21/11/2010

breve e tardio balanço da Batalha de 2010

Acima, menciono brevemente a tarefa que cumprimos nesta que foi uma verdadeira Batalha Eleitoral.

Tarefa que não se esgotou, obviamente, no engajamento em uma campanha eleitoral. Agora é hora de fazer a disputa desse governo que, sabemos, de modo algum será um governo de esquerda, um governo efetivamente popular e transformador das estruturas de poder.

Sabemos que mais uma vez o PT fará um governo limitado, reformista, enfim, um governo de coalisão com a centro-direita - e em alguns casos com o que ela tem de pior, e que às vezes em nada se diferencia daquela direita raivosa que foi derrotada nas urnas.
Por isso, ao invés de ataques (em nada originais) e desencantos (também em nada originais) o que nos resta é a repetitiva, e às vezes entendiante, tarefa de manifestar apoio crítico a esse terceiro mandato do PT. Apoio crítico no sentido de fazer a disputa desse governo, no sentido de evitar que o PT e Dilma (e também Lula, claro) façam demasiadas concessões ao reformismo e à ordem estabelecida.

Dilma, Lula e o PT precisam desse contraponto, dessa oposição lúcida mais à esquerda, que somente pode ser fortalecida pelos movimentos sociais e populares autônomos, não cooptados, e por lideranças populares, artistas e intelectuais engajados de fato na construção da história de seu país e de seu povo.

E esse apoio crítico ou oposição lúcida precisaria de imediato se preocupar com pelo menos três problemas: a) fazer o governo promover uma maior mobilização popular b) promover um enfrentamento e uma transformação nas estruturas de comunicação do Brasil, tornando a mídia mais democrática, autônoma e com vínculo direto com a realidade popular e c) cobrar do governo um enfrentamento com a questão da corrupção, esclarecendo a fundo e punindo de fato, seja aliados seja membros do PT.
Claro que essas três questões devem ser melhor detalhadas, cito-as apenas de passagem, por parecerem fundamentais e urgentes. Elas estão na raiz mesma da consolidação do de um governo realmente popular no Brasil.

É preciso lembrar que os três governos do PT são o resulatdo das lutas populares; Lula, Dilma e o PT não caíram do céu, foram construídos ao longo de toda uma dura e combativa trajetória das lutas populares em nosso país.

E o presente e o futuro destas lutas populares não podem ser comprometidos com indecisões, contradições e conivências de ocasião. É a credibilidade e a continuidade dessa longa trajetória que está em jogo neste 3º mandato do PT.

Principalmente nesses episódios de denúncias de corrupção. Claro que não podemos embarcar nessas recorrentes e às vezes risíveis ondas de denuncismo, sabemos que elas têm um alto teor de golpismo, lacerdismo e moralismo hipócrita.

Mas isso não pode ser justificativa para que imprensa e sociedade fiquem sem explicações claras e convincentes da parte do governo do PT. Que se puna aqueles que relamente merecerem a punição por praticarem de fato a corrupção e, na outra ponta, quando se tratar de denuncismo irresponsável ou golpista, que sejam rigorosamente punidos os caluniadores, principalmente quando utlilizarem-se da imprensa para divulgarem suas artimanhas e mentiras.

Pois o governo do PT precisa, pode e deve perder ese constrangimento ou esse temor de barrar os execessos de determinados setores da imprensa, o governo não pode mais aceitar a chantagem de se confundir liberdade de imprensa com liberdade de calúnia, difamação e pressão escusa.

Assim, a sociedade e os setores sadios da imprensa serão atendidos no seu direito à transparência e ao respeito à coisa pública, e, de outro lado, a luta popular, da qual o PT ainda é o porta-voz, não perderá a sua credibilidade e a sua legitimidade.

01/11/2010

partida

antes de ir
apenas mais dois pontos
:
nesse universo de pontos
meus dois olhos em prantos
prontos para a despedida

morrer é apenas
a unificação de tantos pontos

vicente filho - para paul celan

rilke e o morrer verdadeiro

Agora se morre em 559 camas. De um modo industrial, obviamente. Com uma produção tão grande, a morte individual não é tão bem feita, mas isso também não importa. O que conta é a quantidade. Quem hoje ainda dá alguma coisa por uma morte bem acabada? Ninguém. Mesmo os ricos, que poderiam se permitir uma morte minuciosa,  começam a se tornar descuidados e indiferentes; o desejo de ter uma morte própria se torna cada vez mais raro. Mais um pouco e será tão raro quanto uma vida própria. Deus, está tudo aí. A pessoa chega, encontra uma vida pronta, e é só vesti-la. A pessoa quer embora ou é obrigada a tanto: bem, nenhum esforço: Eis vossa morte, senhor. As pessoas morrem do jeito que der; morrem a morte que cabe na doença que elas têm (pois desde que todas as doenças são conhecidas, também se sabe que os diferentes finais fatais cabem às doenças e não às pessoas; e o doente, por assim dizer, não tem nada a fazer).
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Quando penso em minha casa, onde agora não há mais ninguém, acho que no passado deve ter sido diferente. Outrora se sabia (ou talvez se suspeitasse) que se tinah amorte dentro de si da mesma amneira que o fruto tem os seus grãos. As crianaçs tinham uma morte pequena dentro de si, eos adultos uma grande. As mulheres a traziam no seio, e os homens no peito. Ela era uma posse e isso conferia à pessoa uma dingidade peculiar e um orgulho calado.
(rilke - os cadernos de malte laurids brigge)
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'Pois, perto da morte, não se vê mais a morte
e olha-se fixamente para fora
talvez com um grande olhar de animal'

