29/11/2011

ocupe a periferia: carta aberta da fec

Conforme já comentado aqui  e aqui, parece que um dos desdobramentos (não o único, registre-se) dos movimentos Ocupa terá que se dar pela integração com as lutas populares já existentes, sob o risco de se esvaziarem antes mesmo de cumprir a sua principal tarefa, que é a de de ajudar a provocar o despertar das massas ainda anestesiadas e ainda ignorantes da barbárie que nos ameaça. 

Essa iniciativa da FEC - Frente de Estopim Comunista é, com certeza, uma das atitudes pioneiras neste sentido. Independendente do grau de sucesso da Ocupação Lavras, ou da duração temporal da integração entre movimento Ocupa e movimento dos sem teto,  o que importa é o avanço na compreensão do potencial e das tarefas dos  movimentos Ocupa, o que importa é a lucidez demonstrada pelo grupo. Afinal, todo movimento que se aproxima da lucidez e da verdade de seu tempo, tem muito mais possibilidades de frutificar e permanecer. Tem muito mais possibilidades de superar as contradições e dificuldades exigidas para realmente se colocar em prática os fascinantes  e ousados - mas também exigentes  e desgastantes - horizontes almejados pelos movimentos Ocupa.

**************************
Carta aos Movimentos Sociais, Políticos, Sindicais e Populares de Luta
Nós, da Frente Estopim Comunista - Exército do Povo, estamos vindo por está carta solicitar apoio a todos os movimentos sociais, políticos, sindicais e populares que estejam do lado da classe trabalhadora nas trincheiras da luta de classes. Somos um coletivo de militantes que estamos acampados na Ocupação que está ocorrendo em Guarulhos-SP.

Desde o dia 29 de outubro um movimento popular, criado por lideranças orgânicas do movimento de moradia na cidade, e que não possuem ligações com movimentos organizados, iniciaram a ocupação da região do Jardim Santo Expedito, próximo aos bairros do Lavras e Soberana. Nós militantes da FEC-EP, ao observarmos a Ocupação, resolvemos acampar na área para iniciar um projeto de construção de uma resistência politica, cultural e social. Construímos um Barracão com o objetivo de servir como um espaço de convivência coletiva, cozinha comunitária, escola de educação popular, biblioteca, rádio poste, espaço cultural, entre outras atividades.

Seguimos uma tendência internacional de Ocupações realizadas pelos movimentos anticapitalistas que ocuparam praças, ruas, prédios, universidades e escolas por muitos países do mundo, em destaque a Espanha, Portugal, Inglaterra, Itália, EUA, Chile e São Paulo. Apoiamos o movimento Ocupa Sampa e realizamos aqui em Guarulhos o que chamamos de Ocupe a Periferia. O intuito é abrir a perspectiva da necessidade dos movimentos de Ocupações se atrelarem intimamente com os movimentos sociais já existentes, como o dos sem teto, sem terra, do passe livre, da educação pública, o movimento operário e estudantil, entre outros. Na Espanha, os Indignados aos serem postos para fora das praças, passaram a se incorporarem com os sem-teto, passando a ocupar prédios vazios.

Queremos contar com o apoio político dos movimentos de luta, pois somos uma Frente e queremos que as organizações de esquerda somem nesta Frente que pretende construir uma forte resistência nesta área. O Espaço é coletivo, todas as organizações serão bem recebidas. E precisamos também do apoio financeiro, porque a nossa ação se esbarra nos limites do capital. Queríamos poder estar mais consolidados na área, mas por falta de dinheiro estamos construindo de acordo com nossas forças. Segue no documento fotos do nosso barracão. É importante reforçar que não temos nenhuma ligação com as lideranças dos sem-teto e que eles são reconhecidos pelo povo pela ação. Conseguimos conquistar respeito e deixamos claro para as lideranças que estamos na área para realizar trabalho social e voluntário. Não temos pretensão de liderar o processo e sim ser um ponto vermelho de resistência social contra a opressão capitalista e suas ideologias massacradoras. "

FEC-EP : Frente Estopim Comunista – Exército do Povo

27/11/2011

poesia e a finitude: diálogos com o perecer

Em razão do grande número de textos acerca dos movimentos Ocupa, redigidos e postados em novembro, acabei negligenciando a edição de poemas neste mês. Na verdade, faltava apenas um poema, esse que segue abaixo, o que eu adiva era um comentário acerca dessa seleção de poemas e sobre os poems em si.

Tal com em novembro de 2010 (aproveitando a data de Finados) selecionei poemas que falam da relação do ser humano com a morte, ou melhor, com o morrer, com o perecer, esse horizonte que está sempre à nossa volta, à nossa frente, mesmo que sejamos educados, formados para ocultar tal relação e tal horizonte.

A escolha de poemas que dialogam com o morrer nosso de cada, já pelo segundo ano consecutivo, não reflete uma atitude algo patológica, derrotista, fatalista , ou o que seja.
É apenas uma forma de lembrar esse acontecimento (e a relação com esse aconteciemnto),  que talvez seja tão essencial ao ser humano quanto a próprria existência. Rilke, Blanchot, Heidegger e muitos outros propõem: é a morte que ilumina a existência, à morte deveríamos dedicar mais cuidado, deveríamos aprender a aceitar, e mesmo  aprender a amar, o seu desvelar no nosso dia  a dia.

Na verdade, quando conseguirmos de fato instaurar um mundo feito para as pessoas e para a vida (que oxalá esteja se iniciando com  os movimentos Ocupa e com a atual Rebelião Planetária) o convívio e o cuidado com o morrer certamente não serão vistos como algo indesejável e bizarro, doentio e supérfluo.

