarmos  aproveitar uma das muitas lições que essa batalha do primeiro turno nos proporcionou - com toda a sua tensão e explícito clima  de confronto, este tem sido um dos processos eleitorais que mais conseguiu mostrar o  Brasil a si próprio.

E vamos que vamos à batalha final!!!  E nesse sentido as palavras do Reverendo Sandro, de Belo Horizonte,  são bastante elucidativas e inspiradoras.


As eleições 2010 e os aproveitadores da boa fé e da credulidade evangélica
Rev. Sandro Amadeu Cerveira

Talvez eu tenha falhado como pastor nestas eleições. Digo isso porque estou com a impressão de ter feito pouco para desconstruir ou pelo menos problematizar a onda de boataria e os posicionamentos “ungidos” de alguns caciques evangélicos. [1]

Talvez o mais grotesco tenham sido os emails e “vídeos” afirmando que votar em Dilma e no PT seria o mesmo que apoiar uma conspiração, que mataria Dilma (por meios sobrenaturais) assim que fosse eleita e logo a seguir implantaria no Brasil uma ditadura comunista-luciferiana, pelas mãos do filho de Michel Temer.

Em outras, o próprio Temer seria o satanista mor. Confesso que não respondi publicamente esse tipo de mensagem por acreditar que tamanho absurdo seria rejeitado pelo bom senso de meus irmãos evangélicos. Para além da “viagem” do conteúdo, a absoluta falta de fontes e provas para estas “notícias” deveria ter levado (acreditei) as pessoas de boa fé a pelo menos desconfiar destas graves acusações infundadas. [2]

A candidata Marina Silva, uma evangélica da Assembléia de Deus, até onde se sabe sem qualquer mancha em sua biografia, também não saiu ilesa. Várias denominações evangélicas antes fervorosas defensoras de um “candidato evangélico” à presidência da república, simplesmente ignoraram esta assembleiana de longa data.

Como se não bastasse, Marina foi também acusada pelo pastor Silas Malafaia de ser “dissimulada”, “pior do que o ímpio” e defender (segundo ele), um plebiscito sobre o aborto. Surpreende como um líder da inteligência de Malafaia declare seu apoio a Marina em um dia, mude de voto três dias depois e a apenas 6 dias das eleições desconheça as proposições de sua irmã na fé.

De fato Marina Silva afirmou (desde cedo na campanha, diga-se de passagem) que “casos de alta complexidade cultural, moral, social e espiritual como esses (aborto e maconha) deveriam ser debatidos pela sociedade na forma de plebiscito” [3], mas de fato não disse que uma vez eleita ela convocaria esse plebiscito.

O mais surpreendentemente, porém, foi o absoluto silêncio quanto ao candidato José Serra. O candidato tucano foi curiosamente poupado. Somente a campanha adversária lembrou que foi ele, Serra, a trazer o aborto para dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) [4].
Enquanto ministro da saúde o candidato do PSDB assinou em 1998 a norma técnica do SUS ordenando regras para fazer abortos previstos em lei, até o 5º mês de gravidez [5]. Fiquei intrigado que nenhum colega pastor absolutamente contra o aborto tenha se dignado a me avisar desta “barbaridade”.

Também foi de estranhar que nenhum pastor, preocupado com a legalização das drogas, tenha disparado uma enxurrada de-mails alertando os evangélicos de que o presidente de honra do PSDB, e ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, defenda a descriminalização da posse de maconha para o consumo pessoal [6].

Por fim, nem Malafaia, nem os boateiros de plantão, tiveram interesse em dar visibilidade à notícia veiculada pelo jornal  Folha de São Paulo (edição eletrônica de 21/06/10) nos alertando para o fato de que “O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou nesta segunda-feira ser a favor da união civil e da adoção de crianças por casais homossexuais.” [7]

Depois de tudo isso é razoável desconfiar que o problema não esteja realmente na posição que os candidatos tenham sobre o aborto, união civil e adoção de crianças por homossexuais ou ainda a descriminalização da maconha. Se o problema fosse realmente o comprometimento dos candidatos e seus partidos com as questões acima, os líderes evangélicos que abominam estas propostas não teriam alternativa.

A única postura coerente seria então pregar o voto nulo, branco ou ainda a ausência justificada. Se tivessem realmente a coragem que aparentam em suas bravatas televisivas, deveriam convocar um boicote às eleições. Um gigantesco protesto apartidário denunciando o fato de que nenhum dos candidatos, com chances de ser eleitos, teria realmente se comprometido de forma clara e inequívoca com os valores evangélicos. Fazer uma denuncia seletiva de quem está comprometido com a “iniqüidade” é, no mínimo, desonesto.

Falar mal de candidato A e beneficiar B por tabela (sendo que B está igualmente comprometido com os mesmos “problemas”) é muito fácil. Difícil é se arriscar num ato conseqüente de desobediência civil, como fez Luther King quando entendeu que as leis de seu país eram iníquas.

Termino dizendo que não deixarei de votar nestas eleições.

Não o farei por ter alguma esperança de que o Estado brasileiro transforme nossos costumes e percepções morais em lei, criminalizando o que consideramos pecado. Aliás, tenho verdadeiro pavor de abrir esse precedente.

Não o farei porque acredite que a pessoa em quem votarei seja católica, cristã ou evangélica e isso vá “abençoar” o Brasil. Sei, como lembrou o apóstolo Paulo, que se agisse assim teria de sair do mundo.

Votarei consciente de que os temas aqui mencionados (união civil de pessoas do mesmo sexo, descriminalização do aborto, descriminalização de algumas drogas, entre outras polêmicas) não serão resolvidos pelo presidente ou presidenta da república. Como qualquer pessoa informada sobre o tema, sei que assuntos assim devem ser discutidos pela sociedade civil, pelo legislativo e eventualmente pelo judiciário (como foi o caso da lei de biossegurança) [8] com serenidade e racionalidade.

Votarei na pessoa que acredito que representa o melhor projeto político para o Brasil, levando em conta outras questões (aparentemente esquecidas pelos lideres evangélicos presentes na mídia) tais como distribuição de renda, justiça social, direitos humanos, tratamento digno para os profissionais da educação, entre outros temas (ver Mateus 25: 31-46).

Estas questões até podem não interessar aos líderes evangélicos e cristãos em geral que já ascenderam à classe média alta, mas certamente tem toda a relevância para nossos irmãos mais pobres.