'Ó, senhor, dai a cada um a sua morte
o morrer que seja verdadeiramente fruto desta vida
onde ele encontrou amor, sentido e aflição'
(rilke - fragmentos)

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se ao menos uma vez tudo se aquietasse
se se calassem o talvez e o mais ou menos
e o riso à minha volta...
se o barulho que fazem meus sentidos
não perturbasse mais minha vigília...
então, num pensamento multifário
poderia eu pensar-te até aos teus limites
e possuir-te (só o tempo de um sorriso)
e oferecer-te a vida inteira, como
um agradecimento
(rainer rilke, "livro de horas")

no seu septuagésimo quinto aniversário

no seu septuagésimo quinto aniversário
lutei com nada e nada valia a lida
amei a natureza e logo após a arte
aqueci as mãos ante o fogo da vida
tudo se afunda e estou como quem já parte


sobre a morte
a morte está sobre mim a sussurrar
não decifro tudo o que vem aos meus ouvidos
da estranha fala somente fico a par
de que não são palavras temidas

walter savage landor, poeta inglês do século  XIX

os vivos ouvem poucamente

os vivos ouvem poucamente. as plantas,
como o elemento aquático domina,
são dadas à conversa. a menor brisa abala
a urna de concórdia estremecida
que, assim, sensível, se derrama
e é solidão solícita.

os vivos não ouvem nada.
mas, havendo acedido a essa malícia
de experiência cândida,
os mortos deixam que o ouvido siga
o fluvial diálogo das plantas
umas com outras e todas com a brisa.
melhor ainda. quando, nas noites cálidas,
as plantas se sentem mais sozinhas,
os mortos brincam à imitação das águas
inventando palavras de consonâncias líquidas.

e esse amoroso cuidado de palavras
a urna de concórdia vegetal espevita
até que, a horas altas,
a noite, os mortos e as plantas
caiam no sono duma luz solícita.

fernando echevarría, em "sobre os mortos" -  portugal

ilha, luto

a domingos, companheiro atropelado pelo real

pater, eu tenho um mar até o peito
mas não me alço alto e forte

nada a dor

na tarde que neblina, brinda
e escorre cremes e cristais de melancolia

eu temo e amo a visão boquiaberta
a que me lava e voa em sonhos:

tu e tua urna sem porto
aí nesse mar maior
que esta ilha de migalhas

urna úmida, muda e balouçante
a vadear as areias e arestas desta terra
arrastada em ondas que voam, rugem
além da vitória ou da derrota
no seio da vertigem

e então reconto, desponto
de praia a ponta
de barra a mar
de campos a serra viçosa:
eu busco o esquife inesquecido
as memórias jamais perdidas
na fraturada memória da partida

e ja à porta do espanto
à meia fundura do mar
eu paro, eu espero
eu-parto: o olhar ofega
mas esse teu ômega afaga-o

então já não mais naufrago
a memória na melancolia
continuarei.
carregarei essas tardes como quem carrega teus
sapatos de afogado

ancoro-me em lágrimas doces e as mesclo
com neblinas, ondas, espumas, crinas
e gotejo esses imensos instantes
que ardem na tarde
num só num só num só
                                           poemar

e envio a esse teu
celeste deserto nublado:
inimaginável intangível
impossível imperecível
                                           pomar

deserto de pó, de mar
                                          pós-mar

pater?

roberto soares (ilha de guriri, es, inverno de 96)

homenagem

de costas para o mundo, para o pó
para o frágil redemoinho de nostalgias e sonhos
e de efêmeras representações
esta leve fábrica se levanta
só pelo milagre de haver vencido
o tempo e suas mais recônditas argúcias

alvaro mutis - colômbia

mineral

existe um homem cada mineral
e luta quando é chamado à vida
flui entre os quatro cantos do cristal...

também no limo, no lêvedo, e tudo
o mesmo homem, o vazio mudo
indiferente a prisão tão incontida

existe um homem cada mineral
mas estou só, perdendo-me amiúde
devolvo à morte a vida universal

carlos ernesto, em “flutuais” – viçosa, minas

mãe

mãe:
que desgraça na vida aconteceu,
que ficaste insensível e gelada?
que todo o teu perfil se endureceu
numa linha severa e desenhada?

como as estátuas, que são gente nossa
cansada de palavras e ternura,
assim tu me pareces no teu leito.
presença cinzelada em pedra dura,
que não tem coração dentro do peito.

chamo aos gritos por ti — não me respondes.
beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio.
ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
por detrás do terror deste vazio.

mãe:
abre os olhos ao menos, diz que sim!
diz que me vês ainda, que me queres.
que és a eterna mulher entre as mulheres.
que nem a morte te afastou de mim!

miguel torga, em 'diário IV' - portugal

como temer-te, morte?

como, morte, temer-te?
não estás aqui comigo, a trabalhar?
não te toco em meus olhos; não me dizes
que não sabes de nada, que és vazia,
inconsciente e pacífica? Não gozas,
comigo, tudo: glória, solidão,
amor, até tuas entranhas?
não me estás a sustentar,
morte, de pé, a vida?
não te levo e trago, cego,
como teu guia? Não repetes
com tua boca passiva
o que quero que digas? Não suportas,
escrava, a gentileza com que te obrigo?