Certamente, então,  haverá nais tempo e um ambiente mais propício para se cultivar, individual ou coletivamente, as vivências interiores, os dialógos filosóficos e metafísicos, enfim, as indagações ora silenciosas ora verbalizadas acerca de nós próprios, acerca do Ser e acerca de nós próprios no meio do Ser, e, entre essas indagações, a condição de morrer estará presente.

Com certeza, então, a morte será entendida e vivenciada não como algo terrível e limitador, e como algo a ser ignorado ou combatido, mas como a aparição que dá plenitude a nossa precariedade, algo que faz cintilar mais ainda a nossa singularidade, exatamente pelo fato de tornar ainda mais admirável a finita estada de nossa consciência e de nossa vivência  no meio do ser. 

O assunto é pulsante e renderia muitas e muitas reflexões - apesar do véu que nos ensinam a sobre perante o mesmo. Mas, como nesse ano o tempo é breve, remeto aos comentários do ano passado: a frágil subversão do dia dos mortos.

*********************** 
Antes, uma breve menção aos poemas deste ano.  A começar por esse que vai abaixo, eras, de Celan.
Aparentemente, o poeta assume uma postura completamente derrotada e niilista, no seu desamparo. Um lamento subjetivo, narcisista, como se "tudo" no mundo existisse para nos aconchegar ou 'desertar' de nós. A dor que se alimenta de si própria, desvinculada de qualquer outra vivência humana. Na sua caminhada final rumo ao suicídio (Celan se matou em 1970), bem que esse niilismo deseperado pode ter se apossado de Celan. Ms é preciso levar em conta atenuantes: como se sabe os pais de Celan foram assassinados num campo de concentração da Alemanha nazista, e o poeta sempre vivenciou, ao longo de sua vida, uma atribulada relação com a morte anônima, brutal, com morte sem o devido cuidado e sem o devido desvelo, em razão dessa morte estúpida imposta aos seus pais - eles são figura recorrente na sua poesia.
Há outro poema de Celan, publicado neste mês: ilegibilidade. nele fica ainda mais evidente e comovente a marcha de Celan rumo ao suicídio, rumo à não-aceitação de nossa finitude, com tudo o que ela implica de contraditório, de sofrimento e de aprendizado. Mais sobre Celan aqui e aqui.

Já em espreita há uma bela e serena invocação (embora com a presença de uma certa mágoa do poeta) desses momentos em que a morte e a nossa finitude nos enviam seus sinais e sussuros.

Em uma chama,  se não há um inventário poético de momentos, cenas  e cenários, há um apelo direto, uma entrega resoluta ao destino que espera a nós, entes finitos mas iluminados pela 'chama' de nos sabermos testemunhas privilegiadas de tudo o que existe: testemunhas do ser e dos cosmos,  e também testemunhas do nada, da morte - ao contrário dos demais viventes e das coisas, que ao que se saiba não têm essa singular percepção do próprio fim.  

Noutros poemas há um vivência menos individualizada e, por extensão,  menos densa da morte. Há como que um amparo mútuo, o absoluto  e grandioso enigma da morte é, não desvendado, mas ao menos compartilhado por vivos  e mortos.
Ora entre amantes já mortos como em órgãos vitais, ora um vivo meditando sobre a partida de amantes também já mortos, como em piscar. E uma ambígua tentativa de comunicação entre pai morto e filho vivo, como em conversa de família - embora vazada numa  fala de cortante desengano e lucidez, deixa entrever uma espécie de percepção mística, como se o filho pudesse sutilmente perceber nos espaços e no tempo os fugidios acenos e sussuros daquele que morreu. Aliás, a respeito dessas enigmáticas percepções do ausente nos ares e instantes dos vivos, remeto a um poema de minha autoria, também publicado ano passado: ilha, luto.

Por fim, os poemas que escrevas: lembra Blanchot, com a sua afirmação de que escrever é falecer, perecer, de que, para o escritor, a escritura é a única forma não afundar na inevitável e constante percepção do perecimento e, ao mesmo tempo, de celebrar e acolher esse e perecimento.
Para Blanchot, a obra de um escritor - independente de quantos livros escreva e de quanto tempo demore para fazê-lo -  resume-se ao final numa só obra.

Uma fala única, a exigir  o cuidado do escritor de forma ininterrupta e interminável, numa obra sempre retomada e nunca concluída, aliás somente concluída com o término de seu constante perecimento, término que se dá exatamente no ato de morrer. 
Maurice Blanchot fala de tudo isso, de forma densa, poética e magistral, em "O espaço literário" (Editora Rocco, 1987),  a partir da abordagem de  obras e existências de escritores e poetas:  Kafka, Rilke, Holderlin, Mallarmé, Tchekov, entre outros.

poesia e finitude (21)

ERAS a minha morte:
a ti eu podia reter
quando tudo me desertava

(paul celan - romênia, "fiapossóis", 1968
trad. flávio kothe, 'hermetismo e hermenêutica", 1985)

25/11/2011

tahrir, uma praça feita para a revolução

Não bastasse já ter entrado para a história das lutas populares, durante os vibrantes levantes de fevereiro, eis que na última semana o povo egício consagra novamente a Praça Tahrir como centro de sua resistência ao autoritarismo e, quiçá, como símbolo do avanço dos povos rumo a um nova ordem política e econômica para  a toda a humanidade.