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Notas
1 - As afirmações que faço ao longo deste texto estão baseadas em informações públicas e amplamente divulgadas pelos meios de comunicação. Apresento abaixo os links dos jornais e documentos utilizados para verificação.


3 -http://ultimosegundo.ig.com.br/eleicoes/marina+rebate+declaracoes+de+pastor+evangelico+silas+malafaia/n1237789584105.html
Ver também http://www1.folha.uol.com.br/poder/805644-lider-evangelico-ataca-marina-e-anuncia-apoio-a-serra.shtml

4 - http://blogdadilma.blog.br/2010/09/serra-e-o-unico-candidato-que-ja-assinou-ordens-para-fazer-abortos-quando-ministro-da-saude-2.html

5 - http://www.cfemea.org.br/pdf/normatecnicams.pdf

6 - http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=856843&tit=FHC-e-intelectuais-pedem-legalizacao-da-maconha

7- http://www1.folha.uol.com.br/poder/754484-serra-se-diz-a-favor-da-uniao-civil-e-da-adocao-de-criancas-por-gays.shtml

8 - http://www.eclesia.com.br/revistadet1.asp?cod_artigos=206

Como nossa página não oferece o recurso de postar comentário diretamente nesta parte convido aos que desejarem faze-lo a enviar um email para segundaigreja@segundaigreja.org.br em nome do Rev. Sandro que publicaremos com prazer.

04/10/2010

carta aberta a marina silva

a batalha de 2010 (5)

Atenção: o autor do texto abaixo pede que, caso concordem com o teor,  todos dêem a maior divulgação possível a esta carta, assim "talvez ela chegue à destinatária".

Vamos lá pessoal,  estamos de novo na dura batalha pela construção de uma história popular neste Brasil, e desta vez, se não arregaçarmos a manga, se não nos comprometermos de verdade, podemos ter a volta de muita coisa que imaginamos ter extirpado deste país.
Não será e não têm sido o governo de nossos sonhos estes governos do PT, mas como diz Maurício ao final da Carta, Serra será "a volta de nossos mais terríveis pesadelos".

Além disso, a história não é feita apenas de sonhos, ou melhor, as nossas ações têm que preceder os nossos sonhos, mesmo que algumas dessas ações às vezes tenham, num primeiro momento, a aparência de confusas, contraditórias, insípidas ou  mesmo ingratas.
De qualquer forma, quem não está disposto à confusão, à contradição, ao embate, à frustração momentânea, que fique limpinho no seu cantinho, vivendo os seus pesadelos achando que está no melhor dos mundos, no seu blindado e plastificado mundinho de sonhos ... Fazer o quê, né?

Carta Aberta a Marina Silva
Marina, você se píntou?
por  Maurício Abdalla

“Marina, morena Marina, você se pintou” – diz a canção de Caymmi. Mas é provável, Marina, que pintaram você. Era a candidata ideal: mulher, militante, ecológica e socialmente comprometida com o “grito da Terra e o grito dos pobres”, como diz Leonardo.

Dizem que escolheu o partido errado. Pode ser. Mas, por outro lado, o que é certo neste confuso tempo de partidos gelatinosos, de alianças surreais e de pragmatismo hiperbólico? Quem pode atirar a primeira pedra no que diz respeito a escolhas partidárias?

Mas ainda assim, Marina, sua candidatura estava fadada a não decolar. Não pela causa que defende, não pela grandeza de sua figura. Mas pelo fato de que as verdadeiras causas que afetam a população do Brasil não interessam aos financiadores de campanha, às elites e aos seus meios de comunicação. A batalha não era para ser sua. Era de Dilma contra Serra. Do governo Lula contra o governo do PSDB/DEM. Assim decidiram as “famiglias” que controlam a informação no país. E elas não só decidiram quem iria duelar, mas também quiseram definir o vencedor. O Estadão dixit: Serra deve ser eleito.

Mas a estratégia de reconduzir ao poder a velha aliança PSDB/DEM estava fazendo água. O povo insistia em confirmar não a sua preferência por Dilma, mas seu apreço pelo Lula. O que, é claro, se revertia em intenção de voto em sua candidata. Mas “os filhos das trevas são mais espertos do que os filhos da luz”. Sacaram da manga um ás escondido. Usar a Marina como trampolim para levar o tucano para o segundo turno e ganhar tempo para a guerra suja.

Marina, você, cujo coração é vermelho e verde, foi pintada de azul. “Azul tucano”. Deram-lhe o espaço que sua causa nunca teve, que sua luta junto aos seringueiros e contra as elites rurais jamais alcançaria nos grandes meios de comunicação. A Globo nunca esteve ao seu lado. A Veja, a FSP, o Estadão jamais se preocuparam com a ecologia profunda. Eles sempre foram, e ainda são, seus e nossos inimigos viscerais.

Mas a estratégia deu certo. Serra foi para o segundo turno, e a mídia não cansa de propagar a “vitória da Marina”. Não aceite esse presente de grego. Hão de descartá-la assim que você falar qual é exatamente a sua luta e contra quem ela se dirige.-

“Marina, você faça tudo, mas faça o favor”: não deixe que a pintem de azul tucano. Sua história não permite isso. E não deixe que seus eleitores se iludam acreditando que você está mais perto de Serra do que de Dilma. Que não pensem que sua luta pode torná-la neutra ou que pensem que para você “tanto faz”. Que os percalços e dificuldades que você teve no Governo Lula não a façam esquecer os 8 anos de FHC e os 500 anos de domínio absoluto da Casagrande no país cuja maioria vive na senzala. Não deixe que pintem “esse rosto que o povo gosta, que gosta e é só dele”.

Dilma, admitamos, não é a candidata de nossos sonhos. Mas Serra o é de nossos mais terríveis pesadelos. Ajude-nos a enfrentá-lo. Você não precisa dos paparicos da elite brasileira e de seus meios de comunicação. “Marina, você já é bonita com o que Deus lhe deu”.

Maurício Abdalla
 Professor de filosofia da UFES, autor de Iara e a Arca da Filosofia (clique para ler comentário), dentre outros.

22/09/2010

a cidade de minas e de niemeyer - 1

hoje cidade tecnocrática, amanhã cidade das gentes...

O governo Aécio Neves inaugurou neste ano a Cidade Administrativa Tancredo Neves, que vem a ser a sede do governo de Minas Gerais. É um conjunto arquitetônico, projetado por ninguém menos que Oscar Niemeyer, composto de 06 edifícios, localizado na divisa de Belo Horizonte com o município de Vespasiano, fica às margens da MG 010, que liga BH ao Aeroporto de Confins.