juan ramón jiménez, em "la muerte"  - espanha
(tradução de José Bento)

horário do fim

morre-se nada
quando chega a vez

é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos

morre-se tudo
quando não é o justo momento

e não é nunca
esse momento


mia couto, em "raiz de orvalho e outros poemas" - moçambique

vida sempre

entre a vida e a morte há apenas
o simples fenómeno
de uma subtil transformação. a morte
não é morte da vida.
amorte não é inação, inutilidade.
a morte é apenas a face obscura,
mínima, em gestação
de uma viagem que não cessa de ser. aventura
prolongada
desde o porão do tempo. projectando-se
nas naves inconcebíveis do futuro.

a morte não é morte da vida: apenas
novas formas de vida. nova
utilidade. outro papel a desepenhar
no palco velocíssimo do mundo. novo ser-se (comércio
do pó) e não se pertencer.
nova claridade, respiração, naufrágio
na maquina incomparável do universo.

casimiro de brito, em "solidão imperfeita" -  portugal

29/10/2010

salamaleicom!

Muito embora Salam Aleikum em árabe signifique "Que  a paz de Deus (Alah) esteja com você", o texto abaixo tem muito é de guerra - mas guerra apenas contra aquilo que faz mal e degrada as pessoas.

O autor parece um pregador bradando do alto de seu púlpito contra as iniquidades  e canalhices praticadas pelas elites deste mundo. Mas não é uma pregação moralista ou meramente religiosa.

É apenas e tão somente o Verbo brotando com a toda a sua força e sinceridade, é um discurso duro, sem meias palvras, extremamente oportuno nestes tempos de enfrentamento contra a maldade, a ganância, o fingimento, a desinformação e manipulação. Afinal, se estamos enfrentando uma Guerra Suja, nada mais apropriado do que nos postarmos como se estivéssemos num campo de batalha.

E já que o debate político construtivo foi tomado pela pregação religiosa, que seja ao menos um Verbo original,  verdadeiro e contundente. 

O texto é de autoria do arquiteto e urbanista Neilson Gonçalves, de Vitória,  e foi postado no Grupo de Discussão do COLEDUC-ES (Coletivo Educador Ambiental - ES) como uma resposta a uma mensagem de apoio a Serra, mensagem que, como de costume,  falseava a realidade do governo de FHC.

No mais, já que o discurso moralista e religioso tomou o lugar do debate político sério, vamos de citações bíblicas:
Pai, perdoai-os e perdoais-as, eles e elas não sabem o que dizem sobre Dilma.

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Prezados companheiros
Salamaleicom!

Seguinte: primeiramente peço-lhes desculpas, pois... vou barbarizar...

Pelo menos no meu caso, aqueles que apostarem na minha burrice para roubar dos humildes e obter: felicidades individuais, benefícios familiares de filhos, filhas, noivo de filhos(as), parentes e amiguinhos, para adquirir, em cima de quaisquer desgraças, objetos de desejo e ostentação individual, essa elite egoísta, pilantra, satânica e segregadora, em detrimento desse povo sofrido de miseráveis, que esses vagabundos conseguiram criar e manter em suas empresas de geração de desgraça humanas até os dias atuais, se depender de mim todos esses MORRERÃO SECOS...

Eu nunca imaginei que essa elite vagabunda tivesse coragem de ser tão ridícula...Pior é que eles têm estudo: graduados, especialistas, mestres, doutores; cada vez que vejo umas dessas desgraças tentando desconstruir o Brasil, eu acredito menos ainda na educação, esses hediondos não têm legitimidade para trabalharem com educação e o povo humilde não merece isso de jeito nenhum...

Mas...
Acredito que as pessoas de bem como nós, que, estamos segurando esses nefastos carniceiros, engravatados, bonitinhos, cheirosinhos e trilíngues, obteremos êxito...
Deus sempre estará conosco, nos combates à segregação e desgraça humana, ocultos para a maioria...

Os oprimidos não merecem mais humilhações desses bandidos, dessa elite segregadora, o Brasil precisa crescer para todos(as) e de forma sustentável, e não desenvolver-se de froma predadora apenas para uma minoria canalha, vagabunda e oportunista, como temos visto há mais de 500 anos...

Esses viverrídeos funestos têm nojo de pobres, pois os pobres só servem para serem escravos nas empresas desses criminosos satânicos, dotados de conhecimento fértil adquirido com a calmaria da vadiagem.

Esses vagabundos não trabalham, apenas vivem de malditas heranças acumuladas com a ajuda de trabalhadores humildes, e de especulações com a ajuda de seus escravos miseráveis, que não compreendem que estão sendo enganados a cada dia que passa nessas empresas de fachada, que só enriquecem essas desgraças individualistas e que futuramente queimarão nas profundezas do mar de enxofre do inferno...

Deus não gosta de segregação humana em nenhum nível, e aqueles que contribuírem para isso, mesmo de forma sutil e utilizando mecanismos e máquinas religiosas e outras, onde prosperam a desinformação da maioria pobre por questões sociais, esses terão seu lugar reservado ao lado de Satanás, nas profundezas do inferno, assim que o sopro da vida lhes for tirado pelo Salvador.