Aqueles que não se impressionam e não se comovem  com a imagem abaixo, e com toda essa saga do povo egípcio, é porque já perderam há muito tempo a faculdade,  não apenas de sonhar, mas de compreender que os homens sempre podem reinventar-se - ou, infelizmente, talvez  nunca tenham podido exercer essa faculdade do sonho e do entendimento, anestesiados pelo medo, pela apatia e pela comodidade de uma postura fácil e simplista perante o mundo que lhes acolhe.
Vale ler também os dois breves textos de Carta  Maior, logo após a imagem.
a praça tahir, em 22.11, 
 literalmente tomada pelo heróico povo egípcio

TAHRIR ESTÁ TOMADA POR UMA MULTIDÃO SEMELHANTE À QUE DERRUBOU MUBARAK ** é fim de tarde no Cairo** seis passeatadas vindas de bairros distantes despejam milhares de pessoas na praça** o ex-diretor da Agencia de Energia,ElBaradei, chega a Tahrir: o anúncio do seu nome causa emoção** Tahrir é o centro de uma revolução** é a partir dela que a agenda política se move no Egito** Tahrir deslocou o eixo do poder, dos gabinetes e quartéias para as ruas: a Irmandade Muçulmana não sabe mais se negocia com a ditadura militar ou engrossa a manifestação**a praça política mais consequente do mundo já não pode mais ser ignorada porque seus protagonistas não definham, nem recuam, com bombas ou tiros** Tahrir, só calará quando não for mais preciso gritar, como hoje: 'Fora o Marechal!'** Tahrir é uma escola política que atualiza a pedagogia dos levantes populares no século XXI. carta maior, 25/11/2011

Tahrir, a praça-escola do mundo
A vida política não dorme no Cairo. Recuo da Junta Militar, que promete antecipar as eleições presidenciais e entregar o poder aos civis até junho de 2012, não afrouxa a vigília das multidões nas ruas da cidade. Foi uma vitória parcial. Mas a revolução egípcia persegue alvos plenos. Nada muda a determinação da nova praça política do mundo: Tahrir quer a democratização do Egito e seus protagonistas aprenderam a conduzir a História com as mãos. Mais que isso: tem organização cada vez mais sofisticada para isso. A instalação de hospitais de campanha nas ruas para socorrer vítimas da repressão evidencia uma estrutura de coordenação política --e uma harmonia entre meios e fins, progressivos e certeiros-- muito superior ao mito da 'revolução digital'. Tahrir é a praça-escola para os indignados do mundo. carta maior, 23/11

23/11/2011

crônica da barbárie anunciada -1

*Portugal: centrais sindicais intensificam convocação para a greve geral de amanhã, dia 24, contra as políticas de arrocho** Alemanha só consegue vender 65% dos títulos públicos que ofereceu ao mercado nesta 4ª feira** investidores fogem do euro e impõem juros crescentes aos Tesouros

**caíram Berlusconi, Papandreu e Zapateros; ascenderam tecnocratas ungidos pelos mercados e a direita embolorada espanhola.** Nada mudou**bancos cortam financiamentos; o crédito seca; a produção desfalece; o emprego míngua**Ásia cresce pouco** AL perde fôlego rápido --inclusive o Brasil (mas tucanos protestaram pelo corte da Selic)** Europa rasteja e EUA andam de lado** não há contraponto político à governança dos mercados: eis o cerne da crise. (transcrito de carta maior, 23/11/2011)

*************************
O pequeno mas incisivo texto de Carta Maior, acima,  mostra com exatidão o território movediço em que os movimentos Ocupa estão marchando. Não há garantias de vitória pelo simples fato do movimento em si, pelo advento de uma Rebelião Planetária.

O tempo urge, a barbárie espreita. Já se fala com mais frequência na velha solução encontrada pelo capitalismo para por fim às suas crises: as guerras, que, apesar de seu horror e insanidade, tem toda uma lógica necessária e benéfica para os comandantes do capitalismo: dinamizam a economia na destruição de países, povos e vidas, e novamente dinamizam a economia no momento da reconstrução desses países arrasados, livrando mais uma vez o capitalismo de suas inevitáveis contradições e crises - até a próxima grande crise e próxima grande guerra?
Não se trata de paranóia, teoria da conspiração e que tais. Basta ir até a obra de marxistas e de outros analistas lúcidos. O movimento Ocupa precisa ter em mente esse horizonte de insanidade e horror que é a possibilidade de uma guerra. Não que ele seja capaz de, por si só, apenas pelo seu advento, frear mais essa marcha rumo à catástrofe.

Não, contra a barbárie, sozinho, esse movimento, apesar de fascinante, ousado e virante, não será capaz de evitar a barbárie. Por outro lado, é a única iniciativa, em escala planetária, que pode disparar de fato o sinal de alerta entre pessoas  e povos, é a única força capaz de provocar ao menos o  iníco do despertar dos povos.

Por isso, a sua responsabilidade é bem maior do que parece a princípio.
Não se trata de apenas reviver utopias perdidas lá na década de 70.
Nem se trata apenas de defender a democracia e a cidadania ameaçadas pela brutalidade doentia dos comandantes do sistema financeiro. 
Também não se trata somente de propor, para pessoas e povos,  um modelo opcional de civilização, de organização econômica e de participação política. Pois não existem opções para a humanidade: é despertar e mudar radicalmente, ousadamente, ou despencar no abismo mais uma vez, e num abismo dessa vez vez muito mais fundo e mais perigoso - pois depois do destrutivo horror da guerra, com certeza se consolidará de vez um estado policialesco em escala planetária, maquiado por aparatos tecnológicos e seduçoes consumistas.

Para o movimento planetário, que ora dá os seus primeiros passos e que talvez venha a se consolidar como uam verdadeira greve planetária,  o desafio é ainda maior: trata-se e evitar a barbárie anunciada nos quatro cantos do mundo.