Todas essas indicações geográficas podem ser úteis para o leitor, já que vale a pena conhecer mais essa manifestação concreta da genialidade de Niemeyer.

Vale a pena do ponto de vista da manifestação da beleza e da estética arquitetônica, claro. Pois do ponto de vista político, ou de um ponto de vista mais amplo, há que se ter outra leitura.

Mas, por ora, fiquemos com o obra em si.

visão panorâmica de três dos quatro principais prédios: o Edifício Minas,
o Palácio Tiradentes e, ao fundo, o Auditório Juscelino Kubistchek
os dois edifícios administrativos propriamente ditos: o Minas e o Gerais,
onde funcionam todas as secretarias de estado e outros órgãos.
 encontro do côncavo e do convexo, suave abraço de curvas
o Centro de Convenções, entre o Minas e o Gerais:
 aconchegado num ninho de curvas e reflexos,
 brilhos  e penumbras

Lembra de fato Brasília, a mais famosa das criações de Niemeyer. Espaços amplos, dando ao transeunte a sensação de liberdade e de integração com o ambiente, linhas curvas e suaves humanizando a grandiosidade dos edifícios, arcos e parábolas atestando a criatividade do projeto como um todo.

O que talvez haja a ressaltar é a ambiguidade da integração (flutuante e sufocante, ao mesmo tempo) entre o ser humano e o ambiente, entre a fragilidade  das pessoas e  amagnificência dos edifícios e alamedas. Aliás, muitos vêem Brasília como uma cidade desumana, já se disse que é até mesmo um projeto fascita, que sufoca a liberdade, que impede a proximidade entre pessoas, que desumaniza as relações, enfim uma cidade que não foi feita paara as pessoas e sim para o aparato de Estado.

(continua abaixo)

a cidade de minas e de niemeyer - 2

hoje cidade tecnocrática, amanhã cidade das gentes...


o Palácio Tiradentes, local de trabalho do governador; na postagem abaixo
(nº 03) fica mais  visível o arrojo da imensa estrutura de concreto supenso
o Palácio Tiradentes
o Auditório Juscelino Kubistcheck: referência à igrejinha da Pampulha,
outra criação de Niemeyer em BH, finalizada em 1943 e encomendada
ao arquiteto exatamente por Juscelino,  prefeito de BH à época.
não sei a propósito de quê, mas essa entrada lateral (veja melhor na
foto abaixo)  do Auditório me lembra vagamente o polêmico Memorial JK,
também projetado por Niemeyer e erguido em Brasília, em 1981.
 
como se sabe.   o Memorial remete claramente aos símbolos do movimento  
comunista, à foice e ao martelo, e  por isso quase foi impedido e destruído
 pelo governo militar. Claro que não houve em Niemeyer uma intenção
consciente de ligar JK à luta revolucionária, mas até parece uma matreira
brincadeira do arquiteto poeta comunista com os  brucutus do regime militar
(caso queira, leia mais sobre o Memorial JK)


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hoje cidade tecnocrática, amanhã cidade das gentes... (2)

Mas, para além dos méritos e deméritos arquitetônicos do conjunto, e para além das digressões políticas e sociológicas de ambos os projetos de Niemeyer, é preciso atentar para um outro aspecto.

Todo essa monumentalidade que acompanha esses aparatos de Estado são um pouco como que castelos de areia, ou gigantes de pés de barro. Servem para mascarar a inocuidade e a obsolescência, cada vez mais presentes, de um projeto de administração das sociedades humanas fadado ao fracasso. É a democracia burguesa, representativa, ou seja lá qual for o nome, que está com os seus dias contados.

Não se concebe mais que as numerosas, diversificadas, urgentes e complexas demandas de todo um país, de todo um estado ou mesmo de uma cidade possam ser satisfeitas por um aparato burocrático, tecnocrático e, principalmente, um aparato distante daqueles indivíduos ou comunidades a quem esse mesmo aparato deveria atender em suas demandas.

A democracia burguesa, enquanto estrutura política do capitalismo, deverá ser necessariamente superada por estrututas mais diretas e mais participativas de administração do trabalho e das necessidades huamnas - e, consequentemente, estruturas menos burras, autoritárias e burocráticas.

Certamente que estamos vivendo numa encruzilhada da história: ou superamos - através da organização popular democrática e, principalmente, transcendente - essa forma de administração chamada capitalismo, com suas estruturas cada vez mais desumanas e irracionais, presunçosas e descontroladas, ou seremos fatalmente levados para uma mistura de Estado totalitário e tecnicista, para uma espécie de distopia, ou utopia negativa, do tipo descrita no 'Admirável Mundo Novo, de Huxley ou no '1984', de Orwell (aliás, o próprio Huxley, já afirmava, lá no distante ano 1933, que as sociedades ocidentais já estavam muito próximas do delírio sem vida magistralemente descrito por ele no 'Admirável...').

(continua abaixo)

a cidade de minas e de niemeyer - 3

hoje cidade tecnocrática, amanhã cidade das gentes...

lateral do Palácio Tiradentes, donde se pode perceber melhor a arrojada estrutura
de concreto suspenso, uma das maiores do mundo, senão a maior:
 o vão livre mede 147 metros de comprimento por 26 de largura

o  indefectivel toque futurista: o helicóptero é uma evidente necessidade
 prática  de deslocamento ágil, mas aproveita-se a necessdiade do Heliporto
 para deslumbrar  as massas com mais um fascinante símbolo de uma inexistente
 racionalidade administrativa das estruturas burguesas e capitalistas.
com direito a futurista jogo de reflexos e luzes
outra panorâmica
frase gravada no monumento, atribuída a Tancredo Neves:
 "O primeiro compromisso de Minas é com a liberdade"

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hoje cidade tecnocrática, amanhã cidade das gentes... (3)

Então é isso: por mais belas, arrojadas e mesmo acolhedoras, que nos pareçam estruturas arquitetônicas como essas da da Cidade Administrativa Tancredo Neves, é o caso de se perguntar a que elas servem, ou servirão.

Na atual etapa histórica certamente que servem apenas para mascarar a decrepitude e ineficácia das atuais estruturas políticas e admnsitrativas: adornar, enfeitar, tudo isso fascina, entorpece e principalmente desvia a atenção, mascara a realidade.  
Nada como chamar Niemeyer para mascarar a inépcia do capitalismo - coitado, logo o insistente comunista Niemeyer.