As igrejas não serão capazes de dar salvação aos hipócritas, que fomentam a mentira e a desinformação como mecanismos de exploração de seres humanos, nossos irmãos, para manterem seus luxos hediondos individualistas, egoístas.

Nós venceremos a mentira, com a ajuda de Deus, pois ele está do lado da verdade e do amor ao próximo.
Finalizando: Quem te segrega, não te ama...

Neilson Guimarães
Arqtº Urb., Esp.

27/10/2010

abortar a mentira e o medo: um basta aos intolerantes

A se julgar pela reportagem abaixo, parece que finalmente teremos um basta aos intolerantes disfarçadas de moralistas, de devotos e devotas religiosas e disfarçadas de defensores da vida.
E, aí sim, os raivosos e intolerantes poderão acusar o povo brasileiro de ter votado no aborto, mas não no aborto da vida e sim votado no aborto da ignorância, no aborto da imbecilidade moralista, no aborto da intolerância e do preconceito, no aborto do medo das mudanças, no aborto da religiosidade dos pobres de espírito (não confundir religiosidade com religião.

Leiam a matéria, que extraí do Yahoo.

No mais, já que o disciurso morqalista e religioso tomou o lugar do debate político sério, vamos de citações bíblicas:
Pai, perdoai-os e perdoai-as, eles e elas não sabem o que dizem sobre a Dilma.
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Agência Estado, 27 de outubro de 2010 11:06
CNT/Sensus: Dilma lidera com 51,9% e Serra tem 36,7%

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, tem 51,9% das intenções de voto, ante 36,7% de seu adversário, o tucano José Serra, segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta manhã. A vantagem de Dilma para Serra aumentou de cinco pontos porcentuais da pesquisa anterior, na semana passada, para 15,2 pontos agora. No levantamento anterior, Dilma tinha 46,8% e Serra, 41,8%.

Ao se considerar somente os votos válidos - o que exclui nulos e brancos e se redistribui os indecisos proporcionalmente, Dilma tem 58,6% e Serra, 41,4%. A rejeição à candidata petista caiu de 35,2% da pesquisa anterior para 32,5%. Já a rejeição a Serra subiu de 39,8% para 43%.

O levantamento, com margem de erro de 2,2 pontos porcentuais, foi feito com dois mil eleitores, entre os dias 23 e 25 de outubro, em 136 municípios e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 37609/2010.

aberrações - poesia e ação política

Valdeci Batista de Melo encaminhou para o grupo de discussão "Opiniões Cênicas" (Vitória, ES) a curta mas vibrante mensagem abaixo (com o título original de Aberrações), seguida de dois poemas do belorizontino Ricardo Aleixo e um de Mário de Andrade, o famoso Ode ao Burguês, que cai bem nesta reta final da Batalha de 2010.
Tomei a liberdade (também em razão deste clima de Batalha ) de destacar  com uma fonte maior  alguns versos desse poema de Mário.

No mais, já que o disciurso morqalista e religioso tomou o lugar do debate político sério, vamos de citações bíblicas:
Pai, perdoai-os e perdoai-as, eles e elas não sabem o que dizem sobre a Dilma.

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Aberrações
Senhores
Nada é mais aberrante do que um artista, um professor ou um trabalhador alienado e em pleno conluio com o que há mais retrógado, preconceituoso, fundamentalista, homofóbico, misógino como o Serra e seus asseclas.

Brecht e Bernardo Santareno devem estar se revirando no túmulo. Oduvaldo Viana Filho, Jorge Andrade, Oswald de Andrade e tantos outros dramaturgos e artistas também devem estar fulos de fulos. A lista poderia ser acrescida ad infinitun. Dos gregos à atualidade coube sempre a Arte ser iconoclasta. Alguns poucos exemplos de primeiríssima plana.
Valdeci Batista de Melo

paupéria revisitada
Putas, como os deuses,
vendem quando dão.
Poetas, não.
Policiais e pistoleiros
vendem segurança
(isto é, vingança ou proteção).

Poetas se gabam do limbo, do veto
do censor, do exílio, da vaia
e do dinheiro não).
Poesia é pão (para
o espírito, se diz), mas atenção:
o padeiro da esquina balofa
vive do que faz; o mais
fino poeta, não.

Poetas dão de graça
o ar de sua graça
(e ainda troçam
— na companhia das traças —
de tal “nobre condição”).

Pastores e padres vendem
lotes no céu
à prestação.
Políticos compram &
(se) vendem
na primeira ocasião.

Poetas (posto que vivem
de brisa) fazem do No, thanks
seu refrão.
ricardo aleixo - minas

rondó da ronda noturna

q   uanto +
p   obre +
n   egro
q   uanto +
n   egro +
a   lvo
q   uanto +
a   lvo +
m  orto
q   uanto +
m  orto +
u   m
ricardo aleixo - minas

ode ao burguês

Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! o homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!

Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros!
que vivem dentro de muros sem pulos;
e gemem sangues de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam os "Printemps" com as unhas!

Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o êxtase fará sempre Sol!

Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais!
Morte ao burguês-mensal!
ao burguês-cinema! ao burguês-tílburi!
Padaria Suissa! Morte viva ao Adriano!
"–Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
–Um colar... –Conto e quinhentos!!!
Mas nós morremos de fome!"
Come! Come-te a ti mesmo, oh gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas!

Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados!
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante
Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!

Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!
Fora! Fu! Fora o bom burguês!...
mário de andrade, em  'paulicéia desvairada' (1922)

26/10/2010

quem necessitará da nossa piedade?

Não se passaram nem  24  e sou obrigado  a me retratar. Afirmei na postagem abaixo, os últimos episódios..., que certamente não precisaria voltar a escrever ou publicar sobre a Batalha de 2010. 
Mas não resisti. O artigo do Humberto Oliveira é um desses textos que vão direto ao ponto, e sintetiza toda a complexidade destas eleições em duas perguntinhas básicas. Leia e tente responder para você mesmo às duas perguntas, antes de se dirigir ás urnas e ajudar a decidir o resultado final da Batalha de 2010, no domingo. 

Uma nova liberdade no horizonte do Brasil

 Saberemos ser uma nação civilizada? Como viveremos sem os pobres? Quem trabalhará em nossas cozinhas, em nossas fazendas com baixos salários e diárias? Como faremos nossas caridades, quem necessitará da nossa piedade? Que privilégios teremos sendo todos tão semelhantes, tão iguais? Como conviver sem a superioridade dos sobrenomes nas universidades, nas profissões, nas ciências, na política? Como compartilhar espaços de convivência, antes tão restritos, nos aviões, nos hotéis, nos cinemas, nos teatros e nos palácios? O artigo é de Humberto Oliveira.

Humberto Oliveira  (Secretário de Desenvolvimento Territorial do MDA)

Você é a favor da liberdade dos escravos? Você é a favor do fim da pobreza no Brasil? Duas perguntas, dois contextos, duas épocas. A primeira, totalmente descontextualizada, teria hoje 100% de aprovação do povo brasileiro. A segunda, completamente atual, ainda que não assumida de forma tão clara e explícita, é uma contenda do presente que ganhou veemência neste processo eleitoral. De comum entre elas, as conseqüências de uma intensa ruptura no modo de ser de uma nação.

Pois bem, tratemos de explicitar o que se esconde no jogo político das eleições presidenciais. Não é por acaso que a disputa eleitoral de 2010 alcançou um nível tão alto de antagonismo, despertando paixões em quase todos os setores da sociedade brasileira. O governo do presidente Lula colocou o Brasil no caminho de uma profunda transformação que o eleva a perigosa condição de um país moderno, sem fome, sem miséria, sem pobreza, sem desigualdades.

É pouco? Não, é o rompimento com mais de 500 anos de história política, de forte enraizamento cultural, de preconceitos sólidos. Saberemos ser uma nação civilizada? Como viveremos sem os pobres? Quem trabalhará em nossas cozinhas, em nossas fazendas com baixos salários e diárias? Como faremos nossas caridades, quem necessitará da nossa piedade? Que privilégios teremos sendo todos tão semelhantes, tão iguais? Como conviver sem a superioridade dos sobrenomes nas universidades, nas profissões, nas ciências, na política? Como compartilhar espaços de convivência, antes tão restritos, nos aviões, nos hotéis, nos cinemas, nos teatros e nos palácios?

Essas profundas mudanças que estão em curso no Brasil, que têm origem no governo Lula e terão continuidade no governo Dilma implantam pavor e preconceito na grande maioria da elite brasileira e na parte mais conservadora da nossa sociedade. Por isso há um debate disfarçado de religiosidade utilizado pelo conservadorismo político, daqueles que não querem que o Brasil siga mudando. A maior prova desse argumento é que não há um único segmento específico contra o projeto Lula/Dilma.

Parte da elite brasileira, a que é moderna, produtiva e progressista está apoiando a candidatura Dilma, assim como a maioria dos religiosos, dos intelectuais, da classe média, da juventude, dos professores e de todos aqueles brasileiros e brasileiras que não teriam dúvida no século XIX em lutar contra a escravidão e que passarão para a história como aqueles que não tiveram a dúvida contemporânea em escolher no século XXI o projeto político que põe fim a pobreza e a miséria e libertam do jugo da exploração o povo pobre do Brasil.

Comparativamente aos anos 1880, estamos nos aproximando do momento em que uma mulher, Dona Isabel, princesa imperial do Brasil, assinaria por definitivo a Lei Áurea. E, como em todo fim de uma era, as resistências são truculentas e coléricas. Analogamente, a campanha de Serra representaria a última trincheira da mais feroz resistência ao fim da escravidão.

Por sorte, o Brasil segue seu rumo em direção ao futuro, com orgulho do presente, com apoio de 80% dos que aprovam o governo Lula e que elegerão Dilma presidente. Estabelecendo essa analogia com a luta pela libertação dos escravos, na luta pelo fim da pobreza os intelectuais de hoje são os Joaquim Nabuco de outrora, os atuais artistas, os Castro Alves de antanho e o povo brasileiro de agora, os que lutaram pela libertação dos seus irmãos escravizados pela elite conservadora daqueles tempos. Surge uma nova liberdade no horizonte do Brasil.

25/10/2010

últimos episódios da batalha?

Depois do episódio da falsa agressão a José Serra, com a fagueira imagem da bolinha de papel voando pelo Brasil afora, a eleição, apesar de dramática, vai ganhando ares de comédia pastelão.