(continua)

atentos aos sinais da barbárie

Essa seleção de textos vai como breve radiografia das dificuldades e das complexidades que envolvem o atual sistema social e conômico. É fundamental para os movimentos Ocupa acompanhar e entender as contradições que vem aflorando violentamente neste sitema, principalmente aquilo que se passa na Europa.
Afinal, mesmo numa análise não muito profunda, pode-se perceber que todas essas contradições e crises estão num caminho sem volta. Não se trata de ideologia ou de desejo subjetivo. É de fato uma situação extrema, que talvez venha a provocar uma tentativa de solução extrema por parte dos atuais comandantes do sistema capitalista, ou seja, guerra planetária, seguida de uma tentativa de governança mundial, de um estado policialesco maquiado por seduções tecnológicas e consumistas.

Aqui, Fernando Canzian dá bem uma idéia da encrenca em que estão metidos os comandantes europeus:
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/fernandocanzian/1008083-vai-ou-racha-na-europa.shtml

***********************
Gilson Caroni faz um alerta bem explícito contra  a possibilidade da retomada gradual do poder pelos fascistas e da possibilidade da guerra: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5309. Repare-se no referência feita à força das ruas neste trecho:
"Os ensaios fascistas, que se alastram perigosamente em escala mundial, precisam ser detidos e só serão evitados com o movimento de protesto de milhões de pessoas e governos progressistas, unidos com um único objetivo: banir as guerras, banir as armas de extermínio, impondo, pela força dos povos, a paz e o desarmamento. A luta contra o ventre que pariu inúmeras Bestas é cada vez mais um confronto contra a lógica capitalista."

***********************
Abaixo, um breve panorama da atual e dramática situação da Grécia. Se por um lado a Grécia foi o berço das atuais revoltas em escala planetária, o povo grego também está sendo aquele que mais tem sofrido as consequências opressivas das contradições dos stema capitalista. Mas oxalá também posssa ser o primeiro a dar uma resposta eficaz e inovadora, o primeiro a conseguir a ruptura com a ordem apodrecida e a construir uma alternativa concreta ao atual sistema, em termos de uma nova formação política e uma nova organização social e econômica: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18967.

Novamente a menção à voz das ruas:
"Creio que veremos lutas históricas na Europa. Na Grécia, as pessoas têm medo de que se repita aqui a experiência neoliberal da Argentina dos anos 90 com todas aquelas políticas neoliberais que levaram ao abismo e à destruição da Argentina. Mas dessa experiência argentina também ficou uma lição positiva: as pessoas sabem que o povo pode derrotar governos que estejam ao serviço do capital financeiro. Por isso, em muitas das manifestações que ocorrem hoje na Grécia, as pessoas saem na rua com bandeiras argentinas. O povo grego sabe que pode derrubar este mundo selvagem e neoliberal que nos aterroriza."

***********************
E, em editorial de 22/11, Carta Maior faz uma síntese da situação na Espanha e uma breve menção à Europa, ao final também apontando as mobilizações de rua como contraponto à marcha da barbárie: 

Espanha : a quarentena da democracia
A captura do Estado pelos mercados reduz a alternância do poder a um simulacro de democracia ao nivelar partidos e programas aos desígnios da lógica financeira. O atual deslocamento da disputa política para as ruas, a impulsionar as maiores mobilizações de massa registradas no mundo, desde 1968, é uma consequência direta desse rapto. Ele explica também o paradoxo espanhol. Berço mundial dos indignados, a sociedade espanhola deu uma esmagadora vitória ao extremismo conservador nas eleições gerais deste domingo, trazendo de volta ao poder o Partido Popular, de Aznar, agora porém ainda mais forte, com uma maioria parlamentar superior a que desfrutou em 2000, obtendo 186 de 350 deputados. A social-democracia foi triturada perdendo 59 cadeiras, enquanto pequenos partidos à esquerda cresceram, mas sem ameaçar a robusta supremacia da direita. Sugestivamente, porém, o comparecimento às urnas foi bem inferior ao de 2008, com cerca de 30% de abstenção. O desinteresse, a indecisão e o elevado absenteísmo fazem deste pleito a síntese de uma Europa esmagada entre a ganância dos mercados e a rendição socialdemocrata ao neoliberalismo. A esperança em um novo ciclo de soberania democrática, que reunifique o comando econômico e político do Estado nas mãos da sociedade, terá que se materializar a partir das ruas.

22/11/2011

ocupar a copa 2014?

Não vai dar mesmo para fugir do assunto Copa 2014 no Brasil.
Aliás, com o fortalecimento gradual da Rebelião dos Povos, certamente que os movimentos Ocupa estarão bastante e disseminados pelo país e pelo mundo afora, em 2014.

É bem provável, então, que haja uma grande mobilização internacional e uma grandiosa concentração aqui no Brasil. Ela tem tudo para acontecer,  afinal será  a primeira vez, depois de inciada a era das mobilizaçãoes planetárias,  que o maior evento coletivo do planeta acontece. 

A mobilização seria, em parte, para dar mais visibilidade à Rebelião Planetária, e, em parte, para protestar contra a indústria de entretenimento, especulação e corrupção em que se tem transformado esse evento - mas que, um dia, depois de forjado o novo mundo pelo Pacto dos Povos, certamente será um momento de mágica comunhão entre povos do planeta inteiro.

Por ora, alguns textos que abordam um pouco da complexa rede de intereses e de jogo de forças que envolvidos numa Copa do Mundo, na FIFA, na Seleção Brasileira.
 