Mas trabalha-se para a vitória da luta popular, na construção de relações humanas menos medrosas, burras, competitivas e cegas, e mais inteligentes, solidárias, respeitosas e transcendentes.
E no caso dessa nossa construção popular e transcendente sair vitoriosa do embate com as forças da irracionalidade e do atraso, impedindo o advento da bárbárie com cenário tecnológico e futurista, aí, sim, a bela e arrojada obra fará jus à coerência e ao engajamento daquele que a projetou, o militante e poeta da arquitetura Oscar Niemeyer.
Pois ela será ocupada e utilizada não mais como instrumento de fragmentação e manipulação, de isolamento e alienação, e sim como espaço de aproximação e reconhecimento entre pessoas, de confiança e aprendizado na difícil tarefa de administrar trabalho e a riqueza produzidos pelas cidades e comunidades.

E, nesse caso, não será apenas uma abstração retórica a inscrição presente na Cidade Administrativa, mostrada acima:

“Mineiros, o  primeiro compromisso de Minas é com a liberdade

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Mudando de foco.
Embora a história e o projeto político de Aécio Neves nada tenha a ver com a construção popular e trasncendente de uma nova história humana, oxalá o neto de Tancredo ao menos leve a sério a frase de seu avô, e procure de fato fazer uma oposição menos raivosa e obsoleta a um eventual governo Dilma.

Afinal, a se dar crédito às análises da penúlltima edição de Carta Capita (núemro 614), Aécio será o novo líder da oposição, e o que se espera dele é uma oposição responsável, renovada, minimamente democrática, que se afirme através de um projeto de país, e não de um mero projeto de poder, tal como esse projeto raivoso, arrogante e obsoleto da direita DEM/PSDB, e que finalmente sairá destroçado das urnas do próximo final de semana.

19/09/2010

ato contra o golpismo - a batalha de 2010 (4)

Mais dois emocionantes capítulos da série "A batalha de 2010". 
O primeiro, e que vai logo abaixo, é uma convocação para um ato contra o golpismo midiático e em defesa democracia e do respeito ao processo eleitoral de outubro próximo.

É uma inciativa do Centro de Estudos Barão de Itararé, refletindo uma mais que oportuna reação de partidos, entidades e blogueiros progressistas frente a eses excessos desesperados e descarados da mídia e da oposição retrógrada.

Oposição que, ao que tudo indica, irá encolher consideravelmente nessas eleições; não que a oposição de centro e de direita vá acabar no Brasil, mas finalmente poderá dar o lugar de destaque a uma oposição renovada, de caráter minimamente democrático.

Aliás, se se confirmarem as suposições da última edição ( número 614) de Carta Capital, em excelente matéria de capa, parece que está bem próxima essa superação da oposição golpista, udenista e sem criatividade, e parece que esse processo de superação passará por Minas e por Aécio Neves.

Mas por ora, vamos ao Ato contra o Golpismo Midiático

COMPAREÇA AO ATO EM DEFESA DA DEMOCRACIA!
CONTRA A BAIXARIA NAS ELEIÇÕES!
CONTRA O GOLPISMO MIDIÁTICO!

Na reta final da eleição, a campanha presidencial no Brasil enveredou por um caminho perigoso. Não se discutem mais os reais problemas do Brasil, nem os programas dos candidatos para desenvolver o país e para garantir maior justiça social. Incitada pela velha mídia, o que se nota é uma onda de baixarias, de denúncias sem provas, que insiste na “presunção da culpa”, numa afronta à Constituição que fixa a “presunção da inocência”.

Como num jogo combinado, as manchetes da velha mídia viram peças de campanha no programa de TV do candidato das forças conservadoras.
Essa manipulação grosseira objetiva castrar o voto popular, e tem como objetivo secundário deslegitimar as instituições democráticas a duras penas construídas no Brasil.

A onda de baixarias, que visa forçar a ida de José Serra ao segundo turno, tende a crescer nos últimos dias da campanha. Os boatos que circulam nas redações e nos bastidores das campanhas são preocupantes e indicam que o jogo sujo vai ganhar ainda mais peso.

Conduzida pela velha mídia, que nos últimos anos se transformou em autêntico partido político conservador, essa ofensiva antidemocrática precisa ser barrada. No comando da ofensiva estão grupos de comunicação que – pelo apoio ao golpe de 64 e à ditadura militar – já mostraram seu desapreço pela democracia.

É por isso que centrais sindicais, movimentos sociais, partidos políticos e personalidades das mais variadas origens realizarão – com apoio do movimento de blogueiros progressistas – um ato em defesa da democracia.

Participe! Vamos dar um basta às baixarias da direita!
Abaixo o golpismo midiático!
Viva a Democracia!
Data: 23 de setembro, 19 horas
• Local: Auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (Rua Rego Freitas, 530, próximo ao Metrô República, centro da capital paulista).
• Presenças confirmadas de dirigentes do PT, PCdoB, PSB, PDT, de representantes da CUT, Força Sindical, CTB, CGTB, MST e UNE e de blogueiros progressistas.

***************
O segundo acontecimento, e que vai em detalhes logo abaixo, não deixa de ser também uma convocação, feita por ninguém menos que Lula.

Talvez por estar em fim de mandato, ou talvez por finalmente perceber o perigo de manter uma postura omissa ou excessivamente conciliadora, frente à raivosa intensidade dos ataques da mídia golpísta, o fato é que Lula voltou à carga contra os excessos de alguns veículos de comunicação.

E, como sempre, ele o fez com sua peculiar e impressionente forma de comunicação. Enfatiza-se muito a capacidade que Lula tem de falar como as pessoas do povo, como se esse fosse o único fator que faz dele um líder carismático.
Na verdade, além dessa empatia na fala, Lula desenvolve raciocínos, metáforas e induções que não ficam nada a dever aos melhores oradores, jornalistas, articulistas e que cuja sutileza ou profundidade não é plenamente percebida, pelo fato de as pessoas focarem a atenção apenas no jeito de Lula falar.
Repare-se, na fala abaixo, na facilidade com que ele desmonta a hipocrisia de jornais e jornalistas que afirmam não privilegiar nenhum partido político ou candidato. Repare-se na contundência e na pertinência com que ele fala acerca dos donos de jornais. E é tudo direto, convincente, é uma impressionante, mistura de espntaneidade, sutileza, contundência e empatia.