Aparentemente, a direita raivosa vai perdendo a noção do ridículo. Mas essa postura patética de Serra e aliados (aí se incluindo descarados veículos da grande mídia golpista, claro) pode ser extremamente enganadora. Patéticos, há muito eles o são, o que não quer dizer que não sejam também extremamente espertos.

O artigo abaixo, a quinta onda contra Dilma e o PT,  alerta para uma possibilidade sombria e perigosa, que talvez seja concretizada, nesta semana decisiva, pela Guerra Suja do PSDB, do DEM, dos conservadores católicos e evangélicos e da grande mídia.

Trata-se da 5ª Onda contra a campanha de Dilma, que seria a fabricação ou a provocação de um fato concreto que, às vésperas da eleição, confirmaria e inculcaria na mente dos eleitores a suposta violência e intolerância de petistas e simpatizantes da campanha de dIlma. O patético episódio da bolinha de papel seria na verdade um ensaio, um começo da fabricação dessa imagem de violência e intolerância.

Quem acha isso muito fantasioso, que se lembre das armações que a direita raivosa aprontou em 89 e que leia com atenção o texto sobre a  a quinta onda contra Dilma e o PT, do jornalista Rodrigo Viana
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No mais, a não ser pela perigosa possibilidade dessa última armação, parece que a dura Batalha de 2010 será decidida em favor da candidatura de centro-esquerda do PT-PMDB e coligados. Pois não são apenas as pesquisas que apontam uma recuperação e uma retomada da tendência de alta da candidatura Dilma. Essa tendência também se percebe nas ruas, nas conversas em geral.

Claro que vai ser uma disputa acirradíssima, mas já se percebe uma menor resistência nos setores populares, mesmo entre os evangélicos e católicos. O estrago da boataria e do preconceito do primeiro turno não foi remediado, mas ao menos se percebe um estancamento da sangria de votos e uma perda da eficácia das calúnias e difamações de cunho religioso e moralista.

Várias inciativas contribuíram para essa recuperação: a eficácia no combate à boataria e à calúnia, com o consequente desmonte e desmascaramento dos métodos dos adversários (os panfletos clandestinos na gráfica do PSDB e a denúncia contra a Central de Telemarketing, para citar dois exemplos); uma maior aproximação com as lideranças evangélicas, com o engajamento efetivo de algumas delas na Campanha, e uma postura mais contundente de Dilma nos programas de televisão.

Por fim, não se pode esquecer a iniciativa mais importante, que é o resgate da militância petista. A direção do PT se descuidou demais daquilo que o Partido tem de melhor, que é a capacidade de envolver a sociedade no debate e na participação política. A campanha demorou a sair do presunçoso e abstrato domínio dos marqueteiros políticos e produtores de televisão. Demorou a vir para as ruas, praças e conversas do dia a dia.

Tivesse havido campanha real, de carne e osso, no último mês antes do primeiro turno (nem boca de urna houve!) provavelmente teríamos evitado um cada vez mais perigoso e raivoso segundo turno.

Mas que venha a dura e merecida vitória. E, oxalá, não haja mais motivos para sobressaltos e alertas. Oxalá esses sejam os últimos textos sobre a histórica Batalha de 2010 a serem publicados aqui antes das eleições. 
Deixemos as considerações críticas ao PT para depois, teremos muito tempo para abordar temas espinhosos.
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Seguem então dois textos que, espero, sejam os últimos antes do Domingo da batalha final.
O de Emir Sader, 10 coisas que devemos fazer para garantir a vitória da Dilma, que na verdade é uma convocação, uma lembrança ou uma sugestão para posturas e ações que militantes e simpatizantes da campanha de Dilma.
E o de Rodrigo Viana, que já citei acima.

E que venha vitória da verdade sobre mentira, da lenta, difícil, mas inelutávelrre construção da democracia direta e popular em nosso Brasil, em nossa América Latina e em nosso mundo!!!!!

10 açoes para a vitória

10 coisas que devemos fazer para garantir a vitória da Dilma
postado por Emir Sader em seu blog , no site cartamaior.com.br

1. Conversar com quem não pretende votar nela, argumentar sobre as razões pelas quais você vai votar, ouvir as razões do voto da pessoa e contra argumentar.

2. Sair com plásticos, bandeiras, bottons, tudo o que identifique nosso voto.

3. Acionar redes de internet com freqüência, reenviar mensagens, responder outras, escrever e mandar – em suma, fazer circular ao máximo as mensagens que acredita que possam favorecer o voto na Dilma.

4. Denunciar sistematicamente, multiplicando pelos endereços já existentes, a rede de calúnias que a direita continua a fazer circular.

5. Fazer circular especificamente as declarações da Dilma e do Lula.

6. Tomar a iniciativa de marcar atividades – seja com grupos de propaganda nas ruas, seja em debates nos setores onde exista certo número de indecisos, de gente que pensa votar em branco ou passível de ser convencido do voto pela Dilma.

7. Fazer campanha sistematicamente para que as pessoas votem, só viajando depois de fazê-lo, caso pensem viajar.

8. Ir votar, se possível, com algo de vermelho na roupa.

9. Reiterar a necessidade dos eleitores terem que levar algum documento com foto.

10. Não nos fiarmos nas expectativas geradas pelas pesquisas e disputar votos até o último momento, para garantirmos a vitória da Dilma.

a quinta onda contra Dilma e o PT

Cinco Ondas da campanha contra Dilma Rousseff
por Rodrigo Vianna, extraído do site Escrevinhador

O jornalista Tony Chastinet é um especialista em desvendar ações criminosas. Sejam elas cometidas por traficantes, assaltantes de banco, bandidos de farda ou gangues do colarinho branco. Foi o Tony que ajudou a mostrar os caminhos da calúnia contra Dilma, como você pode ler aqui.