Copa do Mundo criou 'cidades neoliberais', avaliam urbanistas
Seleção: interesse e declínio
Blatter e Teixeira protagonizam...
Veja também este e outros textos aqui publicados por ocasião da Copa da África

o heróico povo egípcio insiste e resiste

A cada dia vai se tornando mais dramática e heróica a resistência dos egípcios, agora  contra a usurpação do poder pelos militares que assumiram o controle do país, depois que o povo do Egito, após uma épica e já histórica mobilização,  obrigou o ditador Mubarak a renunciar.  O estopim da revolta popular é a rejeição ao projeto de lei que os militares querem  ver aprovado, o qual lhes daria o poder de ficar acima dos civis nos futuros governos eleitos pelo povo egípcio.
Tal como os gregos, os egípcios têm dado uma verdadeira lição de resistência, lucidez e firmeza de propósitos. As imagens falam por si.







fotografias extraídas de folha online

20/11/2011

depoimento sobre o ocupa bh

por Caroline Rodrigues, no ocupa bh

Quinta conheci alguém que me apresentou o Ocupa BH, Daniel Sul. Na sexta subindo a Av. Barbacena, passei em frente ao Condomínio Boulevard e vi telefones públicos com cadeiras e plantas sendo cuidadosamente regadas... Uma avenida para as elites. Subindo até o fim da mesma, cheguei à Praça da Assembleia e lá encontrei uma coisa que não é das elites, mas que com certeza é uma idei...a de cima, de cabeças com grandes ideias. Lá falei com o Gps Passos que logo me levou para dentro do Ocupa BH. E foi bem interessante, falo como alguém que se põe a observar antes de tudo. O tempo que passei lá foi o bastante para querer voltar e entrar mais nesse grupo. É algo que te suga! Vamos falar de tudo? E de nada? O nada pode ser o nada que nos cerca? Ei, o que você pensa? Ei, você, não exista apenas... Viva agora! Quem está lá é baderneiro? Então quero continuar sendo uma baderneira convicta. A baderna de lá é uma viagem que se quer de novo e de novo, mais e mais... Só chegar na praça, deitar-se nas barracas, sentar-se num colchão ou até no chão, falar, ouvir, rir, abraçar, fazer qualquer coisa que demonstre que você sabe que algo está errado e que você está ali para ser alguém que não só pensa, mas também faz algo para mudar algo. E que seja o mundo inteiro ou que seja apenas o nosso pequeno mundo de BH. Não é uma baderna convencional, aliás não é uma experiência convencional, estar lá é experimentar algo um tanto inédito para você e que com certeza fará com que você desça a Barbacena diferentemente de como subiu.

18/11/2011

retratos da barbárie - 1

No dia 08/11, em Serra, ES, após se envolverem num acidente de trânsito, o policial Saulo Oliveira de Souza simplesmente executou, com quatro tiros, o caminhoneiro Antônio Rodrigues . O fato reflete que continua cada vez mais preocupante o despreparo e a arrogância dos membros das forças policias e repressivas, no Espírito Santo, no Brasil e em qualquer parte do mundo.

A angústia, o individualismo, a pressão profissional e social, o relativismo de valores como o respeito à vida e ao outro, tudo isso e tantos outros fatores agem sobre todos nós, de maneira qualquer um pode responder de forma irracional e instintiva quando confrontado com situações potencialmente hostis ou estressantes. Seja numa fila de banco, numa repartição pública - com seu clássica e arrogante lentidão -, seja num acidente de trânsito, o fato é que podem despertar em nós forças e pulsões que geralmente não condizem com nossa formação, nosso comportamento cotidiano, enfim, nossa atitude perante a vida e as pessoas. Enfim , estamos sujeitos a ser, ao emmso tempo, agenets e vítimas da bárbarie, que cada dia avança mais nas nossasa vidas e nossas cidades, em razão da insanidade do atual sistema social.

Se já é preocupante essa propensão para a irracionalidade no caso de civis, ela se torna extremamente perigosa, quando os potenciais agentes e vítimas da barbárie (os membros das forças policiais e repressivas) têm, devido à profissão, a posse de armas, as técnicas de seu uso e a liberdade para utilizá-las em qualquer hora do dia. Foi o que aconteceu no caso do policial assassino Saulo.

O mal já foi feito. Investigações, denúncias, processos, indignações: nada evitará que casos como esse voltem a acontecer. Essas louváveis, mas no mais das vezes impotentes tentativas de humanizar ou reformar o sistema, não são e nunca serão suficientes para estancar e eliminar barbárie que se acerca de nossas vidas. Será preciso ir até a fonte da bárbarie que, todos sabemos, está na insanidade e na decadência desse sistema social. Somente com a sua urgente destruição e substituição é que teremos a chance de evitar o aprofundamento da barbárie e a lamentável repetição de tragédias como a do trabalhador Antônio Rodrigues, provocada por impensadas e arrogantes ações como a desse infeliz policial.

Por tudo isso, por todos esses retratos da bárbarie - que infelizmente ainda veremos muito e por muito tempo - é que é extremamente legítima e benvinda, extremamente necessária e possível, a atual Rebelião Planetária e o futuro Pacto dos Povos, que têm dado seus primeiros e fascinantes passos através dos vibrantes movimentos Ocupa, espalhados pelo planeta afora - e fartamente registrados e apoiados por este blog, desde os seus inícios em fevereiro deste ano e desde os primeiros levantes do povo grego em 2008 (levantes que certamente contribuíram muito para o advento das manifestações deste ano).
Vida longa à rebelião Planetária!!!!
O contrário é desinformação, medo do novo ou anestesia do pensamento e da vontade.
****************

Mais detalhes acerca do triste episódio em:


veja também a Nota Pública do CEDH_ES

nota pública do CEDH-ES

NOTA PÚBLICA

No exercício de suas funções, o Conselho Estadual dos Direitos Humanos do Estado do Espírito Santo, vem se manifestar publicamente sobre a morte do trabalhador Antônio Rodrigues, causada por quatro tiros disparados pelo soldado Saulo Oliveira de Souza, ocorrida no dia 08 de novembro de 2011.