Ressaltando que o texto foi extraído, na integra, do site Carta Maior, o qual reproduz também um trecho do jornal Estado de São Paulo.

PRESIDENTE LULA MOBILIZA 30 MIL PESSOAS EM CAMPINAS E CONVOCA A RESISTÊNCIA AO GOLPISMO MIDIÁTICO

Aspas para o discurso do Presidente:
"...Nós não vamos derrotar apenas os blocos adversários tucanos, nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem partido político e não têm coragem de dizer que são partido político e têm candidato...Eu estive lendo algumas revistas que vão sair essa semana, sobretudo uma que eu não sei o nome dela. Parece "óia” ... destila ódio e mentira. Ódio...Tem dia que determinados setores da imprensa brasileira chegam a ser uma vergonha. Se o dono do jornal lesse o seu jornal e o dono da revista lesse a sua revista, eles ficariam com vergonha do que eles estão escrevendo exatamente neste instante. E eles falam em democracia... Nós não precisamos de formadores de opinião. Nós somos a opinião pública...Eles não suportam escrever que a economia brasileira vai crescer 7% este ano, não se conformam é que um metalúrgico vai criar mais emprego que presidentes elitistas que governaram este País. Não tem nada que faça um tucano sofrer mais do que a gente provar que eles têm um bico muito grande para falar e um bico pequeno para fazer..."

Aspas para o Estadão, 17-09:
"... o Largo do Rosário, na região central de Campinas foi tomado por cerca de 30 mil pessoas... Apesar do esquema para proteger Lula, muitos prédios comerciais no entorno estavam abarrotados de curiosos nas janelas. Um limpador de janelas parou o que estava fazendo na marquise de um prédio ,ao lado do palco, quando Lula começou a discursar...."

peitar a hipocrisia e a corrupção - a batalha de 2010 (3)

Como disse  no texto abaixo, não se trata de defender incondicionalmente Lula, o PT e Dilma. Afinal, já está mais que na hora de colocar algumas situações em pratos limpos.

Se de fato a ex-ministra Erenice Guerra, em sua passagem pela Casa Civil, praticou, deixou praticar ou não soube conter as safadezas com a coisa pública, que a mídia calhorda e sem credibilidade vem lhe imputando, que essa ex- seja relegada ao ostracismo e que seja devida e legalmente punida, na parte de responsabilidade que lhe couber.

O que não dá mais é o PT, Lula e Dilma comprometerem o avanço da luta popular no Brasil. Hoje estão á frente dessa luta, estão no governo, mas não chegaram lá sozinhos, não surgiram do nada, há toda uma história, toda uma trajetória de lutas e resistências por detrás dos dois mandatos de Lula e do eventual mandato de Dilma.

Por isso é que não podem se dar ao luxo de comprometer a credibilidade desses governos do PT. Se assim o fizerem estarão comprometendo, por muito tempo, a credibibilidade da prória luta popular, depois de anos de árduas batalhas. Os mandatos nãom lhes pertencem, pertencem à luta popular.
PT, Lula e Dilma precisam de uma vez por todas enfrentar esses problemas de suposta corrupção apontados pela mídia. Chegará um momento em que não vai dar mais para as camadas populares e os setores médios serem condescendentes com o argumento da governabilidade.
Ou seja, como o país ainda está num processo de transição, rumo a uma real democracia popular ainda teríamos que conviver por algum tempo - em razão da necessária política de alianças com os setores da velha ordem - com práticas condenáveis na gestão da coisa pública.
Ora, essa argumentação teve que ser aceita durante algum tempo. Agora não dá mais, mesmo porque isso servirá cada vez mais de munição para os inimigos da luta popular e para a sua mídia calhorda. Assim, na verdade é até mesmo uma questão de sobrevivência para Lula e o PT resgatarem aquela postura ética que sempre marcou o PT e que lhe granjeou grande parte da simpatia que conquistou entre as camadas médias e populares.
*******************
Enfim, ou Lula, Dilma e o PT se reafirmam como símbolo da transparência e da moralidade com a coisa pública, ou servirão cada vez mais de alvo para a mídia calhorda e hipócrita. E, nesse caso, se não se colocar um paradeiro nessas denúncias ou naquilo que as motiva, talvez chegue um tempo em que, para fazer justiça a essa mídia, não mais poderemos chamá-la de mídia calhorda e hipócrita.

Por outro lado, se fizerem o seu papel, Lula e o PT certamente terão o direito e a obrigação de uma outra tarefa: a de enfrentar e corrigir publicamente os execessos hipócritas dessa mídia, caso eles continuem a ocorrer.
Nesse caso, não haverá como fugir do bom combate. Lula e o PT terão que peitar essa estruturas de poder representadas pela mídia, tal com vêm fazendo alguns governantes da América Latina, principalmente Chavez na Venezuela, Cristina Kirchner na Argentina.

Na verdade, para alguns jornalistas (veja texto de Rodrigo Viana, já indicado por aqui) Lula perdeu várias oportunidade de combater esses excessos da mída, e hoje estaria pagando o preço dessa indecisão ou omissão.
Pode até ser que os excessos sejam fruto dessa omissão, mas isso não isenta Lula, o PT e Dilma de também cumprirem a sua tarefa de se resgatarem enquanto símbolo de transparência, moralidade e rigor com a coisa pública.

Chega um momento em que não dá para desqualificar todas acusações como sendo atitudes udenistas, lacerdistas, golpistas e por aí vai. Afinal, quem exige esse respeito, rigor e transparência é a luta popular e não as hipócritas mídias dos inimigos da luta popular.

17/09/2010

dois projetos em jogo - a batalha de 2010 (2)

Ainda sobre a hipocrisia ululante da mídia calhorda, abordada abaixo.

Não se trata de defender incondicionalmente os dois governos Lula e a candidatura Dilma, com seu até então vago programa de governo.

Trata-se tão somente de escolher entre dois projetos: este, do PT, que com todas os desvios, indecisões e contradições, ainda é um projeto de governo popular, ainda tem como horizonte a transformação - mesmo que gradual e excessivamente institucional e tecnocrata - das desumanas, coloniais e colonizadas estruturas sociais e políticas deste nosso grande país.

E o outro projeto, o do candidato Serra: o projeto da mesmice, da manutenção dos privilégios, da postura arrogante e preconceituosa contra o povo e seus legítimos representantes, o projeto da demagogia, da falsa modernidade, da modernidade submissa a interresses externos, a modernidade que ilude as camadas populares com eternas promessas, bugigangas eletrônicas, migalhas econômicas e migalhas de cidadania e participação política.