O Tony é também um estudioso de inteligência e contra-inteligência militar. E ele detectou, na atual campanha eleitoral, o uso de técnicas típicas de estrategistas militares: desde setembro, temos visto ações massivas com o objetivo de disseminar “falsa informação”, “desinformação” e criar “decepção” e “dúvida” em relação a Dilma. São conceitos típicos dessa área militar, mas usados também em batalhas políticas ou corporativas – como podemos ler, por exemplo, nesse site.

Na atual campanha, nada disso é feito às claras, até porque tiraria parte do impacto. Mas é feito às sombras, com a utilização de uma rede sofisticada, bem-treinada, instruída. Detectamos nessa campanha, desde a reta final do primeiro turno, 4 ondas de contra informação muito claras.

1) Primeira Onda – emails e ações eletrônicas: mensagens disseminadas por email ou pelas redes sociais, com informações sobre a “Dilma abortista”, “Dilma terrorista”, “Dilma contra Jesus”; foi essa técnica, associada aos sermões de padres e pastores, que garantiu o segundo turno.

2) Segunda Onda – panfletos: foi a fase iniciada na reta final do primeiro turno e retomada com toda força no segundo turno; aqueles “boatos” disformes que chegavam pela internet, agora ganham forma; o povão acredita mais naquilo que está impresso, no papel; é informação concreta, é “verdade” a reforçar os “boatos” de antes;

3) Terceira Onda – telemarketing: um passo a mais para dar crédito aos boatos; reparem, agora a informação chega por uma voz de verdade, é alguém de carne e osso contando pro cidadão aquilo tudo que ele já tinha “ouvido falar”.

4) Quarta Onda – pichações e faixas nas ruas: a boataria deixa de frequentar espaços privados e cai na rua; “Cristãos não querem Dilma e PT”; “Dilma é contra Igreja”; mais um reforço na estratégia. Faixas desse tipo apareceram ontem em São Paulo, como eu contei aqui.

O PT fica, o tempo todo, correndo atrás do prejuízo. Reparem que agora o partido tenta desarmar a onda do telemarketing. Quando conseguir, a onda provavelmente já terá mudado para as pichações.

Há também a hipótese de todas as ondas voltarem, ao mesmo tempo, com toda força, na última semana de campanha. Tudo isso não é por acaso. Há uma estratégia, como nas ações militares.

O que preocupa é que, assim como nas guerras, os que tentam derrotar Dilma parecem não enxergar meio termo: é a vitória completa, ou nada. É tudo ou nada – pouco importando os “danos colaterais” dessas ações para nossa Democracia.

Reparem que essas ondas todas não foram capazes de destruir a candidatura de Dilma. Ao contrário, a petista parece ter recuperado força na última semana. Mas as dúvidas sobre Dilma ainda estão no ar.

Minha mulher fez uma “quali” curiosa nos últimos dias. Saiu perguntando pro taxista, pro funcionário da oficina mecânica, pro vigia da rua de baixo, pra moça da farmácia: em quem vocês vão votar? Nessa eleição, pessoas humildes- quando são indagadas por alguém de classe média sobre o assunto - parecem se intimidar. Uns disseram, bem baixinho: “voto na Dilma”, outros disseram “não sei ainda”. Quando minha mulher disse que ia votar na Dilma, aí as pesoas se abriram, declararam voto. Mas ainda com algum medo de serem ouvidos por outros que chamam Dilma de “terrorista”, “vagabunda”, “matadora de criancinhas”.

O que concluo: as técnicas de contra-inteligência de Serra conseguiram deixar parte do eleitorado de Dilma na defensiva. As pessoas – em São Paulo, sobretudo -têm certo medo de dizer que vão votar em Dilma.

Esse eleitorado pode ser sensível a escândalos de última hora. Não falo de Erenice, Receita Federal, Amaury – nada disso.

Tony teme que as o desdobramento final da campanha (ou seja a “Quinta Onda”) inclua técnicas conhecidas nessa área estratégico-militar: criar fatos concretos que façam as pessoas acreditarem nos boatos espalhados antes.

Do que estamos falando? Imaginem uma Igreja queimando no Nordeste, e panfletos de petistas espalhados pela Igreja. Imaginem um carro de uma emissora de TV ou editora quebrado por “raivosos petistas”.

Paranóia?

Não. Lembrem como agiam as forças obscuras que tentaram conter a redemocratização no Brasil no fim dos anos 70. Promoveram atentados, para jogar a culpa na esquerda, e mostrar que democracia não era possível porque os “terroristas” da esquerda estavam em ação. Às vezes, sai errado, como no RioCentro.

Por isso, vejo com extrema preocupação o que ocoreu hoje no Rio: militantes do PT e PSDB se enfrentaram numa passeta de Serra. É tudo que o que os tucanos querem na reta final: a estratégia, a lógica, leva a isso. Eles precisam de imagens espataculares de “violência”, da “Dilma perigosa”, do “PT agitador” – para coroar a campanha iniciada em agosto/setembro.