Segundo a apuração da imprensa, o policial responde a uma série de auditorias militares e também a um processo criminal. Embora ainda aguardemos o desfecho de todas estas investigações, a ocorrência de várias delas sugere um comportamento violento e agressivo. É isto que mais preocupa este Conselho. O que interessa, diante desta tragédia, não é apenas discutir a conduta do policial envolvido, mas uma série de fatores que levaram a esta situação e que levam a tantas outras ocorrências análogas que não chegam sequer ao conhecimento da sociedade capixaba.

É preciso, portanto, que esta tragédia sirva para nos alertar sobre a formação que tem sido dada aos policiais capixabas, e mais ainda, que também nos alerte sobre a insuficiência dos mecanismos de controle sobre a ação policial, fruto ingrato de uma transição democrática incompleta. O momento ainda invoca a urgência da discussão sobre as condições de trabalho dos policiais, e os maus efeitos que a sobrecarga pode causar no exercício de uma profissão que age sobre situações tão críticas e que exige tanta responsabilidade e parcimônia.
Para virar esta página da nossa história e evitar novas tragédias como esta, é preciso abrir a polícia ao controle social, dar condições de trabalho dignas aos policiais, intensificar o estudo de Direitos Humanos na sua formação, e acabar com a impunidade dos crimes de abuso de autoridade cometidos por policiais, que se apoiam no constrangimento causado pelo julgamento entre pares.
Exigimos que a apuração deste caso vá até o fim, sem qualquer diferença em relação às investigações comuns. Os indícios até agora trazidos a conhecimento do público apontam gravemente para uma atitude irresponsável por parte do soldado da polícia e, caso se confirmem estes indícios, ele deve ser devidamente responsabilizado. Faz-se necessário, mais do que em qualquer outro momento, prosseguir até o fim com as investigações e mostrar à sociedade que a impunidade não terá mais vez em nosso Estado.

Vitória/ES, 14 de novembro de 2011.
GILMAR FERREIRA DE OLIVEIRA
Presidente do Conselho Estadual dos Direitos Humanos

17/11/2011

um fascinante caminho sem volta - 1

Obviamente que são preocupantes as ações de desocupação de praças e ruas, feitas dias atrás pela polícia, em várias cidades dos Estados Unidos; afinal, a repressão a esse vibrante movimento planetário tenderá também a se tornar planetária.
 
Ninguém é ingênuo de pensar que os comandantes do poder econômico e os governos, sejam de  direita, de centro ou de equerda, irão permanecer inertes à medida que o movimento se tornar relamente de massa, quando passar  a atrair cada vez mais as chamadas, constrangedoramente, de  'pessoas comuns' - aquelas que, por motivos que não cabem analisar aqui, estão acomodadas, anestesiadas ou aprisionadas nas engrenagens da atual organização social.

Quando a participação dessas 'pessoas comuns' for igual ou maior do aqueles que compõem, sustentam  e conduzem o movimento: estudantes, artistas, intelectuais, profissionais liberais, jovens em geral, população de rua, excluídos em geral.
Neste momento certamente comandantes, governos, partidos e entidades de toda espécie terão motivos de sobra para se incomodarem e para tentarem neutralizar, apropriar-se ou simplesmente acabar com esse movimento. 

Afinal, o movimento, nesse ponto futuro, estará ameaçando a sobrevivência de todas essas instâncias que, de uma forma ou de outra, existem em função da atual engrenagem de poder, seja aderindo e sustentando essa  engrenagem, seja contestando e se opondo  a ela, aparentemente propondo alternativas de organização.

Ocorre que não  será simples, rápido ou indolor esse despertar das massas em nível planetário, e a consequente imposição de um Pacto dos Povos aos comandantes  e governos, com a humanidade concretizando, então  e finalmente, a superação da atual e insana organização social e econômica  a que se dá o nome de capitalismo.
Muita repressão, muita desqualifiação, muita tentativa de sedução, de cooptação e de desmonte  acontecerá, até chegarmos a esse despertar planetário e  à construção desse Pacto dos Povos.
(continua)

nunca duvide

Mensagem de resistência e de celebração,  divulgada pelo Ocupa Belo Horizonte, no dia em que completou um mês de ocupação na Praça da Assembléia.  

15N,  por ocupabh

Nunca duvide que um grupo pequeno de pessoas determinadas pode mudar o mundo, porque é assim que sempre acontece. Não duvide que de uma única flor pode brotar toda a Primavera, porque foi assim que aconteceu: um jovem árabe ateou fogo a si mesmo e de sua morte nasceu a Revolução de Jasmin, os jovens árabes que se reuniram na Praça Tahir e derrubaram um ditador inspiraram os espanhóis a tomar a praça Puerta del Sol com sua indignação. O sol dos indignados, de tão intenso, brilhou até no lugar mais escuro: o centro financeiro dos Estados Unidos, Wall Street, de onde os 99% de americanos emitiram um chamado: derrubem os muros, ocupem as ruas.