Quanto a um suposto terceiro projeto, ele não existe, é uma intenção de projeto: na remotíssima hipótese de um governo Marina Silva, por mais bem intencionado e planejado que fosse, ele seria sabotado, atropelado, distorcido, chantageado, manipulado e, por fim, talvez cooptado ou derrubado pelo que há de pior nas estruturas políticas e de poder neste país.

Se Lula, com todo o seu carisma e com o combativo suporte de um partido como o PT, amargou o que teve que amargar, em termos de agressão, preocnceito, difmação e pressão, imagine o que uma Marina Silva frágil e desamparada (digo-o em termos políticos, não em termos físicos ou morais) não sofreria nas mãos dessas ‘elites’.

a hipocrisia ululante - a batalha de 2010 (1)

Assim que a candidatura Dilma disparou nas pesquisas eleitorais, com reais chances de decidir a eleição já no primeiro turno, a campanha do tucano José Serra aumentou o tom das acusações e difamações e baixou o nível, convenientemente auxiliada, monitorada e motivada pelos veículos da chamada grande mídia, que de grande tem somente a quantidade (daqui a alguns anos nem isso terá de grande) pois não passa de mídia retrógrada, assustada e arrogante.

Folha de São Paulo, Veja, Rede Globo, jornal O Globo, junto com seus capangas midiáticos regionais e de menor expresão, têm se esmerado em ‘descobrir’ e divulgar denúncias contra o governo Lula e contra a candidata Dilma.

Claro que ninguém em sã consiência política contesta o direito e a obrigação que a imprensa tem de investigar, questionar, divulgar e criticar ações que atentem contra a transparência e a moralidade na gestão da coisa pública. Isto é o óbvio ululante.

O problema é quando o que se torna ululante é a hipocrisia.

Quebra de sigilo na Receita Federal, denúncias de corrupção na Casa Civil, acusações de intolerância e autoritarismo para com Dilma Roussef: porque nada disso foi investigado e divulgado antes? Porque fazer tudo isso a toque de caixa e, também a toque de caixa, imputar todas essa mazelas à candidata Dilma e ao seu partido? Porque não lhes dar o benefício da dúvida?

Porque não se lembrar de que quem plantou a corrupção neste país foram os 500 anos de desmandos e desvarios daqueles que hoje são exatamente representados por José Serra e pela mídia calhorda?

Por que não ter um pouco de boa vontade e reconhecer que esse governo tem feito avançar, ou pelo menos tem permitido que se avance, no combate à corrupção e à safadeza com a coisa pública, mesmo com todas as limitações e contradições herdadas de 500 anos de corrupção e patrimonialismo arrogante?

A resposta, meus amigos, não está no vento, está bem aí: está no dia 03 de outubro.

A resposta está no desespero e no destempero e na arrogância de quem se vê à beira do abismo, à beira de uma derrota estrondosa, mas que não tem a devida lucidez, humildade e humanidade para tentar se renovar, para tentar dar a volta por cima atarvés de meios menos sujos, vergonhosos, arrogantes, fascistas e patéticos.

15/09/2010

o enfrentamento e a mobilização popular

Ainda  a respeito das falas de Lula nos dois vídeos abaixo e a respeito da transformação das estruturas políticas e sociais no Brasil.

O fato é que, para transformarmos a fundo a sociedade, precisamos fundamentalmente preservar o ambiente democrático, ou por outra, para podermos superar a democracia formal, burguesa e limitada rumo à democracia direta, popular e verdadeira, precisamos saber conservar todas as conquistas que arduamente vamos obtendo ao longo do tempo. E certamente que uma liderança de esquerda pedir a ‘extirpação’ de partidos significa dar brecha, é oferecer munição para os raivosos e assustados adversárisos do avanço popular e verdadeiramente democrático.

A não ser, é claro, que essa liderança saiba exatamente o que está dizendo, ou seja, que confie em que de fato as práticas nefastas e desesperadas das forças adversárias serão de fato ‘extirpadas’ da história política do Brasil.

O problema é que isso pode não ser lá muito verdadeiro. O caminhão de elitores, que Lula tem hoje, pode não estar com ele amanhã – em 2012, 2014, 2018... Afinal, Lula e o PT não estão conseguindo, ou não estão querendo, avançar na formação política desses novos agentes.
Pode ser que o vasto contingente social, que obteve consideráveis benefícios econômicos e sociais nos dois governos Lula, esqueça-se do partido e das lideranças que permitiram essas conquistas econômicas e sociais.

E então será presa fácil para uma direita falsamente renovada, que no momento oportuno poderá ressurgir com seus apelos moralistas, conservadores, e que certamente saberá explorar os preconceitos que as camadas populares tem contra seus próprios líderes, contra sua própria história.

O antídoto contra esse eventual veneno seria extamente a formação política, a mobilização popular, o envolvimento efetivo, regular e consciente das camadas populares nas grandes questões nacionais e nas questões locais do seu cotidiano, seria, enfim, governar junto com o povo, e não apenas para o povo, partilhar com o povo o difícil aprendizado de construir uma real demcoracia popular.

Não parece que essa tenha sido uma prioridade dos dois governos Lula, nem parece que vá sê-lo no governo Dilma - apesar da realização das várias conferências municipais, estaduais e nacionais (educação, comunicação, cultura, entre outras), a mobilização popular é quase inexistente, falta sair um pouco do institucional, do tecnicismo, enfim, trazer o governo até o povo, até a cidade, até a comunidade, até as praças, ao invés de querer levar o povo para o institucional e o o burocratizado.

Mas essa é uma outra questão, a ser abordada numa outra ocasião.

De qualquer forma, com mais alguns desses seus arroubos de fala grossa, talvez Lula compreenda que, para extirpar o atraso, o privilégio e a arrogância, qualquer partido e qualquer governo que se pretendam de fato transformadores precisam, antes de tudo, de ter ao seu lado um movimento popular amplo, autônomo, consciente e combativo – para que as camadas médias e populares não se voltem, por ignorância, comodismo e preconceito, contra esse mesmo governo.

Lula fala grosso com a direita

Nesta semana, em Joinville, Lula voltou a rasgar o verbo contra os representantes da direita raivosa e atrasada. Disse em alto e bom som que está na hora de o povo ‘extirpar o DEM’ da realidade política de nosso país.