Espero que o Tony esteja errado, e que a Quinta Onda não venha. Se vier, vai estourar semana que vem: quando não haverá tempo para investigar, nem para saber de onde vieram os ataques.

Tudo isso faz ainda mais sentido depois de ler o que foi publicado aqui , pelo ”Correio do Brasil”: uma Fundação dos EUA mostra que agentes da CIA e brasileiros cooptados pela CIA estariam atuando no Brasil – exatamente como no pré-64.

Como já disse um leitor: FHC queria fazer do Brasil um México do sul (dependente dos EUA), Serra talvez queira nos transformar em Honduras (com instituições em frangalhos).

Os indícios estão todo aí. Essa não é uma campanha só “política”. Muito mais está em jogo. Técnicas de inteligência militares estão sendo usadas. Bobagem imaginar que não sejam aprofundadas nos dez dias que sobram de campanha.

Por isso, o desespero do PSDB com as pesquisas. Ele precisa chegar à ultima semana com diferença pequena. Se abrir muito, até a elite vai desconfiar das atitudes das sombras, vai parecer apelação demais.

Por último, uma pergunta: por que o “JN” adiou o Ibope – que deveria ter sido divulgado ontem? Porque Serra estava na bancada do jornal.

A Globo não quis constranger Serra com uma pesquisa ruim? Imaginem as pressões sobre Montenegro, de ontem pra hoje? O PSDB precisa segurar a diferença em 8 pontos no máximo.Para que a estratégina de ataque final, na última semana, tenha chance de surtir efeitos.

Estejamos preparados pra tudo. E evitemos entregar à turma das sombras o que ela quer: agressões contra Serra, contra Igrejas, contra carros de reportagem.

O Brasil precisa respirar fundo e passar por esse túnel de sombras em que acampanha de Serra nos lançou."

20/10/2010

a falsa agressão

Relatos sobre confusão no Rio: Serra quer virar vítima para armar Quinta Onda? (para saber mais sobre as “Ondas” da campanha contra Dilma, clique aqui)
por Rodrigo Viana, publicado originalmente no Escrevinhador

 Recebi agora relato de Flávio Loureiro – jornalista e blogueiro no Rio - sobre os incidentes ocorridos em Campo Grande, envolvendo Serra, militantes do PSDB e militantes do PT. Segue o relato:
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1 – Serra marcou uma caminhada no calçadão de Campo Grande com forte aparato de segurança.
2 – O sindicato dos mata-mosquitos, demitidos na época em que Serra era ministra da Saúde de FHC, se localiza nas imediações.
3 – O processo de demissão dos mata-mosquitos foi traumático, a ponto de trabalhadores perderem tudo, e foram registrados cinco suícdios entre os mata-mosquitos demitidos.
4 – A categoria organizou manifestação no calçadão de Campo Grande.
5 – Os petistas da região, que organizam panfletagens no calçadão, sabendo do quadro, foram para lá evitar confrontos.
6 – Mas os seguranças de Serra, liderados por Júnior, filho da vereadora e deputada estadual Lucinha (PSDB), rasgaram os cartazes dos mata-mosquitos, aí o tumulto começou. Vale lembrar que a comitiva de Serra estava distante do local do conflito, mas Serra foi visto entrando numa Van sem qualquer ferimento.
7 – O miltante petista Carlos Calixto foi agredido e teve o supercílio rasgado, e ainda sangrando foi para a Delegacia Policial registrar a ocorrência.
8 – Segundo o militante petista Sebastião Moraes, a confusão só não foi maior porque outros mata-mosquitos que vinham se incorporar à manifestação chegaram atrasados.
9 – O pessoal mata-mosquitos que estava na manifestação não tem vínculo com o PT. Essa turma tem dois sentimentos básicos: paixão por Lula, que os reincorporou; e ódio por Serra/FHC, que os demitiu.
Abs, Flávio Loureiro
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Agora volto eu, Rodrigo Vianna. Como informei via twitter durante a tarde, assisti imagens brutas da confusão. Vou relatar o que vi:
1) Serra caminha numa calçada, ao lado de Indio e Gabeira…
2) Há militantes com bandeiras do Serra e vários seguranças à paisana, com aquele corte de cabelo típico de p-2 (serviço reservado), vao empurrando a turma do PT que está por ali.
3) Há empurrra empurra. Cenas nitidas de um rapaz muito forte, de camisa amarela: bate nuns caras de camisa vermelha. Petistas reagem.
4) Serra para varias vezes. Entra numa loja, depois entra numa van. Sai de novo. Quando vai pra van pela segunda vez, põe a mao na cabeça.
5) Parece mesmo ter sido atingido. Mas a gente não vê direito o que era. Depois, aparece um cara com camisa vermelha (petista?), ensanguentado. Serra entra na van.
6) Sai pela última vez, fica só na porta da van, e dá tchauzinho ao lado de Índio. A careca reluzente, nenhum machucado à vista. E vai embora.

Na sequência, pelo que me contam colegas jornalistas do Rio, Serra seguiu para um hospital, foi atendido por um médico (ex-secretario de Cesar Maia) que recomendou repouso. Serra cancelou agenda.
Dizem que foi atingido por um rolo de fita crepe, ou algo parecido.

Na minha humilde opinião, está só preparando o clima. Semana que vem tem mais. É a quinta onda de terror, para “provar” violência de Dilma e PT.