No dia 15 de outubro de 2011 as praças foram tomadas, as ruas foram ocupadas. Aqui, muito perto de você, existe uma Assembleia, uma praça, e uma ocupação. Muita gente que só fica em casa, em frente ao computador e à televisão, ainda não sabe, porque a revolução não será televisionada. Nem tweetada, nem compartilhada pelo Facebook: a revolução está na praça, e ela só pode ser vivida.

Nós gritamos para os parasitas instalados naquela outra Assembleia, aqui em frente: Não nos representam. Nós queremos não uma República de fachada, proclamada por generais em 15 de novembro, queremos Democracia, real, horizontal, participativa, inclusiva. E não estamos há um mês na praça jogando essas palavras ao vento: aqui e nas outras ocupações do mundo nós vivemos diariamente estes princípios, enfrentamos no cotidiano as dificuldades de manter uma comunidade sem lideranças ou hierarquia, de trabalhar com uma inteligência coletiva e adotar a solidariedade no lugar do individualismo. Esse desafio gera desgaste, cansaço, há conflitos e frustração. Mas, acima de tudo, há nos corações de cada um a certeza de que a mudança chegou, e a felicidade de estarmos vivendo este momento.

E queremos essa felicidade e completude para todas as pessoas lá fora, que ainda acreditam que estão sozinhas em meio à multidão: nossas mãos estão estendidas.
15 de outubro não é uma data, um protesto, um acampamento, uma ocupação: é todo um mundo novo que já começou.
15 de novembro, algumas semanas, um mês. Para nós, o tempo de uma vida.

Parabéns,
#OcupaBH
OcupaSampa
OcupaRio
OcupaSalvador
OcupaCampinas

16/11/2011

ocupa vitória adiado

Em razão da chuva, que caiu durante toda a tarde em Vitória, foram canceladas, temporariamente, o acampamento e as ações previstas para o Ocupa Vitória. Haverá uma nova reunião, provavelmente no sábádo á tarde, na Missão Avalanche.

De qualquer forma foi dado o passo inicial. Mesmo com a chuva, apareceram cerca de vinte a trinta pessoas. Também estiveram presentes duas emissoras de televisão de Vitória, que agora à noite levaram ao ar pequenas reportagens sobre o movimento. E, para não perder o costume, estavam estacionadas, em frente à Assembléia, duas viaturas da Polícia Militar do governador Casagrande, fato raro em dias normais. 

é hoje: ocupa vitória

Aconteceu ontem à noite, na sede da Missões Avalanche (centro de Vitória), a reunião de preparação para o Ocupa Vitória, com o comparecimento de cerca de 50 pessoas. 
Foi mantido o local da Ocupação,  qual seja, em frente à Assembléia Legislativa e ao Shopping Vitória (veja postagem anterior). Na primeira assembléia do movimento, marcada para hoje à noite, será decicido se o acampamento continua no mesmo local ou se irá para alguma praça: Costa Pereira, Getúlio Vragas, Praça dso Namorados, Praça Pio XII, etc.
********************
Foi importante essa abertura para a possibilidade mudança do local e da própria pauta do  moviemnto. Assim, o movimento, já no seu início, não perde aquela caracterítica de autonomia e de democracia direta, que tem caracterizado os movimentos Ocupa, pelo Brasil e pelo mundo afora.
Aliás, ficou esclarecido, pela comissão provisória da organização, que a escolha do local e da programação, divulgadas há já quase duas semanas através do Facebook, não tinham a pretensão de serem definitivas, eram apenas um primeiro passo, uma espécie de provocação para que as pessoas se manifestassem.  
Ou seja, não houve em nenhum momento a presunção de se construir um movimento já direcionado por pessoas ou entidades. Os rumos do movimento estiveram  em aberto na reunião de ontem, como continuarão em aberto, a partir da assembléia de hoje.
********************
Outro registro: percebi uma certa resistência do movimento em  ser automaticamente apontado apenas como mais um movimento Ocupa. Os participantes entendem que o Ocupa Vitória não tem que necessriamente ser visto uma espécie de 'filial' dos movimentos de Madri, de Wall Street, de São Paulo, de BH ou do Rio. Lembram que a questão das ocupações sempre foi esteve na pauta e nas ativiadaes dos movimentos sociais efetivamente autônomos aqui do Espírito (veja aqui, aqui e aqui algumas postagens sobre o Movimento Contra o Aumento e sobre A Marcha da Liberdade, em junho desse ano)
Também não se trata de negar a óbvia e inevitável  afinidade com todos esses ousados e fascinantes movimentos que têm eclodido mundo afora. Trata-se  apenas de preservar uma identidade própria, de decidir, no dia a dia, e com os partcipantes do movimento, quais os rumso e bandeiras o movimento deverá ter.  
********************
No mais, decidiram-se várias questões práticas: criação das Comissões de Estrutura e de Comunicação, confecção de panfletos e cartazes, relação de pessoas que se comprometeram a estar no Acampamneto em tais e tais hotras, formas de atrair as pessoas para conhecer o acampamento e suas propostas, preparação de um sopão na Missões Avalanche para ser levado ao local do Acampamento, entre outras questões de natureza operacional.
Também foi decidida uma importante ação de junto à poulação: promover a liberação das catracas de alguns dos inúmeros  ônibus que param no ponto em frente ao shopping e à assembléia. Certamente essa ação direta atrairá a simpatia da maioria da população, tal como ocorreu durante o movimento de junho. Com essa iniciativa logo no seu primeiro dia de Acampamento, o Ocupa Vitória certamente terá um impacto bastante forte na mídia e na população.  A conferir. 

À noite, provavelmente terei imagens e vídeos do Acampamento para postar. 