Das previsíveis reações da direita, da grande mídia e de seus ‘analistas’, talvez se devesse levar em conta um argumento: aquele que alerta para o perigo de um presidente da república usar a expressaõ extirpar, aniquilar, destruir, em relação a um partido político, que por mais retrógrado que seja, ainda representa as posições políticas de um determinada conjunto da sociedade, ou do povo, se se preferir, supondo que DEM e povo tenham algo em comum.

É certo que isso é perigoso. Afinal, enquanto ainda não transformamos radicalmente a sociedade - de forma que não tenhamos mais espaço para as mal chamadas elites e suas hipócritas representaçãoes políticas - é preciso respeitar todo e qualquer partido político; afinal, abre-se o precedente para pedir a ‘extirpação’ de qualquer outro partido político que, acaso, venha a contrariar as forças políticas eventualmente no poder.

Como não consegui um vídeo mais duradouro e mais abrangente
 do discurso de Lula, sugiro a leitura desta matéria do site expressomt,
para se ter uma melhor idéia do contexto de sua fala.  

Mas, no final das contas, todos entendemos que Lula usou o termo ‘extirpar’ no sentido de acabar, enterrar, superar definitivamente uma certa forma de fazer política, a forma hipócrita, oportunista, obsoleta, a forma própria de pessoas e grupos sociais egoístas e desumanos, que se acostumaram a não ter um enfrentamento sério e organizado contra os seus desmandos, contra a sua desprezível prática patrimonialista, que vê a coisa pública, o Estado, as Leis, apenas como hipócritas instrumentos para melhor exercer o seu domínio sobre aqueles que lhes ficam abaixo social e economicamente, sobre o chamado povo, como se as leis e instituições fossem apenas uma forma de iludir esse mesmo povo, com promessas nunca realizadas de igualdade, liberdade e fraternidade.

Assim, na verdade o que Lula clamou foi pelo fim dessa postura arrogante, presunçosa e ultrapassada: se a oposição quer fazer política, que o faça de forma renovada, de forma lúcida, que reconheça com seriedade e respeito que, de uma década para cá, existem novos atores no cenário político do Brasil.

São aqueles que até há pouco tempo não tinham a chamada dignidade econômica e que, junto com ela, agora praticam a dignidade política. Não aceitam mais ser tuteladas pelas outras forças políticas, não precisam mais se conduzir pelos chamados formadores de opinião, que as ‘elites’ lhes impunham: seus jornalistas, seus artistas, suas primeiras damas e sua madames (nem tão damas e madames assim) à frente de pretensas obras decaridade, seus juízes, seus médicos, seus professores e professoras, suas patroas e patrões domésticos, e por aí vai...

Enfim, ou a oposição de direita aprende a reconhecer e respeitar um novo país, um novo povo, ou ela própria vai cavar a sua ‘extirpação’ pelo povo – a começar agora, pelas eleições de outubro, quando tudo indica que DEM e PSDB levarão uma surra monumental, e não apenas na eleição presidencial.

Lula fala grosso com a grande mídia




Quem anda se assustando ou se admirando da fala de Lula em Santa Catarina (veja texto e vídeo acima) certamente não tomou conhecimento de um comício realizado em 24 de agosto, no Mato Grosso, o qual foi uma das poucas ocasiões em que Lula, finalmente, falou de forma um pouco mais dura em relação aos donos da mídia no Brasil - e que se julgam donos da vontade do povo e dos destinos do país. O discurso está no vídeo acima.

Ainda está a quilômetros de distância do enfrentamento firme e duradouro que Hugo Chavez e Cristina Kirchner, por exemplo, vem fazendo contra as estruturas de poder oligárquicas e eleitistas representadas pelas mídias de seus países, a Venezuela e a Argentina.
Mas não deixa de ser um começo. Quem sabe Lula, Dilma e o PT entendam que já possível, e urgentemente necessário, dar um combate mais efetivo e corajoso ao vergonhoso monopólio dos meios de comunicação.

Claro que será um enfrentamento extremamente mais difícil e complexo do queu tem sido na Argentina, Venezuela e outros países da América Latina. Afinal, o Brasil é a principal referência político-econômica da América Latina, e os os sócios internacionais dos poderosos locais estarão de olho nesse combate, preocupados com o avanço das transformações sociais e políticas popular no Brasil, cujo sucesso, em qualquer país, depende muito do combate que se dê ao poder e ao aparato ideológico incrustrados nos meios de comunicação.
****************
Aliás, a respeito da oportunidade e da necessidade desse combate, o jornalista Rodrigo Viana publicou recentemente em seu blog um texto bem instrutivo. Faz um paralelo entre as posturas da mídia de hoje e as maquinações da imprensa na década de 60, à época do golpe militar. E alerta Lula para o perigo de deixar passar o momento certo para fazer esse enfrentamento com os poderosos da mídia. Vale a pena ler o texto, que extraí do blog 'escrevinhador':

Apenas faltou alertar também que, para esse enfrentamento ter sucesso, o governo precisaria antes preparar as camadas populares e médias, ou melhor, precisaria fazer esse enfrentamente junto com o povo, precisaria do suporte do povo, para que as camadas populares e médias não sejam envolvidas pelas armadilhas, mentiras e argumentos capciosos da mídia (que, precisamos reconhecer, é tremendamente competente no poder de convencimento) e evitando assim que se voltem contra o próprio governo.

Enfim, para fazer o enfrentamento com a mídia, talvez Lula, Dilma, o PT e o governo precisassem fazer antes aquilo que até hoje - depois de longos oito anos - ainda não fizeram, que é promover mobilização popular, a participação efetiva, regular e entusiasmada das camadas médias e populares na condução do país, como saliento no texto o enfrentamento e a mobilização popular.
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Sobre o vídeo do comício propriamente dito, registre-se a admirável empatia que Lula é capaz de estabelecer com aqueles que o ouvem. É preciso reconhecer: há em Lula algo que vai muito além do populismo e do oportunismo. Registre-se também o pequeno acerto de contas que Lula faz com a família Frias, dona do grupo Folha de São Paulo, e a vibrante, espontânea e catártica peroração que faz contra o preconceito e contra os preconceituosos.  

13/09/2010

de volta à lida...

Desde julho quase não tenho postado aqui no blog. Estive viajando e também envolvido com os preparativos para o Grito dos Excluídos 2010 e o Plebiscito Popular pelo Limite da Terra, além dos afazeres de todo dia , que vão se acumulando - de vez em quando é preciso parar e se refazer, parece que não, mas editar e manter um blog exige uma certa dedicação.