14/11/2011

debates no ocupa bh: percepção lúcida

Muito bom esse ciclo de debates inciado pelso participantes do ocupa BH. 
Mostra o alto grau de amadurecimento, e de consciência da própria responsabilidade, que o movimento alcançou na capital das Minas. Também me chamou a atenção a percepção de como vivemos num tempo de urgências, o que só aumenta, de um lado,  a responsabildade desse movimento e, de outro, as suas possibilidades de vitória.

Vitória, aqui, entendida no sentido de o movimento conseguir  cumprir a sua principal tarefa neste primeiro momento, que é a de ajudar a despertar as pessoas exatamente para essas urgências e essas posssibilidades de mudança de rumos nas suas vidas e na história da humanidade.  Seguem o realtório dos debates, extraído do blog do  ocupa bh

debate 11/nov/11
Nesta sexta-feira o grupo reunido em assembléia sentiu a necessidade de canalizar melhor nossos esforços no sentido de construir conhecimento e sistematiza-lo. Entendemos que a preocupação de trazer as pessoas para o movimento e tão importante quanto a de fazer deste movimento um local de discussão e produção de idéias e práticas concretas. Concluímos que devemos estipular temas de discussão por tempo determinado, a serem debatidos cotidianamente na acampada e que, a cada debate, um dos participantes deve se responsabilizar pela sistematização do que foi falado e redigir um documento contendo as conclusões e questões relevantes que foram colocadas. Para isso, será muito importante a participação de um mediador e de um relator em cada reunião.

O primeiro tema que passa a ser objeto de deliberação será a leitura de cada ponto presente atualmente no manifesto Democracia Real Já e a consideração de sua aplicabilidade, clareza e coerência.
******************************
Democracia e realidade
desdobramento do debate do dia 11/11

Na nossa longa lista de dificuldades, a verticalidade desponta no topo.
Mas será que este é um problema que só vem de cima para baixo? Vivemos em uma cultura patriarcal, assistencialista, autoritária. Estamos acostumados a esperar sentados que o governo tome todas as decisões e resolva todas as pendências, votamos de dois em dois anos e lavamos as mãos.

O Brasil não tem nem nunca teve uma cultura política – no real sentido da expressão, que passa longe da representatividade. Não nos ensinaram a nos unir para ajustarmos as divergências e tomarmos um curso de ação.

E quando, enfim, agimos, juntos, e ocupamos a praça, a descrença de cada um no seu próprio poder, como indivíduo e cidadão, e o analfabetismo político que nos impede de atingir mecanismos democráticos funcionais, leva a um vácuo de poder e a uma busca por líderes.

Na Praça da Assembleia, já amadurecemos a ideia de consenso, mas ainda engatinhamos para a realidade de uma democracia.
O mundo está mudando muito rápido e paira sobre nós uma urgência de resultados. Mas como vamos agir, se está tão evidente que antes é preciso unir e educar?

11/11/2011

acampa sampa: manifesatnte preso

Acabamos de chegar da Marcha Indignada 11.11.11, um de nossos companheiros foi preso por desacato durante o ato. Ja fomas a duas delegacias (uma delas indicadas pelos PM's) e ainda nao o encontramos. Nos mantemos indignados com a PM de SP, com este posicionamento perante uma marcha pacifica. Assim que tivermos mais detalhes, postaremos aqui. Ativaaa rede!!!

11.11: saída da passeata do acampa sampa

ocupa sampa ao vivo

veja ao vivo  pelo

10/11/2011

virar o mundo de cabeça para baixo

Na verdade, esse movimento planetário terá que conviver frequentemente com essa aparente contradição entre disciplina e espontaneidade, entre organização eficiente e descentralização democrática, entre engajamento e autonomia, questão que abordei brevemente aqui, aqui e aqui. O verdadeiro desafio não é negar uma ou outra possibilidade, mas aprender a conviver com ambas.

Se o movimento se isolar das lutas populares, não se engajar em questões concretas, corre o risco de se esvaziar, de perder a credibilidade e, pior, de não envolver outras pessoas, movimentos e entidades nesta ousada, grandiosa e singular caminhada. Mas também precisa preservar a sua radicalidade, principalmente no que se refere a três pontos:

1) não se deixar apropriar por cúpulas partidárias, sindicais e instâncias semelhantes
2) evitar a todo custo situações em lideranças espontâneas (que surgem naturalmente em qualquer movimento) se vejam na situação de ter que assumir um excessivo poder decisório ou de convencimento e
3) não abandonar jamais a amplitude e grandiosidade das reivindicações: propor e exigir simplesmente nada mais nada menos do que uma total reorganização na forma de as pessoas se relacionarem com o trabalho, consigo mesmas e com os outros e, principalmente, uma forma autônoma, prazeirosa e participativa de se relacionarem com as novas instâncias de poder, que serão construídas - simultaneamente por todos os povos - no lugar dessa obsoleta e forma de organização scial e política.

Ou seja, simplesmente mudar o mundo, virar o poder de cabeça para baixo, ousar acreditar que a humanidade pode dar o decisivo passo, aquele único que falta para que possamos, de fato, construir uma morada que se possa chamar de humana e de transcendente neste mágico planeta.
Esse último ponto é, com certeza, o grande desafio, o sentido de toda essa gratificante movimentação planetária e, certamente, não pode ser esgotado por quem quer que seja. Teremos sempre que voltar a ele, em razão de sua complexidade e de sua grandiosidade.

TODOS AO 11.11.2011, a egunda etapa da jornada planetária rumo ao Colapso do Capitalismo e à construção do Pacto dos Povos.