Retorno com algumas imagens do vibrante Grito do Excluídos realizado aqui em Vitória, com um poema de Marina Botelho (com a delicada e densa concisão de sempre) e com um vídeo sobre o criminoso e brutal 11 de setembro lançado contra o aguerrido povo do Chile à época de Allende.

Boa leitura e grato aos que por aqui passaram nesse tempo de ausência.

é uma cidade muito pequena

é uma cidade muito pequena
para tanta distância

é preciso
ir devagar
com os cuidados, meu pai

devagar com os cuidados

é uma cidade muito pequena
para caber tanta dor

mariana botelho - blog suave coisa

o grito que ainda se faz ouvir

(depois de ler o texto, veja abaixo algumas  imagens do Grito dos Excluídos 2010, em Vitória)

O Grito dos Excluídos é realizado há já 16 anos, no dia 07 de setembro, por iniciativa da CNBB, em articulação direta com a Campanha da Fraternidade. Quem mantém vivo o movimento, ao longo desses 16 anos, são as Pastoriais Socias junto com a ala progressista e socialmente engajada da Igreja Católica.
O Grito é hoje a maior, senão a única, manifestação popular organizada, massiva e abrangente que temos no Brasil.

Sabemos que o próprío MST tem se recolhido um pouco, com o advento do governo Lula. Talvez por haver mais diálogo com o governo petista, talvez para contribuir com a chamada governabilidade, evitando dar munição para os eternos inimigos de um governo popular, o fato é que o MST não tem alavancado ostensivamente o seu projeto de uma integração das lutas campo-cidade.

Claro que não se trata aqui de fazer comparações inócuas entre MST e Igreja Progressista. Mesmo porque os objetivos imediatos do MST são bem específicos – a luta pela reforma agrária – ao passo que o horizonte da Igreja Progressista é mais amplo e difuso: a construção de um Projeto Popular para o Brasil, que, aliás, foi o tema do Grito deste ano: “Vamos às ruas para construir um Projeto Popular”.
Além disso, o MST, a Via Campesina e outros movimentos camponeses têm participado ativa e regularmente do Grito ao longo dos anos, e também e na construção conjunta desse Projeto Popular para o Brasil.

Trata-se apenas de registrar que, hoje, quem dá visibilidade pública à construção desse Projeto Popular são os setores progressistas da Igreja Católica. É o Grito dos Excluídos quem hoje leva as lideranças populares para as ruas, na tentativa de despertar a cidade e o campo para a necessidade e a possibilidade de o povo brasileiro construir um movimento que supere as limitações políticas e institucionais que os sucessivos governos do PT trazem consigo.

Resumindo: se houver um movimento que esteja em condições de promover a superação dialética desse momento histórico representado pelo PT, esse movimento tem tudo para brotar novamente de dentro da Igreja Progessista, e não de algum sindicato, partido ou movimento social.
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Não se afirma aqui que a Igreja vá criar um movimento ou partido para comandar os avanços na luta popular em nosso país, mas simplesmente que ela está novamente a exercer o seu papel de aglutinadora, de articuladora da resistência e do avanço popular.

Ou seja, ela estaria cumprindo de novo aquela sua tarefa histórica que exerceu na década de 70 quando - principalmente através das Comunidades Eclesiais de Base, CEBs, e da Comissão Pastoral da Terra, CPT - forjou e ofertou muitos e indispensáveis quadros para o movimento de ruputura política que se inciou naquela década, que foi posteriormente conduzido pelo Partido dos Trabalhadores e que tem dado os seus primeiros frutos nesta década.
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É preciso registrar ainda que a construção desse Projeto Popular é a razão de ser tanto da Consulta Popular quanto da Assembléia Popular, dois movimentos que, embora não sejam muito citados na mídia e no nosso dia a dia, talvez sejam as iniciativas que mais estejam se preparando para substituir dialeticamente o PT enquanto articuladores do processo de transformação popular.
Lembrando que tanto a Assembléia Popular quanto a Consulta Popular são constituídas, em sua maioria, por lideranças e quadros oriundos exatamente dos movimentos camponeses, das pastorias sociais e das CEBs.
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É preciso também levar em conta as posições das tendências mais à esquerda do PT, notadamente a AE - Articulação de Esquerda. Para a autodenominada Esquerda Partidária do PT, ainda é possível e necessário disputar internamente os rumos do Partido, para que o PT resgate a sua vocação socialista e tenha mais poder de decisão no governo Dilma e nos futuros eventuais governos petistas.

Dessa forma, o PT poderia superar a si próprio e voltar a exercer a tarefa de força motora da transformação popular no Brasil. Ou seja, a esquerda partidária seria uma espécie de antítese a esse PT moderado, institucionalizado e cada vez mais burocratizado que vem governando o país. Desse enfrentameneto dialético surgiria uma nova síntese, um novo PT, efetivamente capaz de continuar impulsionando com lucidez, coragem e eficiência a luta popular.

Não deixa de ser uma possibilidade, essa de o PT ser seu próprio ‘substituto’, realizar sua própria superação histórica. A história está sempre em aberto. Por outro lado, essa autossuperação somente poderá se dar se a chamada Esquerda Partdidária de fato conseguir envolver novamente no PT os quadros e militantes que hoje estão alimentando exatamente as CEBs, as Pastorais, os movimentos camponeses, a Assembléia Popular, a Consulta Popular.

Enfim pode ser um PT redimido, ou um novo partido, essa força que irá fazer avançar a luta popular. De qualquer forma resta ainda saber por quanto tempo esse PT que vem conduzindo o processo de transformação ainda permanecerá à frente do governo; resta saber quantos anos ainda faltam para que esse PT esgote de fato o seu papel histórico de - bem ou mal, de forma ousada ou medrosa – conduzir o processo de transformação das estruturas sociais e econômicas de nosso país.

Mas isso já é outro tema, que exigirá um outro espaço.

imagens do grito I

bandeiras a postos: entre as arquibancadas do sambão
 do povo,  os foliões do movimento popular se preparam
para o desfile da esperança e da resistência popular

nós, do CPV - conselho popular de vitória; estou segurando o cartaz contra as guerras

também haviam urnas para quem quisesse votar no plebiscito popular
 sobre os limites  das propriedades rurais, que aconteceu agora em setembro;

o desfile popular nas imediaçãões do parque moscoso...

... e da vila rubim